:: home :: posts passados :: etilíricas :: je me souviens :: microcontos ::


Todos

Todos os posts do mês. Para selecionar uma seção, clique no menu ao lado.


.:: mês anterior :: :: :: :: April 2004 :: :: :: :: próximo mês ::.

30 Abril

Resenhas de quatro palavras

Cinéfilo que é cinéfilo (que é, sempre, gente esquisita que é gente esquisita) conhece e recomenda o site americano Four Word Film Review, em que interneteiros e participantes entusiasmados escrevem resenhas de filmes (em cartaz ou não) obedecendo a um único preceito: como diz o título do site, as resenhas não podem ultrapassar quatro palavras. Os resultados variam entre o trocadilho infame e o simples resumo do enredo, mas sempre há aqui e acolá uma boa sacada que faz a visita valer a pena (como na resenha do "Jornada nas Estrelas III – À Procura de Spock", que virou "Finding Nimoy"). O blog Hipopótamo Zeno, interessado na difusão da cultura cinematográfica para a população de baixa renda e vocabulário mínimo, resolveu aderir ao movimento dos irmãos ao norte do Rio Grande e apresenta, mui modestamente, algumas sugestões de resenhas de filmes em exibição nas salas paulistanas:

Adeus, Lênin:
Tijolo por tijolo

Alguém tem que ceder:
Arapuca para homens

Anti-herói americano:
Quero ser Robert Nerd

Benjamim:
Da mão pro pires

As bicicletas de Belleville:
Mahagony em duas rodas

Diários de motocicleta:
Mocheleiros em duas rodas

Dogville:
Regia cane

Em carne viva:
Harry e Sally hardcore

Encontros e desencontros:
Tokyo gagá

As invasões bárbaras:
O Canadá é aqui

Kill Bill:
Tensão pré-marcial

Osama:
Não é o Bin

A paixão de Cristo:
Mocinho morre no final
15:56:31 - hubbell - 11 comentários

Eu me lembro

E por falar em Juarez Soares, eu me lembro que ele, antes de ficar conhecido como Le Rouge, teve sua fase parmenidiana amplamente conhecida, graças à popularização, em sua boca, do mote "Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa". Como lembra a amiga blogueira Maristela no comentário do post abaixo, Luciano do Valle, contaminado pela proximidade física com o parmenidiano em questão, soltou também uma variante condensada do marco da filosofia ocidental que é o "O ser é, e o não-ser não é": ao dizer, sobre uma jogada magistral de Platini, "Se entrar, é gol!", Luciano nada mais fez do que apresentar aos pobres e incultos telespectadores a conclusão de um raciocínio disjuntivo sofisticadíssimo, de tipo "S implica P", ou "Se S, então P", que desmembramos aqui: "Se a bola cruza a linha branca abaixo das três traves (S), então se configura o gol (P); se ela não cruza (não-S), então não é gol (não-P). A bola cruzou (S); logo, é gol (P)". E tudo isso numa transmissão televisiva num domingo de manhã. Não é pra qualquer um.
13:27:35 - Zeno - 5 comentários

Eu me lembro

Aproveitando o gancho do post abaixo, eu me lembro de uma frase wittgensteiniana do Luciano do Valle, numa transmissão futebolística dos tempos em que ele era acompanhado por alguns dos principais filósofos do Círculo de Viena, como Ely Stuart Mill Coimbra, Juarez Le Rouge Soares e Elia Thaumazein Júnior. Perto do fim da partida, depois de uma jogada meio duvidosa que dava margem a interpretações (e contestações) de ambos os lados, Luciano solta o aforisma: "Às vezes os fatos desmentem a realidade".
12:51:53 - Zeno - 2 comentários

Os mistérios da matemática futebolística

Deu no Pelé.net: Verdão empata com Vitória no Parque. Equipe paulista saiu perdendo, virou em quatro minutos, mas cedeu o empate e continua sem vencer no nacional. (...) Mal começou a partida no Parque Antarctica e o torcedor do Palmeiras teve motivos para lembra dos vexames que já passou diante do Vitória. Afinal, Edílson, de pênalti, abriu o placar para a equipe baiana aos 8min. O mesmo torcedor viu minutos depois a sua equipe repetir as viradas com raça da Série B do ano passado. Em quatro minutos, o time de Jair Picerni ficou em vantagem no placar com gols de Vágner Love, aos 16min, e Pedrinho, aos 18min.

Lôco, né?
11:48:49 - Zeno - Comentar

28 Abril

Daniel Feingold, ou O macramê metafísico

ateliê feingold
Os traços se adensam de modo asfixiante, no limite físico da trama de fios, e criam como que uma segunda superfície, acima do suporte da tela de tecido branca que, em algum momento lá atrás, a sustentou. Simultaneamente ao adensamento, surgem planos, perspectivas contraditórias, movimentos instáveis que escapam do espectador e remetem os olhos alternadamente pra dentro e pra fora do quadro, nas laterais que mostram os fios em fuga (o que só se percebe, na foto acima, no detalhe lateral do quadro à direita). O resultado, misto de prazer racional e aesthesis bebum, atinge sua plena realização em quadros e painéis com dimensões inconcebíveis, cinco, seis metros que passeiam do delirante ao tranqüilo e que mostram, por A mais B, aquilo que nem seria preciso repetir, não fossem os tempos das instalações de hoje tão bicudos: a convivência feliz entre rigor formal e inquietação vivida.

(do nosso enviado especial e pictórico ao Rio de Janeiro)
17:04:26 - Zeno - 19 comentários

Etilíricas

cyber café

ela banda larga

eu ping
17:00:00 - hubbell - Comentar

Elogio da vagabundagem blogueira, ou Como esconder seu hollerith

"O ideal social do tempo do honnête homme [séc. XVII] pedia uma educação e uma atitude as mais universais possíveis; procurava-se distância de qualquer especialização, mesmo a do poeta ou do sábio; quem quisesse ter valor inteiro na sociedade, não deveria deixar transparecer as bases econômicas da sua vida, nem a sua especialização profissional, caso a possuísse; do contrário, era tido por pedante, extravagante e ridículo; só era permitido mostrar aquelas aptidões que também pudessem ser tidas por hobbies elegantes e que contribuíssem para o divertimento leve e agradável em sociedade."

Erich Auerbach, Mímesis

(da série “Cultivo bom é cultivo subsidiado pelo dinheiro público”)
11:22:24 - Zeno - 3 comentários

26 Abril

Ventriloquia

Você anda com a auto-estima baixa, ou a baixa estima alta? Precisa de um conforto ou uma palavra amiga, mas sua mulher prefere o Fábio Assunção como companhia célebre? Hipopótamo Zeno, em fase Tabajara, afirma: seus problemas acabaram! Basta você clicar aqui, selecionar o idioma e a moçoila (pode ser moçoilo, também, que ninguém faz muitas perguntas), e pedir a ela/ele que diga as frases que você mesmo escolhe e digita, desde um simples e básico "eu te amo" até coisas mais elaboradas, como "nossa, que negócio imenso você tem entre as pernas", "nunca tive um homem tão bom como você", "não sou do tipo que cospe", etc. É ver – e ouvir – pra crer.

(crdt jr)
15:01:06 - hubbell - 2 comentários

O primeiro Valisère a gente nunca esquece

"Mete os peitos que o mundo é um sutiã."

John Self Senior

(frase pinçada do comment do John Self Junior postado aqui)
12:10:18 - hubbell - Comentar

24 Abril

Bianca (1984)

Quando postamos um Je me souviens a respeito da febre dos tamancos (veja aqui) que acometeu as garotas no ginásio onde estudávamos, em meados dos anos setenta, houve vozes maliciosas aqui no blog que apontaram a, hum, coincidência entre o que dizíamos e uma observação solta feita por Nanni Moretti em seu quarto longa-metragem Bianca, de 1984. Quem plagiou quem? Após ver o filme ontem, e com a modéstia intimorata que é, afinal, nosso único patrimônio, podemos afirmar que o mistério finalmente se esclareceu: agora já se sabe com certeza o paradeiro posterior daquele italianinho magrela e esquisito que fazia intercâmbio lá na nossa escola e que atendia pelo nome de Giovanni.

(do nosso enviado especial e fashion victim ao Rio de Janeiro)
10:55:35 - Zeno - 3 comentários

Elefante (2003)

Os planos-seqüência são fascinantes, é verdade, e garantem ao filme uma fluidez inquietante. A câmera acompanha as personagens de perto e deixa todo o resto fora de foco, duplicando a sensação típica do "adolescente-que-se-acha-o-centro-do-mundo" e contribuindo para o clima onírico e irreal dos eventos - com o perdão antecipado do clichê. Mas quem matou a charada foi um amigo que viu o filme e comentou: "Ué, mas isso não passa de um desses filmes-catástrofe convencionais, tipo 'Inferno na Torre', 'Terremoto', etc., com aquela estrutura manjada de apresentação das personagens, entrecho-enrolação que traz as características individuais mais a localização espacial dos eventos, e o desfecho cataclísmico final, onde acompanhamos com pesar ou alívio o que acontece com cada um deles". É isso aí - Cannes já acertou mais a mão do que desta vez.

(do nosso enviado especial e cinematográfico ao Rio de Janeiro)
10:41:15 - Zeno - 1 comentário

23 Abril

Estepes tropicais

O Guia Hipopótamo Zeno recomenda: estreou ontem no Teatro do Planetário, na Gávea, a peça Uma doce criatura, baseada em conto barra pesada do russo louco Dostoiévski. No lugar do quartinho sujo e sem calefação num prédio insalubre de São Petersburgo, o cenário da peça oferece um imenso paralelepípedo transparente de plástico que lembra as dependências assépticas de um manicômio high tech. O resultado, e este é apenas um dos méritos da montagem, consegue ser mais asfixiante e desesperador-huis clos que o tal quartinho clichê. Ao final, depois que a paranóia grudar em você feito lodo que era neve há apenas três dias, rebata tudo com uma dose (não seja modesto - duas ou três) de Stolichnaya, como a que foi gentilmente ofertada pelo Consulado Russo na noite de estréia.

(do nosso enviado especial e dramatúrgico ao Rio de Janeiro)
19:25:00 - Zeno - 25 comentários

tropicões nos tropicálios e radicais do brazêll, êll, êll

pois é, e acabei indo ver o docudramatragipatético sobre o seunosso sérgio-pai-do-chico, mas ñ da pátria e sim da percepção da raíz elí(p)tica desse nosso mal q. tanto nos causamos, entediados em tramar nós e nossos nós.
fomos crentes q. um grande cineasta, da geração q. criou uma visada criticoativa da gente, moderna e propositiva prachuchu, ia se divertir, inteligentem/e, c/ as idéias do seunosso sérgio.
enfim, q. poderíamos, humil-dem/e, assistir a um grande papo.

mais q. nada, como dizia o sábio jorgeben, pré-jor. [Leia mais!]
00:08:30 - John Self - 2 comentários

22 Abril

Pit bulls da informação

O amigo Mateus S. manda-nos por e-mail um artigo de Arianna Huffington, que não temos a menor idéia de quem seja (dê a ficha da moça, Mateus!), sobre o mundinho blogger e seus desdobramentos jornalísticos. Seu endereço na rede é http://www.ariannaonline.com/blog/index.php. Segue uma tradução caseira de alguns trechos:

"(...) O problema não é que as histórias que me interessam não estejam sendo cobertas; é que elas não estão sendo cobertas de um modo obsessivo que quebre o barulho do nosso universo de 500 canais de TV. Porque aqueles 500 canais não significam que tenhamos 500 vezes o exame e a investigação de histórias ou notícias que valham a pena. Significa que temos o mesmo embrulho de sabedoria convencional e estreita repetido 500 vezes. Como em 'Dean é um sujeito raivoso' [Howard Dean, o esquentadinho pré-candidato das prévias do Partido Democrata].

De modo paradoxal, nestes dias de comunicação instantânea e canais de notícias 24 horas, é na verdade mais fácil deixar passar uma informação a que poderíamos prestar atenção se as coisas fossem diferentes. É por isso que precisamos de histórias que sejam cobertas e re-cobertas e re-re-cobertas e cobertas novamente - até que estejam suficientemente filtradas para fazerem parte da corrente sangüínea cultural. [Leia mais!]
16:16:36 - Zeno - 4 comentários

Pela legalização do bingo

Frase do Ivan Lessa extraída de uma Antologia Brasileira do Humor, editada pela L&PM em 1976 e perdida aqui em casa há quase tanto tempo [aliás, a notinha biográfica que apresenta o Ivan também traz as teias de aranha do tempo: "Ivan Pinheiro Themudo Lessa nasceu em 9 de junho de 1935, em São Paulo. Iniciou como profissional em 1958, na revista Senhor. Foi colaborador de diversos jornais e revistas do país. Atualmente é editor do Pasquim, no Rio de Janeiro, onde reside"]: "O exercício do jogo democrático, se liberado, só será permitido em balneários, estações de águas e hotéis de luxo".
16:14:21 - hubbell - 6 comentários

Non ducor duco

Nota publicada na coluna de Ancelmo Góis, n'O Globo de hoje, com o título "Prefiro a Rocinha": "Veja como Rio e São Paulo não se topam. Mesmo entre cariocas pobres, a riqueza paulista não atrai. O Ibope perguntou a moradores de favelas em qual cidade, de jeito nenhum, gostariam de viver. São Paulo ganhou com 45%".

Lôco, né?

(do nosso enviado especial e estatístico ao Rio de Janeiro)
16:11:26 - Zeno - 3 comentários

Jurassic Park

E por falar em criança, segue um sketch de uma peça vista anteontem no Teatro Café Pequeno, no Leblon: tio recebe o sobrinho de 7 anos em casa, pra passar o dia. O garoto aterroriza todo mundo aos berros de "Eu sou um dinossauro feroz!", "Eu sou um dinossauro feroz!!". A empregada, evangélica, fica assustada, chama o garoto num canto e diz: "Não, meu bem, você é uma ovelhinha de Jesus". O garoto escuta com atenção, pára um instante e sai gritando com voz ainda mais grossa e rouca: "Eu sou uma ovelhinha de Jesus, eu sou uma ovelhinha de Jesus!!!".

(do nosso enviado especial e cênico ao Rio de Janeiro)
16:09:00 - Zeno - Comentar

Eu me lembro

Eu me lembro de uma história de perspicácia infantil. O amigo X, recém-separado de Y, vai visitar o casal de amigos A e B, que tem um filhinho de 5 anos, C. X toca a campainha, C corre para abrir e grita "É o titio X e a titia Y!!". A mãe, do quarto, alerta: "Não, é o titio X com a nova titia Z". O pai, da cozinha, grita mais alto: "Não, não, Z já foi, é o titio X com sua nova titia W". X, sozinho no corredor, do lado de fora, escuta o diálogo familiar e acha graça na confusão. C abre a porta, olha com desprezo e recriminação para X, vira as costas e entra novamente no apartamento.

(do nosso enviado especial e memorioso ao Rio de Janeiro)
16:07:51 - Zeno - 2 comentários

O Rio de Janeiro, d'après Felipe, Schiller e Chambers

Chegar ao Rio em dia de conquista de campeonato pelo Flamengo já contribui para o viajante se sentir bem recebido. Aí você acorda no dia seguinte, vai até a livraria tomar um café caprichado, compra a nova edição da peça do Schiller, A noiva de Messina, com a tradução do Gonçalves Dias organizada pelo Manuel Bandeira e que estava fora de catálogo desde a década de quarenta. Pra arrematar, você consegue encontrar na mesma loja aquele disco que busca há anos, o Whims of Chambers, do baixista Paul Chambers, acompanhado simplesmente por John Coltrane no sax, Donald Byrd no trumpete, Kenny Burrell na guitarra, Horace Silver no piano e Philly Joe Jones na batera. Só resta, então, admitir: a cidade sorri pra você - e deixe que o oblívio se encarregue das rosinhas e garotinhos imerecidos.

(do nosso enviado especial e desplugado ao Rio de Janeiro)
16:05:13 - Zeno - 3 comentários

Serviço de branco

Deu no Estadão de hoje que "um dos mais famosos comentaristas esportivos da Grã-Bretanha, Ron Atkinson, foi demitido ontem da emissora de televisão ITV após tecer comentários racistas sobre o jogador do Chelsea, o francês Marcel Desailly (...) Atkinson disse, em inglês: 'He´s what is known in some schools as a fucking lazy thick nigger'. A tradução aproximada a (e) aliviada para o português seria: 'Ele é o tipo (de) cara considerado por algumas escolas como um negro danado de preguiçoso'."

Obviamente a fala só foi ao ar porque alguns microfones estavam ligados quando deveriam estar desligados. Bem feito. Quem mandou "judiar" do jogador "denegrindo" sua imagem perante o público?

PS1: bonitinho o eufemismo do Estadão, não? "Fucking" virar "danado" é hilário...

PS2: A revisão do
Estadão não anda lá essas coisas. Entre parênteses a minha contribuição

PS3: Racismo é racismo e deve ser combatido sempre. E sem trégua.
11:40:19 - Sorel - Comentar

18 Abril

Momento poético

"Sonhei que era meu filho".

(patrocinado pelos sabonetes Berggasse – "um sopro de inconsciente em sua vida")
11:52:00 - Zeno - 3 comentários

Clássicos da Literatura Brasileira Revisitados/Manuel Bandeira


Unidade

Minhalma estava naquele instante
Fora de mim longe muito longe.
Chegaste,
E desde logo foi verão.
Adiantei meu relógio em 1 hora.
10:12:19 - hubbell - Comentar

Eu me lembro

Eu me lembro do seqüestro do Aldo Moro. E me lembro também que, anos depois, isso virou sinônimo de notícia velha: quando alguém chegava contando alguma história ou notícia sabidas por todo mundo, uma outra pessoa respondia: “Sério? É verdade? E você viu também que seqüestraram o Aldo Moro?”.
09:49:53 - hubbell - Comentar

15 Abril

Momento poético - subseção traduções (parte II)

E por falar em Sinatra, Gershwin e Porter, segue trecho de um poema batuta do Goethe, escrito especialmente para a irmã do Felix Mendelssohn, Fanny Hensel, para que ela musicasse. Depois do poema, três tentativas de tradução caseira novamente metidas a engraçadinhas:

Wenn ich mir in stiller Seele
Singe leise Lieder vor:
Wie ich fühle, dass sie fehle,
Die ich einzig mir erkor

Quando aqui estou quieto, tranqüilo, sossegado,
Cantando canções vagabundas - imitando Sinatra,
Sinto no tédio de minha vida sua falta, um achado,
Enquanto gritam alto lá fora – "tá pronta a alcatra!".


Ou:

No ego absorto,
Canto Sinatra.
Sinto sua falta -
Psiquiatra?


Ou:

Solidão alucina.
Canto Porter, canto Hart.
Estranha esgrima -
Cadê minha outra parte?

17:23:11 - Zeno - 5 comentários

Momento poético - subseção traduções

I can't get started, do Ira Gershwin, uma das canções prediletas aqui do blog, tem a peculiaridade de apresentar diferentes estrofes conforme o intérprete da música (e muita gente já gravou a música, do Sinatrão e da Ella até a Rickie Lee Jones), um pouco como o texto de "You're the top", do Cole Porter, que muda a cada nova versão. Duas das estrofes que nem sempre aparecem nas gravações seguem abaixo, com direito a tradução caseira metida a engraçadinha:

In Cincinatti or in Rangoon,
I simply smile and all the girls swoon.
And with queens, I've a la carte,
But I can't get started with you.

Em Pinheiros ou no Butantã,
Eu sorrio e as garotas "Annnhhh".
Prefeitas e deputadas, tenho a granel,
Mas com você ainda não saiu do papel.


I've flown around the world in a plane,
Design of the latest IBM brain.
But lately I'm so downhearted,
'Cause I can't get started with you.

Viajei até o Tibete,
Já surfei na Internet.
Agora, tô com este bloqueio:
Eu e você, só na droga do e-mail!
13:03:53 - Zeno - Comentar

Broa de milho é a pqp (parte III)

A quem interessar possa, tá rolando uma discussão interessante sobre as mazelas da vida nacional aqui no Hipopótamo Zeno, nos comentários a este texto. Pedem-se palpites, pitacos, participações e pendengas, please.
12:25:57 - Zeno - Comentar

13 Abril

Etilíricas

bar fiado

ela hoje não

eu só amanhã

(com a ajuda da ai!)
17:23:32 - Zeno - Comentar

Etilíricas

bar litorâneo

ela casquinha

eu cação

(com a ajuda da ai!)
17:21:46 - Zeno - Comentar

Broa de milho é a pqp (parte II)

E tem mais gente, antes de nós e com mais verve, que andava reclamando do Festival de Esnobismo Juvenil que Assola o País (Fejuapa): a syncrônica Cynthia, consorte do sempre citado Almirante Nelson (e que não é o Capitão Lee), em seu blog batuta batizado agora de Cyn City. Vá, visite e veja a vida inteligente da longínqua Goiânia.
13:19:17 - Zeno - Comentar

12 Abril

O sexo, a contravenção e a indústria automobilística

A notícia é velha (28/03/2004), mas como a gente esqueceu de mencionar antes, vai assim mesmo. Deu no Agora: "Polícia prende atriz pornô acusada de raptar garoto na zona norte de SP. A stripper e atriz pornô Lucimeire Lima Santos, a Meire, 26 anos, foi presa na noite de ontem pelos policiais do 72º DP. (...) A polícia, depois de receber telefonemas anônimos, encontrou a dançarina num barraco abandonado da favela do Jardim Elisa Maria (zona norte). (...) Atirando, Meire fugiu, só de calcinha e envolta em uma toalha, pulando por cima das lajes. (...) Ela trabalhara como dançarina na boate do pai de M. [o garoto seqüestrado]. (...) Lucimeire é stripper em boates da capital e atriz de filmes pornográficos. Um dos filmes foi apreendido e mostra a atriz em um Tempra furtado em 2001."

Alguém mais imaginou a cena? Os investigadores assistem a um pornô animado na delegacia e um deles exclama: “Anota aí a placa desse Tempra!”. Lôco, né?
13:08:06 - Zeno - 1 comentário

Eu me lembro

Eu me lembro do que o finado Chico Science dizia: "Um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar".
12:52:29 - Zeno - Comentar

Broa de milho é a pqp

Aproveitando o surto de indignação que deu as caras aqui no blog, e mexendo mais um pouco o pirão nacionalista que temos cozinhado nos últimos tempos (veja aqui a receita), lembramo-nos da citação do Paulo Emílio já mencionada aqui: "Meus sonhos juvenis de suprema elegância, poder e cultura tinham-se reduzido a um nível bem paulista". O mote, na verdade, é mais complicado e só vamos, por enquanto, aumentar a lista dos ingredientes do prato – comecemos pela regra tácita que anda passeando por aí com certa insistência e roupagem diferenciada: é bacana detonar. Seja a economia, seja o fisco, seja seu vizinho, seja a política, seja, pra resumir, o país, que, claro, facilita as coisas (Bananão, Botocúndia, etc.), o que se percebe é um bando de gente escrevendo de algum lugar que não se sabe bem qual é, pessoas que se sentem melhores do que o país em que estão, que ignoram aquelas regrinhas básicas marteladas por titio Adorno (e retomadas em chave brasileira por Sérgio Buarque, Antônio Cândido e o próprio Paulo Emílio) sobre as determinações do lugar a partir do qual se fala, sobre o entrelaçamento entre nosso texto e a miséria reinante. Estaríamos à vontade, claro – oh, suprema injustiça – em rodas lítero-filosóficas num café ajeitado na Kantstrasse, em Berlim, ou naquele bistrozinho escondido no Marais, perto da Place des Vosges, ou ainda naquele bar descolado na Dean Street londrina. Pode ser a idade que bate à porta, pode ser o incômodo de ver gerações promissoras desperdiçando bons neurônios num conversê que, definitivamente, precisa de calibragem urgente, mas é pena que tenha de ser o Hipopótamo Zeno a dar o toque: não somos melhores do que o país em que vivemos. Ou, na miúda: não se é brasileiro impunemente.
12:38:31 - Zeno - 17 comentários

10 Abril

Das coisas que não tolero II

A violência e o terror que impomos à população deste país são inadmissíveis. Não há mais como defender a política de metas, de juros e o que mais. Basta. O preço está alto demais. Basta.

23:25:24 - Mathieu - 1 comentário

Das coisas que não tolero I

rocinha

Olhe bem a foto. Elas acabaram de ser revistadas. Olhe bem a menina de blusa laranja, mãos na cintura. Coloque-se lá, no lugar dela. E fique lá, sei lá, um dia ou dois. Depois me conte o que achou.

(FSP: Conflitos na Rocinha)
23:00:00 - Mathieu - 1 comentário

09 Abril

A História vista por FHC e revista por HZ

A revista Veja e Leia desta semana pouco santa divulga "com exclusividade" trechos do futuro livro de Fernando Henrique Cardoso sobre os bastidores de sua atuação na vida pública brasileira dos últimos vinte anos. Mesmo quem sofreu com os oito anos de inépcia da era FHC é capaz de apreciar a boa prosa do professor em seus relatos, hã, saborosos de capítulos importantes da recente história do país. Segue uma passagem, sobre sua derrota na campanha pela prefeitura de São Paulo: "Não é certo que tenha dito na TV que era ateu e que isso me teria levado à derrota. O jornal Folha de São Paulo me fez a pergunta que lhe pareceu oportuna sobre minhas convicções religiosas. Respondi que isso é questão de foro íntimo, sem utilidade para avaliar o desempenho de um prefeito. Inútil: no dia seguinte a cidade estava cheia de panfletos contra o ‘ateu’". Para os mais jovens ou de memória ocupada com coisas mais importantes, Hipopótamo Zeno declara: não foi bem assim. Se essa for a versão que passará para as próximas gerações, é melhor que se faça um reparo. Indagado histerica e "marotamente" por Bóris Casoy, que graças a este episódio desfez à época qualquer dúvida que restasse de que ele, realmente, era um cretino de primeira à frente de um jornal juvenil e pretensamente polêmico, voltando, indagado por Casoy meio à queima-roupa, "O senhor acredita em Deus?", Fernandão ficou com cara abestalhada, balbuciou um amarelado "Nós havíamos combinado que você não perguntaria isso", enrolou mais um pouco e acabou dizendo algo como "É claro que sim, como todo brasileiro, etc". Quem viu o debate deve se lembrar: a frase-epitáfio de candidatura foi essa "Nós havíamos combinado etc", que, ainda por cima, denotava algum "arranjo de bastidores" para se evitar temas "polêmicos" ou simplesmente idiotas. Daí pra frente, a vassoura janista fez a rapa no professor e o resto virou história, ou melhor, virou verba pública desviada a rodo nos quatro anos seguintes. E não nos venham com churumelas.
10:54:25 - Zeno - 4 comentários

Mulher perfeita III

E não sei se mais gente percebeu, mas nesta última quarta uma tragédia televisiva sucedeu: às 19:30, como sói, ligo todo pimpão a GNT para me lambuzar de Nigella e eisquemedeparo com uma alteração nefasta de programação - no lugar da gorducha quituteira, um programa sobre bebês, o nascimento, a luz de uma nova vida, etc. Será que os responsáveis pela mudança não percebem que os prazeres acenados pela deusa de Albion são incompatíveis com as conseqüências nove meses depois? Ou eles se lembraram do ditado reformulado pelo Stanislaw Ponte Preta e já mencionado aqui no blog, "passarinho que come pedra sabe o que advém"?
07:55:40 - Zeno - 4 comentários

Temperamento pascoal

A sexta é santa, o sábado é de aleluia, o domingo é de páscoa e eu mesmo não ando me sentindo muito bem ultimamente.
07:53:50 - Zeno - 2 comentários

06 Abril

Mulher perfeita II

A tal Nigella, ontem, serviu pato marinado em óleo de gergelim, shoyu, laranja, limão e gengibre, que comeu com as mãos. O acompanhamento era creme de abacate, levemente batido. Detalhe: o abacate não foi comido, mas lambuzado na face, da chef e de sua convidada, por dedos melados de pato e do próprio abacate. Concorre ao Globo de Ouro de melhor cena de masturbação feminina em programas de culinária.
15:04:16 - Mathieu - 4 comentários

04 Abril

eu me lembro, mais ou menos

eu me lembro duma pândega, de qdo a gente ainda praticava esportes aéreos, decorando os céus quais esquadrilhas da fumaça, numa autêntica vanguarda do mercosur:
'róliúdi aí um finister qu'eu quero curtinental'(...)
16:10:57 - John Self - 2 comentários

gastrolírica pós-richardgere

porção mulher:
pornaboca
ecomela
sedeleitar
15:46:45 - John Self - Comentar

gastrolírica do corretor de imóveis e suas chacrinhas

ele cansado
de kibe na castelo
deliciou-se
nela
e suas empadinhas
na raposo
15:45:26 - John Self - Comentar

02 Abril

Era uma vez no México (2003)

O filme não é lá essas coisas, mas tem este diálogo batuta entre Johnny Depp, que faz o papel de um agente da CIA no México, e um matador de aluguel chicano que está vendendo seus serviços a ele:

- Are you a Mexican or a Mexican't?
- I’m a Mexican!
16:41:25 - Zeno - Comentar

A crise do cinema nacional (parte II)

E a dupla Sorel e Zeno aqui do blog, também conhecidos como Barretão e Barretinho do circuito nacional de curtíssimas metragens, acaba de perpetrar mais um atentado à moral e ao bom senso cinematográfico, violando com seu novo filme (o terceiro!) várias regras consolidadas de mise-en-scène e decupagem que eles sequer desconfiam que existam. Mas com uma diferença fundamental: desta vez, o filme tem atores. E dos bons. Como forma de purgar o sofrimento que esses pobres abnegados passaram nas mãos dos dois ineptos, resolvemos mencionar aqui no blog os nomes destes futuros mártires da sétima arte: Sérgio Mastropasqua, Henrique Stroeter, Igor Zuvela e Jorge Cerruti. Valeu, rapaziada! "É nóis nas fritas"!!
13:38:34 - hubbell - Comentar

.:: mês anterior :: :: :: :: April 2004 :: :: :: :: próximo mês ::.