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Tectum Intuentes

Ociosidade produtiva - textos reflexivos, anotações íntimas, sacanagens e demais ressentimentos.


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28 Abril

Daniel Feingold, ou O macramê metafísico

ateliê feingold
Os traços se adensam de modo asfixiante, no limite físico da trama de fios, e criam como que uma segunda superfície, acima do suporte da tela de tecido branca que, em algum momento lá atrás, a sustentou. Simultaneamente ao adensamento, surgem planos, perspectivas contraditórias, movimentos instáveis que escapam do espectador e remetem os olhos alternadamente pra dentro e pra fora do quadro, nas laterais que mostram os fios em fuga (o que só se percebe, na foto acima, no detalhe lateral do quadro à direita). O resultado, misto de prazer racional e aesthesis bebum, atinge sua plena realização em quadros e painéis com dimensões inconcebíveis, cinco, seis metros que passeiam do delirante ao tranqüilo e que mostram, por A mais B, aquilo que nem seria preciso repetir, não fossem os tempos das instalações de hoje tão bicudos: a convivência feliz entre rigor formal e inquietação vivida.

(do nosso enviado especial e pictórico ao Rio de Janeiro)
17:04:26 - Zeno - 19 comentários

23 Abril

Estepes tropicais

O Guia Hipopótamo Zeno recomenda: estreou ontem no Teatro do Planetário, na Gávea, a peça Uma doce criatura, baseada em conto barra pesada do russo louco Dostoiévski. No lugar do quartinho sujo e sem calefação num prédio insalubre de São Petersburgo, o cenário da peça oferece um imenso paralelepípedo transparente de plástico que lembra as dependências assépticas de um manicômio high tech. O resultado, e este é apenas um dos méritos da montagem, consegue ser mais asfixiante e desesperador-huis clos que o tal quartinho clichê. Ao final, depois que a paranóia grudar em você feito lodo que era neve há apenas três dias, rebata tudo com uma dose (não seja modesto - duas ou três) de Stolichnaya, como a que foi gentilmente ofertada pelo Consulado Russo na noite de estréia.

(do nosso enviado especial e dramatúrgico ao Rio de Janeiro)
19:25:00 - Zeno - 25 comentários

22 Abril

O Rio de Janeiro, d'après Felipe, Schiller e Chambers

Chegar ao Rio em dia de conquista de campeonato pelo Flamengo já contribui para o viajante se sentir bem recebido. Aí você acorda no dia seguinte, vai até a livraria tomar um café caprichado, compra a nova edição da peça do Schiller, A noiva de Messina, com a tradução do Gonçalves Dias organizada pelo Manuel Bandeira e que estava fora de catálogo desde a década de quarenta. Pra arrematar, você consegue encontrar na mesma loja aquele disco que busca há anos, o Whims of Chambers, do baixista Paul Chambers, acompanhado simplesmente por John Coltrane no sax, Donald Byrd no trumpete, Kenny Burrell na guitarra, Horace Silver no piano e Philly Joe Jones na batera. Só resta, então, admitir: a cidade sorri pra você - e deixe que o oblívio se encarregue das rosinhas e garotinhos imerecidos.

(do nosso enviado especial e desplugado ao Rio de Janeiro)
16:05:13 - Zeno - 3 comentários

15 Abril

Broa de milho é a pqp (parte III)

A quem interessar possa, tá rolando uma discussão interessante sobre as mazelas da vida nacional aqui no Hipopótamo Zeno, nos comentários a este texto. Pedem-se palpites, pitacos, participações e pendengas, please.
12:25:57 - Zeno - Comentar

13 Abril

Broa de milho é a pqp (parte II)

E tem mais gente, antes de nós e com mais verve, que andava reclamando do Festival de Esnobismo Juvenil que Assola o País (Fejuapa): a syncrônica Cynthia, consorte do sempre citado Almirante Nelson (e que não é o Capitão Lee), em seu blog batuta batizado agora de Cyn City. Vá, visite e veja a vida inteligente da longínqua Goiânia.
13:19:17 - Zeno - Comentar

12 Abril

Broa de milho é a pqp

Aproveitando o surto de indignação que deu as caras aqui no blog, e mexendo mais um pouco o pirão nacionalista que temos cozinhado nos últimos tempos (veja aqui a receita), lembramo-nos da citação do Paulo Emílio já mencionada aqui: "Meus sonhos juvenis de suprema elegância, poder e cultura tinham-se reduzido a um nível bem paulista". O mote, na verdade, é mais complicado e só vamos, por enquanto, aumentar a lista dos ingredientes do prato – comecemos pela regra tácita que anda passeando por aí com certa insistência e roupagem diferenciada: é bacana detonar. Seja a economia, seja o fisco, seja seu vizinho, seja a política, seja, pra resumir, o país, que, claro, facilita as coisas (Bananão, Botocúndia, etc.), o que se percebe é um bando de gente escrevendo de algum lugar que não se sabe bem qual é, pessoas que se sentem melhores do que o país em que estão, que ignoram aquelas regrinhas básicas marteladas por titio Adorno (e retomadas em chave brasileira por Sérgio Buarque, Antônio Cândido e o próprio Paulo Emílio) sobre as determinações do lugar a partir do qual se fala, sobre o entrelaçamento entre nosso texto e a miséria reinante. Estaríamos à vontade, claro – oh, suprema injustiça – em rodas lítero-filosóficas num café ajeitado na Kantstrasse, em Berlim, ou naquele bistrozinho escondido no Marais, perto da Place des Vosges, ou ainda naquele bar descolado na Dean Street londrina. Pode ser a idade que bate à porta, pode ser o incômodo de ver gerações promissoras desperdiçando bons neurônios num conversê que, definitivamente, precisa de calibragem urgente, mas é pena que tenha de ser o Hipopótamo Zeno a dar o toque: não somos melhores do que o país em que vivemos. Ou, na miúda: não se é brasileiro impunemente.
12:38:31 - Zeno - 17 comentários

09 Abril

Mulher perfeita III

E não sei se mais gente percebeu, mas nesta última quarta uma tragédia televisiva sucedeu: às 19:30, como sói, ligo todo pimpão a GNT para me lambuzar de Nigella e eisquemedeparo com uma alteração nefasta de programação - no lugar da gorducha quituteira, um programa sobre bebês, o nascimento, a luz de uma nova vida, etc. Será que os responsáveis pela mudança não percebem que os prazeres acenados pela deusa de Albion são incompatíveis com as conseqüências nove meses depois? Ou eles se lembraram do ditado reformulado pelo Stanislaw Ponte Preta e já mencionado aqui no blog, "passarinho que come pedra sabe o que advém"?
07:55:40 - Zeno - 4 comentários

Temperamento pascoal

A sexta é santa, o sábado é de aleluia, o domingo é de páscoa e eu mesmo não ando me sentindo muito bem ultimamente.
07:53:50 - Zeno - 2 comentários

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