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Jornal Velho

Recortes e papéis de ontem, de duas décadas, do mês passado, de hoje - o pesadelo do pessoal de limpeza.


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22 Abril

Serviço de branco

Deu no Estadão de hoje que "um dos mais famosos comentaristas esportivos da Grã-Bretanha, Ron Atkinson, foi demitido ontem da emissora de televisão ITV após tecer comentários racistas sobre o jogador do Chelsea, o francês Marcel Desailly (...) Atkinson disse, em inglês: 'He´s what is known in some schools as a fucking lazy thick nigger'. A tradução aproximada a (e) aliviada para o português seria: 'Ele é o tipo (de) cara considerado por algumas escolas como um negro danado de preguiçoso'."

Obviamente a fala só foi ao ar porque alguns microfones estavam ligados quando deveriam estar desligados. Bem feito. Quem mandou "judiar" do jogador "denegrindo" sua imagem perante o público?

PS1: bonitinho o eufemismo do Estadão, não? "Fucking" virar "danado" é hilário...

PS2: A revisão do
Estadão não anda lá essas coisas. Entre parênteses a minha contribuição

PS3: Racismo é racismo e deve ser combatido sempre. E sem trégua.
11:40:19 - Sorel -

12 Abril

O sexo, a contravenção e a indústria automobilística

A notícia é velha (28/03/2004), mas como a gente esqueceu de mencionar antes, vai assim mesmo. Deu no Agora: "Polícia prende atriz pornô acusada de raptar garoto na zona norte de SP. A stripper e atriz pornô Lucimeire Lima Santos, a Meire, 26 anos, foi presa na noite de ontem pelos policiais do 72º DP. (...) A polícia, depois de receber telefonemas anônimos, encontrou a dançarina num barraco abandonado da favela do Jardim Elisa Maria (zona norte). (...) Atirando, Meire fugiu, só de calcinha e envolta em uma toalha, pulando por cima das lajes. (...) Ela trabalhara como dançarina na boate do pai de M. [o garoto seqüestrado]. (...) Lucimeire é stripper em boates da capital e atriz de filmes pornográficos. Um dos filmes foi apreendido e mostra a atriz em um Tempra furtado em 2001."

Alguém mais imaginou a cena? Os investigadores assistem a um pornô animado na delegacia e um deles exclama: “Anota aí a placa desse Tempra!”. Lôco, né?
13:08:06 - Zeno -

10 Abril

Das coisas que não tolero I

rocinha

Olhe bem a foto. Elas acabaram de ser revistadas. Olhe bem a menina de blusa laranja, mãos na cintura. Coloque-se lá, no lugar dela. E fique lá, sei lá, um dia ou dois. Depois me conte o que achou.

(FSP: Conflitos na Rocinha)
23:00:00 - Mathieu -

09 Abril

A História vista por FHC e revista por HZ

A revista Veja e Leia desta semana pouco santa divulga "com exclusividade" trechos do futuro livro de Fernando Henrique Cardoso sobre os bastidores de sua atuação na vida pública brasileira dos últimos vinte anos. Mesmo quem sofreu com os oito anos de inépcia da era FHC é capaz de apreciar a boa prosa do professor em seus relatos, hã, saborosos de capítulos importantes da recente história do país. Segue uma passagem, sobre sua derrota na campanha pela prefeitura de São Paulo: "Não é certo que tenha dito na TV que era ateu e que isso me teria levado à derrota. O jornal Folha de São Paulo me fez a pergunta que lhe pareceu oportuna sobre minhas convicções religiosas. Respondi que isso é questão de foro íntimo, sem utilidade para avaliar o desempenho de um prefeito. Inútil: no dia seguinte a cidade estava cheia de panfletos contra o ‘ateu’". Para os mais jovens ou de memória ocupada com coisas mais importantes, Hipopótamo Zeno declara: não foi bem assim. Se essa for a versão que passará para as próximas gerações, é melhor que se faça um reparo. Indagado histerica e "marotamente" por Bóris Casoy, que graças a este episódio desfez à época qualquer dúvida que restasse de que ele, realmente, era um cretino de primeira à frente de um jornal juvenil e pretensamente polêmico, voltando, indagado por Casoy meio à queima-roupa, "O senhor acredita em Deus?", Fernandão ficou com cara abestalhada, balbuciou um amarelado "Nós havíamos combinado que você não perguntaria isso", enrolou mais um pouco e acabou dizendo algo como "É claro que sim, como todo brasileiro, etc". Quem viu o debate deve se lembrar: a frase-epitáfio de candidatura foi essa "Nós havíamos combinado etc", que, ainda por cima, denotava algum "arranjo de bastidores" para se evitar temas "polêmicos" ou simplesmente idiotas. Daí pra frente, a vassoura janista fez a rapa no professor e o resto virou história, ou melhor, virou verba pública desviada a rodo nos quatro anos seguintes. E não nos venham com churumelas.
10:54:25 - Zeno -

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