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Filmes esquisitos

Nós gostamos mesmo é do escurinho.


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31 Maio

Nuit et Brouillard (1956)

Lançado em DVD no ano passado pela Criterion americana, este é o mítico documentário de Alain Resnais, o último dirigido por ele antes de passar aos longas de ficção (com “Hiroshima, Meu Amor”), e que trata dos campos de concentração alemães com um rigor ético e estético poucas vezes igualado e nunca superado, mesmo que o assunto tenha produzido uma tonelada de filmes nas décadas seguintes. Nas palavras do melhor crítico norte-americano de cinema dos últimos e não tão últimos tempos (ele tá na ativa desde os anos setenta), Jonathan Rosenbaum, os 31 minutos do curta-metragem de Resnais fazem “A Lista de Schindler” parecer desenho animado. O título, Noite e neblina, vem do título do livro de Jean Cayrol, Poèmes de la nuit et brouillard, que por sua vez tirou a expressão do nome do decreto alemão, Nacht und Nebel, que estipulava a deportação para locais secretos de pessoas acusadas de conspirar contra o regime nazista. Ex-prisioneiro do campo de Maithausen, Cayrol escreveu o texto que acompanha as imagens do filme, e o restante da ficha técnica é um who’s who do que seria o cinema francês nas décadas seguintes: o produtor Anatole Dauman tem no currículo filmes de Godard, Schlöndorff, Wenders e foi quem bancou a grana para que Oshima fizesse “O império dos sentidos” e a continuação “O império das paixões”. A fotografia é de Ghislain Cloquet, que depois faria “Le Trou”, do Becker, “Trinta anos esta noite”, do Malle, “Mickey One”, do Arthur Penn (resenhado aqui no blog) e “Tess”, do Polanski. Como assistente de Cloquet, Sacha Vierny, que fotografaria depois “Bela da Tarde” e os filmes de Peter Greenaway. Como assistente do próprio Resnais, Chris Marker, que mais tarde ficaria conhecido por seus filmes-ensaio, misturando ficção, discussão teórica e documentário, como “La jetée” (que inspirou a trama de “O exterminador do futuro”). O remate dessa ficha técnica impressionante é a música contida e distante que comenta as imagens do filme, composta por Hans Eisler, antigo colaborador de Brecht.

(da série Semana do Cinema Francês Esquisito no Hipopótamo Zeno)

(agradecimentos a jpcv, pelo presentão)
16:12:43 - Zeno - 1 comentário

21 Maio

Eles vêm aí

Tem gente esquisita neste mundo (e em outros, também) que passou a infância assistindo a um seriado inglês de TV que trazia um grupo de marionetes desengonçadas metidas numas naves sensacionais e que participavam de aventuras improbabilíssimas, como resgatar arqueólogos presos numa pirâmide que são atacados por um bando de zumbis, ou impedir um novo modelo de avião supersônico de explodir em pleno ar se sua velocidade baixasse de nãoseiquantos quilômetros por hora. Para tais pessoas, que provavelmente acompanhavam também outros seriados com outras marionetes, como as aventuras de um garoto-espião capaz de receber, em seu cérebro, qualquer tipo de informação graças a uma máquina que dava voltas e voltas numa velocidade incrível, ou as idas e vindas de um estiloso submarino pilotado por dois bonecos queixudinhos e uma sereia, para elas, repito, segue este link. É o trailer da versão em carne e osso do tal seriado com as naves sensacionais, com previsão de estréia nos cinemas americanos em julho e, no Brasil, em outubro.
19:13:18 - hubbell - 2 comentários

17 Maio

Confissão (1947)

Lançado recentemente em DVD pela Columbia, "Dead Reckoning" é um brioso film noir de segunda divisão, o que significa que parte do charme do gênero está lá de um modo ou de outro (história confusa e cheia de traições, planos abstratos cuja única função é ajudar na ambiance, diálogos escrotos, etc). Mas vale a recomendação principalmente pela atuação do Bogart, magnífica, intensa e demais adjetivos, acima inclusive do patamar elevado que ele mesmo estabeleceu. Para os cinéfilos que, como nós, viram os principais filmes do Bogart há vinte anos ou mais, e se esqueceram do que ele era capaz, o filme funciona como belo lembrete.
10:13:42 - Zeno - Comentar

05 Maio

Mickey One (1965)

Este é bem esquisito: o filme, o terceiro da filmografia de Arthur Penn e, segundo nossos caderninhos adolescentes, só lançado em laserdisc muitos anos atrás, quando ainda se insistia no bolachão desajeitado, é um daqueles que trazem como bônus para o espectador o prazer da descoberta surpreendente: filmagem solta e entusiasmada, com ecos de nouvelle vague, câmera na mão passeando pelo cenário, edição nervosa, cortes secos, trilha sonora jazzística com Stan Getz fazendo improvisações, fotografia p/b super contrastada e o Warren Beatty, com a maior cara de filho da puta que se possa imaginar, no papel-título do sujeito com delírios persecutórios com a máfia de Chicago. Segundo o comentário do Rubinho naquele Dicionário de Cineastas, é o filme mais autoral de Penn, rodado sem nenhuma ligação com os estúdios graças ao sucesso financeiro de seu filme anterior, "O milagre de Annie Sullivan". [O primeiro feito pelo Penn é igualmente famoso, "The left hand of God", a história de Billy the Kid recontada pelos olhos maneiristas do Actor’s Studio, com o Paul Newman no papel principal imitando de modo constrangedor o Marlon Brando - mas dá pra ver numa boa. A Globo costumava passar o filme nas madrugadas dos anos oitenta; hoje em dia, sempre se pode depositar esperanças no Telecine Classic da Net.]
15:06:41 - Zeno - 2 comentários

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