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Tectum Intuentes

Ociosidade produtiva - textos reflexivos, anotações íntimas, sacanagens e demais ressentimentos.


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31 Maio

Berlim é aqui

E já que o assunto são questões geopolíticas, o blog Hipopótamo Zeno gostaria de se solidarizar com as outras três pessoas que assistiam ao canal Deutsche Welle, 05 na Net, que foi sumaria e misteriosamente retirado da grade na semana passada. Passem o guardanapo de papel (pode ser o pequenino, mesmo) para que possamos recolher assinaturas e lançar um abaixo-assinado: germanófilo unido jamais será vencido.
13:25:42 - Zeno - 10 comentários

28 Maio

Pequena contribuição para o Aclaramento de Novas Expressões da Língua Portuguesa

"Ter um projeto"

Sinônimo de desemprego. Indica que o emissor ou o designado tomou um pé-na-bunda empregatício mas elaborou mecanismos de proteção psíquica para atenuar o impacto social/trabalhista/enxugador. São variações conhecidas: "estar com um projeto", "pensar um projeto", "desenvolver um projeto", "alavancar um projeto" (este, ainda não dicionarizado), "pintar um projeto", etc. Embora não tenha vínculo oficial com o FAT (até o momento), pode perfeitamente contribuir para o pleiteio de um dinheirinho junto a bocadas conhecidas, como Petrobrás, CNPq, CCBB, etc. Por questões aparentemente estilísticas, costuma ser utilizado com o complemento do advérbio "aí": "estou com um projeto aí", "tá pintando um projeto aí", etc.

(sugerido pelo post do zeno sobre os bares de hotéis)

(para conhecer outras contribuições vernaculares, clique aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui)
09:51:05 - hubbell - 5 comentários

21 Maio

Do exercício da maledicência e do mau humor

Em conversas com companheiros de infortúnio que habitam as salas vizinhas aqui da fiRma, descubro que tenho fama de mal-humorado. Para além da insignificância que tal informação traz (pude ouvir um "E daí?" sussurrado da mesa ao lado da minha), e contrariamente à (auto?) imagem de "sujeito boa-praça" que sempre acreditei ter, há aí um imbróglio epistêmico-político que talvez mereça um bocadinho de consideração. A maledicência é uma arte de calibragem mais ou menos sutil e que comporta um bom número de dificuldades sabidas por todos. De uns tempos pra cá, ela tornou-se quase impossível. Quantas vezes me diverti anos e anos falando mal de alguém com alguma projeção pública (jornais eram – são? – o campinho preferido) até que o infeliz começasse a namorar uma amiga minha e alas, eu descobrisse que o sujeito, afinal, não era tão ruim assim, era simpático, mesmo, permanecendo apenas o mistério de saber como o resultado podia ser tão pífio (no exemplo, o jornal) se tinha tanta gente boa empenhada nele. A quantidade de amigos que se mudou pra Brasília ou que estabeleceu algum tipo de vínculo federal nos oito anos FHC e agora nos dois Lulalá dificultaram ainda mais o exercício da arte mencionada. Nos mesmos jornais, os colegas e contemporâneos de faculdade, que começaram ralando em águas focais e insalubres da década de oitenta, agora são editores de caderno, repórteres especiais ou, valha-me deus, secretários de redação. Minha mulher já foi cantada pelo ex-presidente numa festinha e eu morei na mesma rua do atual, além de dividirmos o mesmo barbeiro. Feitas as contas, a maledicência, agora, é quase um tiro no pé, porque, afinal, de um jeito ou de outro essa geração está metida até o pescoço num transatlântico trapalhão que cisma em adernar o tempo todo, dificultando inclusive a vida de quem deseja apenas um drinque tranqüilo num dos decks intermediários. Tenho o incômodo palpite de que meu mau humor venha daí.
16:35:52 - Zeno - Comentar

20 Maio

Titio Bill é um bom camarada

Eu tenho amigos que trabalham na Microsoft. É duro admitir, eu sei, mas é verdade. Se não bastasse a triste sina de receber a paga do Titio Bill, eles ainda têm de se submeter ao seguinte rodapé que acompanha obrigatoriamente os e-mails enviados a partir da empresa: "Esta mensagem, incluindo seus anexos, tem caráter confidencial e seu conteúdo é restrito ao destinatário da mensagem. Caso você tenha recebido esta mensagem por engano, queira por favor retorná-la ao destinatário e apagá-la de seus arquivos. Qualquer uso não autorizado, replicação ou disseminação desta mensagem ou parte dela é expressamente proibido. A Microsoft não é responsável pelo conteúdo ou a veracidade desta informação". É provável que outras empresas mantenham a mesma política em seus e-mails, mas dado o histórico peculiar da empresa de Seattle, confesso que um sorrisozinho assomou-se por estes lados.
13:09:07 - Zeno - 3 comentários

18 Maio

Conflito geracional

Duas boas razões para você assumir a idade que tem e avaliar melhor o lugar que anda freqüentando em suas noites de segunda-feira: a primeira, porque o DJ põe um troço pra tocar, todos na pista gritam entusiasmados e você nunca ouviu a música antes. A segunda, porque você não consegue mais lembrar qual era a segunda.
13:45:53 - Zeno - Comentar

14 Maio

O ganso é magro, mas o fígado é gordo

No mundão financeiro, volátil e pós-Rodada de Doha em que vivemos, não há mais espaço para o bom e velho escambo, o saudoso toma-lá-dá-cá que sempre caracterizou a ação entre amigos em mútua necessidade, numa versão caseira e camarada do jabá mencionado tão amiúde nas páginas aqui do blog na semana que passou. Pois bem, o autor das caricaturas que começaram hoje a ilustrar nossa página principal, o gauche Laurent C., é também o responsável pelas belíssimas ilustrações que acompanham o mais novo livro infantil de Ana Maria Machado, "De fora da arca", uma versão lisérgica da história do bom velhinho Noé e dos bichos que não conseguiram embarcar na famosa Arca, à venda nas boas e nas más casas do ramo. Para os que têm filhos, netos ou sobrinhos, fica o recado: comprem, comprem, comprem, por favor, pra mó de ajudar o Laurent a abastecer seu lar com o lote semanal de foie gras que tanta falta tem feito nos últimos tempos de vacas magras que ele tem atravessado.
13:04:55 - Zeno - 3 comentários

11 Maio

Domingo de manhã

doisneau
Sabe aquele domingão besta na cidadezinha do interior onde mora sua sogra? O Doisneau sabe.
17:52:36 - Zeno - Comentar

07 Maio

Pequena Contribuição para um futuro Léxico Explicativo Universal para uso em ocasiões sociais e familiares

"Um ano, quatro meses e seis dias"

Locução temporal que, ao contrário do que diz a letra, não indica período de tempo específico, podendo, inclusive, ser empregada para designar momentos no passado ou no futuro. Sua elasticidade semântica é útil naquelas situações de constrangimento inesperado, substituindo com vantagem a técnica do "surdo por conveniência" que obriga seus interlocutores a repetir três ou quatro vezes cada indagação. Exemplos e abonações: para a sua mulher, que reclama do seu, hum, não-comparecimento nas atividades noturnas do casal: "Mas, meu bem, só faz um ano, quatro meses e seis dias desde a última vez!". Para o português da padaria, que pergunta quando você vai quitar a caderneta de pindura: "Ô, Seu Joaquim, eu vou até em casa agora e volto com a grana em um ano, quatro meses e seis dias". Para seu chefe, insatisfeito com seu desempenho na firma: "Pode escrever, Nogueira: daqui a um ano, quatro meses e seis dias prometo melhorar!". Recomenda-se, porém, parcimônia no emprego em situações político-partidárias, já que a oposição pode não ter a mesma largueza semântica comumente encontrada junto à população.

(para conhecer outras contribuições vernaculares, clique aqui, aqui, aqui e aqui)
13:57:44 - Zeno - Comentar

06 Maio

Requentando marmita inédita e fáustica

(da série “O Olímpico e eu”) (O texto a seguir foi uma resposta a uma crítica feita por Bárbara Heliodora ao espetáculo “Fausto”, de Goethe, na montagem dirigida por Moacir Chaves que esteve em cartaz no Rio de Janeiro no primeiro semestre do ano passado. A resposta havia sido pedida pelo próprio jornal, que decidiu depois pela não-publicação. O texto permaneceu inédito e guarda algum interesse, esperamos, mesmo para quem não viu a montagem - por isso resolvemos postá-lo aqui no Zeno.)

Na cena pouco alentadora do teatro brasileiro dos últimos anos, uma montagem do Fausto, de Goethe, deveria ser sempre bem-vinda. Uma montagem do Fausto como a que está em cartaz no Teatro Planetário, dirigida por Moacir Chaves, deveria, além disso, ser motivo de atenção detida, por oferecer à platéia uma aproximação aparentemente pouco convencional à peça. No entanto, a julgar pela recepção fria que a montagem despertou por parte da crítica especializada (Bárbara Heliodora n’O Globo de 28 de abril, Macksen Luiz no JB de 29 de abril), parece que a empreitada não foi bem-sucedida. Assim, o descompasso entre o julgamento crítico e as sessões lotadas que a peça vem apresentando só corroboraria o lugar comum do divórcio entre crítica e público ou entre intenções elevadas e apelo popular. Será esse o caso? [Leia mais!]
14:34:57 - Zeno - Comentar

04 Maio

Jabá com karaokê

Se você é ator, músico, ou amigo do amigo, pode freqüentar com proveito as "Segundas Intenções", que, como o próprio nome diz, ocorrem todas as segundas-feiras no bar (recentemente ampliado com a incorporação do hall) do Hotel Cambridge, na Avenida Nove de Julho, em São Paulo. Tem ator fazendo cover da Jennifer Beals, atriz cantando versão animada de “Mein Herr”, da trilha de Cabaret, e, especialmente ontem, canja do filho do Ivan Lins exorcizando seus fantasmas paternos e maternos acompanhado de um órgão (sem trocadilho). A organização das apresentações está a cargo do ator Marcelo Várzea, que, além de ser gente que faz, é um boa-praça de estrita observância.
09:54:31 - Zeno - Comentar

03 Maio

A dureza do prélio não tarda

Par délicatesse, deixamos passar em branco os 0 a 4 alvinegros contra o Grêmio na semana passada. Em nome da convivência pacífica entre as torcidas paulistas, optamos novamente por não fazer menção alguma aos 0 a 4 de ontem. Ops, escapou.
11:09:31 - Zeno - 8 comentários

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