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30 Julho

As Testemunhas da Sétima Arte

Graças à gentil cortesia de um vizinho de sala aqui na fiRma, vimos recebendo já há algum tempo os boletins semanais do site Filme B, especializado em estatísticas de bilheteria para o pessoal da indústria. Além dos números impressionantes referentes aos blockbusters americanos (o terceiro Harry Potter, por exemplo, respondeu por 50% do público pagante em todo o Brasil no fim de semana de estréia), o boletim acompanha também o desempenho dos filmes brasileiros e dos chamados “de arte”, com resultados sempre curiosos: “Cazuza”, que é aquilo que se sabe, já é a nona bilheteria do ano, perdendo apenas para transatlânticos como “Tróia”, “Senhor dos Anéis 3” e “Homem Aranha 2”. Na outra ponta, “Passion”, o filme de Godard de 1982 que estreou no Brasil somente na semana passada, teve um público de 416 testemunhas nos três primeiros dias de exibição (para uma comparação estapafúrdia, “Homem Aranha 2”, em cartaz já há quatro semanas, teve 390 mil espectadores nos mesmos dias). Lôco, né?
16:41:56 - Zeno - 2 comentários

Fahrenheit 9/11 (parte III)

Taí, Queridos !...Como diria Pasolini, deleitem-se, com tanta merda !!!...
Fiz este pequeno clipping inicial, sobre a estréia (hoje, sexta) de ''Fahrenheit 9/11''. Aí tem todos os bostinhas misturados ! ...De jornais e revistas.
Não tive saco de sair re-procurando cada página e autor, na Net, para poder indicar de quem é cada trecho que depois selecionei, etc, etc, ok ?!... Não vale o esforço. Nem eles merecem tanto correção e rigor, que aliás não têm...!

Mais importante é vcs sentirem este 'gostinho' geral, da nossa incrível ''intelligentsia'' crítico/midiática em ação, com seus critérios tão justos e cuidadosos...!

Não adianta: Se um cara não descobrir também a cura do câncer e da aids, não lançar uma coleção de moda incrível e não sanear a dívida externa do terceiro mundo, então o filme dele 'deixa a desejar'! ...Ah, e também tem que dizer absolutamente TUDO que existe sobre cada assunto, senão é porque é omisso, tendencioso, incompleto! Difícil julgar em que proporção é burrice, má-fé, desinformação, cegueira estética, má formação acadêmica, pressa, inveja, birra!... É a melhor ilustração possível daquela notável passagem em Mateus, 23: "Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Guias cegos, que filtrais um mosquito... mas engolis um camelo!"

É inacreditável. Nenhuma menção positiva sequer a direção, edição e ritmo. Logo aqui, onde até reportagem sobre skate, esporte radical e "adrenalina", demora mais pra se articular que véio em reunião de condomínio, pedindo corrimão novo!

É isto.
ESCREVAM !
Mil beijos e amor,
C.F.

( ... )
''Moore recapitula, com acervo de imagens (e muita edição), o histórico de George W. Bush, suas empresas e as supostas ligações comerciais da família Bush com os Bin Laden e a monarquia saudita. Não menciona, porém, aspectos marcantes do presidente, como o alcoolismo ou sua relação distante com as filhas gêmeas.''

''O filme enfoca o que seria certa desfaçatez e suposta manipulação no governo Bush, em relação à população dos EUA, e até a uma 'mídia cooptada'.''

''Assim como em "Tiros em Columbine", "Fahrenheit" usa de emoções baratas (caso da mãe às lágrimas em frente à Casa Branca) e constrangimentos inócuos, como abordar congressistas na rua, sugerindo que eles enviem seus filhos para a guerra. Moore explica que apenas um deles havia feito isso, mas não diz qual.''

''Um ponto positivo do longa, ao menos, é sua trilha sonora, cujas músicas são aplicadas com certa ironia, como "Shiny Happy People", do REM, quando Bush e seus amigos estão na tela, e "Rockin' the Free World", de Neil Young, que encerra o filme.''

''De qualquer modo, "Fahrenheit 11 de Setembro" quer ser, como o próprio trailer anuncia, 'o filme mais polêmico do ano'. Pelo que mostra, ou pelo que omite.''

''As imagens do Iraque antes da guerra só apresentam o país como se fosse um refúgio de paz e tranqüilidade. Mas sabemos que a realidade era muito diferente.''

'' Moore talvez seja um mal necessário. Dito isso, pode-se discutir as qualidades do filme. São poucas. É tendencioso, parcial e mesmo mentiroso em algumas partes. Mesmo como libelo, há falhas. Uma delas é o excesso de apelação. Outra é o extremo reacionarismo do próprio Moore, disfarçado de "boa causa". Belicista, ele apóia "nossos garotos" no Iraque. Chauvinista, demoniza os sauditas (demonização que a legendagem brasileira corrobora sem querer, ao errar na tradução e chamar todos simplesmente de 'árabes').''

( !!!?!!... )


Enviado por email pelo C.F., amigo aqui da Ai!, de voz literalmente emocionante e que, ao que tudo indica, também acha que a voz do bom senso não tem graça, nem ritmo, nem samba no pé.
14:37:06 - Sorel - 8 comentários

El fondo del mar (2003)

Um dos divertimentos de um brógui é a possibilidade de furar a imprensa estabelecida naquelas coisas que não têm a menor importância, como por exemplo o cinema. Um dos incontáveis festivais de cinema que procriam no Brasil nos últimos anos concedeu, na semana passada, o prêmio de melhor roteiro pro filme argentino El fondo del mar, de Damián Szifron. Como o filme ainda não estreou por aqui e como o nosso ex-correspondente em Buenos Aires conferiu la película in loco, podemos arrogantemente decretar: prêmio pro roteiro? Olha, não é pra tanto, hein? Ainda mais que é justamente o roteiro o responsável pela desorientação do filme, que vai prum lado, pro outro, vira à esquerda na Corrientes e termina na Patagônia, numa aula de mergulho que é a única seqüência do filme que merece um segundo olhar mais atento. Mas é somente a opinião zás-trás de um bróguizinho desanimado, portanto aguarde as resenhas da imprensa acima citada.
13:05:16 - Zeno - Comentar

Fahrenheit 9/11 (parte II)

É duro assistir a um filme que desrespeita tantas vezes sua inteligência como faz Michael Moore nas gordurosas duas horas de seu documentário (aliás, uma hora a menos faria um bem danado ao filme). É duro saber que “do outro lado” a coisa é ainda pior, como não nos deixa esquecer a grosseirona Fox News. É duro admitir que, apesar da precariedade argumentativa do diretor, é melhor que existam Michaels Moores fanfarrões por aí (mas a Palma de Ouro é inadmissível). É duro querer acreditar, esquema “profissão de fé”, mesmo, que talvez, quem sabe, esperemos, etc, o documentário tenha algum peso eleitoral e destrone aquele débil mental texano do cargo. Enfim, é dura a vida de quem tem bom senso lógico, político e cinematográfico.
12:21:43 - Zeno - 4 comentários

Fahrenheit 9/11

Ontem, numa dessas pré-estréias no Belas Artes, eu, Zeno e pares assistimos ao magnífico Fahrenheit 9/11. Não se deixe enganar com que você vai ler e ouvir por aí e por aqui. O filme é maravilhoso. As críticas são invariavelmente fruto de direitismo de quinta ou pruridos estético-jornalístico-cinematográficos. Perde quem não entende que não é sobre estética, sobre fatos ou cinema. É sobre indignação e o que se faz com ela. Ganha quem se rende, sem medo ou razão, ao sentimento.
12:10:06 - Sorel - 9 comentários

26 Julho

Antologia poética argentina

“Una puñalada en el corazón de la justicia futbolera.”

“‘Adriasí’ - apareció la bestia brasileña en el momento más inoportuno: el último segundo de la Copa. Mandó un zurdazo al rincón, sutileza previa para acomodársela, y las ilusiones argentinas a la basura.”

“Quedó demostrado que el fútbol es la dinámica de lo impensado.”

“Finalmente, Juan, respaldado por unas 140 millones de oraciones, caminó 40 metros sobre el verde mar para escribir la historia. Brasil —el pentacampeón mundial— campeón de América. San Juan abrió la llave del reino de la alegría, ésa que siempre caracterizó a los brasileños.”

“Todas las imágenes parecían sacadas de una novela lacrimógena, pero formaban parte de la fea realidad.”

“La Argentina fue el mejor equipo del certamen y apenas unos segundos no pueden ser la antesala del descrédito.”

Kily Gonzáles: “Son los momentos en los que uno dice: ‘para qué carajo juego al fútbol’. Porque te dan ganas de no sufrir así, de no tener estas desgracias inexplicables, de irte a tu casa con tu familia.” [Leia mais!]
09:24:41 - hubbell - 4 comentários

rodrigueana f.c.

amigos, um brasil e argentina em final de copa américa é um acepipe esportivo p/ poucos, fruído pela massa qual um banquete nababesco.
cada brasil e argentina dura séculos.
o gramado é posto após o jogo a descansar num spa suíço, tal o estresse por q. passa, sob o fragor de um balé desvairado.
mas o fato é q. os vencemos, pasmem, c/ o nosso time 'b'.
e lhes dando ainda uma resposta elegante e solerte aos seus grotescos laivos nacionalistas.
sim, amigos, de todas as alternativas diplomáticas, lhes oferecemos soberana/e uma e apenas uma:
'b' de brastemp.
01:59:56 - John Self - 1 comentário

23 Julho

Etilíricas

par
ele bar
eu lar
ímpar

(crdt saos)
18:44:59 - hubbell - Comentar

22 Julho

Malhação

"De que adianta uma barriga de tanquinho se, em vez da torneira, o que funciona é somente o ralo?"

Provérbio chinês
17:46:04 - hubbell - 3 comentários

Mais bócket show

Depois do sucesso do programa de auditório hardnipônico postado aqui há algumas semanas, resolvemos apelar novamente para o sexo como forma de fazer crescer e intumescer a audiência, desta vez uma transmissão da TV norueguesa documentando a apresentação pouco usual de uma banda de heavy metal. Como no pornô japonês, o programa não é recomendado para menores de 18 anos.

(crdt Dr. Piada Pronta Pinto)
16:39:53 - hubbell - 3 comentários

21 Julho

O truque do carrinho de supermercado

Algumas leitoras interessadas em conhecer os meandros da mente masculina (que é que nem cidade pequena, uma rua principal, duas transversais e um boteco insalubre) enviaram correspondência e-mailística reclamando da ausência, nas últimas semanas, de posts e observações sobre a canalhice da metade testosterona da humanidade, que é e sempre foi, afinal, um dos temas principais do nosso blog. A pedidos, então, vamos a mais um desnudamento (hum) de uma peça importante do arsenal canalheiro, o truque do carrinho de supermercado, que também pode ser cestinha (embora especialistas apontem sutis diferenças entre um e outro, tal discussão não cabe numa abordagem preambular e fica reservada para estágios de especialização e MBA’s). Escolha o horário apropriado no estabelecimento alimentar a ser visitado, lembrando que diferentes horários trazem diferentes públicos-alvos. Claro que a localização do supermercado é outro fator a ser estudado. Para efeito de ilustração, sugerimos nove ou dez da noite e um bairro endinheirado. Bote no carrinho os seguintes itens: 1-um saco de verduras pré-lavadas; 2-um pacote de shimeji; 3-uma caixinha de quatro iogurtes sabor cupuaçu; 4-uma mostarda cujo nome você não consegue pronunciar; 5-uma garrafa de Absolut; 6-um vinho argentino de 50 paus ou mais; 7-um shampoo com algum ingrediente misterioso, tipo Keraqualquercoisa; 8-uma caixa de Bis; por último, 9-uma garrafa de amaciante (mas não o Fofo, eveedentemente). Para uma espectadora sagaz e possível alvo de paquera, tais itens denotarão, respectivamente: 1-que você mora sozinho; 2-que cozinha bem; 3-que se preocupa com o meio ambiente e gosta de novidades; 4- que é cosmopolita; 5-que você tem simpatia pelo S do GLS; 6-que está atento às negociações do Mercosul; 7-que cuida da higiene pessoal com esmero mas sem afetação; 8-que há um menino dentro do homem; 9-e, por último, que você, simultaneamente, se preocupa com as coisas de casa e lava suas cuequinhas (assim mesmo, no diminutivo, que é como elas gostam de se referir à dita) no box do banheiro. Tudo isso num único carrinho-máquina do mundo-aleph de supermercado. Dependendo da periodicidade da prática, a soma das mercadorias poderia arruinar seu orçamento semanal caso você tivesse a intenção de realmente comprá-las, o que você, é óbvio, não fará, bastando largar o carrinho em algum lugar depois de estabelecer contato com a pretendente interessada. Simplesmente circule pelos corredores com aquele ar de despreocupado charmosão e o sucesso advirá.
13:57:34 - hubbell - 11 comentários

20 Julho

Resenha de Quatro Palavras

Cazuza - O tempo não pára:
Coração de mãe

(para mais resenhas, créditos e explicações, veja aqui)
20:02:10 - hubbell - Comentar

"Mamãe, olha eu aqui!"

Nada como uma decisão estapafúrdia para tornar um assunto insípido saboroso. O debate que se arrastava no governo federal sobre a regulamentação da Lei do Abate de aviões, algo tão interessante quanto saber se o Brasil tem realmente condições de fabricar bomba atômica, teve desdobramentos nos jornais de hoje que apontam para a aprovação da lei com a ressalva de que sejam poupados os aviões nos quais, comprovadamente, haja crianças a bordo. Err, hum, vamos lá: 1) como se comprova isso? Bota um garoto na janelinha do avião pra acenar pros caças da Aeronáutica? Ah, não dá, porque os traficantes ou outros suspeitos poderiam usar um daqueles bonequinhos de posto de gasolina que se mexem, enganando os olhos de águia de nossos pilotos. Que tal a voz de uma criança, aos berros, pedindo "não atire, seu piloto, por favor!"? Não dá, também, porque os bandidos, esses insensíveis, poderiam providenciar fitas gravadas com as vozes dos petizes; 2) você, caro leitor, se fosse contraventor, não se sentiria incentivado a contratar uma garotada animada da escola pública mais próxima para um "passeio de avião"? Já imaginou a cena: "Fulano, pode embarcar as duas toneladas de coca e os doze garotos de uniforme. Bota o gordinho na fileira da janela".

Lôco, né?
13:31:29 - hubbell - 2 comentários

Clássicos do Cancioneiro Americano Revisitados/Sam Cooke


Wonderful World

Don't know much about history,
Don't know much biology,
Don't know much about science book,
Don't know much about the french I cook.
12:45:26 - hubbell - Comentar

17 Julho

A crise empregatícia vista pelo Google

A curiosidade matou o gato e fez com que googlássemos a expressão “Eu mexo com”, presente na série de posts da seção Zenices das duas últimas semanas. Os 224 resultados obtidos superam em criatividade, verve e ineditismo tudo que nossa vã filosofia pôde imaginar de modo secretamente pretensioso (veja aqui) a respeito da queda da empregabilidade pós-Rodada de Doha. Seguem alguns exemplos, com a grafia preservada:

"fazem uns 5 anos que eu mexo com Net"

"Eu mexo com cultura. Tanto faz se sou bom ou ruim no meu trabalho. O que importa é que, nos últimos vinte anos, só me ocupei disso, como autor e como crítico"

"Apesar de nunca ter atuado com Psicologia, a profissional se diz realizada e feliz com o que faz: 'Eu acho que de toda forma eu mexo com gente, tenho que saber (...)'"

"eu mexo com cobras a mais de 20 anos e vou contar uma ignorância que aconteceu aqui a cerca de 3 meses"

"Sim, eu mexo com Publicidade sim, tenho muitíssimo orgulho disso, e sei bem o que estou escrevendo"

"como já algum tempo eu mexo com blogs eu sei dar uma mexida básica sim" [Leia mais!]
23:48:57 - Zeno - 2 comentários

Ethos etílico

Como dizia um conhecido das antigas, "não é que eu queira me gambar": depois de duas tentativas junto à nossa nanoaudiência para tornar ainda mais conhecido o Bar Balcão (veja aqui e aqui), em São Paulo, temos agora o valoroso auxílio mainstream de Paulo Roberto Pires, o colunista batuta do site nomínimo, que escreve um texto insuspeito (ele é carioca) para elogiar o bar e o livro comemorativo dos dez anos. Apenas um reparo: o lugar do Balcão era anteriormente ocupado por outro bar, o finado e funesto Funilaria e Pintura, que foi embora sem sequer deixar uma centerfold na parede. Fica assim respondida, por uma voz mais qualificada que a nossa, a indagação ouvida na semana passada, na boca de uma infiel provocadora: "Mas será que esse bar é bom mesmo?".

(crdt do link: John Self)
22:48:02 - Zeno - 2 comentários

Voe Fly Airways

Para os excêntricos usuários do Orkut, gostaríamos de avisar que há uma excelente comunidade de fãs dos Luthiers, o grupo argentino mencionado várias vezes aqui no blog. Um dos tópicos pede aos participantes que transcrevam suas frases prediletas retiradas dos discos ou shows, e foi lá que pescamos a que vem abaixo e outras mais nos próximos dias:

[De um sketch chamado Fly Airways, com um piloto de aeronave se apresentando aos passageiros] "Hoy es un día muy especial para mí porque este es mi primer vuelo. Espero que el mismo sea de su agrado y cualquier duda que puediera surgir acerca del pilotaje del aeronave oportunamente los consultaré."

(crdt sil)
20:34:35 - Zeno - Comentar

Por uma maior presença do poder público

marcela
Num tempo não tão distante assim, quando as noites eram menos solitárias por conta da quarta edição do educativo programa global "Big Brother", havia uma nota dissonante junto à seleta audiência televisiva que dizia respeito ao Fla-Flu representado pelas duas beldades do programa, atal Juliana e atal Marcela, alcunhada "Mama". Nós, representantes da primeira facção, considerávamos uma injustiça a perseguição contumaz à moça feita pelos outros participantes do programa, motivada unicamente pelo fato de ser ela trabalhadora, fluente em quatro idiomas (e se iniciando no italiano!), cosmopolita e solidária aos mais carentes. A outra facção elogiava o evidente aspecto maternal de Marcela, sua habilidade diplomática em pendengas e animosidades no grupo e o fato de ela apresentar implantes de silicone custeados por verba municipal conseguida pelo antigo namorado, filho do prefeito da bela Londrina. Pois bem, ao toparmos com a capa da revista Sexy deste mês, mudamos de lado e resolvemos passar a apoiar a ex-inimiga: nunca se soube de um caso em que a coisa pública, melhor, as coisas públicas estivessem tão bem protegidas e apoiadas.
19:51:46 - Zeno - 1 comentário

Diálogos paulistanos

-E você, o que faz?
-Eu mexo com antiguidades.
-Geriatria ou cirurgia plástica?

(da série "Eu mexo com...")

(crdt do diálogo: o ainda jovem Dr. Pinto)
19:23:21 - Zeno - 2 comentários

Tudo o que o céu permite (1956)

A Ilustrada de hoje dá destaque, na seção de filmes na TV, à exibição desta obra-prima de Douglas Sirk pelo canal Telecine Classic, às 20h20. O filme, na modesta opinião do nosso bloguezinho, é das melhores coisas feitas pelo Mestre Sirk (junto com "Almas maculadas" - Tarnished angels -, que também costuma ser exibido pelo canal), e se o clichê não fosse tão surrado, um dos filmes mais lindos da história do cinema, com um uso inteligentíssimo das cores que são atribuídas a cada personagem. É tudo tão azeitado e perfeito que a horrorosa refilmagem disfarçada feita por Todd Haynes há dois anos ("Longe do paraíso") deveria pedir desculpas por existir e por ofender a nobre causa dos Defensores Inexistentes de Douglas Sirk. Mas o mote deste post é o Rock Hudson, que faz o papel principal deste "Tudo o que o céu permite". Não sabemos como andava a engrenagem de fofocas hollywoodianas da época, mas ver hoje em dia os filmes do rapaz à luz da história do homossexualismo traz sempre umas pitadas (in)voluntárias de humor. Num outro filme de Hudson, a comédia "Um favor muito especial", de 1965 (obviamente inferior ao de Sirk, mas que se garante na despretensão), ele faz o papel de um Don Juan que, para conquistar uma psiquiatra bonitona e relutante vivida por Leslie Caron, finge sofrer de um trauma psíquico causado pelo excesso de assédio feminino, o que proporciona ao filme momentos divertidos do ator mostrando seu desinteresse pelas mulheres. No filme de Sirk, há um diálogo rápido entre o jardineiro (Hudson) e a viúva (Jane Wyman) em que ele a incentiva a enfrentar a sociedade do vilarejo que se opõe à união de ambos (por ele ser mais jovem que ela e por não ter um tostão). A resposta dela é mais ou menos assim: "Eu sei o que você quer, Ron. Que eu seja forte como um homem, não é?". Como esse, há mais dois ou três diálogos ou frases de duplo sentido que fazem a delícia dos ouvidos informados de hoje, o que leva a pensar que os roteiristas da época só podiam estar de gozação com o coitado do Hudson. Ou que ele era conivente nas brincadeiras, o que é ainda melhor.
12:54:42 - Zeno - Comentar

16 Julho

A serpente que dança

A ignorância atávica deste blog em assuntos musicais fez com que só recentemente descobríssemos Baudelaire (La serpent qui danse). É uma versão sacundim bossa nova de um poema do Baudelaire musicado pelo grande bebum Serge Gainsbourg naquele bacanudo LP que ele assinou em parceria com sua namorada à época, uma tal de Brigitte Bardot, no perdido ano de 1968. Leia o poema, vasculhe a internéte e baixe a canção – garantimos que você não regretterá.

P.S.: o site www.allmusic.com, a melhor fonte para consultas musicais da rede, passou por uma simpática reformulação gráfica e FINALMENTE incorporou trechos de músicas para serem consultados on line. Excelente novidade que merece divulgação.
17:17:53 - Zeno - Comentar

Diálogos paulistanos

-E você, o que faz?
-Eu mexo com isso e aquilo.
-Nessa ordem?

(da série "Eu mexo com...")
14:23:07 - Zeno - Comentar

Mais rápido que a flecha do Zenão

Com a agilidade que é nossa marca registrada, só hoje descobrimos a gentil menção feita ao Hipopótamo Zeno, em maio passado, pela Rosana Hermann em seu popularíssimo blog Querido Leitor. Aproveitemos para desmentir um bocadinho seus elogios (o único sujeito de conteúdo aqui no blog não dá as caras desde o início do ano) e agradecer ao venal Dr. Pinto pelo empurrão. Ops.
14:17:18 - Zeno - 1 comentário

Eu me lembro

Eu me lembro de uma piada velhinha, velhinha, sobre a fundação do Partido Anarquista Brasileiro, com reunião marcada na próxima segunda-feira para escolher a comissão executiva. Quem aparecer será expulso.
14:03:03 - Zeno - Comentar

13 Julho

Procura-se IX

Estou à procura de um conto de tipo épico-biográfico-distanciado onde possa encaixar o seguinte trecho: "Só a modéstia me impede de dizer o que realmente acho". Pago bem. Sigilo garantido. Cartas aqui para o blog.

(da série Pequenas Manias de Grandeza)
09:31:28 - Zeno - 8 comentários

Uma paixão nacional

Como a gente não paga direito autoral pra ninguém (sem mencionar água, luz, gás, telefone e demais serviços, numa atitude de oposição ideológico-orçamentária às privatizações da década passada), podemos fazer novamente o que fazemos melhor e roubar uma crônica de Luis Fernando Veríssimo, publicada no longínquo ano de 1999 (crdt sil):

Ela disse:
- Você me ama mais do que tudo?
E ele disse:
- Amo.
- Paixão, paixão?
- Paixão, paixão. - e reforçou - Mesmo.
- Mais do que tudo no mundo todo?
- No mundo todo e fora dele.
- Não acredito.
- Faz um teste. - Diz ele confiante. [Leia mais!]
09:14:37 - Zeno - Comentar

11 Julho

Diálogos paulistanos

-E você, o que faz?
-Eu mexo com imóveis.
-E eles cooperam?

(da série "Eu mexo com...")
12:36:08 - Zeno - Comentar

10 Julho

Eu também acho

"Siempre tengo la imprésion de que la gente se toma las cosas mucho más en serio de lo que corresponde. Hablé de esto con mi psiquiatra."

Rodrigo Fresán

(da série Pequenas Manias de Grandeza)

(crdt andrés neuman)
10:03:17 - Zeno - Comentar

08 Julho

Diálogos paulistanos

- E você, o que faz?
- Eu mexo com inclusão digital, e você?
- Eu também. Sou proctologista.

(da série "Eu mexo com...")
17:33:26 - Sorel - 4 comentários

Diálogos paulistanos

-E você, o que faz?
-Rapaz, taí uma boa pergunta.

(da série "Eu nem sequer mexo...")
17:17:36 - Zeno - Comentar

Diálogos paulistanos

-E você, o que faz?
-Eu mexo com História, e você?
-Eu mexo com terapia de vidas passadas. Vamos juntar esforços?

(da série "Eu mexo com...")

(versão condensada do diálogo paulistano abaixo)
17:10:38 - Zeno - 1 comentário

Diálogos paulistanos

Ele- E você, o que você faz?
Ela- Eu mexo com História, e você?
Ele- Eu mexo com terapia de vidas passadas.
Ela- Ah!
Ele- Então, e já que você mexe com História, o que acha dos últimos depoimentos dos participantes da Inconfidência Mineira, psicografados pelo médium Chico Xavier? Podem mudar as interpretações, não é?!!
Ela- Bem, eu só mexo com os depoimentos dos mortos, não das almas do purgatório.

(da série "Eu mexo com...")

(crdt ao leitor/a Do Além)
17:07:59 - Zeno - Comentar

Determinismo geográfico?

Um esbarrão em Sapopemba é um esbarrão bem pouco polissêmico, seguido de algum xingamento, uma tentativa desastrada de furto, um bilhete que era único e agora se junta a outros no chão tributado. Um esbarrão em Paris, como o descrito por Cortázar no conto "Cartas de mamãe" ("Alguém esbarrou em Luis, soltou-lhe uma rápida declaração de direitos e obrigações com sotaque de Marselha. Compreendeu vagamente que estava atrapalhando a passagem das pessoas que entravam pelo estreito corredor do metrô"), um esbarrão assim parece revestir-se de uma importância que é ao mesmo tempo uma injustiça com Sapopemba, ou pelo menos com os cronistas famélicos de lá - se é que os há, desconfiados do ridículo do título. Para ficarmos ainda às margens do Sena, se a situação do casal d’O Último Tango ocorresse num quarto de hotel em Diadema, teria o conflito dos dois a mesma densidade psíquica-social-desiludida-pós-68 e o que mais se quiser hifenizar? Quando foi transplantado para os Estados Unidos e para a década seguinte, o tango deu nos ternos yuppies de Mickey Rourke durantes as nove semanas e meia de publicidade, com os resultados que se sabe. Se atinássemos com um fiapo de explicação que esclarecesse essa encrenca geográfica, teríamos talvez escrito um outro conto, um em que ocorresse mais eventos significativos suburbanos e menos pretéritos imperfeitos. Do jeito que o problema está montado, melhor é passar a palavra para quem já matutou indiretamente tais assuntos, Itamar Assumpção, que cantava com o grão de sal devido: "Paris me lembra Criciúma".
17:04:04 - Zeno - 11 comentários

07 Julho

Diálogos paulistanos

-E você, o que faz?
-Eu mexo com fotografia.
-Aniversários ou casamentos?

(da série “Eu mexo com...”)

(dedicado à nossa vizinha de sala)
08:07:00 - Zeno - 1 comentário

06 Julho

Diálogos paulistanos

-E você, o que faz?
-Eu mexo com forças cósmicas.
-Shiva ou Galactus?

(da série "Eu mexo com...")
21:46:16 - Zeno - Comentar

Diálogos paulistanos

-E você, o que faz?
-Eu mexo com o terceiro setor.
-Aos sábados?

(da série “Eu mexo com...”)
08:06:00 - Zeno - 2 comentários

duro na queda

brando era duro.
chato dos heróis modernos é eles morrerem.
cai um pouco do nível, assim.
brando era um homem.
homem era duro mas era brando, então.
sofreu suas próprias consequencias.
foi(se) um pedaço a menos da humanidade.
miséria, às vezes, é bela, se desenhada em poesia.
um brinde a brando.
02:04:50 - John Self - 6 comentários

05 Julho

Diálogos paulistanos

-E você, o que faz?
-Eu mexo com projetos.
-Deve ser duro estar desempregado.

(da série “Eu mexo com...”)
08:05:00 - Zeno - 2 comentários

03 Julho

Girassol da Rússia

Sharapova

A foto, de Kevin Lamarque para a Reuters, é nossa candidata a Melhor do Ano na Categoria Esportes & Voyeurismo. A moça, Maria Sharapova, é nossa candidata ao Politburo. Bem buro.
11:05:16 - hubbell - 7 comentários

02 Julho

Diálogos paulistanos

-E você, o que faz?
-Eu mexo com filosofia.
-Puxa, filosofia? Eu adoro essas coisas de cabeça.

(da série “Eu mexo com...”)
08:03:00 - Zeno - 5 comentários

01 Julho

Diálogos paulistanos

-E você, o que faz?
-Eu mexo com curta-metragem.
-E tem grana nisso?
-Curta.

(da série “Eu mexo com...”)
19:03:26 - Zeno - Comentar

Bar Balcão - 10 anos

balcão

E ontem foi a festa dos dez anos do Bar Balcão, aqui em São Paulo, reunindo a fina flor dos classificados e desclassificados geniais desta cidade. Pra quem não se lembra, já mencionamos o bar antes, na seção Graal, com o croqui da azaração cultivada. Além da beleza que é ver o bar abarrotado e de trombar com um punhado de pessoas conhecidas, o Balcão presenteou seus destemidos freqüentadores com um livro comemorativo da data, trazendo textos, fotos e ilustrações com as homenagens devidas. Melhor que isso, só se você sentasse numa das mesas da parte de cima do bar para beber ao lado do detentor da garrafa de número 2, o pôlaiudo John Self, aqui do blog, acompanhado pelo mestre marceneiro autor do mítico balcão de madeira que dá nome ao lugar, o ubatubense Zeca C. Em meio a um redemoinho de observações definitivas sobre nossa época, épocas passadas e também as vindouras, uma constatação que se repete a cada encontro: se alguém ainda não pensou isso, façamos aqui o pontapé inicial da campanha pelo tombamento do John Self como patrimônio neural paulistano, com direito a acompanhamento de uma Mini-DV a tiracolo para registrar os momentos explícitos de generosidade intelectual que miseravelmente quedam esquecidos no ressaquento dia seguinte.

(o desenho acima, do camarada Milton Braga, consta do livro comemorativo)
16:41:12 - Zeno - 7 comentários

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