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Tectum Intuentes

Ociosidade produtiva - textos reflexivos, anotações íntimas, sacanagens e demais ressentimentos.


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26 Julho

rodrigueana f.c.

amigos, um brasil e argentina em final de copa américa é um acepipe esportivo p/ poucos, fruído pela massa qual um banquete nababesco.
cada brasil e argentina dura séculos.
o gramado é posto após o jogo a descansar num spa suíço, tal o estresse por q. passa, sob o fragor de um balé desvairado.
mas o fato é q. os vencemos, pasmem, c/ o nosso time 'b'.
e lhes dando ainda uma resposta elegante e solerte aos seus grotescos laivos nacionalistas.
sim, amigos, de todas as alternativas diplomáticas, lhes oferecemos soberana/e uma e apenas uma:
'b' de brastemp.
01:59:56 - John Self - 1 comentário

21 Julho

O truque do carrinho de supermercado

Algumas leitoras interessadas em conhecer os meandros da mente masculina (que é que nem cidade pequena, uma rua principal, duas transversais e um boteco insalubre) enviaram correspondência e-mailística reclamando da ausência, nas últimas semanas, de posts e observações sobre a canalhice da metade testosterona da humanidade, que é e sempre foi, afinal, um dos temas principais do nosso blog. A pedidos, então, vamos a mais um desnudamento (hum) de uma peça importante do arsenal canalheiro, o truque do carrinho de supermercado, que também pode ser cestinha (embora especialistas apontem sutis diferenças entre um e outro, tal discussão não cabe numa abordagem preambular e fica reservada para estágios de especialização e MBA’s). Escolha o horário apropriado no estabelecimento alimentar a ser visitado, lembrando que diferentes horários trazem diferentes públicos-alvos. Claro que a localização do supermercado é outro fator a ser estudado. Para efeito de ilustração, sugerimos nove ou dez da noite e um bairro endinheirado. Bote no carrinho os seguintes itens: 1-um saco de verduras pré-lavadas; 2-um pacote de shimeji; 3-uma caixinha de quatro iogurtes sabor cupuaçu; 4-uma mostarda cujo nome você não consegue pronunciar; 5-uma garrafa de Absolut; 6-um vinho argentino de 50 paus ou mais; 7-um shampoo com algum ingrediente misterioso, tipo Keraqualquercoisa; 8-uma caixa de Bis; por último, 9-uma garrafa de amaciante (mas não o Fofo, eveedentemente). Para uma espectadora sagaz e possível alvo de paquera, tais itens denotarão, respectivamente: 1-que você mora sozinho; 2-que cozinha bem; 3-que se preocupa com o meio ambiente e gosta de novidades; 4- que é cosmopolita; 5-que você tem simpatia pelo S do GLS; 6-que está atento às negociações do Mercosul; 7-que cuida da higiene pessoal com esmero mas sem afetação; 8-que há um menino dentro do homem; 9-e, por último, que você, simultaneamente, se preocupa com as coisas de casa e lava suas cuequinhas (assim mesmo, no diminutivo, que é como elas gostam de se referir à dita) no box do banheiro. Tudo isso num único carrinho-máquina do mundo-aleph de supermercado. Dependendo da periodicidade da prática, a soma das mercadorias poderia arruinar seu orçamento semanal caso você tivesse a intenção de realmente comprá-las, o que você, é óbvio, não fará, bastando largar o carrinho em algum lugar depois de estabelecer contato com a pretendente interessada. Simplesmente circule pelos corredores com aquele ar de despreocupado charmosão e o sucesso advirá.
13:57:34 - hubbell - 11 comentários

20 Julho

"Mamãe, olha eu aqui!"

Nada como uma decisão estapafúrdia para tornar um assunto insípido saboroso. O debate que se arrastava no governo federal sobre a regulamentação da Lei do Abate de aviões, algo tão interessante quanto saber se o Brasil tem realmente condições de fabricar bomba atômica, teve desdobramentos nos jornais de hoje que apontam para a aprovação da lei com a ressalva de que sejam poupados os aviões nos quais, comprovadamente, haja crianças a bordo. Err, hum, vamos lá: 1) como se comprova isso? Bota um garoto na janelinha do avião pra acenar pros caças da Aeronáutica? Ah, não dá, porque os traficantes ou outros suspeitos poderiam usar um daqueles bonequinhos de posto de gasolina que se mexem, enganando os olhos de águia de nossos pilotos. Que tal a voz de uma criança, aos berros, pedindo "não atire, seu piloto, por favor!"? Não dá, também, porque os bandidos, esses insensíveis, poderiam providenciar fitas gravadas com as vozes dos petizes; 2) você, caro leitor, se fosse contraventor, não se sentiria incentivado a contratar uma garotada animada da escola pública mais próxima para um "passeio de avião"? Já imaginou a cena: "Fulano, pode embarcar as duas toneladas de coca e os doze garotos de uniforme. Bota o gordinho na fileira da janela".

Lôco, né?
13:31:29 - hubbell - 2 comentários

16 Julho

A serpente que dança

A ignorância atávica deste blog em assuntos musicais fez com que só recentemente descobríssemos Baudelaire (La serpent qui danse). É uma versão sacundim bossa nova de um poema do Baudelaire musicado pelo grande bebum Serge Gainsbourg naquele bacanudo LP que ele assinou em parceria com sua namorada à época, uma tal de Brigitte Bardot, no perdido ano de 1968. Leia o poema, vasculhe a internéte e baixe a canção – garantimos que você não regretterá.

P.S.: o site www.allmusic.com, a melhor fonte para consultas musicais da rede, passou por uma simpática reformulação gráfica e FINALMENTE incorporou trechos de músicas para serem consultados on line. Excelente novidade que merece divulgação.
17:17:53 - Zeno - Comentar

08 Julho

Determinismo geográfico?

Um esbarrão em Sapopemba é um esbarrão bem pouco polissêmico, seguido de algum xingamento, uma tentativa desastrada de furto, um bilhete que era único e agora se junta a outros no chão tributado. Um esbarrão em Paris, como o descrito por Cortázar no conto "Cartas de mamãe" ("Alguém esbarrou em Luis, soltou-lhe uma rápida declaração de direitos e obrigações com sotaque de Marselha. Compreendeu vagamente que estava atrapalhando a passagem das pessoas que entravam pelo estreito corredor do metrô"), um esbarrão assim parece revestir-se de uma importância que é ao mesmo tempo uma injustiça com Sapopemba, ou pelo menos com os cronistas famélicos de lá - se é que os há, desconfiados do ridículo do título. Para ficarmos ainda às margens do Sena, se a situação do casal d’O Último Tango ocorresse num quarto de hotel em Diadema, teria o conflito dos dois a mesma densidade psíquica-social-desiludida-pós-68 e o que mais se quiser hifenizar? Quando foi transplantado para os Estados Unidos e para a década seguinte, o tango deu nos ternos yuppies de Mickey Rourke durantes as nove semanas e meia de publicidade, com os resultados que se sabe. Se atinássemos com um fiapo de explicação que esclarecesse essa encrenca geográfica, teríamos talvez escrito um outro conto, um em que ocorresse mais eventos significativos suburbanos e menos pretéritos imperfeitos. Do jeito que o problema está montado, melhor é passar a palavra para quem já matutou indiretamente tais assuntos, Itamar Assumpção, que cantava com o grão de sal devido: "Paris me lembra Criciúma".
17:04:04 - Zeno - 11 comentários

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