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Tectum Intuentes

Ociosidade produtiva - textos reflexivos, anotações íntimas, sacanagens e demais ressentimentos.


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30 Setembro

Adicional por insalubridade

Quarta à tarde, dia ensolarado, a Sala 07 está em silêncio. Os poucos barulhos que se ouvem são o cléque-cléque opala 73 de um Pentium III a lenha, o ronronar de um Ibook barbie, as engasgadas de um Imac Lemon à espera de um Pitanguy eletrônico e as maracas de um Athlón Celerón hecho em Assunción. Alguém baixa, na surdina e no LimeWire, um mp3. Numa caixa de som muquifada, começam os acordes de "Don’t go breaking my heart", da dupla Elton John/Kiki Dee. Soam protestos, "Quimerdaéessa?", "Toca Raul!", "Jacira por jacira, bota o Emílio Santiago aí, pô". Novo silêncio. Na hora do refrão, a sala explode em vozes cantando o "Huu huu, nobody knows it". Desde "The full monty/Ou tudo ou nada", não se via algo parecido. A expectativa para os Carpenters, na semana que vem, é grande.
12:59:04 - Zeno - 12 comentários

29 Setembro

poesia ao pé da mesa: um carço

alguém aí já viu em algum lugar q. blogue (uma tradução, 'bloque' talvez, daria? é só pra anotação e esboço m/o...) é uma perfeita mesa de bar, só q. de mentirinha, virtual?
andaram falando 'se é literatura...', mas eu achei esse papo 1/2 esquisito: q. mania de querer dar prêmio a boi q. nem nasceu, sô.
21:14:43 - John Self - 1 comentário

27 Setembro

Gap geracional

Meu filho de dois anos pede autorização para brincar com os foguetes, hã, naves espaciais, dos Thunderbirds, honrosamente pertencentes ao pai e na família há várias décadas (hum) enfeitando a estante. Com o Thunderbird 1 nas mãos, ele pergunta: "Como brinca de foguete?". Descubro que a minha geração esteve inextrincavelmente (perdão) imbricada com a tal corrida espacial dos anos sessenta e que naves, foguetes, apollos e lua estão a anos-luz (com trocadilho) da atual geração NASA-sem-dinheiro. Envelheci mais um tanto ao me lembrar daqueles foguetes que a gente enchia com água e que decolavam com a pressão de uma bomba, um brinquedo sensacional que não faria o menor sucesso hoje. Piorei eu, as crianças atuais, os brinquedos, os videogames high-tech ou a sociedade pós-fordista como um todo?
16:11:04 - Zeno - 9 comentários

24 Setembro

Segundas Intenções

Já noticiamos aqui o divertido encontro semanal de atores que cantam, dançarinos que atuam e demais pessoas animadas do meio teatral, organizado pelo camarada Marcelo Várzea e que ocorre todas as segundas-feiras no bar do Hotel Cambridge, em São Paulo. O destaque vai para a canja da próxima semana, com a apresentação do grupo (ou indivíduo, não sabemos) vocal que se intitula "Canto ma non presto".

(da série "Como é que eu não tive essa idéia antes?")
18:37:32 - Zeno - 7 comentários

Mundo moderno

Uma cópia pirata em DVD do Collateral já pode ser encontrada por R$15 em qualquer banquinha de São Paulo. O Pedro Dória escreveu 2 páginas de 'erramos' para uma nota de 1 linha sobre o Sexkut (ele foi o pato alpha da piada) se vangloriando do fato de ter sido o primeiro a cair no engodo. A seguradora do meu celular, roubado junto com meu carro, pediu mais documentos que a seguradora do carro. E a seguradora do carro pediu uma cópia autenticada do boletim de ocorrência eletrônico (feito pela web e impresso aqui na minha Epson) e demorou a aceitar minha oferta de enviar o 'original'.

Lôco, né?
10:24:21 - Sorel - 6 comentários

Eleições

As conversas sobre eleições não têm passado do quem está na frente, quem está atrás. Alguns comentários sobre brigas na campanha, o botox da Marta, a cara de vampiro do Serra, o Maluf apoiando quem, e o que ele ganha com isso. Discussões sobre as táticas e estratégias de como se ganha o poder. Quando se aprofundam, entram os feitos administrativos. A revolução que a prefeitura promoveu no transporte urbano em São Paulo só pode ser comparada com a distribuição gratuita de medicamentos contra AIDS pelo ministério da saúde. Só a torcida organizada não vê o que tem de bom e de ruim de lado a lado. Na disputa pelo poder e no uso que se faz dele. Meu voto é ideológico e sempre foi. Não escolho administradores, mas um grupo que ocupará o poder e que trará um conjunto de idéias sobre a sociedade, o estado e sobre como e para quem se exerce o poder conquistado. É isso.
10:02:00 - Sorel - 5 comentários

23 Setembro

Senso estético

Um importante colaborador deste blog me disse confidencialmente que não gosta de ir ao Cinemark porque as paredes roxas com bolas amarelas (eu acho) "ofendem seu senso estético". Contar quem é o autor da declaração é uma covardia da qual não sou capaz, mas quem acompanha o blog regularmente não terá dificuldades em descobrir.
14:43:43 - Sorel - 12 comentários

21 Setembro

E na vereança?

Pelo trabalho com os jovens. Pelo trabalho no esporte. Por ter sido escorraçada pela mídia. Por umas e outras... meu voto é da Soninha.
12:57:19 - bandini - 15 comentários

Para que não pairem dúvidas 2



Estou com o Sorel. Grande cara. Ele sabe das coisas.
E Zeno que é Zeno vota na Martinha, esposa do Favre. Ela faz e faz bem feito. Oras!!!
12:46:38 - bandini - 11 comentários

11 Setembro

Joseph Conrad e Chance

Num dos textos publicados na revista Sur, em agosto de 1941 (recolhido depois na coletânea "Borges en Sur", da editora Emecé), Jorge Luis Borges comenta, a propósito de Cidadão Kane, que o filme tem uma estrutura narrativa semelhante à empregada por Joseph Conrad no romance Chance, ou "A força do acaso" na fraca tradução brasileira da editora Marco Zero. Mesmo um ex-conradiano amador e distraído como eu não perderia uma dica dessas como desculpa para finalmente ler o livro. O romance é construído a partir da justaposição de três narradores principais, Marlow (que aparece em outros livros de Conrad, como Lord Jim, Coração das Trevas e Juventude), Powell e um terceiro não-nomeado que costura as falas com seu papel de ouvinte, sendo dois deles (Marlow e Powell) partícipes diretos ou indiretos na história. Além dos três, trechos reveladores da história são postos na boca dos personagens principais, como as longas narrações da mocinha Flora ou do seu quase protetor Fyne.
Amarrados pelo leitmotiv do acaso (um paradoxo que deve ter proporcionado a Conrad alguns momentos de diversão irônica), os episódios rocambolescos vão se juntando aos trancos para culminar numa penúltima seqüência de arrepiar (pra quem leu, é a dos eventos testemunhados por Powell através da clarabóia de vidro) e numa última cena lamentável de novela das seis. Segundo Luiz Costa Lima, em ensaio publicado em seu mais recente livro ("O redemunho do horror"), vozes qualificadas como as de Henry James e Virginia Woolf desqualificaram o livro seja pelo excessivo movimento especular dos narradores, que trairia a autenticidade dramática do relato, seja pela verborragia descritiva descalibrada, que comprometeria uma apresentação mais nuançada de alguns personagens.
A primeira acusação é injusta, a segunda é incontornável. Há uma lentidão conjecturante e gordurosa na narrativa que nem o mais ardoroso fã de Conrad conseguiria justificar, e cujo ponto alto estabelece o que deve ser uma espécie de recorde literário do início do século XX: um diálogo entre Powell e Flora que se arrasta por 43 páginas e no qual os dois não trocam mais que uma dúzia de frases relevantes.
Do lado positivo, em meio às opiniões de Marlow sobre deus, o mundo, os homens, as mulheres e o oceano, salta no capítulo 6 da Segunda Parte um trecho magnífico: "Formar pares é a sina da humanidade. E se dois seres, que estão juntos e mutuamente se atraem, se opõem a essa necessidade, não conseguem se entender e voluntariamente se refreiam diante do... do enlace [embrace], no mais nobre sentido do termo, então estão cometendo um pecado contra a vida, cujo apelo é simples. E talvez sagrado. E a punição para isso é um surto de complexidade, um emaranhado de sentimentos atormentadores, forçosamente tortuosos, a forma mais profunda de sofrimento da qual, na verdade, pode decorrer por fim algo significativo, que poderá ser criminoso ou heróico, loucura ou sensatez... ou mesmo uma decisão correta embora desesperante."
Não conheço melhor definição para a maioria do imbróglios românticos vistos por aí em terras aquém e além do Atlântico.
07:32:00 - Zeno - 6 comentários

09 Setembro

Pequena contribuição para o Aclaramento de Novas Expressões da Língua Portuguesa

"Eu sou uma pessoa que..."

Sinônimo de cretinice. Indica que o emissor almeja uma vida interior que irremediavelmente não tem. Pode ser usada apensa a substantivos ligados a profissões, como "eu sou um arquiteto que...", "eu sou um especialista em TI que...", etc. Na forma mais despojada, "eu sou uma pessoa que...", serve para introduzir assunto entediante, cabotino ou auto-ajudense, ou as três coisas simultaneamente.

(para conhecer outras contribuições vernaculares, clique aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui)
07:01:00 - Zeno - 1 comentário

08 Setembro

Serviço de utilidade pública

Será realizado nos dias 9, 10 e 11 de setembro, na Ação Educativa (Rua General Jardim, 660), o "Colóquio Internacional Libertário". Com a palavra, os organizadores, membros do Coletivo Anarquista Terra Livre (www.terralivre.org): "Se você está cansado de ouvir sempre a versão dos fatos que te contam na escola e na faculdade, esta é a oportunidade de ouvir uma outra versão da história. A história contada a partir dos fatos do povo e não das instituições ou partidos políticos. A história contada a partir da versão daqueles que tinham interesse na superação do capitalismo e na criação de um sistema sem as opressões do Estado e do capital; e não na tomada do Estado e na imposição de uma ditadura."

Como já dissemos antes, quem aparecer será expulso.
11:32:37 - Zeno - 8 comentários

04 Setembro

Valeu a pena

Email transcrito tal e qual recebido.

"estou na última aula de informática em um telecentro depois de adiar mil vezes e outras mil protelaçoes me inscrevi, veio a primeira aula e eis que já é o último dia. De certa forma ler a sua coluna na revista da hora foi uma espécie e "encorajamento". Alguma coisa assim como fazer parte de um grupo. Ou como acontece na televisão já que entra em nossa casa "faz parte ". Bom descobri que não estava "velha" demais para aprender que sempre é tempo e coisas do tipo. Dei "minha palavra" que enviaria essa mensagem de
agradecimento . Claro levando em consideração que me perdoe os erros cometidos. Obrigada por todas as dicas (que copiei em um caderno)
agora vou poder acessar aos sites recomendados .

Um abraço.

A você, a sua família e a todos que você quer bem desejo felicidades, alegrias, sucesso."


Por dois anos escrevi no Jornal Agora SP "uma coluna sobre Internet para quem não tem computador", como eu mesmo a explicava aos amigos. Hoje, um mês depois de a coluna ser cancelada, recebo este email. Volto a acreditar em Deus e achar que o mundo é justo. Obrigado, leitora. Divido com vocês meu entusiasmo.
11:45:22 - Sorel - 3 comentários

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