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...ou então miojo

Nossas impressões sobre as cozinhas do mundo - a contrapartida sólida da Busca do Graal.


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30 Maio

Nem só de pão vive o homem

Na entrada, uma hostess (ai, ai, ai...) pergunta antes de qualquer coisa se você "já conhece a casa" como se isso fosse pré-requisito para estar ali, numa espécie de inquérito que em seguida é repetido pelos garçons. Assim é o Buttina, ali na João Moura quase com Cardeal, em Pinheiros: um bom restaurante que deixa de ser excelente por se arvorar mais do que isso. As paredes rabiscadas por Niemeyer e enfeitadas por gravuras de Aldemir Martins lhe emprestam essa falsa impressão, mas é só uma boa cantina moderna de ambiente agradável. O serviço é solícito, embora o freguês pareça ser antes "inspecionado" que atendido.

A cozinha mesmo é boa, ainda que demasiado sutil. Quis acabar com a sutileza excessiva da minha lasanha e pedi o moedor de pimenta. Chegou uma peça de acrílico que não funcionava —tanto estetismo merecia um moedor mais decente. Descontadas as idiossincrasias, porém, o resultado final, compensado pelo ambiente bacana, é longe do ruim.

Diz-se que, quando é época, as várias jabuticabeiras do quintal são a fonte de um sorvete caseiro, como o resto das sobremesas, que beira o divino. Até lá, o jeito é se contentar com um ótimo tiramisù e um pão-de-ló com calda de abóbora que só não estava perfeito porque a massa recendia pronunciadamente a ovo. Preços que cabem no bolso sem ofensas, carta de vinhos decente, antepasto idem, um lugar a visitar com freqüência.

Nota: 8,0 miojos.

(E assim nasce mais uma seção neste blogue, destinada a desbravar as fronteiras infinitas da gastronomia paulistana e de alhures, para que o público não julgue que a equipe editorial aqui é apenas pinguça. Não, de todo. Somos também gulosos e perdulários.)
10:00:00 - Pinto -

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