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A Busca do Graal

Incursões etílicas que não poupam esforços para determinar a exata localização do Bar Absoluto.


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23 Maio

Platibanda

Na Vila Madalena, onde mais? Ali pouco antes da Mourato Coelho morrer e virar Purpurina (quem diria, hein, dr. Mourato!?). O sonoro nome do bar evoca aquelas bordaduras de fachadas que decoravam casas antigas, mas isso não tem a menor importância a menos que você seja arquiteto/decorador, carnavalesco ou makeup artist/personal stylist, o que a rigor dá no mesmo. Barzão decentérrimo, de mesas duras de madeira e cadeiras idem, e expositores de vidro no balcão. Bebidas honestíssimas e petiscos idem. Frita na hora, foi a melhor coxinha de frango que já comi na vida, e me considero especialista no assunto. Fiquei de voltar prum almoção de domingo e provar a rabada, que não é coisa que se coma depois das 18h, a menos que... deixa pra lá. A caipiroska de frutas de tão boa dispensava o açúcar. Um bom pop/rock alternado com uma MPB digna faziam a perfeita trilha de fundo. A freqüência bicho-grílica não ajuda a embelezar o ambiente, mas fazer o que ali na vizinhança? Pareceu confuso o detalhe das paredes decoradas com mapas de metrópoles. Minha mesa estava defronte ao de Paris, e depois da saideira me levantei com ganas de tomar o rumo de St.Germain-des-Prés, mas foi o jeito seguir para a Bela Vista mesmo.

Nota: 8,5 graals.
11:00:00 - Pinto -

19 Maio

Heinz

Salsichas rubras, brancas e suculentas, mulheres e homens suarentos em busca da Diversão Última, espalhados por mesas a céu aberto cobertas de hectolitros de chope cremoso que vaza pelos cantos das bocas, mostardas claras, escuras e em semi-tons brueghelianos, repolhos entumescidos nos pratos e em restos espalhados pelas calçadas - não, não é o curta-metragem feito por Rainer Werner Fassbinder como trabalho de conclusão de curso na Academia Cinematográfica de Munique, onde foi aluno de Douglas Sirk. É o Heinz, bar santista respeitabilíssimo que há anos justifica excursões etílicas BIP (como dizia o Jaguar) de moradores do planalto em busca de seus acepipes alemães e do chope irrepreensível. Embora mista, a fauna que o freqüenta costumava ser conspurcada por professores de arquitetura condenados ao exílio por mau comportamento em bares paulistanos - mas esse tempo já passou. Qual Sócrates forçado a escolher entre o ostracismo ou a cicuta (vulgo água mineral), um deles resumiu bem as dificuldades da distância SP-Santos: "Duro mesmo era subir mamado a Imigrantes - Anchieta nem pensar, curvas demais!! -, na última faixa à direita, pianinho, pianinho, a 30 por hora".

Nota: 9 graals + grana pro pedágio.

(crdt a. puntoni, que me apresentou ao bar)
07:18:43 - Zeno -

02 Maio

Livers of all lands, unite!

Recebemos nova correspondência e-mailística reclamando da ausência de novas resenhas de bar em nossa seção A Busca do Graal. Pra compensar, seguem quatro resenhas curtas de bares freqüentados na última semana:

ALL OF JAZZ
Como uma ilha de sensatez num mar de cretinices (o bar fica no Itaim), o All of Jazz pertence ao restritíssimo circuito de bares em SP onde há música ao vivo todos os dias (confira a programação das atrações no site). Há muitos tigrões e tigronas, mas os de lá têm a vantagem de estarem curtidos em álcool há mais de três décadas, uma espécie de Discovery Channel com tecla SAP escocesa. Recomendamos ir em grupos pequenos, senão o barulho da sua mesa fará concorrência aos músicos (principalmente ao pobre baterista, obrigado a enfrentar o vozerio com aquelas vassourinhas tchi tchi tchi) e você terá de ouvir vários psiu psiu psiu ao longo da noite. A garrafa de uísque 8 custa 100 pratas, o filé aperitivo é muito bom e tem uma lodjinha de CD's no primeiro andar com seleção capaz de surpreender até jazzófilos franceses empedernidos (do tipo "Conheço um barzinho de jazz no Troisième muito melhor que esta espelunca aqui!", "Já vi o Maceo Parker tocar ao vivo...", etc).
NOTA: 7,5 graals.

APARTAMENTO DO PINTO
Lugar excelente, o melhor bar visitado nos últimos meses. O uísque, um Royal Salute liquidado a tiros, sucedido por um Chivas 12 que mal sobreviveu, é de graça. A comida também é, um honestíssimo rigatoni ao molho ragù que não falou mal de ninguém. Não provamos a pièce de resistance da casa, tal de risoto de camarões, mas acreditamos nos relatos ouvidos. O proprietário da birosca não prima pela simpatia, mas a hostess nipo-carioca é sensacional. Só não pergunte se ela will seat you, que o dono não é chegado a essas libertinagens francesas.
NOTA: 10 graals. [Leia mais!]
18:27:17 - Zeno -

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