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...ou então miojo

Nossas impressões sobre as cozinhas do mundo - a contrapartida sólida da Busca do Graal.


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27 Junho

Sushiguen

Há duas unidades. A do Itaim você evita. Deixa para morumbinos e adjacentes desfilar empáfia e exercitar ignorância com maioneses e frituras mil. Prefira a matriz, na galeria Ouro Branco, esquina da Brigadeiro com Paulista, melhor frequentada e muito mais elegante. Presidindo os trabalhos, o mestre Shimizu-san, formador de vários sushimen de São Paulo.

Bons restaurantes japoneses nunca são baratos, mas uma ostra gigante a R$2,50 garante digestão e fruição até o dia seguinte —você entendeu o que eu quis dizer. Só não deixe setembro chegar, que com esse inverninho mixuruca ninguém sabe se as ostras, ao contrário, estarão firmes e fortes. Difícil também é decidir entre pratos quentes, como o delicioso nabeyaki udon, os peixes crus de sempre, sem trocadilho, por favor. Deixo então a cargo da temperatura ambiente. Em dias frios, um; nos demais, os outros; o coração partido, sempre.

Charles Bronson Jr., o japonês aqui do blogue, atesta que o Sushiguen mantém a excelência servindo à colônia que labuta nas imediações. Concordamos. O espaço é minúsculo, sempre cheio, e sentar defronte ao balcão é um charme adicional. Ao contrário dos bons estabelecimentos da Liberdade, gaijins são bem atendidos, desde que não cheguem depois das 22h30.

Nota: 9,5 miojos.
11:00:00 - Pinto -

08 Junho

Chi Fu

Expressão que se presta à toda sorte de infâmias em português e batiza o último de três restaurantes chineses geminados, junto à Praça da Liberdade. Ignoro o que significa e pouco importa, pois do cardápio à conta, passando pelo serviço belicoso, tudo é em mandarim ou cantonês, quem vai saber... Dos três, é o mais imundo, mais barato, mais bagunçado e de melhor cozinha. Por alguma dessas razões, ou todas, está sempre lotado, e o padrão de controle da fila é brasileiro mesmo. Um fuá.

Nos fundos, há viveiros com uma miríade de animais aquáticos e tudo mais que um bom gourmand chamaria de "la nouriture prochaine". Junto à escada do porão —juro pelas vítimas da Praça da Paz Celestial— havia um saco de 15kg de Whiskas, que frango, coelho e mignon famintos miam demais. O que esperar de um país em cujos zoológicos há plaquinhas com o nome do animal e uma receita?

A cerveja não vem gelada, como de resto é raro em São Paulo. O pato laqueado é emocionante, a carpa com gengibre é de comer de joelhos, idem para os camarões gigantes, tudo a preços ridículos, e felizmente este blogue não é escrito em ideogramas. Se você é suscetível a gordura na comida, não se preocupe: em vez de sabão, o banheiro tem detergente.

Nota: ainda assim, 9,0 miojos, mas aposto que a AP não daria nem dois!
13:00:00 - Pinto -

01 Junho

Cecília

Quem quer que seja capaz de fazer um caldo de frango daqueles, aparentemente ralo e sem graça, com um sabor capaz de amolecer o mais duro dos corações deve ser mesmo um escolhido pelo Senhor. No caso, uma escolhida: dona Cecília Judkovitch, proprietária do restaurante de mesmo nome, na Tinhorão, travessinha em frente à Faap, em Higienópolis.

Uma pobre alma como a minha, que até então achava que judeu era só um árabe que não sabia cozinhar, deveria ser condenada a jamais deixar o sheol, o limbo. Felizmente, o Cecília me redimiu. Sem favor nenhum, é uma das melhores cozinhas de São Paulo —e com preços justíssimos, que a colônia não é lá dada ao esbanjamento. Os substanciosos pratos ashkenazitas combinam perfeitamente com o inverno, o ambiente é estóico, pequenino como convém. Quando pode, a proprietária desce da cozinha e assume o caixa, esbanjando simpatia e reforçando o ar familiar do estabelecimento. Seu único pecado é não guardar o Shabbat, mas, tudo considerado, a isso qualquer pessoa de fé fará vista grossa, até mesmo Adonai no Dia do Juízo.

Nota: 10 miojos, com louvor.
10:00:00 - hubbell -

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