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31 Outubro

A hora do DJ Mandacaru

Hipopótamo Zeno faz dois anos de aniversário mas quem ganha o presente é o John F. Kennedy.

P.S.: O arquivo fica disponível por uma semana ou 25 baixadas, o que ocorrer primeiro.

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19:29:30 - Zeno - 2 comentários

O patrão manda bem

"Truffaut foi o maior escritor francês das últimas décadas. É, escritor. Eu sempre digo isso para os alunos, e escrevo aqui: 'Depois daquele enrustido do Camus, do hipócrita do Sartre, da chata da Simone de Beauvoir, e daquele veado, o Gide, o único escritor francês que apareceu, e presta, é o François Truffaut'. O azar dos editores é que ele escrevia para o cinema, com uma câmara na mão."

Trecho do conto "Palavras cruzadas", in Discurso sobre o capim. Luiz Schwarcz mostra que não está onde está por acaso.
18:40:00 - Pinto - 4 comentários

O Bom Alemão (2006?)

Já dissemos que amigos caridosos do blog reclamam do desperdício de espaço aqui, que nós deveríamos escrever sobre coisas mais sérias, etc. Pois bem, querem uma resenha de livro? O Bom Alemão, catatau de 530 páginas engolidas no fim de semana, de um tar Joseph Kanon. Faz tempo que não lemos um troço tão explicitamente escrito pra virar filme - tem até a inevitável perseguição de carro no final, com tiroteios espalhados a cada 80 e poucas páginas. Diverte, claro. Diverte mais quem conhece Berlim, onde se passa a trama. Mas, por conta do tamanho do livro, é como assistir a um filme de 20 horas de duração. Esperem a versão de duas horas, que vem aí.
18:10:00 - Zeno - 4 comentários

O tato, sempre ávido

De uma enquete realizada tempos atrás pelo jornal argentino Página 12 (o mesmo que tem a honra de publicar as charges do Daniel Paz):

"Quantas cosas que no podés tocar llenan tu vida?"

E duas sugestões iniciais:

1-Transferências bancárias eletrônicas.
2-Uma stripper americana profissa.

Mais sugestões?
18:00:11 - Zeno - 1 comentário

Aniversário de dois anos

Tudo começou em 1870, quando Robert Fulton inventou desavisadamente o barco a vapor. Dele para o Apple G5 que ronrona na mesa ao lado e que abastece o blog com tigres, panteras e linces desde o final de outubro de 2003, foi um pulo. Acidentado, é verdade - e com a participação direta e progressiva de seis pessoas do lado de cá do teclado e de um agrupamento esquisito de quinhentos leitores benevolentes que teimam em visitar diariamente este cantinho de inutilidades da internet. De um blog cujo nascimento deveu-se ao escrutínio da canalhice em suas diversas formas, a partir de leituras conjuntas d'A Consciência de Zeno, do Svevo, e que depois virou um sabe-se-lá-o-quê amorfo cuja pretensão só é superada por uma orgulhosa irrelevância, não se pode esperar nada além de um retrato fiel e desajeitado do país em que vivemos, honrando, assim, os tais 26,5% mencionados em sua certidão de nascimento. A todos, nosso sincero obrigado e nossa sincera recomendação: pelamordedeus, tem coisa melhor na internet. Fora dela, então, nem se fala – um mundão folgazão que recusa teimosamente a converter-se em anódinos zeros e uns.

Lôco, né?
12:06:36 - Zeno - 4 comentários

29 Outubro

Xô, gentalha!

"Em meio à pressão de alguns moradores de classe média alta, a administração Geraldo Alckmin (PSDB) desistiu de construir uma estação do Metrô prevista há praticamente dez anos no projeto da linha 4-amarela (Luz-Vila Sônia). O Estado afirma que a queixa da população foi somente uma das razões que pesaram para a decisão —mas não a determinante.

Diferentemente da maioria dos paulistanos, que reivindicam mais transporte coletivo perto de casa, parte da vizinhança de bairros residenciais como Instituto Previdência, Jardim Christie e Guedala, na zona oeste de São Paulo, avaliava que a estação Três Poderes, integrada a um terminal de ônibus, poderia causar alguns transtornos e descaracterizar a região —com a presença intensa de camelôs e tráfego de coletivos.

Inserida nos mapas da rede divulgados ao longo dos últimos anos e prevista originalmente para receber 50 mil passageiros por dia, ela foi excluída da segunda fase da linha 4 ao mesmo tempo em que houve a decisão de antecipar a obra da estação Vila Sônia.

A alteração de planos foi formalizada há um mês, sem alarde. Na avaliação da gestão tucana, a nova estação, programada para ser entregue até 2012, terá melhor função social —já que concentrará um grande terminal de ônibus e se tornará a mais movimentada da linha 4, com 150 mil usuários. Pelos projetos originais, ela só sairia do papel numa terceira fase.

Por outro lado, a exclusão da estação Três Poderes, na esquina da av. Prof. Francisco Morato com a Três Poderes, vai abrir um 'buraco' de 2,4 km entre as paradas Butantã e Morumbi, a maior distância entre estações da linha 4. Os técnicos do Metrô geralmente planejam uma distância de 1 km entre cada parada dos trens."

(crdt : fsp de hoje, embora pudesse ser também de séculos atrás)
10:54:05 - Pinto - 2 comentários

27 Outubro

Le pirocón n'est pas mort

Cada país tem o Julio Neves que merece

Perceba como Barcelona ficou mais bela depois que Jean Nouvel (aquele sósia do Dr. Evil que pretendia afundar um McMuseu Guggenheim na Baía de Guanabara por um precinho módico; não conseguiu e embolsou um bom troco da prefeitura carioca assim mesmo) ergueu um falo gigante, batizado de Torre Agbar, por entre o vão da Sagrada Família.
14:11:46 - Pinto - Comentar

Estivemos fora do ar por alguns instantes

Motivos ignorados. E o que é que a gente perdeu? A história do boi que fugiu e invadiu um frigorífico, o Clodovil ameaçando estrear uma peça junto com uma anã e um barnabé de Brasília assumindo autoria dos cartazes contra o Bornhausen como "legítima defesa da raça". Quer dizer, nada.
10:38:14 - Pinto - 3 comentários

25 Outubro

Le pirocón est mort

A Prefeitura de São Paulo vetou a construção de uma torre de 116 metros de altura ao lado do prédio do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista. O projeto havia sido apresentado no ano passado pelo arquiteto Julio Neves, presidente do Masp, como forma de ampliar as instalações e atividades do museu. Parte do acervo seria transferida para um edifício vizinho e sobre o imóvel seria erguida uma estrutura metálica com um mirante. A intenção era concluir a obra em julho de 2006.

Como interferiria numa área tombada da capital, o projeto teve que ser submetido ao Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), órgão vinculado à Secretaria Municipal da Cultura e composto por sete integrantes. O conselho já havia rejeitado o projeto em fevereiro, mas a proposta foi reapresentada juntamente com um recurso. Nesta terça-feira, o Conpresp decidiu novamente pela rejeição, mas nenhum representante da Prefeitura explicou os motivos.

(crdt : globo online, conforme quisemos aqui)
22:49:01 - Pinto - 1 comentário

Há quanto tempo você não bate um papo com um rabino?

16:30:00 - Pinto - 6 comentários

Aquela canção do Roberto

Meu querido, meu velho, meu amigo

Esses seus cabelos brancos, bonitos, esse olhar cansado, profundo
Me dizendo coisas, um grito, me ensinando tanto, do mundo...
15:23:03 - Pinto - Comentar

Daniel, O Pensador

"Com a palavra o jornalista Daniel Piza: 'Ter lido Nietzsche na adolescência, por exemplo, me fez muito bem' (pág. 38); 'Outra leitura de adolescência, quase no extremo oposto, foi a de Bertrand Russel' (pág. 39); 'Foi mais ou menos na mesma época que descobri o prazer de ler ensaios, e isso ocorreu com o pai de todos os ensaístas: Michel de Montaigne' (pág. 39); 'Efeito semelhante me causou Voltaire' (pág. 40); 'Também gosto de ler sobre física' (pág. 42)."

"Como se dar bem...", de Fernando de Barros e Silva, na Folha de hoje, sobre o livro "Cultura & Elegância", uma obra destinada a quem não possui nem uma coisa nem outra. A íntegra do artigo é reproduzida a seguir. [Leia mais!]
14:21:11 - Pinto - Comentar

Não se pode agradar a gregos e coreanos

desaprovação eloqüente
Membro da redação é alvo de críticas por parte de um leitor (pós-referendo) descontente.

(crdt: édouard foà, mes grandes chasses dans l’afrique centrale. paris, libraire plon, 1901)

(crdt pelo empréstimo: o hipo honorário laurent c.)
12:47:04 - Zeno - 2 comentários

Um em cada dez homens argentinos é gay

Nossa candidata a melhor propaganda televisiva dos últimos tempos. Clique aqui (o arquivo, parrudo, tem 1.9 megabytes).
12:15:26 - Zeno - 5 comentários

A hora do DJ Mandacaru (edição extra)

toquem as trombetas

Shirley Horn (1934-2005)

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P.S.: Para ouvir as músicas "Here's to life" e "Estate", clique nas duas últimas lágrimas.

P.P.S.: Os arquivos ficam disponíveis por uma semana ou 25 baixadas, o que ocorrer primeiro.

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[crdt emoticon vertical: mestre john miyagi self]
11:52:56 - Zeno - Comentar

24 Outubro

Etilíricas

bar riviera

eu long island

ela san remy

(crdt nena)
20:37:29 - Zeno - 1 comentário

La Notte Brava (1959)

Este é dos que fazem jus ao nome da seção de cinema aqui do blog: na quarta, dia 26, às 14:28, a TV5 (canal 30 da grade da NET) vai exibir um filme esquisitíssimo (entenda-se: raríssimo), um dos primeiros da longa carreira de Mauro Bolognini, diretor italiano da segunda safra neo-realista cujo filme mais conhecido talvez seja "O Belo Antônio", de 1960 (com o Mastroianni no papel do insano que broxa com – justo com quem, Marcello! – a Claudia Cardinale). O filme de quarta, dizíamos, é La Notte Brava (título nacional: "A Longa Noite de Loucuras"; em francês, "Les Garçons"), de 1959, com roteiro do Pasolini baseado num romance dele mesmo, "Ragazzi di Vita". O elenco é um bota-pra-quebrar do cinema europeu do final dos cinqüenta: a estupenda Rosanna Schiaffino, a mignon chuchu Elsa Martinelli, o ubíquo Laurent Terzieff e o nouvellevaguiano Jean-Claude Brialy. Como diria o Rubens Silvio Ewald Santos, "eu não vi, mas a Íris viu e recomenda".
20:29:56 - Zeno - 6 comentários

A hora do DJ Mandacaru

Sky, so vast is the sky

Acredito que todo mundo aqui conhece os discos "Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim" e "Sinatra and Company". Pois bem, não estão nos dois discos todos os fonogramas gravados pela dupla. Alguns não puderam ser incluídos e só foram recuperados num LP duplo, lançado pela WEA, exclusivamente no Brasil, em 1979. O autor da façanha foi o Roberto Quartin, que garoto ainda foi convocado pelo Tom para atuar na produção do primeiro disco da dupla. Durantes as gravações, Sinatra franqueou (ai!) ao Quartin o acesso irrestrito aos seus arquivos. O cara ficou tão íntimo que, depois da morte do Sinatra, só ele foi autorizado pelos filhos a lançar material inédito do velho, o que resultou em CDs belíssimos de shows em Londres, Jerusalém e Austrália. O Quartin, entre outros highlights, foi o criador da gravadora Forma, em 1965. Primeiro disco da casa: "Coisas", do Moacir Santos, um clássico, no sentido exato da palavra.
Mais recentemente, as duas músicas “inéditas” foram incluídas na caixa "The Complete Reprise Studio Recordings" (Warner), com 20 CDs (452 fonogramas), que podem ser adquiridas por módicos US$ 381,87 na Amazon (uns R$ 1.400,00, já incluída sua contribuição para o superávit da balança comercial do Palófi).

Do LP duplo lançado no Brasil, catei as duas: Bonita e Sabiá.

P.S.: Os arquivos ficam disponíveis por uma semana ou 25 baixadas, o que ocorrer primeiro.

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14:11:00 - Zeno - 3 comentários

Indisciplinas

Eu me lembro das aulas de Organização Social e Política Brasileira, aliás OSPBosta. Mas não me lembro das de Educação Moral e Cívica. Acho que dormia.
11:00:00 - Pinto - 15 comentários

sideways

sai de banda
e
cai de cara
02:54:16 - John Self - 2 comentários

23 Outubro

A vitória do "Sim, Sinhô"

Afinal, o que argumentar diante de alguém com uma arma na mão?

Ou como melhor expressou a Giu: "O referendo foi um censo pra medir o ódio no coração das pessoas".
01:37:37 - Pinto - 1 comentário

21 Outubro

A vida é feita de escolhas

Opus daremos?A Lu em cena

Nós também já tínhamos escolhido ele —mesmo porque, queiramos ou não, a mídia termina escolhendo por nós. Mas para outro trono. Para o deste país, em particular, seguimos firmes com o Clodovil.

(A capa da Invejinha veio depois, só para corroborar a tese. Não sei o que fazem lá dois papagaios e um pitbull.)
11:00:00 - hubbell - 4 comentários

c'era un ragazzo chi como io

valeu, cara
cara pedra
e seus louros
bem agora
no reverso
de nós e
nossa
caprichosa natureza
01:46:43 - John Self - 4 comentários

Se meu Fusca falasse

Atire a primeira pedra quem nunca transou nos bancos de um VW.
01:35:58 - Pinto - 7 comentários

20 Outubro

"Aplique nos nossos fundos"

Deu na Folha (onde mais?): "Corretora lança primeiro clube de investimento voltado para o público gay".

Em tempo: tu és capaz de adivinhar de onde partiu a idéia, tchê?
19:20:29 - Pinto - Comentar

Acabo de ganhar uma TV a cabo

Registro os sinceros agradecimentos aos meus bons amigos da TVA, que liberaram um pacote nec plus ultra aqui pra casa, incluindo as três HBO, o Cinemax, o Boomerang e mais uma penca de canais pra zapear em dia chuvoso. Isso sem eu jamais ter pedido a ninguém, desembolsado um puto ou assinado a bagaça. E sem nem mesmo sequer molhado a mão do tiozinho da antena!

Conforme ficou claro na escolha do novo James Bond: já não se fazem mais gatos como antigamente.
11:00:00 - Pinto - 6 comentários

19 Outubro

Agruras da modernidade

Já que tangenciamos o assunto: nem "Casseta" nem "A diarista". O melhor humorístico de ontem, quase ninguém viu, foi o "Observatório na TV", do incansável Alberto Dines, no qual Marilena Chauí reduziu a pó de traque um certo João Ricardo Moderno (quem?), presidente da Academia Brasileira de Filosofia (hã?), explicando as razões do seu (dela) artigo.

Uma googlada rápida e se vê que a tal Academia, cujo objetivo é popularizar sua raison d'être, parece não existir no mundo virtual; o CV do seu presidente, sim. De minha parte, nunca tinha visto tanto gabarito acadêmico combinar com juízos tão ao rés-do-chão. (Na dúvida, um compacto do programa estará disponível aqui.)

Como mérito, ele vem a ser "notório inimigo" de Ovário de Cavalo, mas para isso não é necessário nem muito Google nem muito estudo.
14:00:00 - hubbell - 7 comentários

Melhor que o quadro do Fantástico

Trecho do filme "O Homem que Copiava" (2003):

[Luana Piovani]: Pai pobre é destino. Marido pobre é burrice.
[Lázaro Ramos, em off]: Além de gostosa, é filósofa.
07:37:00 - Zeno - 5 comentários

18 Outubro

Das causas de cada um

A simpática sul-matogrossense Carmem Cestari, que empresta sua imagem à campanha do Não, é também âncora do "De Olho nas Origens", programa da Sociedade Criacionista Brasileira, em parceria com o braço multimídia da Igreja Adventista.

Segundo a resenha, é um "documentário de alto nível", que traz à luz "contra-provas" de "temas diferentes alusivos à teoria do criacionismo", contra toda essa "ditadura do evolucionismo" que está aí.
20:51:44 - Pinto - 6 comentários

O jardineiro fiel (2005)

O final é traidor.
15:00:00 - Pinto - Comentar

Climatério

A Fundação Zulaiê Cobra Coral adverte
Amigo irmão paulistano: se dirigir, não chova!
14:09:13 - Pinto - Comentar

Paleobotânica

— Fulana* é uma verdadeira mulher-orquídea!

— Bonita? Delicada? Rara?

— Não. Só dá em pau velho.

(* Identidades preservadas a fim de manter a integridade física de todo mundo aqui! E este post é um oferecimento do laboratório Pfizer.)
09:00:00 - hubbell - 11 comentários

17 Outubro

Cantina do Instituto Goethe/SP

Pra compensar os malefícios sofridos no tal Old Vic Pub resenhado abaixo, achamos por bem revelar aos nossos leitores um dos segredos etílicos mais bem guardados desta cidade. Começando com um jemesouveio rápido, ou, no caso, um ich-erinnere-mich: em meados da década de 80, quando o diabo era menino e ainda não falava alemão (apesar da existência anterior dos dois Faustos, do Goethe), a cantina era tocada por uma figuraça, Frau Alvina, uma senhora robusta cujo marido, Herr Ernst, era o zelador do prédio. Frau Alvina fazia pães sensacionais, coxinhas e bolinhos inesquecíveis e tinha a suprema gentileza de deixar um engradado de cerveja gelada do lado de fora do bar, pros alunos bebuns que saíssem da aula depois do fechamento da cantina. Mais tarde, com a aposentadoria merecida da Frau, o bar passou por mãos mais ou menos experientes, com resultados desiguais, até chegar à atual arrendatária, a multifuncional Lucinéia, dona também da livraria que abastece os alunos com a sabedoria das letras em Fraktur, vulgo góticas (ou seja, além de beber o sujeito pode sair mais culto do que entrou, o que, em se tratando de bar, não é assim tão comum).

A seleção de cervejas, como se poderia supor, é bem mais variada que a média, incluindo aquela weissbier bávara que dá pra cortar com faca, tal de Paulaner. Os petiscos são de primeira, e o glorioso Zito, responsável pelo atendimento, já é patrimônio do Goethe por tempo de serviço (ele começou lá, passou depois por restaurantes alemães do Brooklyn, onde aprendeu um steak tartar irreprensível, e mais tarde foi resgatado, ou melhor, intimado a voltar). Como a cantina fica no átrio do Instituto, um prédio que era um convento de carmelitas antes do atual inquilino, há muitas e deliciosas mesas ao ar livre - que, naquela década longínqua mencionada, eram de madeira, trocadas mais tarde por umas horrorosas de plástico, mas agora a madeira voltou de vez pra ficar. Nos últimos tempos, inventaram uma cobertura de telhas estapafúrdia que desagradou a todos. Com a benção do Johann Wolfgang, esperamos, ela será devidamente defenestrada em menos tempo do que você levaria para pronunciar Sehenswuerdigkeit des Stadtteils Pinheiros (já há uma movimentação dos alunos para tal). Como P.S. antecipado, e pra que não digam que uma dica de cantina de escola é absurda, fica registrado que o Instituto Goethe de Salvador, também instalado num antigo convento, tem um bar quase tão charmoso quanto o de São Paulo. O único senão é a milhagem, claro.

Nota: 10 Graals (pela primeira vez, aqui no blog?)
15:58:55 - Zeno - 6 comentários

Leave No Man Behind

Rejubilai, Escócia!

A batalha continua, inclusive aos fins de semana. A guerra, já dissemos, é longa.
15:06:23 - Zeno - 10 comentários

Casa Garabed

Desconte o fato de que fica em Santana. As famosas senhoras epônimas do bairro, ou aquilo que representam, morreram ou se mudaram para o Real Park e adjacências, deixando a Zona Norte menos insalubre. Pois é lá mesmo na Saint Paul profonde, encravado numa viela residencial, sem dar a menor pinta de casa de pasto, que fica o único, e não por isso o melhor, restaurante armênio da cidade. Foi dra. Escarlatina que há tempos primeiro me alertou, mas só neste finde é que eu tive a ventura de provar uma cozinha similar à dos bons árabes da praça, mas com algumas sutilezas que a tornam distinta. O clima de domingão em casa de vó, por exemplo.

Sutilezas que se estendem numa certa liberalidade no emprego do alho e do snobar, o velho pinoli de guerra. A tal da carne seca armênia, cujo nome impronunciável agora não me ocorre, é um verbete à parte no capítulo da charcuteria: maravilhosa. O quibe assado à lenha e posteriormente cozido na coalhada também lembra o chichbárak, só que melhor. Detalhe positivo: a cerveja vem estupidamente gelada, uma raridade em SP. Detalhe negativo: as porções estão mais para nouvelle cuisine (atenção revisão: manter no feminino) do que para a fartura de uma mesa árabe, e a relação custo X benefício finda não sendo tão convidativa —come-se quase tão bem num Jaber da vida por 1/3 da conta.

Nota: 8,5 miojos.
15:00:00 - Pinto - 4 comentários

Aparências, nada mais

Lurdinha
Coroa & Curinga

(crdt : tia thatá, glória perez, tim burton e márcio greyck)
10:30:00 - Pinto - 4 comentários

A hora do DJ Mandacaru

Cuba libre

Em março de 1995, eu estava em Miami cobrindo um congresso mundial sobre mineração de ouro. Uma noite fui convidado para a inauguração de uma boate — a S.O.B., que não era o que eu pensava, mas Sounds Of Brazil. Detalhe: nas cinco horas que fiquei lá dentro tocou UMA música brasileira, do Jorge Ben. Vá entender esses gringos... Mas a história é outra.
O ponto alto da noite era um show da Celia Cruz, uma espécie de Elizeth Cardoso cubana, pra quem não tem intimidades nem faz safadezas com a música da ilha. Procêis terem idéia do prestígio de La Reina, quem abriu o show foi a Gloria Estefan e a Albita, que, separadas, vendem mais discos por ano do que Celia Cruz vendeu em toda sua vida.
A boate, gigantesca — do tamanho do Palace aqui em Sampa —, era dividida em dois ambientes: o térreo, onde estávamos os comuns mortais, e um mezzanino, bloqueado para uma festa privada. Doido para trocar uma palavrinha com a Celia, convenci a garçonete a me levar até ela. A morena me pegou pela mão e toca a subir e descer escadas, passar por corredores escuros, até me deixar à frente de uma porta, falar baixinho "É aí!" e se mandar. Bati, entrei e dei de cara com dois crioulos do tamanho do Maguila. Com a maior educação, mas firmemente, me explicaram que era uma festa particular e que eu não poderia entrar. Declinei minha condição de jornalista brasileiro e expliquei que queria apenas trocar duas palavrinhas com La Señora. Um deles foi lá ver se era possível e eu fiquei observando o ambiente, vigiado de perto pelo Maguila 2. Hipopótamos amigos, nunca vi tanto ouro junto na minha vida, nem no congresso que tava cobrindo. Parecia que quem tinha mais de US$ 1 milhão na colônia cubana tava ali no mezzanino.
Dez minutos depois, volta o Maguila 1 e diz que o show vai começar e que depois a Celia Cruz vai direto pra casa, "não vai dar mesmo". Conformado, voltei pra minha mesa pra ver um dos shows mais infecciosos (versão brasileira: Herbert Richers) da minha vida. Quando a véia entrou no palco gritando "Azúúúúúúcar!", o diabo da boate veio abaixo, gringos, cubanos, todo mundo berrando junto com ela, uma zona de deixar carnaval de rua em Salvador parecendo procissão de Semana Santa em Conceição do Mato Dentro.
E sabem qual foi o gran finale? As três cubanas — e toda a platéia, inclusive os gusanos do mezzanino — cantando Guantanamera, a canção de exílio deles lá, os cubanos que se mandaram para Miami, fugindo do socialismo. Essa mesma que vocês estão pensando, hino da esquerda mundial, gravada pelo Peter Seegers, Joan Baez, Arlo Guthrie. Tem alguma lição nisso? Cês vejam aí.

Poupar-vos-ei de Guantanamera. No prêi, Goza Negra e Y Mi Negro Está Cansao.

P.S.: O esquema de deixar disponíveis os arquivos em mp3 foi vergonhosamente copiado do Ruy Goiaba, a quem rendo meu preito de eterna gratidão.
P.P.S.: Os arquivos ficam disponíveis por uma semana ou 25 baixadas, o que ocorrer primeiro.


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07:24:00 - Zeno - 4 comentários

16 Outubro

Veja

Sobre o referendo, é muito mais elucidativo do que o que dizem as revistas:
Alvo certo

"Uma em cada doze pessoas no mundo possui uma arma de fogo. A grande questão é como armar as outras onze."
01:18:33 - Pinto - 10 comentários

14 Outubro

Diálogos caninos

— Bonito o seu poodle.
— Não é poodle, é bichon frisé.
— Isso é raça ou carreira artística?

(da série "Parece poodle")
15:47:17 - Zeno - 8 comentários

Blond. James Blond.

Get Smart

Daniel Craig. Ganhou o papel por um nariz de vantagem, decerto. Nem é lá essas coisas, mas é bom ator, e um alfaiate da Saville é capaz de obrar milagres.
15:33:40 - Pinto - 29 comentários

Old Vic Pub

Bar que consegue a tripla façanha de não ser nem old, nem victorian, nem pub. Pertence àquele grupo de estabelecimentos comerciais conhecido como "Lugar em que a sua presença melhora sensivelmente o ambiente". Como o local não remunera quem o enobrece, é melhor não ir. Insistindo, peça um uísque, que virá falsificado num copo de plástico que imita vidro, autêntico trompe l'oeil que infelizmente não engana nem o tato nem o paladar. O motivo da bizarria deve ser o mesmo levantado noutra resenha: a clientela animada e boa de briga que freqüenta o lugar. Em frente fica um tal de Bar Vila Isabel, outro estabelecimento que só deve ser visitado em caso de inconsciência etílico-comatosa, pra evitar arrependimentos posteriores.

Nota: 1 graal, porque os cubos de gelo do uísque eram autênticos.
11:38:04 - Zeno - 11 comentários

Our man in Mikonos

Pensamento do dia: "A superficialidade não encontra eco no sentimento da amizade."
11:13:48 - Zeno - 7 comentários

Adeus Ano Velho

Deu na Inbox:

"CALDAS FEST FOLIA - O Reveillon na cidade de Caldas Novas, a 200 km de Goiânia, em Goiás, será uma grande festa e contará com as principais atrações do axé da atualidade. O Reveillon Fest Folia vai começar no dia 29 de dezembro com um super show da Banda Chiclete com Banana. Dia 30 de dezembro é a vez da banda Timbalada agitar a galera. Dia 31, o dia da grande virada, a galera vai curtir o show da banda Babado Novo. Claudinha Leite volta a fazer shows para os goianos depois de arrebentar com seu bloco no Carnagoiania 2005. O show será em plena virada do ano."

Lôco, né? E a pergunta pros amigos de Goiânia é: who the fuck is Claudinha Leite?
10:49:45 - Zeno - 4 comentários

13 Outubro

Existem mil maneiras; invente uma

Acidente com paraglider mata aposentada em Minas

Uma aposentada de 62 anos morreu por volta das 15h30 de quarta-feira (12) ao sofrer um acidente enquanto pousava de paraglider, no município de Santa Rita do Sapucaí (MG). Ela voava com o genro, que ficou ferido.

Eles pousavam em um gramado que costuma ser usado por praticantes do esporte. Em depoimento à Polícia Civil, o genro, de 38 anos, disse que o aparelho se enroscou em uma placa de propaganda enquanto ele e a sogra desciam. Eles perderam o controle do paraglider, e o poste de madeira que sustentava a publicidade caiu sobre ambos.

De acordo com a Polícia Civil, o genro está internado em Pouso Alegre e ainda não foi possível apurar se as vítimas, moradoras em São José dos Campos (SP), estavam capacitadas para conduzir o paraglider.

A aposentada chegou a ser socorrida, mas chegou ao hospital já sem vida. Ela teria sofrido traumatismo craniano. O genro quebrou a perna.

(crdt : Folha Online)
13:18:45 - hubbell - 7 comentários

10 Outubro

Notícia Urgente

(Lisboa - HZ) "Gêmeo tenta se suicidar e mata irmão por engano".

(crdt nena)
20:46:51 - Zeno - 7 comentários

Neoplasticismo

Condom com stijl
15:00:16 - Zeno - 23 comentários

Atualidades Atlântida

— O bispo que "jejua e ora" contra as obras no São Francisco agora ameaça arrastar uma multidão consigo. Jim Jones, glória a Jim Jones.

— A turma da bala anda tão malandra que nem menciona mais por que faz campanha mesmo. Aderiram ao "É proibido proibir" com uns 30 anos de atraso. Se o Bolsonaro se der conta, vai ter problema.

— Mario Sergio Conti foi apresentado à internet, leu e e não gostou. Só a utiliza para ler jornais franceses. Deveria ter reagido igualzinho quando me dei conta que meu emprego também estava em extinção, mas não e ó: mifu.
15:00:00 - Pinto - 1 comentário

C.q.d.

Lembra das sete razões para votar "Não", que renderam uma capa à revista da bala?

Deve ter sido coisa do síndico.

[Atualizando: o desmentido oficial está aqui.]
14:45:14 - Pinto - 5 comentários

Quem parte leva a saudade

Clodovil

Como diria Daniel Piza: uma lágrima para Clóvis Bornay.
12:11:01 - Pinto - 7 comentários

A hora do DJ Mandacaru

A ameaça comunista, meu pai e Ella

No começo dos anos 60, Iguatu era uma cidadezinha pacata. Principal região produtora de algodão do Ceará, uns boizinhos, uns bodezinhos, e os 15 mil habitantes tocavam sua vida sem maiores sobressaltos. Quem andava assustado mesmo era o governo dos EUA e uns milicos no Sul do Brasil: parecia que o bicho ia pegar com um tal de comunismo. Para fazer frente à ameaça vermelha, a USAID mandou leite de soja em pó (que até o gado recusava) e muitos agasalhos de lã (para nos proteger do frio, temperatura média de 40 graus à sombra), além de uns técnicos para elaborar "planos de desenvolvimento" pro povoado.

Depois de apurados estudos e muita cachaça, os tais técnicos concluíram que a região tinha duas vocações: granjas industriais e uma fábrica de camisas de nylon (chamadas Lav&Usa, por dispensarem ferro de passar, bastante adequadas ao clima local). Para tocar esses empreendimentos, era necessário treinar administradores locais; e foi nessa que meu pai entrou. No começo de 1964, ele e Padre Vieira -- um dos maiores intelectuais locais, autor de "O Jumento, Nosso Irmão" e, posteriormente, deputado federal cassado por uma frase num discurso em plenário ("Isso não são mais Forças Armadas, mas forças alarmadas") -- foram enviados para um curso na University of California - Los Angeles.

Cumpridos os três meses de curso, a turma (tinha mais gente do Nordeste) foi agraciada com uma viagem pelos EUA, para ver como a coisa funcionava mesmo. Primeira parada: Las Vegas...

Tava lá meu pai, um dia, sem nada pra fazer, que ninguém tinha grana pra torrar em cassino, quando resolve entrar na boate do hotel onde estavam hospedados. Uma neguinha lá, cantando com um trio, paixão fulminante. Todos os dias em que ele ficou por lá, foi ver a neguinha - Ella Fitzgerald. Voltou com um disco da moça debaixo do braço e, durante anos, ouvimos aquele disco juntos.

Em julho, o velho completou 83 anos. Me pediu, de presente de aniversário, que transformasse aquele disco em CD. "Lullabies of Birdland" reúne fonogramas esparsos, gravados em 78 rpm, e que foram grandes sucessos na voz d'Ella.

Separei dois pra dividir com vocês: Angel Eyes e Basin Street Blues.

[para mais dicas musicais do nosso DJ Mandacaru, com o inestimável patrocínio dos sabonetes Nínive ("Um sopro de Mesopotâmia em sua vida"), clique aqui e aqui]
06:53:00 - Zeno - 8 comentários

08 Outubro

Classificado

Atenção pessoal da Warner e jornalistas já presenteados com o mimo: aceitamos iPod Shuffle da Maria Rita em bom estado. Comprometemo-nos a elogiar a iniciativa de persuadir o reportariado, substituir as músicas por outras de nossa predileção e falar mal do disquinho.

Tratar na redação do blogue. E que ninguém nos acuse de insinceridade.
10:38:47 - Pinto - 2 comentários

07 Outubro

Ele se lembra

E por falar em Planeta Diário, o bravo Almirante Nelson jura que se lembra da seguinte manchete do jornal uns vinte anos atrás: "Maluf finalmente se entrega à polícia", com a foto-legenda "Salim Maluf: Cansei dessa vida!".
23:27:13 - Zeno - 6 comentários

Pechincha

Classificado mais ou menos lembrado de um exemplar d'O Planeta Diário da década de oitenta: “Apartamento Ipanema. 3 quartos, sala em L, cozinha espaçosa. Área de serviço com banheiro, duas vagas demarcadas, mulher, quatro filhos, sogra, empregada, canário, dois gatos, cachorro e peixe beta. Pago bem."
13:11:22 - Zeno - 1 comentário

Forfé

Já que tangenciamos o assunto, foi lançado ontem, na Livraria da Travessa, no Rio, "Opus Dei — Os Bastidores", dos autores Jean Lauand, professor titular de filosofia da FEUSP; Marcio Fernandes da Silva, juiz estadual; e Dario Fortes Ferreira, médico e diretor de um importante hospital de SP.

Segundo o boletim PublishNews, o livro questiona se a seita "está a serviço de Deus ou de manipulações humanas", e acaba denunciando "atitudes abusivas, preconceituosas, castradoras, oportunistas, a partir das quais se conclui naturalmente que a história que o Opus Dei conta de si mesmo absolutamente não coincide com o que os ex-membros relatam sobre ele".

Nota social: nenhuma autoridade do governo paulista, sempre tão antenado com a cultura —taí a Caras que não me deixa mentir, é só folhear—, se fez presente ao evento.
10:00:00 - Pinto - 4 comentários

06 Outubro

Queixas ao bispo

O bispo estabelece um marco do neofundamentalismo religioso em solo tupiniquim.

O bispo é nosso primeiro homem-bomba: quer morrer e levar consigo a vida de milhares que não têm nada a ver com isso.

O bispo não quer papo. É tão dogmático quanto a fé que professa, e a maneira de agir bem o denuncia. Aliás, já que em última instância está cometendo um suicídio, a Igreja podia começar a rever seus conceitos, ou então excomungá-lo.

O bispo tem o mesmo potencial de histeria de qualquer participante de reality show. Dispõe de agente, posa para fotos, não tem o menor pejo de chantagear uma autoridade constituída. É já que vai se refestelar no sofá da Hebe e fazer o circuitão da mídia que, como ele, explora a ignorância.

O bispo é seriíssimo candidato a sucessor de Padre Cícero e Frei Damião no panteão de mitos do tolo e sofrido imaginário popular nordestino.

O bispo é o exemplo prático de que religião e Estado não são separados no Brasil.

O bispo (franciscano) está mesmo é a pedir por um outro bispo (dominicano? beneditino? da Igreja Universal?), que faça greve de fome até que o governo retome imediatamente o projeto de transposição.

O bispo deveria voltar suas preocupações contra a ação do tráfico em Cabrobó, onde vive, celeiro da maconha de melhor qualidade, digo por ouvir dizer, produzida em território nacional.

O bispo talvez compreenda que a única alternativa para frágil economia do semi-árido são justamente projetos agrícolas de alta tecnologia (carcinocultura, fruticultura, floricultura), voltados à exportação, em detrimento da velha lavoura de subsistência que ele defende —justamente um sustentáculo da indústria de bispos, e também da de coronéis, que não por acaso o apóiam nessa empreitada.

O bispo ignora que a atrasada transposição do São Francisco é só um paliativo até que seja finalmente necessário transpor as águas do Tocantins, para garantir a segurança de uma área que o Deus do bispo negligenciou no envio de chuvas, mas se esqueceu de avisar aos fiéis.

O bispo... Ah, o bispo...
13:47:06 - Pinto - 7 comentários

Inútil paisagem

aquarela dos eua

Recebi por email e achei digno de figurar aqui, já que ninguém posta mais nada nessa josta.

Reza a lenda que se trata do "lado leste da planície Carrizo, Temblor Range, a cerca de 50 milhas a oeste de Bakersfield, Califórnia". A foto é de 14 de maio, mas não tem crédito nem Photoshop.
11:11:56 - Pinto - 5 comentários

05 Outubro

Epigramático

Ao ver a cow parade:

- Que tal?

- A arte foi pro brejo.
10:29:42 - hunter - 1 comentário

Finis Hominis, ou o fim da picada

Deve haver algo de muito estranho na sua vida quando você considera que a melhor coisa do dia foi ter assistido a um filme do Zé do Caixão.

Como minha passagem por este mundo sublunar é repleta desses exotismos, esquisitices e outras mumunhas, relato aqui minha última epifania estético-cinematográfica: o imperdível Finis Hominis, do gênio da raça José Mojica "praticamente" Marins. [Leia mais!]
08:53:03 - hunter - 1 comentário

04 Outubro

Sistema límbico

Sou só eu ou alguém aí também já notou que que a campanha do "Não" ao plebiscito do desarmamento é toda calcada em sentimentos como ódio, pavor, tensão?

A começar da apresentadora, aquela senhora com cara de coruja hidrófoba, que agora entra na minha casa e me ameaça com um "Olá!" que mais parece um esporro.

Aí em seguida tome uma sucessão de meganhas, criaturas apopléticas, senhoras de Santana e mais uma multidão de criaturas egressas de um pântano de onde jamais deveriam ter saído, todos defendendo a "segurança" e o "cidadão de bem", nem que para isso tenham que tentar proibir uma novela de ir ao ar...

Cadê a alegria de viver dessa gente?

Ah, como é triste a gente sempre terminar refém da infelicidade alheia.
21:00:18 - hubbell - 4 comentários

Pode ser a gota d'água

E tem aquela do padre às margens do rio São Francisco que está morrendo de fome porque quer impedir que milhões não morram de sede...

Qual é a lógica? Produzir mártires em maior quantidade, é isso?
17:22:37 - hubbell - 3 comentários

Ninguém segura a maçã

Com vocês, o Ipod Flea.

(crdt: ovelha elétrica, via mau humor, que voltou a blogar – o mundo pode ser um lugar justo, afinal)
13:12:10 - Zeno - 1 comentário

e estou c/ ela e ñ abro

essa mulher é um vinho.
13:00:30 - John Self - 5 comentários

etilírica bangbang

bar pau no saloon
eu no piano
ela dando em mais um
12:09:27 - John Self - 4 comentários

um raicai p/ emilinha borba, quem se candidata?

cogito e ergo sum um brinde.
p/ acompanhar o suingue
daquela canção sem data.
11:31:43 - John Self - 8 comentários

03 Outubro

Para que não acabe em Piza

Tenho estado afastado das bloguices e outras atividades internáuticas, como já deve ter percebido a gentil e fidelíssima assistência cá do hebdomadário eletrônico. Mas como acabei sendo surpreendentemente citado - ou ao menos, meu comentário - pelo senhor de Escarola, sinto-me na obrigação ética de responder.

1) Escrevi, sim, e reafirmo, que o senhor de Quatro Queijos é um rematado palpiteiro, cujos juízos impressionistas e impressionantes (suponho oriundos de alguma arcana fonte metafísica: o senhor de Alho e Óleo deve ouvir vozes, or something like that. Daimon socrático ou esquizofrenia?) são sapecados sem a menor preocupação com uma tolice na qual se baseou toda a tradição do pensamento ocidental, que atende pelo nome de "argumento". Não temos nem mesmo o recurso banal da informação lastreada em fatos (o que seria o mínimo de se esperar de um jornalista); não creio que alguém que se desse ao trabalho de uma pesquisa no Google fosse capaz de perpetrar sandices da sorte do enforcamento de Cristo (!!!??), do catolicismo (sic) de Bach ou da morte do marxismo e da psicanálise (um lugar-comum do "pensamento" conservador inane, do qual o senhor de Calabresa é lídimo representante). Resumindo: nem lógica nem empiria, para me valer de uma distinção conceitual importante da Filosofia. Está em Leibniz, Hume, Kant e Wittgenstein. Talvez o senhor com Borda Recheada encontre algo a respeito em algum dicionário ou enciclopédia (vide o item final).

2) Escrevi, também, que o senhor de Mussarela é uma cavalgadura; a afirmação foi feita, ao contrário dos chutes, achismos e cavilações estéticas do delfim (de meia-idade) do jornalismo cultural indígena, dans les textes , ou seja, a partir dos brilhantes artiguetes com os quais o senhor de Catupiry nos brinda o espetáculo bizarro de sua megalomania iletrada.
É que é difícil imaginar que alguém não inteiramente demente seja capaz de escrever as aforementioned pérolas sapienciais. Quer dizer, contando, ninguém acredita.

3) A questão aqui, pois, não é tão-somente de pura cretinice. É também de cunho ético, já que picaretagens desse naipe são lidas por pessoas que talvez não tenham discernimento crítico para separar o joio do trigo. Portanto o senhor Napolitana não é apenas um imbecil completo. É socialmente e culturalmente nocivo.

4) Fomos acusados de "inveja" ou algo do tipo (não li a coluna do senhor Siciliana nesse domingo. Aliás, não leio há meses: o grau de cretinice que posso tolerar me impede um acompanhamento mais próximo das obras geniais do senhor de Massa Fina). Eu invejo muita gente: Schubert, Murilo Mendes, Wallace Stevens e Antonio Candido, por exemplo. Tudo é uma questão de padrão, seja ele intelectual, estético ou ético. Já houve tempo em que tais padrões formavam sistema e eram indiscerníveis; talvez tenham voltado a sê-lo, para o pior, a saber, o indigitado é simultaneamente uma besta, não sabe nada de Literatura ou Música ou qualquer forma de arte e é um canalha. Uma espécie de grego da era clássica em negativo, ou com sinal trocado.

5) Para concluir: em livrinho de sua atilada pena, o senhor de Frango escreveu o que julga serem os requisitos básicos para a Bildung de um jornalista cultural. O opúsculo é uma preciosidade, na qual o renomado escritor aconselha que os candidatos a também publicar seus opinionismos esporádicos devem:

1) Ler bastante.
2) Aprender idiomas.
3) Consultar obras de referência de Filosofia, como dicionários e enciclopédias.

Tirante a piada óbvia que seria de bom alvitre que o Moisés redivivo e autor dessa reflexão de extraordinária argúcia cumprisse suas próprias prescrições, o item 3 demonstra claramente a atitude leviana que é característica do sujeito: faça uma leitura perfunctória, escreva aí umas bobagens já que ninguém sabe nada mesmo, vamos nos travestir de críticos virulentos (pero no mucho, que somos filhinhos conservadores e amamos o capital e as benesses de amanuense), and so on.

Era isso. Podemos julgar, creio, e não ao sabor de nossas disposições hepáticas ou do movimento das marés, quem é leviano.
20:47:22 - hunter - 9 comentários

Vale tudo

Deu n'O Glóbulo: "Mel Gibson vai falar dialeto maia em seu próximo filme".

Já posso ver o babacão na telona, engrossando a voz: "Só não vale dançar homem com homem" etc. etc.
18:25:40 - Pinto - 5 comentários

Ceará, terra de contrastes

Como o Sertão andou em voga aqui nos últimos posts, recordei da historinha a seguir. Não declino os nomes por não poder comprovar-lhe a veracidade, mas a repasso pelo preço que me venderam, dando como certo o ocorrido numa localidade rural próxima a Sobral, cidade onde sempre há precedentes para tudo.

Consta que uma comitiva de senadores visitava o local ermo e seco, inspecionando as obras para construção de um açude. Famintos, bateram ao casebre de um nativo e propuseram comprar uma refeição, que consistia unicamente de um ovo frito para cada. Saciaram-se e perguntaram quanto seria o prato:

— Quinhentos reais* — respondeu a humilde dona da casa.

— Puxa vida! Como é caro! Ovo deve ser coisa muito rara por aqui — obtemperou um arguto congressista.

— É não senhor — prosseguiu a mulher. — Coisa muito rara por aqui é senador.

* Os valores foram atualizados para melhor percepção do público.
18:03:06 - Pinto - 1 comentário

A hora do DJ Mandacaru

(nota editorial: nova estréia - sic - da coluna do nosso ombudsman musical, iniciada aqui. Aliás, se você quiser ouvir a faixa recomendada na primeira coluna, "What's New" com o Clifford Brown, clique aqui.)

Cigarrinho que passarinho não bebe

Se você é da turma que fuma aquele cigarrinho que não recolhe IPI nem ICMS, já deve ter ouvido falar em Paêbirú, o mítico caminho que ligaria São Vicente, no litoral de São Paulo, ao Paraguai ou, aos que deram mais algumas tragadas, a Machu Pichu, no Peru.

Paêbirú é, também, o mítico disco de estréia do Zé Ramalho, em parceria com o Lula Côrtes. Lançado pela Rozenblit, em 1975, sob o número 100.001 do selo Solar, o disco virou objeto de culto no mercado de discos raros. Tem maluco cobrando R$ 2 mil por um exemplar em bom estado. Não sei se tem maluco pagando isso. As masters do disco finaram-se numa das inúmeras inundações que acabaram pondo a Rozenblit a pique. Dizem que Zé Ramalho nunca autorizou a reedição porque no disco o Lula Côrtes aparece mais do que ele, na capa inclusive.

A falta de autorização não impediu a moçada da gravadora alemã Shadoks Music de lançar uma edição limitadíssima (350 exemplares, pelo que circulou na rede) em CD (SH 041), tirado de um LP em bom estado e lavado, filtrado e enxaguado por um desses ProTools da vida. O evento provocou uma certa comoção entre o pessoal que curte rock progressivo, tribal, psicodélico e outros adjetivos que tiveram que arrumar pra tentar tirar o rock do impasse criativo onde ele se atolou lá pra meados da década de 70. [Leia mais!]
17:24:57 - Zeno - 12 comentários

Rumo ao estrelato

Agora é que a nossa nanoaudiência decola - deu na coluna de ontem do Daniel Piza: "o bom blog ou site pessoal, mesmo raro, é o que pode ajudar a pressionar pela volta de um jornalismo mais autoral e interdisciplinar. Não são esses diários com pseudônimos tirados de bichos e cheios de palpites levianos, típicos de quem gostaria de estar na tal grande imprensa."
14:02:05 - Zeno - 32 comentários

02 Outubro

ternogravataecalça lee nonoivado

tendo todos eles em bolachas, herdados dele, pergunto p/ minha noiva: inttão?
ela ri.
virodisco e volta-amamos 30 anos.
dancei.
muleques nadantes de livrepool, cabeludinhos disgraçados, jimmy dean ñ se acabou à toa.
01:43:51 - John Self - 5 comentários

01 Outubro

A revista da bala

Ceci n'est pas une pipe

E mais uma razão para votar sim: a Veja defende o não.
07:58:27 - hubbell - 17 comentários

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