:: home :: posts passados :: etilíricas :: je me souviens :: microcontos ::


A hora do DJ Mandacaru

Velharias musicais sempre fresquinhas.


.:: mês anterior :: :: :: :: October 2005 :: :: :: :: próximo mês ::.

31 Outubro

A hora do DJ Mandacaru

Hipopótamo Zeno faz dois anos de aniversário mas quem ganha o presente é o John F. Kennedy.

P.S.: O arquivo fica disponível por uma semana ou 25 baixadas, o que ocorrer primeiro.

[para mais dicas musicais do nosso DJ Mandacaru, com o inestimável patrocínio da Charutaria Little Rock ("Define smoking"), clique aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui]
19:29:30 - Zeno - 2 comentários

25 Outubro

A hora do DJ Mandacaru (edição extra)

toquem as trombetas

Shirley Horn (1934-2005)

. ,
~
,
,

,




P.S.: Para ouvir as músicas "Here's to life" e "Estate", clique nas duas últimas lágrimas.

P.P.S.: Os arquivos ficam disponíveis por uma semana ou 25 baixadas, o que ocorrer primeiro.

[para mais dicas musicais do nosso DJ Mandacaru, com o inestimável patrocínio da Funerária São José ("Sua sogra é uma jóia? Nós temos a caixinha"), clique aqui, aqui, aqui, aqui e aqui]

[crdt emoticon vertical: mestre john miyagi self]
11:52:56 - Zeno - Comentar

24 Outubro

A hora do DJ Mandacaru

Sky, so vast is the sky

Acredito que todo mundo aqui conhece os discos "Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim" e "Sinatra and Company". Pois bem, não estão nos dois discos todos os fonogramas gravados pela dupla. Alguns não puderam ser incluídos e só foram recuperados num LP duplo, lançado pela WEA, exclusivamente no Brasil, em 1979. O autor da façanha foi o Roberto Quartin, que garoto ainda foi convocado pelo Tom para atuar na produção do primeiro disco da dupla. Durantes as gravações, Sinatra franqueou (ai!) ao Quartin o acesso irrestrito aos seus arquivos. O cara ficou tão íntimo que, depois da morte do Sinatra, só ele foi autorizado pelos filhos a lançar material inédito do velho, o que resultou em CDs belíssimos de shows em Londres, Jerusalém e Austrália. O Quartin, entre outros highlights, foi o criador da gravadora Forma, em 1965. Primeiro disco da casa: "Coisas", do Moacir Santos, um clássico, no sentido exato da palavra.
Mais recentemente, as duas músicas “inéditas” foram incluídas na caixa "The Complete Reprise Studio Recordings" (Warner), com 20 CDs (452 fonogramas), que podem ser adquiridas por módicos US$ 381,87 na Amazon (uns R$ 1.400,00, já incluída sua contribuição para o superávit da balança comercial do Palófi).

Do LP duplo lançado no Brasil, catei as duas: Bonita e Sabiá.

P.S.: Os arquivos ficam disponíveis por uma semana ou 25 baixadas, o que ocorrer primeiro.

[para mais dicas musicais do nosso DJ Mandacaru, com o inestimável patrocínio da Colônia Seiva de Alfazema ("O único rabo-de-saia que não fenece"), clique aqui, aqui, aqui e aqui]
14:11:00 - Zeno - 3 comentários

17 Outubro

A hora do DJ Mandacaru

Cuba libre

Em março de 1995, eu estava em Miami cobrindo um congresso mundial sobre mineração de ouro. Uma noite fui convidado para a inauguração de uma boate — a S.O.B., que não era o que eu pensava, mas Sounds Of Brazil. Detalhe: nas cinco horas que fiquei lá dentro tocou UMA música brasileira, do Jorge Ben. Vá entender esses gringos... Mas a história é outra.
O ponto alto da noite era um show da Celia Cruz, uma espécie de Elizeth Cardoso cubana, pra quem não tem intimidades nem faz safadezas com a música da ilha. Procêis terem idéia do prestígio de La Reina, quem abriu o show foi a Gloria Estefan e a Albita, que, separadas, vendem mais discos por ano do que Celia Cruz vendeu em toda sua vida.
A boate, gigantesca — do tamanho do Palace aqui em Sampa —, era dividida em dois ambientes: o térreo, onde estávamos os comuns mortais, e um mezzanino, bloqueado para uma festa privada. Doido para trocar uma palavrinha com a Celia, convenci a garçonete a me levar até ela. A morena me pegou pela mão e toca a subir e descer escadas, passar por corredores escuros, até me deixar à frente de uma porta, falar baixinho "É aí!" e se mandar. Bati, entrei e dei de cara com dois crioulos do tamanho do Maguila. Com a maior educação, mas firmemente, me explicaram que era uma festa particular e que eu não poderia entrar. Declinei minha condição de jornalista brasileiro e expliquei que queria apenas trocar duas palavrinhas com La Señora. Um deles foi lá ver se era possível e eu fiquei observando o ambiente, vigiado de perto pelo Maguila 2. Hipopótamos amigos, nunca vi tanto ouro junto na minha vida, nem no congresso que tava cobrindo. Parecia que quem tinha mais de US$ 1 milhão na colônia cubana tava ali no mezzanino.
Dez minutos depois, volta o Maguila 1 e diz que o show vai começar e que depois a Celia Cruz vai direto pra casa, "não vai dar mesmo". Conformado, voltei pra minha mesa pra ver um dos shows mais infecciosos (versão brasileira: Herbert Richers) da minha vida. Quando a véia entrou no palco gritando "Azúúúúúúcar!", o diabo da boate veio abaixo, gringos, cubanos, todo mundo berrando junto com ela, uma zona de deixar carnaval de rua em Salvador parecendo procissão de Semana Santa em Conceição do Mato Dentro.
E sabem qual foi o gran finale? As três cubanas — e toda a platéia, inclusive os gusanos do mezzanino — cantando Guantanamera, a canção de exílio deles lá, os cubanos que se mandaram para Miami, fugindo do socialismo. Essa mesma que vocês estão pensando, hino da esquerda mundial, gravada pelo Peter Seegers, Joan Baez, Arlo Guthrie. Tem alguma lição nisso? Cês vejam aí.

Poupar-vos-ei de Guantanamera. No prêi, Goza Negra e Y Mi Negro Está Cansao.

P.S.: O esquema de deixar disponíveis os arquivos em mp3 foi vergonhosamente copiado do Ruy Goiaba, a quem rendo meu preito de eterna gratidão.
P.P.S.: Os arquivos ficam disponíveis por uma semana ou 25 baixadas, o que ocorrer primeiro.


[para mais dicas musicais do nosso DJ Mandacaru, com o inestimável patrocínio dos desodorantes Van Ess ("Substitui o gim com vantagens"), clique aqui, aqui e aqui]
07:24:00 - Zeno - 4 comentários

10 Outubro

A hora do DJ Mandacaru

A ameaça comunista, meu pai e Ella

No começo dos anos 60, Iguatu era uma cidadezinha pacata. Principal região produtora de algodão do Ceará, uns boizinhos, uns bodezinhos, e os 15 mil habitantes tocavam sua vida sem maiores sobressaltos. Quem andava assustado mesmo era o governo dos EUA e uns milicos no Sul do Brasil: parecia que o bicho ia pegar com um tal de comunismo. Para fazer frente à ameaça vermelha, a USAID mandou leite de soja em pó (que até o gado recusava) e muitos agasalhos de lã (para nos proteger do frio, temperatura média de 40 graus à sombra), além de uns técnicos para elaborar "planos de desenvolvimento" pro povoado.

Depois de apurados estudos e muita cachaça, os tais técnicos concluíram que a região tinha duas vocações: granjas industriais e uma fábrica de camisas de nylon (chamadas Lav&Usa, por dispensarem ferro de passar, bastante adequadas ao clima local). Para tocar esses empreendimentos, era necessário treinar administradores locais; e foi nessa que meu pai entrou. No começo de 1964, ele e Padre Vieira -- um dos maiores intelectuais locais, autor de "O Jumento, Nosso Irmão" e, posteriormente, deputado federal cassado por uma frase num discurso em plenário ("Isso não são mais Forças Armadas, mas forças alarmadas") -- foram enviados para um curso na University of California - Los Angeles.

Cumpridos os três meses de curso, a turma (tinha mais gente do Nordeste) foi agraciada com uma viagem pelos EUA, para ver como a coisa funcionava mesmo. Primeira parada: Las Vegas...

Tava lá meu pai, um dia, sem nada pra fazer, que ninguém tinha grana pra torrar em cassino, quando resolve entrar na boate do hotel onde estavam hospedados. Uma neguinha lá, cantando com um trio, paixão fulminante. Todos os dias em que ele ficou por lá, foi ver a neguinha - Ella Fitzgerald. Voltou com um disco da moça debaixo do braço e, durante anos, ouvimos aquele disco juntos.

Em julho, o velho completou 83 anos. Me pediu, de presente de aniversário, que transformasse aquele disco em CD. "Lullabies of Birdland" reúne fonogramas esparsos, gravados em 78 rpm, e que foram grandes sucessos na voz d'Ella.

Separei dois pra dividir com vocês: Angel Eyes e Basin Street Blues.

[para mais dicas musicais do nosso DJ Mandacaru, com o inestimável patrocínio dos sabonetes Nínive ("Um sopro de Mesopotâmia em sua vida"), clique aqui e aqui]
06:53:00 - Zeno - 8 comentários

03 Outubro

A hora do DJ Mandacaru

(nota editorial: nova estréia - sic - da coluna do nosso ombudsman musical, iniciada aqui. Aliás, se você quiser ouvir a faixa recomendada na primeira coluna, "What's New" com o Clifford Brown, clique aqui.)

Cigarrinho que passarinho não bebe

Se você é da turma que fuma aquele cigarrinho que não recolhe IPI nem ICMS, já deve ter ouvido falar em Paêbirú, o mítico caminho que ligaria São Vicente, no litoral de São Paulo, ao Paraguai ou, aos que deram mais algumas tragadas, a Machu Pichu, no Peru.

Paêbirú é, também, o mítico disco de estréia do Zé Ramalho, em parceria com o Lula Côrtes. Lançado pela Rozenblit, em 1975, sob o número 100.001 do selo Solar, o disco virou objeto de culto no mercado de discos raros. Tem maluco cobrando R$ 2 mil por um exemplar em bom estado. Não sei se tem maluco pagando isso. As masters do disco finaram-se numa das inúmeras inundações que acabaram pondo a Rozenblit a pique. Dizem que Zé Ramalho nunca autorizou a reedição porque no disco o Lula Côrtes aparece mais do que ele, na capa inclusive.

A falta de autorização não impediu a moçada da gravadora alemã Shadoks Music de lançar uma edição limitadíssima (350 exemplares, pelo que circulou na rede) em CD (SH 041), tirado de um LP em bom estado e lavado, filtrado e enxaguado por um desses ProTools da vida. O evento provocou uma certa comoção entre o pessoal que curte rock progressivo, tribal, psicodélico e outros adjetivos que tiveram que arrumar pra tentar tirar o rock do impasse criativo onde ele se atolou lá pra meados da década de 70. [Leia mais!]
17:24:57 - Zeno - 12 comentários

.:: mês anterior :: :: :: :: October 2005 :: :: :: :: próximo mês ::.