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...ou então miojo

Nossas impressões sobre as cozinhas do mundo - a contrapartida sólida da Busca do Graal.


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21 Novembro

Pizzaria Castelões

A teoria é do meu compadre RD: uma vez por ano o sujeito deveria ir à Castelões pra saber o que é mesmo uma pizza; os outros 364 dias ele pode se divertir por aí comendo coisas parecidas. Eu corroboro. O desafio de peregrinar pela decadência do Brás num domingo à noite e é regiamente compensado quando o garçom lhe põe diante de uma pizza verdadeiramente única — e olhe que, como o resto do mundo, também já foi melhor. Mas paciência. Continua provavelmente o único lugar de SP em que se come um a pizza de anchova sem parecer que todo o sal do Mar Morto foi espargido em cima, a massa é simplesmente imbatível e, caso conseguisse extrair metade do sabor daqueles tomates, abriria uma pizzaria eu mesmo.

No entanto, o manjericão já tem ares de alfavaca e a direção da casa partiu para a supina extravagância de consultar os clientes sobre coberturas inovadoras além das oito ou dez que já eram suficientes. Adivinha se agora não "pesquisam" uma de tomate seco e rúcula? Sabe lá o que a clientela que estaciona aqueles carrões bacanas naquela travessinha decrépita irá dizer, mas eu torço para que um dia ambos se cansem de correr riscos: esse tipo de gente contenta-se com o "delivery" do Pizza Hut no remanso das suas residências-bunker e a gerência pára com essa mania boba de copiar o que não presta.

Nota: 9,0 miojos até que rúcula e tomate seco abandonem o cardápio.
11:24:57 - Pinto -

04 Novembro

Como escrever uma resenha de restaurante sem comer nada

Saia do escritório num dia de feriado às 4 da tarde, pra almoçar. Vá àquela churrascaria bacana, que você há tempos quer conhecer, e seja agraciado com o aviso de que a espera é de 40 minutos ou mais. Desista, mas não antes de esperar dez minutos pro seu carro voltar do estacionamento localizado em outra dimensão astral. Vá então àqueloutro boteco que você também deseja experimentar, recém-inaugurado, e descubra que botecos não abrem às 4 da tarde num feriado. Atravesse então dois outros bairros e chegue até aquele restaurante chinês já resenhado aqui. Lá, em meio a mesas entupidas de famílias chinesas que trouxeram até os ancestrais para almoçar, entabule conversas lacônicas com a filha da dona ("Tem mesa pra dois?", "Hummpf") e com a própria dona ( "Tem mesa pra dois?" "Espera lá fora, espera lá fora"). Saia de lá, não sem antes pagar 5 reais por ter deixado o carro no estacionamento por mais de X minutos, também conhecidos como "limite de tolerância da nossa maquininha, o senhor desculpa". Vá então a um outro chinês, duas ruas abaixo, e veja os mesmos ancestrais do outro restaurante ocupando todas as mesas com seus corpos reencarnados. Pergunte ao proprietário "Tá aberto ainda?", "Tá, tá, qué mesa?", "Pra duas pessoas", "Não, não tá mais. Fechou. Só sete horas", "Como assim?", "Sete horas, sete horas", fazendo o gesto de criança que leva comida à boca. Em nome do franco crescimento das relações comerciais sino-brasileiras, você deixa de dar uns sopapos no honorável e sai de lá com a fome no pé e a paciência nos fundilhos. Termine o périplo num restaurante japonês, velho conhecido seu, que pelo menos tem a decência de estar no mesmo lugar com a mesma disponibilidade e o mesmo dono já há alguns anos. Peça uma caipirinha de sakê com jabuticaba e comece a pensar nas peculiaridades de um monstro urbano com 16 milhões de habitantes.

Nota: em vez dos miojos, 104 minutos, 19 quilômetros e a promessa de não mais almoçar fora em Dia de Finados, que os espíritos são suscetíveis.
12:58:40 - Zeno -

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