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A hora do DJ Mandacaru

Velharias musicais sempre fresquinhas.


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29 Novembro

Tom Jobim, ontem à noite

Ontem foi noite de Tom Jobim lá em casa. Na minha modesta lista de admirações irrestritas, o cabra tá na primeira fileira, é a música dele que soa na minha cabeça quando aqueles sentimentos indefiníveis tomam conta do inner space.

O cardápio foi esse aqui, ó: [Leia mais!]

20 Novembro

Vuelvo al sur - O Arrependimento III

Ó, agora post sem papo, só pro domingo não acabar com cara de Bial. Billy Cafaro, roqueiro argentino, década de 50. Ao Google, senhores.

Marcianita (2.4MB) e Al Caer la Tarde (2.8MB), que vocês já cansaram de ouvir com a Cely Campelo.

Vuelvo al sur - A Missão II

Pra continuar a encrenca. Buenos Aires 8, quatro vozes masculinas, quatro femininas, mais um contrabaixo e percussão, ambos discretíssimos. A pretensão de fazer com vozes o que metais e madeiras fazem melhor do que qualquer coisa. Decarisimo (2.4MB) Milonga Del Angel (4.7MB) e La Muerte Del Angel (2.9MB), tudo do Piazzolla, tudo carne de vaca, certo? Tá bom, vão lá, ouçam e me digam.

Vuelvo al Sur - A Missa I

Tempinho atrás, minha mulher e eu descendo a Augusta, depois de um daqueles almoços domingueiros vespertinos, não acreditamos: tava escrito direitinho, balé num sei das quantas, Cisne Negro, Morte do Cisne, Patê de Fuagrá, um bicho desses aí, com a Amelita Baltar, ao vivo.
Pomba, só em Sampa, Amelita vem cantar e nem um miserável dum jornal dá em manchete. Lá dentro, pior: casa meia bomba, mormaço generalizado. Começou, arregaçou de vez. Bando de neguinho e neguinha correndo de um lado proutro, música em playback, até que entra uma fornalha solar. Amelita, qual uma sendijunior da vida, iluminando o indizível. Sumiu o playback, sumiu a correria, sobrou a epifania. As senhôuras e senhôures, apesar de ouvir maravilhas, limitavam-se a aplaudir civilizadamente entre os números, enquanto minha mulher não se conformava (“porra, só tem psicanalista argentino nessa platéia?”).
Na saída, um disquinho com a trilha sonora – do que mesmo? Ahn, parece que era um ballet.

Três procês: Los Paraguas de Buenos Aires (4,5MB), Vamos Nina (3,5MB) e Prelúdio para el Año 3001 (3,8MB), todas do Piazzolla e do Ferrer.

18 Novembro

Vuelvo al sur

Que um tango argentino fala muito mais que um blues, pelo menos a mim, já tinha fanhoseado nos idos de 1973 o Nietzsche da MPB —aquele que engoliu um curió e deixou as asas de fora, segundo seu conterrâneo Didi Mocó. E isso porque nenhum dos dois, e presumivelmente ninguém mais aqui, já tinha ouvido falar em Esteban Morgado.

Tudo bem que encarar um Piazzola, logo o "Libertango", é garantia de sucesso ou seu dinheiro de volta —até Grace Jones has seen that face before. Mas o que o cidadão faz com o Ovation dele, com a ajuda de um bandoneon arrasa-quarteirão a alturas tantas, é coisa dos deuses. E olhe que o CD se chama logo Endemoniado, "un argentinismo que dícese de las personas que se apasionan, se transforman, aman frenéticamente, se enloquecen un rato, pierden el control, en fin, la pasan fenómeno, son felices en un instante mágico".

Se eu fosse você não perderia a chance de clicar no linque para baixar "Libertango" por Esteban Morgado (7,9MB), antes que 25 espertinhos o façam na sua frente ou as badaladas ressoem 168 horas.
10:30:00 - Pinto - 2 comentários

15 Novembro

Música de derrubar helicóptero

É, parece que Tori Amos parou com aquela mania boba de querer imitar Yoko Ono. No CD novo, "The Beekeeper" (mais barato aqui), sossegou o facho e melhorou muito, diz-se que por efeitos da maternidade. Acabaram as gritarias insuportáveis e os experimentalismos idem, mas a cor do cabelo e a voz pungentes continuam as mesmas —ela certamente não usa Colorama.

Ouvi primeiro "Sweet the Sting" na Eldorado FM, compartilhei com uns amigos que aprovaram e agora deixo à disposição dos 25 primeiros que clicarem aqui (5,9 MB) ao longo de uma semana etc. etc. É trilha sonora perfeita para qualquer viagem; entretanto, recomendo não levar na bagagem de mão por razões potencialmente já conhecidas.
16:28:37 - Pinto - 1 comentário

Porter por Porter

Pra mim, Cole Porter é que nem a Mangueira – tão grande que nem cabe explicação. O homem teve quase mil composições gravadas (algumas delas, como “Begin the Beguine”, com mais de mil versões), dúzias de musicais encenados na Broadway, é um dos pilares da canção popular americana.

Com tudo isso, eu nunca tinha ouvido nada gravado por ele. Até o dia em que descobri uma caixa do Smithsonian, com 4 CDs, “From This Moment on – The Songs of Cole Porter”. No primeiro disquinho, três registros preciosos, ele cantando e se acompanhando ao piano: Anything Goes (de 1934), You’re The Top (mesmo ano) e The Kling-Kling Bird on The Dive-Dive Tree (de 1935).

Ouçam aí o cara esmerilhando suas próprias criações.

13 Novembro

Travel&Living no Hipopótamo Zeno Channel -- Jazz do Azerbaijão

A moça entrou lá em casa pelas mãos de um dos maiores músicos brasileiros, o Laercio de Freitas. Um amigo lhe presenteara com um disco da Aziza Mustafa Zadeh, sobre quem não sabíamos chongas. O tio DJ Mandacaru fez o trabalho pesado para vocês: meia dúzia de googladas e já arrumamos os básicos da história da moça. Vinte dias depois, começaram a chegar os outros discos.

Aziza vai fazer 36 anos agora em dezembro. Nasceu no Azerbaijão, um satélite da falecida URSS, filha de músicos. O pai, Vagif Mustafa Zadeh, foi o fundador do Azerbaijani Mugam Jazz Movement (mugam é uma forma tradicional de música improvisada no país) e é, até hoje, sua inspiração declarada, apesar de ter morrido quando ela não completara 10 anos.

No seu primeiro disco, de 1991, Aziza toca piano e canta (em scat), fazendo uma mistura fascinante de música oriental e jazz. Desse disco, separei três músicas. Moment é curtinha (706 kB), ideal para você que não tem banda larga e quer só uma amostra do que a moça faz. Inspiration é mais parruda (4.22 MB). Aqui ela desenvolve o que fez na faixa anterior. Agora, viagem mesmo é em Oriental Fantasy (10.2 MB), onde ela cala a boca e bota só as 88 brancas&pretas pra te levar numa viagem inesquecível.
Se você quer saber mais sobre ela, vá aqui.

09 Novembro

Acaba em porrada maior grupo de jazz-rock

Ói, eu até arrisco dizer que os caras inventaram o jazz-rock, mas o Blood, Sweat & Tears era bem mais do que isso, pelo menos no final da década de 60. Sem a menor cerimônia, botavam Trois Gymnopédies, do Satie, junto com um blues da Billie Holiday, mais R&B e soul, para criar uma das mais potentes usinas sonoras da época.

As faixas que vou deixar disponíveis são do segundo LP do grupo, lançado em janeiro de 69, que vendeu 3 milhões de cópias em poucos meses e levou o Grammy de melhor álbum do ano. Se você quiser ler um resumo da história do B,S&T vá no All Music Guide. Enfim, o grupo acabou em porrada uns seis anos depois, com 10 milhões de discos vendidos, o que pode servir de alerta pro povo do Hipopótamo Zeno quando alcançarmos uns 10 milhões/mês de pageviews.

As faixas são: You’ve Made Me So Very Happy (4,2MB), dos megahitmakers Berry Gordy Jr., Patrice Holloway, Brenda Holloway e Frank Wilson, da Motown, God Bless The Child (5,6MB), da finada Billie, e Blues-Part II (11MB), um tour de force de quase 12 minutos onde o grupo bota pra fora o bacalhau que tinha para oferecer.

08 Novembro

A folga do DJ Mandacaru

Exter, Trevor Exter

Trevor Exter é amigo da casa, vou logo entregando. O leiaute não nega que se trata de um gringo, mas quando trocou São Paulo por Buenos Aires saiu falando um português nativo. E há pouco retornou aos EUA para a turnê de lançamento de seu "637 Sounds" como se portenho fosse.

Tão raro quanto um sem sotaque é um gringo capaz de executar uma combinação tão feliz de bossa, soul, flamenco (?) e outras mumunhas mais, isso tudo sem soar nem exótico nem chato. Trevor dedilha um cello tão rascante como sua voz, que lembra a do Sting dos velhos tempos, acompanhado somente por baixo e percussão. Enfim, sou suspeito para dizer, pois sou fã dessa linhagem de trovadores cujos padroeiros são Leonard Cohen, Jeff Buckley e, vá lá, Nick Drake. Mas se você tem dúvidas, clique para ouvir Love Her Again, ao longo de uma semana ou da curiosidade (ceticismo?) de 25 criaturas, o que ocorrer primeiro.

[Se ele pode postar, eu também posso discotecar nesta bodega. Assim, neste troca-troca assumo temporariamente as picapes desta Hora do DJ Mandacaru, com o sempre bem-vindo patrocínio da casa de suíngue Marrakesh ("Na minha esposa ou na sua?"). Para mais desse instante cultural do HZ, confira também a seção correspondente à esquerda.]
13:21:32 - Pinto - 17 comentários

02 Novembro

A hora do DJ Mandacaru (edição extra)

Eu Vou Acabar Trocando Minha Mulher Por um Gay

Os amigos jornalistas que freqüentam o blog aqui já sabem, os outros apenas podem imaginar – caixa de correspondência de editora é o bicho mais parecido com lixeira que conheço. Na editora em que trabalho não é diferente. Apesar de publicarmos revistas dirigidas, todas voltadas para áreas industriais, freqüentemente somos brindados com releases e produtos para divulgação que têm exatamente nenhum interesse para nossos leitores.
Há algumas semanas os coleguinhas de assessorias de imprensa se superaram: chegaram QUATRO disquinhos promocionais da dupla Fabiano & Julio César, com a música de trabalho de seu próximo CD “Pé na Estrada Outra Vez”. Acompanhado de um release, claro, que começa assim: “È (sic) com estima e consideração que viemos através dessa missiva até os amigos radialistas de todo o Brasil não só cumprimentá-los...”, e por aí ia o besteirol, ora agredindo a gramática, ora ofendendo nossa inteligência.
É com estima e consideração, portanto, que ofereço a tal da música de trabalho: “Eu Vou Acabar Trocando Minha Mulher Por um Gay”, da lavra do próprio Julio César.

Se alguém precisar, o telefone de contatos para shows é (31) 3422-4834. Pode falar com o “Empresário Nascimento”, como ele se autodenomina.

P.S.: O arquivo fica disponível por uma semana ou 25 baixadas, o que ocorrer primeiro.

[para mais dicas musicais do nosso DJ Mandacaru, com o inestimável patrocínio da Sauna Robério ("Finalmente uma sweatshop do bem"), clique aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui]
08:01:00 - Zeno - 4 comentários

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