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31 Janeiro

Maragatas e chimangas

— Bah, mas tu não curte banda gaúcha, guri?

— Olha, gaúcha só mesmo inteira e ainda assim faz muito tempo.
14:00:00 - Pinto - 1 comentário

Nouvelhíssima e saudosa Cuisine

Claro que a lembrança deve-se à foto do capilarmente prejudicado publicada lá pra baixo.

Acho que a primeira vez que ouvi os caras foi no Espaço Off, lá por volta de 1987. O lugar era minúsculo, arquibancadas em forma de arena, às vezes tinha mais gente no palco do que na platéia. Tocava de tudo por lá. Do André Christovam, inaugurando o blues paulistano, até o Lord K e Sra., que se apresentavam peladões, o Lord pelo menos cobrindo as partes com a guitarra, a moça ia de Luz del Fuego mesmo.

Mas a sensação era o Nouvelle Cuisine, um grupo enxutíssimo (Carlos Fernando nos vocais, Flavio Mancini no baixo, Luca Raele alternando entre piano e clarineta, Mauricio Tagliari na guitarra e Guga Stroeter no vibrafone e bateria) esmerilhando basicamente standards de jazz, às vezes alguma coisa pop, mas sempre com um tratamento jazzístico. Era de uma qualidade absurda, inesperada mesmo. Na vez em que se apresentaram num Free Jazz ou similar, o Wynton Marsalis comentou na coxia que nunca tinha ouvido uma coisa tão bem feita (no estilo, claro) fora dos Estados Unidos. Minha mulher e eu viramos tietes, vimos porradas de shows do grupo, inclusive aquele no auditório do MASP, com um quinteto de cordas, onde a folhas tantas irrompia uma garota lindíssima arrasando num dueto com o Carlos Fernando em “Bess, You Is My Woman Now”, que depois faria um certo sucesso com o nome de Marisa Monte.

Com a formação original, o grupo gravou dois discos: Nouvelle Cuisine (1988) e Slow Food (1991), ambos esgotadíssimos, se você achar algum em sebo, não vacile. Do primeiro, separei quatro faixas: Embraceable You (4MB), Blues In the Night (4,9MB), My Funny Valentine (4,9MB), tudo standard de jazz, mais uma singela homenagem aos arquitetos da bagaça aqui: So Long Frank Lloyd Wright (2,2MB), do Paul Simon.
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Há uma certa polêmica entre o Alto Comando aqui do Zeno sobre quem seria o melhor cantor brasileiro hoje. Os coronéis apontam o Carlos Fernando. Os generais insistem em colocar o nome de Zé Luiz Mazziotti na parada. É uma peleja que vai demorar pelo menos uma caixa de whisky.

Querela dos Universais

Como nosso interesse por coisas pop é grande, e o desconhecimento, maior ainda, só outro dia ouvimos falar de um garoto chamado Justin Timberlake, por conta da participação dele num disco dos nunca devidamente louvados Black Eyed Peas [parece também que ele meteu a mão nos peitos de um sósia do Michael Jackson, mas isso é outra história; parece também II que ele fazia parte de uma dessas Boy Bands, ou Boys Band, ou ainda Boys Bands – genitivo polissêmico é o que há]. Pois bem, Justin Timberlake. Que nome sensacional, este: Justin Timberlake. Olhando prum nome assim, ou uma variante nacional que nos ocorre, Dado Dolabella, é difícil não pensar: nome já é destino. Se nosso nome fosse Justin Timberlake ou Dado Dolabella, estaríamos talhados para o sucesso, não importa o que fizéssemos, pela simples presença física e sonora, em vez de suar a camisa batucando teclas não-remuneradas num blog conspicuamente invisível. E depois tem fulanim que acha que a disputa dos nominalistas na Tardo Idade Média só serviu pra encher de grana o bolso do Umberto Eco. Em nossa pseudofilosófica opinião, o Justin e o Dado são os exemplos eloqüentes da atualidade da questão.
07:20:00 - Zeno - 4 comentários

Melhores Filmes de 2005

Alvíssaras! Jonathan Rosenbaum (já falamos tanto dele aqui que basta dizer: he's the man, ou então simplesmente digitar rosenbaum aí ao lado, na janelinha de busca) publicou a sua lista dos melhores filmes de 2005. Nós já encomendamos os DVD's do tal Jia Zhang-ke – alguém aí topa rachar uma pirataria básica, pra mó de dividir os custos?
06:51:00 - Zeno - 5 comentários

30 Janeiro

"Desta Kombi para uma melhor"

Falando nisso, o referido me ocorreu há alguns anos, no digníssimo Manolo, glorioso bastião da boemia botafoguense até um passado recente e, como de resto tudo o mais no Rio, hoje em franca decadência. Parece sketch de filme classe Z, mas é a pura verdade e dou fé. Voltávamos a pé não sei de onde e, sob uma salva de tiros de fuzil provenientes do Morro Dona Marta, aportamos para uns chopes.

Conseguimos uma das cobiçadas mesinhas junto à Rua Bambina e tomamos um susto ao ver estacionada rente uma Kombi de uma funerária. Papo vai, chope vem, meia hora depois chega outra Kombi da mesma funerária, entra na contramão e pára de costas para a primeira. Estilo bunda-com-bunda, manja? Pois então.

Aí os motoristas descem, abrem o capô da primeira Kombi, tentam toda sorte de medidas para dar a partida e nada. Finalmente um olha para o outro e lamenta qualquer coisa como "É, parece que morreu mesmo". Ato contínuo, abrem o bagageiro, retiram um caixão "em uso" e o carregam para a outra Kombi, que dá a partida e se vai.

Até hoje duvidamos sobre quem o diálogo se referia.
14:00:00 - Pinto - 2 comentários

Brega, porém chique

É Ferry na boneca!

Bryan Ferry, senhoras e senhores, o alter ego desta criatura, ressuscitando a seção pega-leitoras, negligenciada porque a equipe do blogue receia que os pessoal maldem fotos de mancebos por aqui. Ou então, paradoxalmente, por pressão das respectivas patroas.
10:00:00 - Pinto - 2 comentários

A tua presença

Como a recomendação foi do Mestre Self, aqui do blog, fico só num palpite sobre o novo livro da Danuza Leão, Quase Tudo, lido há pouco: realmente é impressionante a teia de relações filo-sócio-antropo-históricas que vemos sendo montada à medida que o Brasil vai montando a sua própria promessa de país daquela inacreditável década de 50. Mas não é curioso que o livro piore conforme o país piora (pra quem leu, a partir dos relatos das boates do início dos anos setenta)? Ou é culpa das minhas retinas com quatro décadas de uso, agraciadas com as sensacionais fotos que acompanham o livro?
06:58:00 - Zeno - 2 comentários

27 Janeiro

Uma resenha boscovita

Entra em cartaz hoje nos cinemas de todo o Brasil "Munique Evans", novo trabalho de Steven Spielberg, que enfoca o embarangamento dos costumes políticos do nosso tempo e o nascedouro do peruísmo como o conhecemos.

[O que mais impressiona na Veja é que cada funcionário consegue a proeza de soar pior que o coletivo da revista. Taí a Isabela Boscov, a moça cujas resenhas rendem um filme, a não nos desmentir todo sábado de tarde.]
13:57:08 - Pinto - Comentar

El viento se llevó lo que (1998)

Por conta de uma dica perdida em algum comentário aqui do blog, tempos atrás, fomos ao CCBB do centro pra conferir o tal El viento se llevó lo que (algo como "Levou e o Vento", ou "E vento levou o", cf. a observação disléxica abaixo), de Alejandro Agresti, dentro de um ciclo dedicado a ele e a outro cineasta argentino, Adolfo Aristarain. O "El viento" é daqueles filmes prazerosos que desperdiçam idéias o tempo todo, a começar pela inicial/principal: de que a cidadezinha da Patagônia retratada é o último lugar do mundo a receber os filmes exibidos em outras praças, já com os rolos todos danificados, invertidos, faltando pedaços, etc. O resultado disso é que há uma geração de pessoas na cidade que sofrem de dislexia, retardamento mental e variantes psicossomáticas em função dos anos de exposição ao tal discurso cinematográfico desconjuntado, a única atração "cultural" da cidade (não há rádio ou TV). Há mais um punhado de boas idéias, realizadas meio aos trancos e sem polidez, mas isso também é qualidade – e mais não falamos porque o filme será exibido novamente hoje, no mesmo CCBB, às 19 horas. A entrada inteira custa inacreditáveis 4 reais, e o bilhete de metrô até a estação São Bento menos ainda.
13:06:26 - Zeno - 3 comentários

Resenha em Quatro palavras

Crime delicado (2006)

Irregularidade como projeto estético.

Adendo-lugar comum que é ao mesmo tempo uma encrenca epistemológica: por que a soma dos talentos envolvidos em cada filme brasileiro visto recentemente não aparece no resultado final da(s) obra(s)? Alô, Paulo Emílio? Alô, Almeida Salles? [mas não, definitivamente, "Alô, Isabela Boscov?"]
12:43:44 - Zeno - 4 comentários

Jabá blogueiro 1

E com a rapidez que nos é habitual, só agora demos uma espiada no fotolog muito pimpão de uma leitora eventual aqui do blog, Rafaela Pires, fotógrafa de mão-cheia (mas não a ponto de tampar o obturador), que, na sua lista de blogs favoritos, fez a melhor definição cinéfila do nosso botequim: "eles não gostam de bom cinema, mas são engraçados". O nosso humilde destaque vai para a bacanuda série "Enciclopédia ilustrada das coisas que me cercam". Visitem, senhores, visitem!
08:34:00 - Zeno - 5 comentários

O spam e as belas-artes com ênfase naturista

Cortesia da nossa Inbox:
"FESTAS UNIVERSITÁRIAS: Estudantes em festas de confraternização de universidades. Você ficará surpreso ao ver o que essas garotas fazem. No começo da festa todas estão tímidas, mas quando a noite avança, elas se liberam... EM DESTAQUE: Festa da Tequila!!! Tequila e cerveja na faixa! Janaína nunca havia bebido, acabou fazendo sexo na frente de todos... Em plena sala de estar!"

E depois fulanim ainda reclama de receber spam na caixa postal. Lôco, né?
07:20:00 - Zeno - 1 comentário

26 Janeiro

Jabá efeméride

E pra ficar em mesmo assunto, segue release do programão deste fim-de-semana:

Radamés Gnattali - Cem Anos
Homenagem ao compositor e arranjador com Laércio de Freitas, Roberto Sion, Claudio Cruz, Toninho Ferragutti, Alessandro Penezzi, Monica Salmaso e Orquestra Jovem Tom Jobim. Nascido a 27 de janeiro de 1906, Radamés é um dos personagens que mais naturalmente circularam entre os universos popular e erudito na música, sendo uma figura-chave para se entender as tênues fronteiras que envolvem a música brasileira. Em 1924, recém-formado, foi para o Rio de Janeiro se apresentar no Teatro Municipal, executando um concerto de Tchaikovski sob regência de Francisco Braga. Nessa viagem conheceu o compositor Ernesto Nazareth, e passou os dois anos seguintes entre Porto Alegre e Rio, sempre trabalhando com música erudita. Em 1934 passou a ser o orquestrador da gravadora Victor e dois anos depois participou da inauguração da Rádio Nacional. Lá Radamés atuou como pianista, solista, maestro, compositor, arranjador, usando sua bagagem erudita no trato com a música popular. Em 1943 criou a Orquestra Brasileira de Radamés Gnattali, que tocava os arranjos do maestro no programa Um Milhão de Melodias, dando um colorido brasileiro aos sucessos estrangeiros. Para isso, Radamés passou a usar os instrumentos da orquestra de forma percussiva, conseguindo efeitos até então inéditos. Em 1983, recebeu o prêmio Shell na categoria música erudita, concedido por unanimidade, ocasião em que foi homenageado com um concerto no Teatro Municipal, que contou com a participação da Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro, do Duo Assad e da Camerata Carioca.
Teatro do Sesc Pompéia. R$ 15,00; R$ 11,00 (usuário matriculado e dependentes). R$ 5,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes). R$ 7,50 (acima de 60 anos e estudante).
Dia(s) 27/01, 28/01, 29/01 Sexta e sábado, 21h/ domingo, 18h.
15:05:59 - Zeno - 1 comentário

Round Midnight

it's quarter to three

O Baretto espera que cada Edward Hopper sinatresco desta cidade cumpra sua parte. O crooner, como se vê, está cumprindo a sua (mais nos arquivos do blog, aqui e aqui).
14:56:11 - Zeno - 2 comentários

São Paulo aniversaria e quem ganha o presente...?

Esta aldeia fez 452 anos —"Grande peido duma vaca", diria um amigo meu— e o cidadão aqui foi acordado por um enxame de helicópteros, às 7 da manhã, em pleno feriado, a pretexto de filmar do alto uma horda de paulistunos devorando o tal de um bolo. O que foi feito, aliás, em coisa de quatro segundos, "uma marca de primeiro mundo", como quase tudo por aqui.

É ou não é uma maneira condizente de festejar?
09:28:57 - Pinto - 3 comentários

24 Janeiro

Gastronomia e gramática

Pronomes possessivos não são lá coisa a se usar na cozinha, lugar por excelência para compartilhar e dividir. Que o diga a dona Palmirinha Onofre, vítima anterior de um assomo de egoísmo já registrado aqui.

Agora foi a vez de Olivier Anquier, guapo rapaz, declarar em rede nacional, em época de férias escolares e em plena tarde, que non vô acrrrrescentar o leitch quentch na mass ou enton vai cuzinhá meu zoff.
18:25:05 - Pinto - 2 comentários

Memória tuberculosa

Eu me lembro vagamente do "Escândalo da Mandioca", o suficiente para saber que não tinha sacanagem ali —sexualmente falando, pelo menos.
13:00:00 - Pinto - 1 comentário

Momino e abomino

— E aí, onde vai passar o Carnaval?

— Onde não tiver.
10:00:00 - Pinto - 4 comentários

23 Janeiro

Jabá inteligente

Somos todos utopianos

Eu já fui. Duas vezes. E vou de novo. E tem aí uma possibilidade de exploração teatral de textos teóricos ou não-dramatúrgicos que é um verdadeiro mapa da mina pra quem se interessa por bizarrices como adaptação, roteiro, diálogo versus especificidade entre universos epistemológicos diferentes, etc. As obsessões são as mesmas de outras montagens do "diretor Chaves" (como agora ele é conhecido, depois de ter virado assunto de tese acadêmica), tanto temáticas - a gênese e os desdobramentos da violência, por exemplo - quanto formais - os diferentes "como dizer" oferecidos pelos meios teatrais. Em apenas duas palavras, e mais não digo porque acabei virando amigo do diretor e não quero ser acusado de favorecimento cupinchal: é das melhores coisas feitas em teatro, o maltratado, no Brasil, e por isso entenda-se: mais inteligente, mais consequentemente ousado, mais resolvedor de dificuldades auto-impostas e, ah, sim, mais divertido também.
18:56:16 - Zeno - 3 comentários

El Kabong

Nessa época do ano, quando passa dos 30 graus centígrados, Teresina e São Paulo tornam-se uma só cidade, senão vejamos: o juízo frita e a gente se acomete de idéias como ir a um bar mexicano, freqüência jovenzinha, ao lado de uma obra do Metrô na Rua dos Pinheiros que obtém a proeza de piorar o trânsito dos arredores. Senta-se, recebe-se um cardápio colorido, cheio de ilustrações envernizadas, de precinhos igualmente bem lustrosos. Pede-se um trio de chopes caseiro "que está em falta porque paramos de trabalhar com este fornecedor". Pede-se um outro chope que vem até bom e no ponto. O suor vem em bicas, efeito do mormaço ou dos holofotes da obra. Quem sabe um petisco?

Chega então a maçaroca e, na falta de mais gosto, apela-se de Tabasco, que é adicionado de água pelos zelosos proprietários do lugar. Anoto no meu Moleskine: "O sujeito que recorre a um expediente desses é capaz de qualquer coisa". Mesmo diante das evidências, o garçom nega veementemente: "Aqui ninguém põe água não!". Água no Tabasco alheio é refresco. Decido dar uma nova chance ao lugar e percorro o labirinto que finda no banheiro só para constatar que faltava água —"Decerto secaram a caixa completando os vidrinhos de pimenta", escrevo. Escrevo também que sinto como se houvesse levado uma kabongada mesmo (com k de kafona), pretendo jamais voltar a pôr os pés no lugar e avisarei a quantos puder da magnitude da arapuca.

Nota: 7,5 graals pelo chope bom; zero pelo restante.
15:00:00 - Pinto - 7 comentários

22 Janeiro

Tranqüilo e infalível como Bruce Lee

Essa é pra quem ainda duvida da estreiteza do Estreito de Bering. Um antropólogo amigo do blogue, que mexe com índios e esteve rececentemente no Alto Xingu, relata o seguinte sobre os iawalapiti: como toda tribo que se preze, eles se referem a si mesmos como nós, ou os humanos. Seus inimigos mais próximos, cujo nome não me ocorreu memorizar e a quem costumavam infligir derrotas pesadas no passado, são algo como os não-humanos, ou bestas.

"Existem bestas em São Paulo?", um índio perguntou ao meu amigo, que preferiu fingir-se de mouco. Mesmo porque seu interlocutor indígena só sabia contar até quatro: "Um, dois, três e muitos".

Inimigos mais distantes e ferozes, cujo nome igualmente ignoro, de quem costumavam mais receber que desferir bordunadas, são apropriadamente denominados de superbestas.

"E superbestas, existem por lá?", preocupou-se na sua santa inocência o bom selvagem. Meu amigo calado estava e calado prosseguiu.

Agora vem o melhor. Brasileiros e colonizadores em geral são obviamente os brancos, mas norte-americanos são chamados de superbrancos —o que, para mim, explica a Daslu, a Vila Olímpia, a Cool Magazine (apud Cynthia), os gerentes de marketing e mais um bocado de coisas por aqui, especialmente nesta cidade de 452 primaveras.

E, finalmente, os iawalapiti referem-se aos japoneses como supernós, ou superhumanos.

Agora, quando disserem que o japonês é o índio que deu certo, você já dispõe de um fundamento antropológico, que, de resto, toda boa piada possui. E eu não perco a minha razão em afirmar que o mantenedor aqui do blogue e o cacique Touro Sentado são a mesmíssima pessoa.

Rôco, nón?
11:48:07 - Pinto - 4 comentários

20 Janeiro

O melhor da Espanha é o espanhol

E por falar em Espanha, deu no Frankfurt Allgemeine desta quinta: "Como pode sumir uma escultura que pesa 38 toneladas? Pois foi o que aconteceu com o Museu Rainha Sofia, que anunciou que a obra de Richard Serra, 'Equal-Parallel', foi dada como 'desaparecida'". Lôco, né?
00:57:05 - Zeno - 2 comentários

19 Janeiro

A Grécia é aqui, ou melhor, em Jundiaí

Neste dias de verão inclemente, com os duzentos quilômetros de distância de São Paulo a ajudar na hora em que você semicerra os olhos, escuta as ondas e imagina estar no Mar Egeu, tivemos agora à noite a chance de acompanhar a emocionante partida entre Santos e Paulista de Jundiaí, pelo emocionante Campeonato Paulista (aliás, no igualmente emocionante Campeonato Carioca, ouvimos que o Flamengo está disputando o torneio com seu time B, o que suscitou o comentário de um especialista praieiro "Mas se os caras não têm nem Time A?"). Pois bem, entre uma canelada e um tropeção, entre um Uésley e e um Geílson (grafias a corrigir), ficamos pensando na peculiar situação de um dos ídolos aqui do blog, Vanderlei Luxemburgo, o Luxa, rei das manicures e dos azulejos dos vestiários mundo afora e atual técnico do Santos. Há algumas semanas, nosso herói jantava nababesca e merecidamente em algum restaurante bacanudo de Madrid, com panelas tocadas pelo clone do momento do Ferran Adrià e com mesas animadas que reuniam deputados, donos de canais de televisão, ex-Spice girls, empresários do ramo de maracutaias e as três novas bimbos do Ronaldinho Gorducho. Os deuses do futebol, sempre atentos, decidiram que era chegada a hora de mais um Trabalho na carreira do nosso Hércules. Qual herói grego, Luxa degusta nesta abafada noite de quinta-feira os acepipes da Churrascaria do Jorjão, no km 32 da Anhangüera, com um cardápio eclético que inclui também sushis empanados, pizzas cinco queijos e aquele camarãozinho fritinho na hora, com cada uma das sete barbas a lembrar a seu fígado que o destino (tyké, na língua divina) é mesmo folgazão. O aço inox das dificuldades e das bandejas do Jorjão forja os grandes titãs da mitologia.
23:58:29 - Zeno - 5 comentários

Glossolalia

Eu me lembro que tinha bububu no bobobó. Isto é, costumava ter. Mas me lembro também que tinha xinxim e acarajé.

No bu-bu-le-le, no bu-bu-le-lindo, suponho.
13:00:00 - Pinto - 2 comentários

You two again?

Tem anúncio hoje de um lote de Grolsch (e o Zeno com suas manias de filosofar ainda prefere beber Heidegger, tolinho...) a menos de quatro reau em alguns dos botequins de propriedade do seu Diniz em SP.

Se se formarem aquelas filas quilométricas de novo é capaz de o Procon tomar como afronta.
10:48:19 - Pinto - 2 comentários

18 Janeiro

Kerouac já morreu; antes ele do que eu

Coisa rápida, só enquanto o tio DJ Mandacaru organiza o equipamento de sobrevivência na selva para uma missão exploratória ao litoral norte de São Paulo, incluindo Camburizinho, São Sebastião e Ubatuba (daí o post on the road).

Em 1986, o Mark Murphy (vão na Barsa) inventou de gravar um disco em homenagem ao Jack Kerouac. Músicas que eram mencionadas nos livros, ou que o Mark achava que eram a cara do Jack. Enxuto até o talo (piano e variantes, baixo, bateria), tem umas coisinhas do cacete.

A primeira é a última do Billy Strayhorn antes de levar a cacetada final da leucemia – Blood Count (4,6MB). Na seqüência, um medley (que o afrancesado Reverendo Pinto chama, pitorescamente, de pupurrí) de Eddie Jefferson/Take The “A” Train (7,7MB), música também do Billy, com letra do – adivinharam – Eddie. Depois, a leitura de um trecho de “Big Sur” (2,1MB), com uma cozinha alucinante de baixo e bateria. Pra fechar, mais um pupurrí (leva acento porque é uma palavra francesa, manja, Zeno?) de The Night We Called It a Day/There’s No You (7MB).

Semana que vem, tem mais.

Não deixe de perder

O radar cultural das Organizações Hipopótamo Zeno informa: já está disponível o novo CD da cantora Hyena, a melhor trilha sonora para acompanhar aquela sua enxaqueca de sábado chuvoso à tarde.

Em breve, num elevador perto de você.
21:40:55 - Pinto - Comentar

17 Janeiro

Sucessão de frases

"Opus Dei sim, e daí?"
— Geraldo Alckmin.

"Kassab sabe, conhece bem."
— José Serra.
14:20:03 - Pinto - 1 comentário

O avesso do avesso e outras bossas

A dica é do sempre alerta Lira Neto, aliás A Mulher Barbada, que não se inibe de divulgar travessuras dele ou de outrem. Saiu no Estadão de hoje. Leia até o fim, que é uma delícia.

Um artista "genial". E ele nem existia


Falso japonês ganhou mostra e apresentação de astro em Fortaleza, uma idéia para mostrar manipulação de mídia e galerias

Lira Neto
Especial para o Estado

Seria um acontecimento. O japonês Souzousareta Geijutsuka, anunciado pela imprensa cearense como um dos principais nomes da arte contemporânea universal, era ansiosamente esperado semana passada em Fortaleza, para abrir a exposição Geijitsu Kakuu. Convidado especial da curadoria do Museu de Arte Contemporânea do Ceará, Geijutsuka mostraria ao público cearense por que seu trabalho é aclamado em todo o planeta como uma obra revolucionária que, segundo o material de divulgação de sua eficiente assessoria de imprensa, incorpora “novos conceitos à arte”, como os de “operação em tempo real, simultaneidade, supressão do espaço e imaterialidade”. Os jornais locais deram amplos espaços para a divulgação da exposição. Um deles chegou a publicar, no dia marcado para a abertura do evento, uma entrevista de página inteira com Geijutsuka. Tudo perfeito, não fosse um detalhe: Souzousareta Geijutsuka não existe. [Leia mais!]
13:59:37 - Pinto - 11 comentários

16 Janeiro

Cachorro doido inglês apavora em Woodstock

Acho que nem dá pra explicar direito o que foi ter visto a estréia do filme “Woodstock”, aos 17 anos, em Fortaleza. Não havia VHS, a televisão cearense não exibia shows de rock, nossa experiência nesse setor se limitava ao seriado “The Monkees” e aos filmes “A Hard Day’s Night” e “Help”.
O álbum (três LPs!) já rolava há algum tempo entre minha turma. Mas ver tudo aquilo na tela – ah, mocidade estudiosa do meu país, realmente não tinha preço. Na primeira temporada, devo ter visto o filme umas oito vezes, no mega Cine São Luiz, milagrosamente ativo até hoje - um redator aqui do HZ viu os primeiros filmes da Xuxa lá mesmo.
[Leia mais!]

Governar é realizar a Obra

E não é que a Época desta semana revelou o segredo de polichinelo mais bem guardado de SP? Alckmin é assim com a Opus Dei.

Grande José Serra, que não degenera nem nos falta. Sempre abre a caixa de maldades quando a gente mais precisa delas.
12:04:21 - Pinto - 23 comentários

Boy, stupid boy

Anotação na agenda: não ir ao show do U2, que será muito longe, mais precisamente em 1984.
11:21:33 - Pinto - 10 comentários

13 Janeiro

Atração fatal

Close na Glenn!

Eu me lembro de ter achado o Drácula a quatro mãos (duas do Bram Stoker e duas do Coppola, bien sûr) um dos melhores filmes de amor jamais realizado —e isso, amiguinhos, eram idos de 1992, quando eu nem sabia o que era esse negócio de amar.

Mas me lembro também de nunca conseguir me emocionar o suficiente com o filme, porque a cada vez que o conde Vlad, aliás Gary Oldman, entrava em cena montado eu jurava que ele era uma encadernação anterior (ou posterior, sabe-se lá...!) da Glenn Close. E olha lá que isso foi bem antes dos 1001 Dálmatas. Vai ver era o chiaroscuro da película.

Bom, revi o Drácula ontem e continuei achando.
13:30:00 - Pinto - 6 comentários

Projeto Verão Hipopótamo Zeno

Em mais uma edição ordinária do nosso boletim, informamos que o sósia do ministro Marcio Thomaz Bastos, mencionado em texto anterior, era o próprio. Metereologia: continua quente pra caray. Marés: Heineken na rasante, uísque copo-alto-com-gelo-até-a-boca na cheia. Com a próxima mudança da lua, volta a vodca-tônica na rasante. Aliás, dica para o lar: pegue um limão galego, esprema a metade num copo com gelo, fatie a outra metade e jogue lá também. Bote quatro dedos de vodka e complete com tônica. Vá completando com mais vodka e tônica à medida que o copo for esvaziando por obra e graça do Espírito Santo. Aliás II, dica de economia para a dona de casa moderna: descobrimos recentemente que é um negocião esse troço de tomar vodka nacional (pura, com tônica, acompanhando cereja chilena, a desculpa você inventa): fica-se de fogo rapidim por módicas quinze pratas a garrafa (Smirnoff, no caso). Quero ver se tem alguém aí que encara um uísque que custe os mesmos 15 reais, com exceção daquele que sua tia cachaceira usava pra umedecer o famoso pão-de-ló que só ela sabia fazer.
06:31:00 - Zeno - 2 comentários

12 Janeiro

Leitãozinho à perereca

110 ou 220 volts?

Saiu em todo lugar hoje: habemus o suíno vaga-lume.
21:18:22 - Pinto - 4 comentários

Xaráp and pôustit - O Eco

Mais um post com pouco papo. Yves Montand, show no Olympia, 1981. Les Feuilles Mortes (3,5MB) e, plagiando o editor do HZ com quase 25 anos de antecipação, Je Me Souviens (2MB).

Bon soir procês também

11 Janeiro

Psycho Killer

Eu me lembro de Febrônio Índio do Brasil.
12:34:57 - Pinto - 3 comentários

10 Janeiro

Seis por meia dúzia

Atire a primeira chuteira quem não se emocionou com a campanha da veneranda TV Globo por mais uma Copa do Mundo. Até chegar no estiloso slogan "Me vê meia dúzia", pede-se aos céus um pouquinho de tudo que falta neste País: dignidade, respeito, trabalho e por aí vai.

Só não se pede educação.

Pra quê mesmo, né?
13:52:45 - Pinto - Comentar

Xaráp and pôustit

Quer dizer que pode post sem conversê?

Antão lá vai: disquim raro da gota, achei sábado agora. Monte de jazzistas de premêra, mas não muito conhecidos, tocando Nino Rota. Tem duas aí: Amarcord (7,2MB), uma viagem de piano solo do Jaki Byard (olha a corrida ao Guga!), e 8 1/2 (10,6MB), com a Carla Bley Band. Disco de 1981, do selo Hannibal, muito antes que virasse sinônimo de neguim que come gente do jeito errado.

Atrasadinho da Maritel

Na falta do que mais dizer, deixo-vos em melhor companhia: Love Is (4,62MB) e I'll Never Tell (4,83MB), por Pete Belasco —a quem só tive a ventura de conhecer outro dia desses, com quase dez anos de atraso.

Não importa. Continua excepcional, e você tem uma semana (ou 25 baixadas) para comprovar.
09:50:51 - Pinto - Comentar

09 Janeiro

Projeto Inverno no Verão Hipopótamo Zeno

Viva o Protocolo de Kioto.

Uns, mais abastados, vão à praia. Outros, mais abestados, à montanha. Mais precisamente a Campos do Jorjão, onde meu camarada Jorjão possui uma quinta com jacuzzi no deck, lareira à mão, 13º C em janeiro, hortênsias obscenamente defloradas, cozinha equipada, despensa cheia e demais arroubos de sedução da burguesia.

Pois não é que no retorno, na descida da serra, nossa equipe de reportagem flagrou o princípio de um tornado ("twister", em português), devidamente registrado no instantâneo aí de cima.

Parece a natureza pedindo socorro num balãozinho de cartum, repara só.

CNN News update: Não era um tornado, diz o Inpe, e sim uma "nuvem em forma de cone". E quem liga pra o que o Inpe diz? Os caras não conseguem acertar uma...
14:00:00 - Pinto - 20 comentários

Diálogos matrimoniais

E por falar em ordinário, segue diálogo recentemente ouvido:

— Diz aí, tua mulher é meio geniosa, né não?

— Bom, hum, ela é um pouco afirmativa, digamos.

— Eu sabia: todo ordinário gosta de mulher brava.
08:55:17 - Zeno - 1 comentário

Projeto Verão Hipopótamo Zeno

Nossa indômita equipe de reportagem traz as últimas notícias do litoral paulista: "Meteorologia: tá quente. Notas sociais: foram vistas, em diferentes estágios de descontração, as celebridades Roger, do Ultraje, Serginho Groisman e um sósia do ministro Márcio Thomaz Bastos. Movimento das marés: vodca-tônica na rasante, uísque na cheia".

Mais notícias a qualquer momento em boletim ordinário.
08:53:26 - Zeno - Comentar

06 Janeiro

“Tem um dinheirinho nisso aí?”

Nota publicada numa coluna do Estadão:

Beleza sem dor
Duas novidades que acabam de chegar à clínica da dermatologista Adriana Vilarinho prometem causar frisson entre suas clientes. São os aparelhos Accent e Harmony, considerados a última palavra em tratamentos estéticos. O Accent – são apenas quatro aparelhos no Brasil – ajuda a reduzir a flacidez da pele do rosto e do corpo, e o Harmony atua na eliminação de vasos e manchas. Tudo indolor. É o que ela promete.
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Eu não sei como vocês podem deixar de ler o jornalista César Goiabão.

crdt pelo título do post: o Maestro Soberano

Daft Punk encontra Prince

Você ouve 33Hz interpretando Crazy All The Time (6,2MB), dedicado à venerável Cam.

Uma cortesia da Rádia Eldorada, que não me deixa achar que a música terminou com o século XX.
10:54:31 - Pinto - Comentar

05 Janeiro

ó, 6 fica aí discutindo coisa secundária

e perde um debate verdadeiram/e epistemológico: a itália é o q^., afinal ?
02:18:35 - John Self - 1 comentário

04 Janeiro

O Feitiço de Sheila

Quando a notícia correu – isso já faz uns três anos –, vieram logo me dizer. E entrou imediatamente na minha lista “Deus Existe?”, coluna Pontos a Favor. Sheila Jordan viria cantar no Brasil, num desses festivais de cigarro, uísque ou telefone. Isso não é exagero do DJ que vos fala – um senhor extremamente contido em suas paixões. Acontece que no meu private caritó, além das três santinhas universais (Billie, Ella, Sarah), têm lugar garantido, na fileira da frente, Anita O’Day e Sheila Jordan. [Leia mais!]

03 Janeiro

Novas resoluções para 2006

Impedir, a todo custo, que dois dos redatores aqui do blog continuem suas resoluções iniciadas em dezembro de 2005: fazer drenagem linfática duas vezes por semana, um ("ela tem mãos de ouro" foi uma das justificativas ouvidas), e praticar tal de jogging (valha-me) pelo Ibirapuera às sete da manhã, vestindo um calção Osklen de 300 pratas e óculos escuros Diesel, o outro. Não podemos declinar os nomes pra que ambos não virem motivo de xoxota em seus empregos ditos "sérios".
10:36:45 - Zeno - 6 comentários

02 Janeiro

Cinema, Janeiro e Férias

Recebemos correspondência e-mailística pedindo dicas/sugestões fílmicas para o modorrento mês de janeiro que se inicia e nos ameaça com sua inexpressividade. Como estamos a seguros duzentos quilômetros de distância, e sem contato com a civilização a não ser exemplares avulsos de O Estado de S. Paulo (ou seja, homenageando involuntariamente o grande Paulo Emílio e sua conhecida definição, "meus sonhos juvenis de suprema elegância, poder e cultura tinham-se reduzido a um nível bem paulista"), ficamos com duas possibilidades: criticar, pelo cheiro, os filmes em cartaz ainda não vistos, ou criticar, pelo cheiro, as duas listas de melhores filmes de 2005 publicadas pelos dois críticos do centenário matutino (embora não tenhamos visto alguns dos filmes escolhidos, o que só torna os achismos mais divertidos). Façamos as duas coisas: [Leia mais!]
18:10:36 - Zeno - 5 comentários

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