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A hora do DJ Mandacaru

Velharias musicais sempre fresquinhas.


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31 Janeiro

Nouvelhíssima e saudosa Cuisine

Claro que a lembrança deve-se à foto do capilarmente prejudicado publicada lá pra baixo.

Acho que a primeira vez que ouvi os caras foi no Espaço Off, lá por volta de 1987. O lugar era minúsculo, arquibancadas em forma de arena, às vezes tinha mais gente no palco do que na platéia. Tocava de tudo por lá. Do André Christovam, inaugurando o blues paulistano, até o Lord K e Sra., que se apresentavam peladões, o Lord pelo menos cobrindo as partes com a guitarra, a moça ia de Luz del Fuego mesmo.

Mas a sensação era o Nouvelle Cuisine, um grupo enxutíssimo (Carlos Fernando nos vocais, Flavio Mancini no baixo, Luca Raele alternando entre piano e clarineta, Mauricio Tagliari na guitarra e Guga Stroeter no vibrafone e bateria) esmerilhando basicamente standards de jazz, às vezes alguma coisa pop, mas sempre com um tratamento jazzístico. Era de uma qualidade absurda, inesperada mesmo. Na vez em que se apresentaram num Free Jazz ou similar, o Wynton Marsalis comentou na coxia que nunca tinha ouvido uma coisa tão bem feita (no estilo, claro) fora dos Estados Unidos. Minha mulher e eu viramos tietes, vimos porradas de shows do grupo, inclusive aquele no auditório do MASP, com um quinteto de cordas, onde a folhas tantas irrompia uma garota lindíssima arrasando num dueto com o Carlos Fernando em “Bess, You Is My Woman Now”, que depois faria um certo sucesso com o nome de Marisa Monte.

Com a formação original, o grupo gravou dois discos: Nouvelle Cuisine (1988) e Slow Food (1991), ambos esgotadíssimos, se você achar algum em sebo, não vacile. Do primeiro, separei quatro faixas: Embraceable You (4MB), Blues In the Night (4,9MB), My Funny Valentine (4,9MB), tudo standard de jazz, mais uma singela homenagem aos arquitetos da bagaça aqui: So Long Frank Lloyd Wright (2,2MB), do Paul Simon.
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Há uma certa polêmica entre o Alto Comando aqui do Zeno sobre quem seria o melhor cantor brasileiro hoje. Os coronéis apontam o Carlos Fernando. Os generais insistem em colocar o nome de Zé Luiz Mazziotti na parada. É uma peleja que vai demorar pelo menos uma caixa de whisky.

26 Janeiro

Jabá efeméride

E pra ficar em mesmo assunto, segue release do programão deste fim-de-semana:

Radamés Gnattali - Cem Anos
Homenagem ao compositor e arranjador com Laércio de Freitas, Roberto Sion, Claudio Cruz, Toninho Ferragutti, Alessandro Penezzi, Monica Salmaso e Orquestra Jovem Tom Jobim. Nascido a 27 de janeiro de 1906, Radamés é um dos personagens que mais naturalmente circularam entre os universos popular e erudito na música, sendo uma figura-chave para se entender as tênues fronteiras que envolvem a música brasileira. Em 1924, recém-formado, foi para o Rio de Janeiro se apresentar no Teatro Municipal, executando um concerto de Tchaikovski sob regência de Francisco Braga. Nessa viagem conheceu o compositor Ernesto Nazareth, e passou os dois anos seguintes entre Porto Alegre e Rio, sempre trabalhando com música erudita. Em 1934 passou a ser o orquestrador da gravadora Victor e dois anos depois participou da inauguração da Rádio Nacional. Lá Radamés atuou como pianista, solista, maestro, compositor, arranjador, usando sua bagagem erudita no trato com a música popular. Em 1943 criou a Orquestra Brasileira de Radamés Gnattali, que tocava os arranjos do maestro no programa Um Milhão de Melodias, dando um colorido brasileiro aos sucessos estrangeiros. Para isso, Radamés passou a usar os instrumentos da orquestra de forma percussiva, conseguindo efeitos até então inéditos. Em 1983, recebeu o prêmio Shell na categoria música erudita, concedido por unanimidade, ocasião em que foi homenageado com um concerto no Teatro Municipal, que contou com a participação da Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro, do Duo Assad e da Camerata Carioca.
Teatro do Sesc Pompéia. R$ 15,00; R$ 11,00 (usuário matriculado e dependentes). R$ 5,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes). R$ 7,50 (acima de 60 anos e estudante).
Dia(s) 27/01, 28/01, 29/01 Sexta e sábado, 21h/ domingo, 18h.
15:05:59 - Zeno - 1 comentário

18 Janeiro

Kerouac já morreu; antes ele do que eu

Coisa rápida, só enquanto o tio DJ Mandacaru organiza o equipamento de sobrevivência na selva para uma missão exploratória ao litoral norte de São Paulo, incluindo Camburizinho, São Sebastião e Ubatuba (daí o post on the road).

Em 1986, o Mark Murphy (vão na Barsa) inventou de gravar um disco em homenagem ao Jack Kerouac. Músicas que eram mencionadas nos livros, ou que o Mark achava que eram a cara do Jack. Enxuto até o talo (piano e variantes, baixo, bateria), tem umas coisinhas do cacete.

A primeira é a última do Billy Strayhorn antes de levar a cacetada final da leucemia – Blood Count (4,6MB). Na seqüência, um medley (que o afrancesado Reverendo Pinto chama, pitorescamente, de pupurrí) de Eddie Jefferson/Take The “A” Train (7,7MB), música também do Billy, com letra do – adivinharam – Eddie. Depois, a leitura de um trecho de “Big Sur” (2,1MB), com uma cozinha alucinante de baixo e bateria. Pra fechar, mais um pupurrí (leva acento porque é uma palavra francesa, manja, Zeno?) de The Night We Called It a Day/There’s No You (7MB).

Semana que vem, tem mais.

16 Janeiro

Cachorro doido inglês apavora em Woodstock

Acho que nem dá pra explicar direito o que foi ter visto a estréia do filme “Woodstock”, aos 17 anos, em Fortaleza. Não havia VHS, a televisão cearense não exibia shows de rock, nossa experiência nesse setor se limitava ao seriado “The Monkees” e aos filmes “A Hard Day’s Night” e “Help”.
O álbum (três LPs!) já rolava há algum tempo entre minha turma. Mas ver tudo aquilo na tela – ah, mocidade estudiosa do meu país, realmente não tinha preço. Na primeira temporada, devo ter visto o filme umas oito vezes, no mega Cine São Luiz, milagrosamente ativo até hoje - um redator aqui do HZ viu os primeiros filmes da Xuxa lá mesmo.
[Leia mais!]

12 Janeiro

Xaráp and pôustit - O Eco

Mais um post com pouco papo. Yves Montand, show no Olympia, 1981. Les Feuilles Mortes (3,5MB) e, plagiando o editor do HZ com quase 25 anos de antecipação, Je Me Souviens (2MB).

Bon soir procês também

10 Janeiro

Xaráp and pôustit

Quer dizer que pode post sem conversê?

Antão lá vai: disquim raro da gota, achei sábado agora. Monte de jazzistas de premêra, mas não muito conhecidos, tocando Nino Rota. Tem duas aí: Amarcord (7,2MB), uma viagem de piano solo do Jaki Byard (olha a corrida ao Guga!), e 8 1/2 (10,6MB), com a Carla Bley Band. Disco de 1981, do selo Hannibal, muito antes que virasse sinônimo de neguim que come gente do jeito errado.

Atrasadinho da Maritel

Na falta do que mais dizer, deixo-vos em melhor companhia: Love Is (4,62MB) e I'll Never Tell (4,83MB), por Pete Belasco —a quem só tive a ventura de conhecer outro dia desses, com quase dez anos de atraso.

Não importa. Continua excepcional, e você tem uma semana (ou 25 baixadas) para comprovar.
09:50:51 - Pinto - Comentar

06 Janeiro

Daft Punk encontra Prince

Você ouve 33Hz interpretando Crazy All The Time (6,2MB), dedicado à venerável Cam.

Uma cortesia da Rádia Eldorada, que não me deixa achar que a música terminou com o século XX.
10:54:31 - Pinto - Comentar

04 Janeiro

O Feitiço de Sheila

Quando a notícia correu – isso já faz uns três anos –, vieram logo me dizer. E entrou imediatamente na minha lista “Deus Existe?”, coluna Pontos a Favor. Sheila Jordan viria cantar no Brasil, num desses festivais de cigarro, uísque ou telefone. Isso não é exagero do DJ que vos fala – um senhor extremamente contido em suas paixões. Acontece que no meu private caritó, além das três santinhas universais (Billie, Ella, Sarah), têm lugar garantido, na fileira da frente, Anita O’Day e Sheila Jordan. [Leia mais!]

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