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A hora do DJ Mandacaru

Velharias musicais sempre fresquinhas.


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18 Fevereiro

Celestial

Nem Maria Rita, nem Bebel Gilberto, nem Ná Ozetti, nem Monica Salmaso. A voz feminina mais bacana a surgir na música brasileira nos últimos anos, excetuando-se talvez Fabiana Cozza, chama-se Maria do Céu Whitaker Poças, ou simplesmente Céu —qualquer um dos nomes já é uma delícia.

Caso você tenha a ventura de não precisar viver em são Paulo e nunca tenha ouvido falar dela, que já faz algum sucesso por aqui, vá na Fnac que o CD de estréia da garota de 25 aninhos já é o segundo mais vendido da temporada e custa meros R$17,90.

Isso apenas já seria motivo para comprá-lo (releve as bobagens cometidas pela própria no encarte, inclusive o imprecindível agradecimento —nada condizentes com o refino das canções), mas vamos dar uma colher de chá aqui: ouça Ave Cruz e diga se ela não merece todos os elogios.

Fora que é uma gata.
19:00:00 - hubbell - 17 comentários

16 Fevereiro

La Grande Chabuca

Eu sei que o nome da moça se presta aos mais sórdidos trocadilhos, especialmente por parte daquelas pessoas que se reconhecem fisicamente incapazes de resistir à nefasta prática. Mas, pelo menos, tenham a bondade de também ouvir a maravilha que é a Chabuca Granda, a grande dama da canção peruana, interpretando suas próprias músicas, acompanhada, exceto em duas faixas, apenas por um violão matador (Alvaro Laos) e um cajón (Caitro Soto).

A velha senhora nasceu no começo do século passado (1920), em uma pequena aldeia nos Andes peruanos: “He visto la luz muy cerca del sol de los incas, a las nueve y treinta de una mañana soleada, entre vetas de oro, amor y sacrificio… Allí nací, soy, pues, hermana soberbia y orgullosa de los cóndores, nací tan alto que solía lavarme la cara con las estrellas…", dizia. No começo da carreira, cantou a Lima bucólica do final do século XIX, mimetizada na forte figura paterna, Jose Antonio, um cavalheiro de fina estampa. Vocês já ouviram coisas dela graças ao Juquinha cantor de nossa geração, que se meteu em todos os buracos musicais que encontrou pela frente. [Leia mais!]

13 Fevereiro

"Prazer, Tony Brazil, mas pode me chamar de Tom Jobim"

O conversê aconteceu por volta de 1964 ou 1965. Os personagens, Jack Wilson, pianista de jazz (mais sobre ele aqui) e Tião Neto, o grande baixista brasileiro, que emigrou pros EUA no começo da década de 60. A idéia do Jack era fazer um disco com músicas do Henry Mancini numa levada de bossa nova – a coqueluche (é o novo!) dos jazzistas americanos na época. O Tião convidou o patrão para arranjar duas músicas. Não se sabe o que houve, mas além das duas músicas, ouve-se por todo o disco “Brazilian Mancini” a mão delicada do maestro Tom Jobim, que ainda fez o favor de tocar violão em todo o disco. Por razões contratuais, na capa aparece o nome de um tal de Tony Brazil, como special guest artist on guitar.
Lançado pela Vault em 1965, o disco é mais raro do que professor-de-economia-da PUC/RJ-que-ocupou-cargo-no-governo-e-não-virou-banqueiro. Aqui no Brasil, tenho conhecimento de três exemplares. Nos EUA, não se acha o LP à venda. A gravadora fechou. O próprio Tom desconversava quando alguém perguntava pela bolacha.

Ou seja, já que vai ser difícil ouvir o disco pelaí, resolvi botar o bicho inteiro por aqui.
Ouçam o Jack Wilson no piano, “Tony Brazil” nos arranjos e violão, Tião Neto no baixo e Chico Batera na idem. Roy Ayers faz umas pontas no vibrafone.

Lado A: Blue Satin (2,8MB), Days of Wine and Roses (3,4MB), Sally’s Tomato (3,3MB) e Softly (2MB)

Lado B: Lujon (2,4MB), Mr. Lucky (2,2MB), Breakfast at Tiffany’s (2,8MB), Dear Heart (1,9MB) e Night Flower (2,2MB)

09 Fevereiro

Zérrú?

Ó, os básicos do Zé Luiz Mazziotti são esses: paulista de Rio Claro, tá com 58 anos. Tem seis discos gravados -- três LPs, nunca lançados em CD, o CD de estréia, de 1994, só encontrável em sebos, mais dois que, procurando direitinho, dá pra achar: o primeiro, em parceria com a Célia, cantando Paulinho da Viola, e o segundo, solo, cantando Chico Buarque (mais sobre o cabra aqui e aqui).

Procêis terem uma amostrinha grátis do que ZLM canta, separei essas aqui: Pelo Menos (2MB), música dele com o Sérgio Natureza, do primeiro LP, de 1979. Três do terceiro LP: Desacostumei de Carinho (2,3MB), da Fátima Guedes, Doce de Coco (3,4MB), o clássico do Jacob do Bandolim com letra do Hermínio Bello de Carvalho, e Súplica (3,1MB), a valsa arrasadora de Octávio Gabus Mendes, em versos brancos (aliás, o Instituto DJ Mandacaru de Altos Estudos Comparativos de Música recomenda fortemente que vocês ouçam a mesma música, na versão original, com Orlando Silva, mega-sucesso em 1940). Do primeiro CD, de 1994, uma do Paulinho da Viola, O Tímido e a Manequim (2,5MB), e um medley com Beija-me/Se Acaso Você Chegasse (2,4MB).

Dos dois últimos discos, vou dar só uma palinha, já que podem ser encontrados nas melhores casas do ramo. Só o Tempo (3,7MB), de Paulinho da Viola, e Dis-Moi Comment (2,7MB), também conhecida como Eu Te Amo (Tom e Chico), com letra em françois do Chico mesmo. Esse último é imperdível.

Vez em quando, ZLM faz shows em Sampa. O último que vi foi no Passatempo, uma espécie de Baretto da classe média alta, que junta nas madrugadas a velha boemia de São Paulo, tigrões desdentados e algumas mariposas do luxo e do prazer.
00:38:04 - DJ Mandacaru - Comentar

08 Fevereiro

Teste da farinhada

Cumprindo promessa antiqüíssima, tô carregando umas coisinhas do Ivon Cury. Pra ajudar a homenagem do Zeno, uns dez posts abaixo, caprichei nas músicas francesas, uma das facetas mais conhecidas do Ivon, que, além disso, mandava bem em músicas nordestinas, sambas e musguinhas maliciosas, modelo Tati Quebra-Barraco, só que com as devidas restrições da década de 50. Catem aí: C’est Si Bon (3MB), Douce France (3,3MB), La Vie en Rose (3MB), Les Feuilles Mortes (2,4MB) e, como diz o francófilo Guirlanda Bairão, last but not least, Farinhada (2,3MB).

03 Fevereiro

Da série A Realidade Musical é melhor que a ficção

Dou o link pra que não me chamem de mentiroso: "Farinhada à Francesa".

(este post é dedicado a matthieu r., laurent c. e sylvain b., que têm a farofa brasileira em alta conta)
06:37:00 - Zeno - 2 comentários

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