:: home :: posts passados :: etilíricas :: je me souviens :: microcontos ::


A Busca do Graal

Incursões etílicas que não poupam esforços para determinar a exata localização do Bar Absoluto.


.:: mês anterior :: :: :: :: February 2006 :: :: :: :: próximo mês ::.

11 Fevereiro

Ouro de tolo

Finalmente provei hoje a tal da Kaiser Gold, cerveja vencedora de um certo "concurso de degustação às cegas" promovido por —logo quem!— o vetusto Estadão.

E só hoje o fiz por dois motivos. Primeiro: influência das más companhias aqui da redação, francamente pró-Heineken. Segundo: só hoje encontrei a tal cerveja na bodega do Diniz mais próxima da minha residência.

Foi o triunfo da teimosia diante de uma bebida que não chega a desapontar, mas também não merece nenhum registro especial. Senão vejamos. O sobrenome Kaiser já pressupõe cautela. E teste às cegas conduzido logo pelo Estadão, matutino que tudo vê, também não se sustenta: a turma empoada do Estadão não sabe o que é botar uma cerveja na boca desde o tempo da faculdade. E fermentando ali só a mente do nosso dileto editor do Caderno 2. Mas digressiono, digressiono.

Quer uma opinião menos abalizada? A Kaiser Gold ainda é inferior à Stella Artois de Jaguariúna, embora seja bem melhor que a Heineken.

Falando em Heineken, outro dia a equipe de degustação etílica do HZ conduziu um teste cego na casa do Tio Ethan, que como scholar e homme des lettres se provou o melhor churrasqueiro que eu já vi. Resultado: depois que provamos a Heineken importada, ficou mais evidente o sabor entre acetona e Lysoform daquela lavagem que fabricam por aqui.

O Zeno vai alegar que é a única cerveja nacional feita de acordo com a Lei da Pureza etc. etc., mas isso é só desculpa pra pronunciar "Rheinheitsgebot" com sotaque da Renânia.
15:58:56 - Pinto -

09 Fevereiro

Bueno

Barzinho estilo balcão, apertado como ele só, habitualmente freqüentado por lutadores de sumô, na Galvão Bueno, donde o nome eufônico em múltiplos idiomas. Lugar ideal para você que não se preocupa com peso. Primeiro pelo risco do pisão de um lutador de sumô no seu pé, algo traumático de per si —e olhe que você não vai poder revidar nem mesmo fazer cara feia. Segundo porque lutar sumô até deverá lhe abrir o apetite para aquelas comidinhas, mas comer aquilo decididamente não lhe dará vontade de lutar sumô.

Esqueça a idéia do inocente peixinho cru japonês. A porta corrediça de madeira dá acesso instantâneo à Tóquio de hoje: costeletas de porco à moda de Okinawa, abundantes em gordura e sabor (as moléculas de sabor concentram-se na gordura, que Deus é um cara que detesta prazeres), berinjelas cozidas em shoyu, espetinhos de tudo de frango, inclusive, e principalmente, a pele, salada (?) de ovo, pepino e cebola embebidas em maionese caseira, línguas grelhadas na hora. Tudo delicioso. E, diferentemente de Tóquio, muito barato. Uma festa para seu paladar, fígado e consciência, em especial se você aceitar a companhia da cerveja geladíssima ou de doses de Suntory ou saquê. A ambientação cultua um ídolo do J-pop, estilo cujo nome felizmente me foge. As paredes são coalhadas de cartazes do moço em várias ocasiões, inclusive naquele show em que ele adentra o palco montado numa Harley, cofrinho à mostra. As TVs reproduzem vídeos do sujeito, mas é coisa que incomoda menos que axé music, por exemplo.

O Bueno é uma experiência imperdível. Até porque um bar assim, despretencioso despretensioso e incógnita, com um logo bacana como este, deve ser visitado mesmo, seja por etnografia de campo, atração boêmia ou mero tributo ao design. Detalhe: vizinho de parede há um outro do gênero, especializado em udons, que quando esse calorzão passar corre o risco de ser resenhado aqui.

Nota: 9 graals, ou poderiam ser 9 miojos.
10:00:00 - Pinto -

.:: mês anterior :: :: :: :: February 2006 :: :: :: :: próximo mês ::.