:: home :: posts passados :: etilíricas :: je me souviens :: microcontos ::


Tectum Intuentes

Ociosidade produtiva - textos reflexivos, anotações íntimas, sacanagens e demais ressentimentos.


.:: mês anterior :: :: :: :: August 2006 :: :: :: :: próximo mês ::.

28 Agosto

Os Deuses Gregos da FAAP

Berlim

São Paulo


Primeiro, o axiomazinho de segunda-feira à noite: não se visita museu na própria cidade em que se mora. Desdobrando-o, a gente percebe que o problema se deve ao fato de o museu estar ali, à mão, bastam três estações de metrô ou 20 minutos de carro, e assim vamos perdendo as exposições por conta do "semana-que-vem-eu-vou" ou do "até-quando-vai-a-exibição?", ou mesmo do pilantrão "hoje-tá-chovendo". Tudo somado, podemos chegar com otimismo a 10 visitas ao museu principal da nossa cidade, umas 5 ou 6 ao segundo mais importante, e assim vai – e foram necessárias três décadas de existência pós-infantil pra chegar nestes números. Em conexão com nosso pitaco local, temos o argumento de alcance internacional: visita-se museu pra cacete quando se viaja, não só por causa do raciocínio clássico "não-sei-quando-volto-aqui", mas com os requintes de alguma perversidade universal que faz o sujeito, quando em viagem, entrar até em Museu da Cidade de X, reconhecidamente a modorra museológica por excelência, qualquer que seja o X, algures ou alhures (duas cidades famosas pelos respectivos museus), pra não mencionar as tristes viagens, tristíssimas, em que constatamos ter passado mais tempo dentro dos museus que na rua, do lado de fora.

O narigão de cera acima é só pra poder dizer: o Pergamon Museum, em Berlim, é o museu que mais visitei na vida. Por vontade própria, pra levar amigos, pra impressionar garotas, porque não tinha coisa melhor pra fazer, porque tinha um bar ali perto que era sensacional, enfim, feitas as contas eu perdi as mesmas e nem sei quantas vezes estive lá. Houvesse alguma justiça neste mundão iníquo, o Pergamon entraria fácil pro Ranking Inexistente de Melhores Pilhagens Da Humanidade, junto do British Museum, do Louvre de Paris e de mais algum museu americano recém-chegado. Dá gosto ver a industriosidade dos arqueólogos alemães do XIX metendo a mão nas cumbucas alheias e históricas, trazendo tudo etiquetadinho e numeradinho através de "arranjos com as autoridades locais", eufemismo pra grana ou afano puro e simples. As cumbucas do Pergamon, aliás, são dignas de serem vistas, bem como a estatuaria vinda de tudo quanto é lado dos tais berços de civilização (gregas e cópias romanas, mas também muita coisa assíria e persa; uma das três grandes alas do museu é pra Arte Islâmica, por exemplo). Mas ninguém vai ao Pergamon só pra ver as cumbucas ou as estátuas. Vai-se ao Pergamon pra ver as três grandes atrações do museu: o Altar de Pergamon, o Portal do Mercado de Mileto e o Portal de Ishtar (Babilônia), três gigantescas construções trazidas pedra a pedra, inteirinhas, pra Berlim, e tô pra ver algum coração cínico ou entediado que não se emocione diante destas maravilhas de dez, vinte metros de altura, oferecendo cursos instantâneos de beleza, harmonia e proporção só pelo simples estar-diante-delas. Proporção. Eis a palavrinha pra chegar à exposição da FAAP, que ainda não vi mas que só posso recomendar com o devido grão de sal. Leio nos jornais que algumas peças – estátuas e vasos – foram trazidas, e partes da frisa que compõe o Altar de Pergamon também. Pra receber os pedaços da frisa, foi construída uma versão modificada e em escala menor do Altar, a fim de mostrar mais ou menos como é que era a coisa. Como no conhecido critério epistemológico criado pelo Chico Anysio, é um troço tipicamente "vampiRo brasileiro" – tudo fora de escala, fora de proporção, ajambrado e marretado pra engabelar nossos pobres jornalistas repetidores de press release e as velhinhas reacionárias de cabelo azul de Higienópolis (as fotinhos acima expõem as diferenças). Tem de ir? É claro que tem, diz meu anjinho iluminista sentado no ombro esquerdo. É pra falar mal? Opa se é, já que a exposição atira no próprio pé em sua missão precípua (perdão) de educação dos olhos, que podem sair de lá achando que os gregos, ah, os gregos, nem eram tão bons assim nesse negócio de justa medida, né? É certo que os gregos sobreviverão e não ficarão chateados com tais juízos, mas isso não melhora o fato de que a FAAP meteu a mão em cumbuca não-grega, pública e brasuca, pra financiar a exposição e a vinda das peças. E sempre pode piorar: um almoço ali por perto, no restaurante que o Pinto jura que é o melhor de SP e que só em algum delírio não-helênico a gente cogita concordar.
20:21:00 - Zeno - 21 comentários

Sempre o mesmo assunto

Por falar em citações, poeminha pra segunda-feira:

O amor, a poesia, as viagens

Atirei um céu aberto
Na janela do meu bem:
Caí na Lapa — um deserto...
— Pará, capital Belém!...

Manuel Bandeira
07:54:45 - Zeno - 5 comentários

27 Agosto

Citações

Do sempre batuta Sérgio Rodrigues, falando da gente, ou quase.
16:07:46 - Pinto - 1 comentário

Belém, terra de contrastes

McDia Tristonho
15:52:17 - Pinto - 2 comentários

21 Agosto

Nota social

Recebemos no fim de semana comentário de um visitante que divulga um fotolog de Cabaceiras, Paraíba, já cantada mais de uma vez em verso, prosa e pixel aqui em nosso botequim. Há, na cidade, um telecentro muito bacana com dez máquinas ligadas em rede e com velocidade de conexão de 128 kbps, iniciativa, se a memória não falha, do Sebrae. Quando estivemos por lá, e os cínicos de plantão já podem reclamar da pieguice iluminista, era comovente ver o público navegando e pesquisando na internet, aprendendo a mexer com os programas e os sites de hospedagem, mantendo páginas pessoais, etc. Não sabemos se nosso visitante bloga do telecentro, mas de qualquer maneira fica o convite para que outras pessoas que mantenham páginas pessoais por lá divulguem os endereços para a nossa nanoaudiência sulista. Se o Serra não ficar chateado, claro.
08:19:59 - Zeno - 2 comentários

17 Agosto

Vermelho e branco

Rogério Ceni é um jogador que desperta instintos primevos, com defensores e detratores que mudam de lado conforme o jogo e a paixão. É uma injustiça. Ele deveria ter apenas detratores. Como o jogo de ontem no me ne frega um cazzo, pra usar a mimosa expressão italiana, fica registrada nossa homenagem ao Internacional por conta do título, claro, mas muito mais pelo Luís Fernando Veríssimo, ilustre torcedor colorado. Se ele torcesse pro Corinthians, eu era até capaz de começar a gritar "Timão, ê ô" por aí. Não, não era, mas o que seria do futebol sem a hipérbole?
08:10:22 - Zeno - 4 comentários

16 Agosto

Da série "Eu queria mesmo era governar este país"

Problema na educação em São Paulo se deve à migração, diz Serra

O candidato tucano ao governo de São Paulo, o ex-prefeito da capital José Serra, participou de entrevista ao vivo nesta quarta-feira ao programa SPTV, da TV Globo de São Paulo. Na entrevista, Serra creditou os maus resultados da educação no Estado aos "migrantes" e se esquivou da pergunta sobre sua permanência no governo de São Paulo até o fim do mandato caso seja eleito em outubro.

Questionado sobre o mau desempenho do Estado de São Paulo em avaliações nacionais de educação, o tucano creditou os maus resultados aos migrantes que vêm para o Estado. "Diferentemente dos Estados do Sul [que foram os primeiros colocados na avaliação], São Paulo tem muita migração. Muita gente que continua chegando... Este é um problema", afirmou. São Paulo tem uma grande população de migrantes nordestinos, especialmente na capital
.

(crdt : uol. mais, aqui)
14:48:13 - Pinto - 6 comentários

13 Agosto

Um post meta-qualquer-coisa

É difícil fazer piada com o assunto. Na verdade, é até fácil: bastava reproduzir o texto do PCC com um aviso ao final, dizendo que nosso blog foi obrigado a veicular a mensagem por conta do seqüestro de um dos redatores, levado para Belém, Pará, Massachusetts. O problema é que se trata de um novo patamar de discussão, patamar pro qual ainda não dispomos de conceitos apropriados. Em outros termos, tem algo aí nessa história do jornalista da Globo que merece uns tratos à bola, merece um certo vagar conceitual (perdão) que ainda não está disponível (não, Jabor não!!), até pela premência, mas que fica como provocação para a nossa nanoaudiência. Ontem à noite, por questão de minutos, não vimos o pronunciamento do tal DVD do PCC, já que estávamos zapando na mesma hora, pulando de uma insignificância à outra, mas a sensação de hoje de manhã, ao ler o jornal, foi a de insuficiência epistemológica, pra dizer o mínimo. E se os caras seqüestrarem o Chico Pinheiro, ou um dos trigêmeos do Bonner, dá pra reivindicar exibição de vídeo no Jornal Nacional, horário nobre, visto por trocentos milhões de espectadores? Depois de dobrarem os joelhos do Estado, no que diz respeito à manutenção mínima da garantias de ir e vir, agora o PCC dobrou uma das 5 ou 6 maiores redes privadas de televisão do mundo, e ainda por cima com direito ao ato falho freudiano e frankfurtiano da década (do século?), confundindo iluminismo e ilusionismo. Meus caros e minhas caras colegas de trabalho, é preciso reforçar não os muros e as cercas elétricas, mas um bom punhado de neurônios pra entender que a conversa mudou de parâmetro. Uma vela pra santo também ajuda.
22:29:31 - Zeno - 9 comentários

08 Agosto

Trypanossoma? Cruzes!

Meus caros e meus ácaros,

Acho que escapei do açaí com Chagas, mas não sei se escapo do calor. Hoje oficialmente começou a temporada de chuva de mangas, que é mais ou menos tudo o quanto tem caído do céu por aqui.

Amanheci hoje, às seis da manhã, ao som do toc-toc e da algazarra de umas quinze ou vinte moças que vieram para um concurso de beleza, que de todos os lugares do mundo haveria de ser realizado aqui neste hotel, estilo A Família Adams em Everglades. Havia umas três ou quatro moças até bonitas. O toc-toc eram os saltos dos tamancos. A algazarra pensei que era a tal revoada dos papagaios.

Estou aos poucos me acostumando com o falar local. Conjugam tudo direitinho e a gente se sente até meio humilhado ao ouvir um "Entendeste?" assim inadvertido. Porém, ao contrário do Rio, onde o caso reto predomina, em Belém sempre se usa o pronome "te" no lugar do "tu", num caso flagrante de hipercorreção, se não me falha a memória da empulhação lingüística: é "Vou pedir pra te fazer", "Pra te ter uma idéia" e por aí vai.

Toma essa pra tu, Zeno.

Aí outro dia pedi uma sugestão do almoço e meu anfitrião me disse: "Um peixe bom pra te comer é a pescada amarela". Bom, ele podia ter dito pirarucu, pacu ou outro desses que rimam feio. Humilhação, sim, seria isso.

Vou parando por aqui que a canseira é muita e o trabalho maior ainda. Volto a qualquer momento em edição extraordinária com mais um boletim da terra onde nasceu Jesus.

Vosso,

Pinto.
22:28:45 - Pinto - 7 comentários

01 Agosto

Açaí, guardiã, zum de besouro, um ímã

Estimado Zeno, dileto Sorel, querido Mandaca,
Meus caros e meus ácaros,

Dá pena tirar a foto dessa moça do topo do blogue, mas a vida tem que continuar. Passo aqui muito breve apenas para dizer que tenho violado constantemente a regra do duplo amido nas refeições. Não posso fazer nada se as farinhas do local são tão indescritíveis e ubíquas.

A propósito, logo mais testo uma tapioca que comprei para pôr no açaí fresquinho que vende aqui do lado. Não darei notícia se: 1) tiver morrido de azia ou 2) o fruto for proveniente da região de Santarém, onde há um surto de Chagas transmitido justamente dessa forma.

Por conta desses e de outros excessos —limitei minha ingestão de proteínas ao filhote, o delicioso peixe que nem parece de água doce— é que preciso controlar o apetite, do contrário retornarei a SP mais gordo que o torresminho da feijoada de sábado, do qual, aliás, me recordo até agora.

Ainda não consegui comprar os CDs do Pinduca, ainda aguardo as artes do nosso DJ. Porém está prometida para amanhã uma visita à casa do ídolo, com direito a autógrafo e foto. Prometo publicá-la. [Leia mais!]
16:30:00 - Pinto - 2 comentários

.:: mês anterior :: :: :: :: August 2006 :: :: :: :: próximo mês ::.