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...ou então miojo

Nossas impressões sobre as cozinhas do mundo - a contrapartida sólida da Busca do Graal.


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15 Janeiro

Obituário

Cumprimos o doloroso dever de anunciar o fechamento de duas casas de primeira necessidade:

O Cecília, que pelo menos continua a atender encomendas pelos fones 3826-2973/3662-5200, e o Kinoshita, que desistiu dos confins da Liberdade e supostamente iria se estabelecer no Itaim, onde está a moçada capaz de freqüentá-lo assiduamente sem sair ganindo.

O Chi Fu ainda não fechou e pelo visto nem vai, mas de tanto figurar na Vejinha é já que fica inacessível.

Estou inconsolável.
14:00:00 - Pinto -

14 Janeiro

Tandoor

O Tandoor tem um problema sério, talvez dois. Um: é o único indiano da praça na prática. Dois: encravado na área residencial no Paraíso, preocupa-se menos em atender aos comensais presentes que aos pedidos para entrega ("delivery", como se diz aqui). Fora isso, é bom. Por causa disso torna-se um estorvo.

O ambiente é agradável, a cozinha é honestíssima, mas de que adianta perguntar por uma sugestão de masala e o garçom sair-se com um "aqui a gente não sugere nada"?! Por melhor que estivessem os samosas —e estavam ótimos—, não se concebe esperar 30 minutos por eles, isso com a casa ocupada por três mesas apenas. Nem outro tanto somente pelo cardápio para pedir uma sobremesa, que demora mais outro inaceitável tanto, mas aí a lotação já era completa e o caos idem. Enquanto isso, marmitas e marmitas deixavam a cozinha nas mãos dos motoboys.

Uma pena. O frango masala estava razoável, o arroz com açafrão (mentira: aquilo era cúrcuma!) nem tanto. Mesmo porque quiséramos o branco. O garçom, indolente, foi prestimoso apenas ao avisar que a troca iria demorar. Bom sinal: ele sabia ser prestimoso, afinal. Que escolha? Resultado: conta mais cara e saco mais cheio. Aliás, tem um efeito psicológico terrível cobrar os molhinhos dos samosas à parte, uma vez que eles surgem sem ser convidados, como complemento natural do pedido. Ninguém se apercebe nem me garante que não sejam reutilizados, nem eles valem aquilo. Combinado ao serviço desastrado, soa a velhacaria.

Digressão para investigações futuras: não sei o que indianos têm contra sobremesas e bebidas geladas.

Nota: quando acertarem o serviço e o dilema da entrega em domicílio versus atendimento às mesas, 7,5 miojos. Até lá, nenhum.
12:26:55 - Pinto -

02 Janeiro

Rong He

A redação deste blogue é dividida em duas facções: há os que acham que chineses fazem bons filmes, há os que acham que fazem boa comida. Eu fico entre os últimos. Por uma razão simples: em se tratando de bilhões de pessoas, é muito mais complicado entreter —leia-se "pacificar"— estômagos que mentes. Vá ver um filme chinês qualquer e depois dirija-se a restaurante idem, por mais mequetrefe que seja, e você compreenderá o ponto. Os comensais estarão mais à vontade que os atores, o enredo será muito mais criativo e isso é só o começo. Mas digressiono.

O Rong He fica já no final da Rua da Glória, na Liberdade (onde mais?), e em quase tudo difere do Chi Fu, duplamente resenhado aqui. A começar pelo atendimento (cortês e em língua de cristão), pela higiene (impecável), e pelo fato de aceitar cartões de crédito, cuja ausência não seria uma falta grave, pelo que se dirá logo a seguir. Em comum, os preços atrativos (escrever "ridículos de barato" é correr risco desnecessário de pagar mais na próxima conta) e a culinária deliciosa, neste caso especializada em massa chinesa.

As massas são fresquíssimas, elásticas e vêm imersas em molhos saborosos. A carne utilizada é o músculo, que embora mais saborosa podia ser melhor limpa das nervuras. Os "gyoza" (ou "dim sum", para os íntimos) são sutis e obrigatórios em várias versões. Como não há porções mistas, peça todos e leve uma marmita para seu cachorro. Ele agradecerá. Sou cachorro no horóscopo chinês e agradeci. Por razões de reprodução da espécie, não fiz os pedidos corretos, mais apimentados e de frutos do mar ou porco, mas não é nada que não possa ser corrigido numa breve revisita. Atração à parte é ver o "aquário" com o maître pâtissier (não sei dizer isso em português ou chinês) esculpindo macarrões com as mãos (!) —um espetáculo de prestidigitação que desafia a dinâmica dos sólidos, revoga a lei da persistência da retina e clama por uma visita do pessoal da DRT para conferir se pelo menos estão pagando bem àquela criatura.

Nota : 8 miojos, com viés de alta.
13:04:07 - Pinto -

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