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Tectum Intuentes

Ociosidade produtiva - textos reflexivos, anotações íntimas, sacanagens e demais ressentimentos.


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31 Agosto

Pequena contribuição para o aclaramento de novas expressões da língua portuguesa

"Ir vim"

Loc. v. Paulistanismo. Significa "ir". Como as distâncias vão ficando cada vez mais abissais, e o trânsito cada dia mais complexo, um verbo só não dá conta da dureza que é se locomover nesta cidade. O sujeito acaba tendo que ir e vir ao mesmo tempo. O "vim" fica por conta dos costumes nativos: quem não costuma usar o subjuntivo acaba se embananando nas flexões irregulares também. Vai ver é efeito do engarrafamento. Mas não fica um charme?
Abonações:
"Eu vou ir vim pro cinema hoje, se conseguir sair mais cedo do trabalho".
"Você vai ir vim pra festinha no final de semana ou vai ir viajar (ver tb.)?".
16:14:12 - Pinto - 2 comentários

29 Agosto

"Sobre memória e bytes"

Mudando um pouco de assunto, de ruim para muito melhor, deixo-vos com Ronaldo Correia de Brito, um favorito aqui da casa, e mais um belíssimo texto seu, publicado hoje no Terra Magazine. [Leia mais!]
14:32:39 - Pinto - Comentar

28 Agosto

Todo Prosa

Ricardo Soares é amigo do blogue, e tudo que aqui se disser a seu respeito deverá ser tomado com um grão de sal. Poderia ter trilhado o sucesso no teatro rebolado, mas sempre preferiu vencer na vida pela inteligência, jamais pela beleza. Largou os palcos precocemente, deixando a inolvidável Maria Alcina sem sua sósia e dubladora mais fiel, e ingressou no jornalismo, mais ou menos na época em que Ciro Gomes dava os primeiros passos na política, o que não é mera obra do acaso, como se verá. Desde então, o jornalismo piorou muito, Ricardo piorou menos e Ciro está cada dia melhor.

Ricardo nos privou a todos do seu convívio diário exilando-se numa quinta em Carapicuíba, mas a saudade da ribalta o aproximou da blogosfera, com evidente prejuízo para ambos. Em seu aprazível sítio virtual, já que o real é infestado de borrachudos, aproveita para intermear reminiscências da época de glória ao lado de Sargentelli com sua vasta obra literária e, último e não menos importante, discorrer sobre os papagaios que tem a receber antes que Ciro Gomes alcance a presidência da República, quando resgatar essa dívida ficará sobremaneira difícil.
01:15:36 - Pinto - 6 comentários

22 Agosto

Cenouras à obra, Brasil!

"Que é que há, velhinho?"
Cacei®. Movimento cívico pelos coelhos dos brasileiros.

®Zeno GmbH, d'après Looney Tunes e Mário Gomes.
12:00:00 - Pinto - 1 comentário

16 Agosto

Jabá escocês

Quem é este homem ensangüentado?

Eu não vi, mas minha esposa Íris viu e recomenda muitíssimo: temporada às terças e quartas, no Teatro Planetário, da Gávea, 20 horas. No Leia Mais, o texto que acompanha o programa da peça. [Leia mais!]
20:21:53 - Zeno - 1 comentário

12 Agosto

Urbanísticas

Citando outro Paulo, que é de São Paulo mas não é filósofo (pelo menos não se assina como tal) e não deve nem conhecer a Francielle, temos razão para crer que o amor pelo saber não é somente um rostinho marromeno num corpinho idem:

A chamada classe alta produz o próprio desastre. Ela abandonou a cidade e a população pobre ocupou-a. Você abandona a cidade e funda outra, como Alphaville, porque teme a liberdade. A avenida São Luís, feita de habitações de alto padrão, não durou 15 anos. Mas talvez se alimente da desvalorização para, um dia, criar-se um plano de revitalização favorecendo, de novo, a especulação. Essa não é uma boa política. Há grandes vazios na cidade. Como revitalizar o centro histórico? Transformando botequim e centro cultural? O botequim era um centro cultural.

Paulo Mendes da Rocha, em entrevista imperdível na Carta Capital desta semana.
18:32:47 - Pinto - 12 comentários

10 Agosto

E por falar em "Las manos",

... este post aqui estava prontinho, vindo de leitura profissional recente que não vem ao caso. O conto diz respeito a um estrangulador que aterroriza as ruas de — onde mais? — Londres:

"Em todos os minutos de sua vida o senhor tem visto mãos humanas. Mas já reparou no puro horror das mãos — esses apêndices que são um símbolo para os nossos momentos de confiança, de afeto e de saudação? Já pensou nas tétricas potencialidades que residem na esfera de ação desse membro tentaculado? Não, nunca pensou; pois todas as mãos humanas que tem visto foram-lhe estendidas num impulso de bondade ou de camaradagem. No entanto, se bem os olhos possam odiar, e os lábios possam pungir, só esse membro pendente pode reunir a essência acumulada do mal, e eletrificá-la em correntes de destruição. Satanás pode penetrar no homem por muitas portas, mas só nas mãos encontra ele os servos de sua vontade. (...) Por causa do capricho de um homem com duas mãos, abalaram-se a estrutura e o teor de suas vidas cotidianas [obs: das pessoas ameaçadas pelo estrangulador], como podem ser sempre abaladas por qualquer homem que desdenhe da humanidade e não tenha as suas leis. Começaram a compreender que os pilares que sustentavam a pacífica sociedade em que viviam eram de palha e estavam à mercê do primeiro que se lembrasse de quebrá-los; que as leis só eram poderosas enquanto obedecidas; que a polícia só tinha poder enquanto temida. Pela força de suas mãos, esse homem, sozinho, obrigara-a a pensar, deixando-a boquiaberta diante do que era tão óbvio".

Thomas Burke, As Mãos do Senhor Ottermole.
01:38:55 - Zeno - 2 comentários

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