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Tectum Intuentes

Ociosidade produtiva - textos reflexivos, anotações íntimas, sacanagens e demais ressentimentos.


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28 Abril

Epifania, você ainda vai ter uma

Não sei se a nanoaudiência qualificadíssima deste blog deu pelota para uma tal SP Arte, ou por extenso Feira Internacional de Artes de São Paulo 2008, em sua quarta edição, que começou na quinta e terminou ontem no Pavilhão da Bienal, no Ibirapuera. Eu só fiquei sabendo por conta de um amigo que percorreu 450 quilômetros do Rio para cá a fim de conferir o troço, uma espécie de reunião estrelada de galerias de arte brasileiras e sul-americanas. Pois bem, nunca vi nada igual, nunca experimentei nada parecido. Pra quem não consegue juntar dinheiro nem pra comprar um HD externo de 500 pratas e estava lá a passeio, pensei que poderia encarar o evento como se fosse uma ida tranqüila a museu num sabadão à tarde. Ah, a jequice de quem não tem grana. Nenhum passeio cultural de qualquer tipo me preparou para aquilo. Imagine uma visita a um museu em que você pode pegar os quadros, esculturas e instalações, mexer, virar de um lado e do outro, olhar contra a luz, mudar coisas de lugar, etc. Imagine fazer isso com obras de Amílcar, Lygia Clark, Torres-García (pra contar para os netos: "eu segurei um Torres-García nas mãos!"), Oiticica, Basquiat, Mira Schendel, Soto, muitos Sotos, etc infindável. Imagine entrar num estande e dar de cara com uma parede oferecendo cinco grandes têmperas do Volpi para venda. Imagine virar de lado e trombar com três Iberês a vinte centímetros de distância. Ou ver um casal perguntando ao galerista, numa parede forrada de Portinaris e Dis e Anitas, quando custava "aquele Guinardzinho ali?". E segue a lista, uma linotipia da Mira por 7 mil dólares, um daqueles pendurados do Oiticica por 400 mil reais, um Torres-García por 470 mil reais, um bicho imenso da Lygia, que você podia mexer e conferir as articulações, por 1 milhão de dólares. E fotos do Sebastião Salgado, e aqueles chocolates do Vic Muniz, e muitos Barsottis, Fiaminghis, Sacilottos. E ver outro casal sacar um talãozinho simples e lascar uma assinatura pollockiana num cheque de 50 mil por um Palatnik. Imagine, por fim e como cereja do bolo, no lugar das gostosas descerebradas que enfeitam os estandes do Salão do Automóvel, gostosas cultivadas que sabem a diferença entre um cinzel e um buril e prometem delícias estéticas sob uma fachada de austeridade e recato universitários. Imaginou? Apresse-se, então: eu já reservei ingresso para a edição de 2009.
13:26:17 - Zeno - 8 comentários

26 Abril

Houve uma vez um outro hipopótamo



Criatividade é isso. Nosso Peter War achou familiar o novo leiaute e nos desmascarou.

Captcha, AP, Iarart e, last but not least, Janaína Leite, além das demais interessadas: estamos abrindo concurso para ajudantes de palco, ditas "zenetes", ou talvez "hipetes". Fotos artísticas, porém de corpo inteiro, por favor.
19:08:58 - Pinto - 6 comentários

24 Abril

18 aninhos



O telescópio Hubble completa hoje sua maioridade tendo visto muita coisa nessa vida. Para marcar a data, um pequeno vídeo sobre um dos seus grandes entusiastas, Carl Sagan, com seu Pálido Ponto Azul.

Me lembro de acordar cedo nas manhãs de domingo e assistir maravilhado ao "Cosmos". Por causa disso, tenho dele todos os livros (o mais recente leio neste momento, trazido da Amazon a 10 dólares, que a veneranda Cia. das Letras o vende aqui por 59 reais) e mantenho instalado nos computadores que uso o SETI@home.

Sagan morreu em 20 de dezembro de 1996 e, a despeito dos seus esforços, o mundo ficou ainda mais assombrado por demônios desde então. Já a Globo cativa a juventude nas manhãs de domingo com o programa "Auto Esporte".
21:23:04 - Pinto - 4 comentários

Marmita greco-ítalo-jundiaiense

Pra repetir o texto do Jorge Amado abaixo, agora que o Luxemburgo voltou merecidamente às páginas principais dos diários, gostaríamos de requentar uma marmita de janeiro de 2006, feita aqui na cozinha do brógue, com a renovada esperança de que o Luxa esteja desfrutando atualmente de acepipes italianos do Brás, Bexiga e Barrafunda:

A Grécia é aqui, ou melhor, em Jundiaí

Neste dias de verão inclemente, com os duzentos quilômetros de distância de São Paulo a ajudar na hora em que você semicerra os olhos, escuta as ondas e imagina estar no Mar Egeu, tivemos agora à noite a chance de acompanhar a emocionante partida entre Santos e Paulista de Jundiaí, pelo emocionante Campeonato Paulista (aliás, no igualmente emocionante Campeonato Carioca, ouvimos que o Flamengo está disputando o torneio com seu time B, o que suscitou o comentário de um especialista praieiro "Mas se os caras não têm nem Time A?"). Pois bem, entre uma canelada e um tropeção, entre um Uésley e e um Geílson (grafias a corrigir), ficamos pensando na peculiar situação de um dos ídolos aqui do blog, Vanderlei Luxemburgo, o Luxa, rei das manicures e dos azulejos dos vestiários mundo afora e atual técnico do Santos. Há algumas semanas, nosso herói jantava nababesca e merecidamente em algum restaurante bacanudo de Madrid, com panelas tocadas pelo clone do momento do Ferran Adrià e com mesas animadas que reuniam deputados, donos de canais de televisão, ex-Spice girls, empresários do ramo de maracutaias e as três novas bimbos do Ronaldinho Gorducho. Os deuses do futebol, sempre atentos, decidiram que era chegada a hora de mais um Trabalho na carreira do nosso Hércules. Qual herói grego, Luxa degusta nesta abafada noite de quinta-feira os acepipes da Churrascaria do Jorjão, no km 32 da Anhangüera, com um cardápio eclético que inclui também sushis empanados, pizzas cinco queijos e aquele camarãozinho fritinho na hora, com cada uma das sete barbas a lembrar a seu fígado que o destino (tyké, na língua divina) é mesmo folgazão. O aço inox das dificuldades e das bandejas do Jorjão forja os grandes titãs da mitologia.
19:21:34 - Zeno - Comentar

Teresa Batista, cansada mas de roupa nova

Agora que a obra do Jorge Amado volta ao mercado editorial em edições caprichadas da Companhia das Letras, a editora preferida do Pinto, rendamos a devida homenagem com uma lembrança do Ivan Lessa (Pasquim de fev/março de 1973):

"Li o novo romance de Jorge Amado. Uma porção de vezes. Há muito tempo".
10:21:56 - Zeno - 3 comentários

21 Abril

Damos o maiorrrrrapoio

Assista já!
11:00:00 - Pinto - 1 comentário

19 Abril

"Agora, quero ver tu fazer um cartum com essa merda de cor"

como era verde meu vale

(Da série: nunca provoque um profissional)

(crdt: Tacho, do inexcedível Planetacho)

08:09:11 - Zeno - 3 comentários

16 Abril

A mais completa tradução

Foi um amêgo do blogue, você não conhecem não, que, enquanto filosofava sobre canapés (!), deu a mais completa tradução presse Brasilzim de Meu Deus, e cito de memória:

Festa de pobre tem aqueles petiscos falsamente sofisticados com pretensão de ser chique. Festa de rico agora tem petiscos metidos a rústicos, "parecendo pobre" para amenizar o complexo de culpa.
12:01:30 - Pinto - Comentar

14 Abril

Carla, ma petite, j'arrive!

Suponho que a teoria dos seis graus de separação seja conhecida da audiência. Pois bem, graças à gentileza de nossa comentadora assídua AP, acabo de descobrir que sou amigo, vá lá, conhecido, de um sujeito que jantou com o pai da Carla Bruni na semana passada. Ou seja, entre mim e a Carlinha há agora apenas dois graus. Em semanas anteriores, um amigo mais próximo acabou fazendo amizade com o arroz de festa Vincent Cassel, o que me deixa também a dois graus da Monica Bellucci. Mais do que a constatação de que o mundo é uma grande Jundiaí, onde os seis graus pululariam a cada esquina, sou tomado pela mesma sensação que o Werther descrevia e o Barthes citava na abertura do livro sobre o discurso amoroso: "Nesses pensamentos, me abismo, sucumbo, sob a força dessas magníficas visões".

E boa segunda-feira pra vocês, também.
08:43:25 - Zeno - 7 comentários

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