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Zenices

Pensamentos de Zeno acrescidos de pérolas de igual verve vindas de procedência vária.


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11 Junho

Meninos, eu vi!

"Solidão, que poeira leve", cantarolava Tom Zé antes de ser transformado em personagem de si mesmo pelas artes da paulistanidade. Mas a digressão é só para dizer (confessar?) que, por pura solidão, e não por outro motivo, me flagrei ontem pela primeiríssima vez assistindo a "Irritando Fernanda Young". Máxima das máximas, a entrevistada da vez era ninguém menos que Adriane Galisteu.

Poucas vezes encontrei-me tão confuso, sem o menor referencial para divisar o que era o quê. Não conseguia mais reconhecer o que era sincero, o que não era. Galisteu, uma frase feita atrás da outra, citação literária a justificar qualquer platitude (e eram várias), fingia a burrice que deveras não sentia. E o espectador, coitado (no caso: eu) ficava sem saber onde terminava um e começava o outro sentimento, nem qual dos dois era o mais verdadeiro ou menos estudado.

O hipertexto do hipertexto! A metalinguagem da metalinguagem! Alguém me acuda!

Fernanda Young, falando seu patuá gay, transitava entre a tiração de sarro com a entrevista e tudo o mais (cenário, audiência, intervenções à Ionesco no programa) e a tietagem, que de tão artificial já nem parecia falsa. Era tudo comigo, que duvidava se aquilo não seria à vera? Era com a senhora dona de casa, que a tudo assistia crédula? Era com a entrevistada que equivocadamente se achava "em si", ou seria com a mesma entrevistada, que por sua vez também entrara na onda e interpretava o postiço do postiço? Era consigo, que esticara até ali seu humorismo de constrangimento?

Uma sucessão sem fim (NdaR: boa aliteração!) de matrioshkas e vocês aqui com conversa de Bach!? Sabe quantos views —a nova chancela absoluta e inconteste da qualidade— esse negócio vai findar tendo no YouTube, malandro?

Em suma: uma superposição de suposições (NdaR: boa de novo!) que não deixava certeza sobre certeza nem muito menos dúvida sobre dúvida. Um feito acadêmico tornado popular. Uma peça de genialidade para as massas, portanto, concentrada em 30 minutos de televisão. O nada primordial? Ou o tudo interconectado? Bestial, como diriam em ultramar. E algum dia voltaremos à nossa programação normal, e o meu queixo ao local de sempre, se é que agora isso é possível.

Prólogo bônus track: na próxima semana, parafraseando o tresloucado professor de mitologia, personagem de Agildo Ribeiro, vamos abordar aqui o caso da revista Rolling Stone brasileira, que estampou em sua capa uma foto de uma banda de "rock politicamente correto" (??) pelada, seguramente por artes de seu conselheiro editorial (NdaR: significa?), impressionado com algo além da enorme vendagem de CDs —antigo referencial absoluto e inconteste de qualidade— que os efebos obtêm tocando a merda daquelas músicas. Deixa só o Ciro Gomes tomar conhecimento disso.
12:00:07 - Pinto -

All The News That's Fit to Print

Press release que acabou de entrar na minha caixa postal:

"Ê São Paulo... São Paulo Terra boa, São Paulo da Garoa...

As mulheres de São Paulo são notadas pela sua elegância e competência profissional, as mulheres de São Paulo são acima de tudo inteligentes e antenadas com o seu tempo, com o seu corpo e com o seu espaço.

Últimos dias e últimas vagas para o Workshop de Sahajôli - Pompoarismo em São Paulo.

LOCAL:..."

Lôco, né?
10:48:22 - DJ Mandacaru -

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