:: home :: posts passados :: etilíricas :: je me souviens :: microcontos ::


Filmes esquisitos

Nós gostamos mesmo é do escurinho.


.:: mês anterior :: :: :: :: August 2008 :: :: :: :: próximo mês ::.

20 Agosto

Serviço de utilidade pública cinetílica

Uni dune tê salame minguê

Numa das mãos, uma garrafa do doce e confiável Chivas, que acompanha sua família há anos e que não sai por menos de 110, 120 pratas. Na outra mão, a chance de comprar o box com a trilogia Bourne e levar pra casa duas obras-primas absolutas do cinema contemporâneo (o 1 e o 3). Mas custa 70 pratas ou mais, dependendo da loja. Como escolher? Put your hands together, my friend. À venda nas melhores casas de secos e molhados, uma combinação mezzo estapafúrdia de filme e álcool, juntando os dois itens acima e que sai pelo preço de 100 reais, um negocião. Tem também o combo uísque + trilogia Poderoso Chefão, mas esta última todo mundo já bebeu, digeriu e degustou há muito tempo. Vá de Bourne, mesmo: sente-se no sofá com as pedras ou o copinho na mão, estique os joelhos e tente entender que diabo de linguagem fílmica nova é essa que a trilogia propõe. Rende também os divertidos jogos de salão "Quantos cortes há por minuto na Parte 3?" e o "Jogo das Sete Diferenças entre Cenas Semelhantes em Cada Filme".
18:55:32 - Zeno - 14 comentários

06 Agosto

Catadão sobre Batman, O Cavaleiro das Trevas (2008)

Agora que os críticos de cinema de Indaiatuba e do resto do mundo aprovaram financeira e majoritariamente o filme, vale uns pitacos:

--tudo bem que o Coringa seja a melhor coisa do filme, mas precisava anular quase completamente o herói? Donde outras questões: alguém viu o Batman no filme? Ele fez alguma coisa de relevante? Alguma ação sensacional, dessas que se espera de um super-herói e que vemos à profusão em outros filmes baseados em gibis DC ou Marvel?
--sumiram com Gotham, também, que virou Chicago ou Londres.
--donde o corolário: parece um ótimo filme de psicopata amedrontando uma cidade real. Se tirassem o Batman e pusessem um tira ou detetive à paisana, daria no mesmo.
--é muito melhor que o primeiro, a baboseira Batman Begins? Ô se é. Mas aí a régua é muito baixa. E como esse diretor Nolan nunca fez nada que prestasse, seria estranho que ele se redimisse num estalo movido a 185 milhões de dólares. Daí, por exemplo, as decupagens horrorosas das lutas físicas, chochas e abandonando o estilo edita-rápido-que-ninguém-vai-entender-mesmo do primeiro. E editar mal uma luta depois da lição memorável dada pela trilogia Bourne e pelo novo Bond é incompetência ou preguiça.
--não sou viúva dos dois filmes do Tim Burton, que primavam mais pela direção de arte que pelo roteiro ou pela mão do diretor, mas senti falta da tal "atmosfera" gótica que ele tão bem imprimiu aos filmes e que combina às maravilhas com o personagem do morcegão.
--o roteiro confunde riqueza com imprecisão e comete deslizes inaceitáveis: todo o plot inicial dos chefões da máfia, culminando com o seqüestro do chinês, é deixado de lado durante dois terços do filme para reaparecer meio aos trancos perto do final (quando vemos novamente o chefão chinês preso, a reação é "Puxa, olha aquele cara ali que tinha sumido da história!").
--e, finalmente, Christian Bale. Aí não tem jeito, mesmo. Ele abandonou o biquinho do primeiro filme, mas a voz continua a mesma (modificada digitalmente? Porque não é possível que aquilo tenha sido "escolha do ator"). Incomoda tanto que o grande diálogo dos dois, com o Curinga pendurado, quase afunda por conta das respostas do herói ditas daquele jeito. Nem como Bruce Wayne ele convence, e olha que basta um terno bem cortado e um guaraná imitando scotch na mão.
--implicâncias finais: aquela máscara, inventada no primeiro e com um desenho redondo (!) para a boca+queixo e pontudo (!) para o nariz, é decididamente infeliz, e o batmóvel modelito humvee, também herdado do primeiro, é um acinte à tradição de design dos modelos anteriores, tanto nos gibis quanto nos seriados e filmes.

O curioso é que a sensação que permanece quando saímos da sala é a de ter visto um filme que agradou, muito até, claro que por conta de um personagem maior que tudo, movido pela idéia magnífica da ausência de sentido nos atos e motivações – e as explicações "psicológicas" que se auto-desmontam são a cereja de um bolo pro qual não há como não tirar o chapéu. Na somatória: 10 pro Curinga/Ledger, 10 pros coadjuvantes de luxo, zero pro Bale, cincão pro diretor e pro irmão roteirista e estamos conversados.
12:12:46 - Zeno - 9 comentários

.:: mês anterior :: :: :: :: August 2008 :: :: :: :: próximo mês ::.