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Tectum Intuentes

Ociosidade produtiva - textos reflexivos, anotações íntimas, sacanagens e demais ressentimentos.


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27 Setembro

Poesia para alegrar o dia

Ó carnes que eu amei sangrentamente,
Ó volúpias letais e dolorosas,
Essências de heliotropos e de rosas
De essência morna, tropical, dolente…

Carnes virgens e tépidas do Oriente
Do Sonho e das Estrelas fabulosas,
Carnes acerbas e maravilhosas,
Tentadoras do sol intensamente…

Passai, dilaceradas pelos zeros,
Através dos profundos pesadelos
Que me apunhalam de mortais horrores…

Passai, passai, desfeitas em tormentos,
Em lágrimas, em prantos, em lamentos,
Em ais, em luto, em convulsões, em cores…

—Cruz e Sousa, Dilacerações, in "Broquéis".
10:30:00 - Pinto - Comentar

26 Setembro

Madrid

Netuno
Difícil explicar, mas acho que nasci aqui. Ou algo assim.
22:19:12 - Sorel - 2 comentários

17 Setembro

Quadrinhas sociais e democráticas

Foi durante a propaganda
Que nosso amor chegou ao fim
Ela disse que me amava
Que nem o Serra ama o Alckmin.

Foi tal a desolação
Eu vi a morte de perto
Agora vou ser solteirão
Convicto que nem o Gilberto.
21:19:41 - Pinto - 4 comentários

A pausa que refresca

Gênio absoluto

Nossa ignorância só não é maior que nossa vontade de saná-la, ainda que à tardinha. Topamos com isso aí em cima na Livraria Cultura, ao salgado preço de 70 pratas por cada, mas como sai por trinta doletas lá nos States, o "câmbio-livro" até que está camarada. Os caras da tal Fantagraphics estão editando todas, repetindo, todas as tiras do Schulz, num megaprojeto iniciado em 2004 e previsto para terminar em 2016, com um total de 25 volumes publicados. Os dez primeiros já saíram, cobrindo os anos de 1950 a 1970. Se nem é preciso dizer que o Schulz foi o maior gênio da ingrata arte seqüencial, vale então um jemesouveio rápido: por conta de um amontoado de edições porqueiras nacionais, com os direitos pulando de editora em editora com desleixos maiores ou menores, passei boa parte dos meus vinte anos caçando as diferentes edições em sebos, xerocando (!) as de amigos e abnegados, comprando o que aparecia de novo, etc. Guardo até hoje, num canto da estante, os gibis, as pilhas de xerox e uma caixa de plástico com as tiras soltas, recortadas do Jornal da Tarde do início dos anos oitenta. Tinha, então, a firme crença de que aquilo não era só uma boa, ou ótima, tirinha em quadrinhos. Era uma porta de entrada privilegiada para questões filosóficas, um modo de ver o mundo com uma pertinência que me parecia insuperável. Há tempos não leio Schulz, mas a crença continua firme. Sei que ele não me desapontará.
12:26:44 - Zeno - 2 comentários

09 Setembro

Modéstia, thy name is ...

Dias atrás, quando do início da campanha eleitoral pelo rádio, ouço a querida voz do querido Paulo, Il Maluf, a dizer: "Pitta, Marta e Kassab gastaram zxwtsr milhões de dólares e não fizeram nada. Eu, com spkhj milhões, vou fazer a freeway". Penso com os botões do dial: "Err, seria melhor que ele não incluísse o Pitta na lista, por razões óbvias". Dias depois, a campanha muda e a frase passa a ser: "Marta, Alckmin e Kassab gastaram zxwtsr milhões de dólares", etc.

Os dias passam, ouço os jingles do Kassab e duas coisas saltam aos ouvidos: não dava pra entender patavina do que diziam, por conta da velocidade da cantoria, e havia uma pobreza evidente em tentar encaixar as "mensagens" eleitorais dentro do esquema rígido de rima, que consistia exclusivamente em "... ele sabe" e Kassab. Mais uns dias, outra mudança: as canções se tornam mais lentas, as referências à Marta mais claras, e as rimas agora obedecem a um esquema muito mais livre, já que aceitam qualquer verbo ou substantivo terminado em I ou IR – pra rimar com o bordão "Deixa o homem aÍ".

Por último, o problema da obrigatoriedade de mencionar os partidos que formam as diferentes coligações: "PB/PM/PBT/PMN/PQP/PRR/PSI" etc, com as siglas espremidas em fração de segundo e o pitch da voz distorcido e deselegante. Como um Nizan iluminado, dou mentalmente o pitaco: "Por que não usar os nomes poéticos, artísticos das coligações, muito mais curtos e eficazes, "São Paulo mais justa", "O amanhecer bandeirante", "Urna sagrada", etc? Ontem, novamente no rádio, ouço a idéia sendo posta em prática.

Donde o corolário: por que caralho ninguém nos chamou pra coordenar uma campanha política? Olha que 1) tem neguim na redação com experiência internacional de campanha (em Belém, terra natal de Jesus e da Joelma), 2) tem neguim na redação com experiência internacional de lavagem de dinheiro (um ex-publicitário ex-arrependido), 3) tem neguim na redação com experiência musical pros jingles e refrões, 4) tem até neguim pra dar pitaco abalizado em questões urbanístico-planejamentais, porquanto se trata de uma eleição municipal. De lambuja, temos como conselheiro alguém entendido em calotes de campanha, o nosso Ricardo Soares, que não vê a cor do dinheiro há anos mas faz um barulho danado.

Para combater o imponderável de uma eleição, Hipopótamo Zeno é a solução. Ou ainda: Inseguro com o pleito? Faça com o Zeno, faça direito.
11:35:48 - Zeno - 1 comentário

03 Setembro

Como diria o arquiteto Christian Fittipaldi,...

... este aqui a gente rrriicomenda, com jabá e tudo. Deu na Inbox:

Arquitetura Contemporânea e Cidade Global
Curso com Guilherme Wisnik

"Uma discussão de temas fundamentais da arquitetura contemporânea, como as transições artesanato-indústria-espetáculo midiático; a aproximação entre a arquitetura e a arte contemporânea a partir dos conceitos de 'informe' e de 'formalismo'; e a crise da cidade, apontando para a separação entre um mundo de favelas e trabalho informal, e os 'paraísos artificiais' das cidades-resort."

O programa e os horários estão no Leia Mais. [Leia mais!]
07:42:45 - Zeno - 3 comentários

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