:: home :: posts passados :: etilíricas :: je me souviens :: microcontos ::


Tectum Intuentes

Ociosidade produtiva - textos reflexivos, anotações íntimas, sacanagens e demais ressentimentos.


.:: mês anterior :: :: :: :: October 2008 :: :: :: :: próximo mês ::.

29 Outubro

As artes cênicas e a justiça no mundo

08:47:17 - Zeno - 24 comentários

21 Outubro

De cheiros bons e ruins

"O relativismo é uma completa asneira". Ele se refere à noção esquerdista de que tudo é cultura e tudo é subjetivo (exceto, é claro, a crença esquerdista de que tudo é subjetivo, que em é em si mesma objetiva). (...) "A visão realitivista extrema se deve aos sociólogos que têm inveja da física. Todas as não ciências, as 'ciências sociais' (ele mal se dá o trabalho de rolar os olhos para descartá-las) têm simplesmente inveja das ciências duras. Eles gostariam muito de reduzir a ciência real ao nível patético de seus estudos, porque isso lhes daria um sentimento mais satisfatório sobre a sua vida inútil. Assim eles nos dizem: 'Como vocês, rapazes, em certo ponto disseram que o Sol girava ao redor da Terra e agora dizem o oposto, por que devemos acreditar em vocês? O que significa que eles estão completamente cegos para toda a idéia da ciência —que não é, em si mesma, novidade para ninguém. Como diz um amigo meu, na fiosofia não há dados novos. Na ciência, eles existem. Isto é o que interessa: com novos dados, muda-se de opinião."

De O imperador do olfato — Uma história de perfume e obsessão, de Chandler Burr.
20:18:40 - Pinto - Comentar

15 Outubro

Mudando de assunto mais uma vez

Eu me lembro mais ou menos de um poema do Borges em que ele agradecia ao sono por nos dar uma ilusão de recomeço a cada manhã. Eu, que ando nos últimos anos com uma insônia brabíssima, que acrescenta à minha calvície e à minha barriga largas faixas escuras embaixo dos olhos, pensei que o único equivalente a meu alcance é o corte de cabelo. Cada vez que falo pro sujeito "Passa a máquina", sinto um começo de esperança, de renovação, possibilidades zeradas e infinitas (com uma ponta de angústia, até), e a calçada em frente ao barbeiro é testemunha de um novo sujeito recém-jogado no mundo. Acho que o Hegel chamava isso de Entäusserung, ou então é aquilo que o Heidegger entendia por Entworfenheit. Não sei a opinião do meu barbeiro a respeito, mas vou descobrir.
13:17:17 - Zeno - 5 comentários

12 Outubro

O país da piada pronta



Roubaram nosso título. E os roteiristas nem estão mais em greve.

PS: A Tina tá demais, não tá?
11:01:53 - Sorel - 1 comentário

10 Outubro

Det vät jag inte

A frase da semana é de autoria de Mino Carta, em seu blogue redivivo:

"O ombudsman da Folha escreve em sueco".
11:32:47 - Pinto - Comentar

04 Outubro

Hamlet (Aderbal Freire-Filho, Wagner Moura, 2008)

Pra retomar o mote do filme do Meirelles, vi e gostei. No catadão das qualidades e defeitos, é inevitável que qualquer montagem de Hamlet, mais ou menos feliz, não desperte em nós a sensação de que esse texto é um transatlântico, um boeing imenso, difícil de manobrar, as chances de desandar são tantas, as dificuldades de manter o navio o tempo todo à tona, maiores ainda. Nesse sentido, irregular como é, a montagem Aderbal/Moura sai ao final com o placar favorável. A peça é inteiramente carregada por Moura, e a gente lamenta que os demais personagens tenham perdido espessura, por conta de decisão autoral ou incapacidade de elenco, mesmo, porque o ganho com algum tipo de contraponto, qualquer um, a Hamlet faria um bem danado ao espetáculo. Pelo menos sai-se com a confirmação de que esse Moura é bom ator, atorzão à beça, e suas costas e expressões dão conta da duríssima empreitada. O ator que faz um Polônio pra lá de maneirista também cativa a atenção, e o restante do elenco se segura sem entusiasmar. Ruim, mesmo, só o Tonico Pereira/Cláudio, ligado em piloto automático e preguiçoso. Mas é sempre um prazer reencontrar aquelas frases que zanzam em nossas cabeças desde sempre, ditas mais uma vez e mais uma vez, seja em São Paulo ou em Berlim. O "estar preparado é tudo", por exemplo, ficou sensacional. Outro momento felicíssimo foi a seqüência da primeira aparição da trupe de atores (2,II), quando eles declamam a cena de Dido e Enéias sobre o assassinato de Príamo: todos os atores interagindo, edifícios verbais sendo construídos, era impossível deixar de olhar pro palco e vê-los em plena forma – puro prazer teatral. [e uma observação marginal, a ser investigada: como fazia tempo que não lia/ouvia/via a peça, e como há pouquíssimo tempo estive mergulhado em leituras do Macbeth, fiquei espantado em topar com dezenas de coincidências, cenas, frases, situações semelhantes em uma e outra peça. É provável que mais de uma dúzia de discípulos do Kenneth Muir já tenha deitado e rolado sobre isso em algum número empoeirado da Shakespeare Survey; a ver]

Voltando ao Wagner Moura, não vejo problema nenhum na opção por um Hamlet enérgico e vibrante – se não por nada, porque nos afasta daquela canastrice horrorosa, Laurence Olivier puxando a fila, dos intérpretes ensimesmados, psicanalisados, paralisados e outros ados que se queira. Mas a energia e a vibração só funcionam se bem dosadas, entremeadas por pausas que amplifiquem seus efeitos, e o pecado maior da montagem talvez esteja justamente neste ataque o tempo todo em registro alto, altíssimo, sem sutileza. Nos poucos momentos em que esta última aparece, sorrimos e apreciamos muito mais os arroubos que invariavelmente se sucederão.

No restante do saldo, os figurinos são sensacionais, a luz é preguiçosa, o cenário funciona mas abre mão de explorar mais os espaços do palco – toda a parte de trás é omitida, a ação transcorre num pedaço mínimo de palco, Hamlet pocket, o que é uma doideira se pensarmos nas Fúrias que atravessam quase todas as cenas. A cereja final no bolo fica por conta da tietagem do público junto ao Moura: ontem, sexta, havia umas trinta ou quarenta adolescentes histéricas à espera que ele saísse do camarim, depois da peça, para dar autógrafos e posar para as inescapáveis fotos de celular. Nunca tinha visto coisa igual. Achei que fosse por conta do Tropa de Elite, mas fui alertado sobre seu sucesso recente numa novela das oito. Deve ser o mais próximo de uma estrela hollywoodiana disponível em terras nacionais. Bom pra ele, que vai conseguir lançar ao mar outros transatlânticos assim.
11:03:20 - Zeno - 2 comentários

03 Outubro

microcosmos

wetube

uma das mais precisas coisas que se percebe no japão e' a pequenez das nossas desditas ze'lites, e por consequencia de no's mesmos, que não as derrubamos, nem que seja a tiros.
pois um sentimento meio amargo aflora aqui, vendo a qualidade, prestreza e simplicidade c/ que resolvem tudo.
e como conseguem, c/ terremotos, incendios, taifus (typhoons..., 2o a imaginativa maneira deles antropofagarem qqer li'ngua), ocidentalizações na marra, se reconstruir sempre, cada vez mais colocando gente nas devidas condições de vida.

pois vendo daqui, via internet, a dimensão da m. que esta' aprontando o tar do gilmer dasmen e equipe, os enxutos movimentos, objetos e lugares daqui viram coisas de gigantes.
e, pior, acessi'veis ate' a qualquer anta, iscrusive esta aqui.

esqueçam as imagens tradicionais, povo duro, silencioso, ri'gido, conservador, essas coisas que os comparam a formigas.
formigas somos no's. [Leia mais!]

.:: mês anterior :: :: :: :: October 2008 :: :: :: :: próximo mês ::.