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...ou então miojo

Nossas impressões sobre as cozinhas do mundo - a contrapartida sólida da Busca do Graal.


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29 Outubro

Anita

À falta do que mais fazer e de qualquer referência própria (de estilo, gastronomia, arquitetura ou apenas de decência), a míjia paulistana agora resolveu batizar aquele miolo de Xixienópolis, entre o cemitério da Consolação e a Angélica, de "Consoleta", aludindo à Recoleta portenha. Depois acham ruim serem chamados de macaquitos... À parte o deslumbramento —que não tem (?) a ver com aquela freguesia— e o atrativo para os leitores da Invejinha, há ali uma profusão de restaurantes bons e outros nem tanto. O recém-inaugurado Anita figura entre os primeiros.

Fica na Mato Grosso e é facilmente identificável por um toldo e uma televisão-de-cachorro na porta. De lá sai um perfume de galeto que toma conta do salão decorado com uma elegância que evidencia uma certa contenção de despesas. Os três sócios da casa, soube, são egressos do D.O.M., mas felizmente abdicaram de praticar experiências moleculares empertigadas e em vez disso estão servido refeição simples e decente mesmo, e a preço justo.

O tal galeto não me decepcionou, mas o aroma superou o sabor, um fenômeno comum também aos perus e pernis desta época do ano. Já a batatinha que fica sob os espetos aparando os pingos de gordura... Comi um prosaico filé com mostarda, este sim, que estava proverbial, além de um risoto (de lingüiça) acima da média. O filé à parmegiana não estava mal, embora sobrasse gordura no molho, e teria servido bem um Obelix da vida. O serviço ainda é confuso, mas solícito. O almoço de sexta é animadíssimo porque é dia de feira livre na rua, então que ninguém espere um ambiente exatamente contemplativo na hora de comer. Não abrem às segundas e nem aos sábados para almoço, mas desconfio que vão ter que rever isso logo.

Nota: 8,5 miojos.
21:49:31 - Pinto -

26 Outubro

Restaurante Tantra

Não se trata extatamente de uma resenha, mas antes de um disclaimer: nunca antes na história deste país havia comido tão mal, num lugar tão postiço, com um serviço tão ruim, por um preço tão alto. O recinto, que se intitula um "Mongolian Grill", fica na Vila Olímpia (onde mais?), ganha bom espaço nas revistas que celebram "estilo de vida" (onde mais?) e se apresenta como restaurante temático com pretensões erótico-new-ageanas (onde mais?). Tudo contra esse tipo de local, tudo contra o preço exorbitante, mas pelo menos que houvesse alguma fruição. Só caí na arapuca por injunções familiares que não valiam o preço de uma rebelião, mas agora tenho certeza do contrário. Como não desejo o mal a (quase) ninguém que visita este blogue, relato o que vivi. Quem sabe outras almas sejam poupadas do infortúnio.

Passava de meio-dia e dos 35 graus e os únicos comensais eram garçons almoçando numa animada mesa no centro do salão, prontamente desfeita na nossa chegada. O calor mongol não inspirou ninguém da casa a subir os toldos —suponho que na Mongólia não haja ar-condicionado—, de modo que o ambiente era o de uma estufa. Casa típica é isso aí. Fazendo as vezes de grill, suponho, uma grande chapa de aço, como nas melhores lanchonetes de rua. Achamos, pois, descabido o valor de R$ 56 para degustar "grelhados" absolutamente banais, numa péssima apresentação, e decidimos arriscar em outras opções. O prato "vegetariano", "uma mistura de cogumelos selvagens", era na verdade um miojo misturado a uns míseros shimeji da variedade branca, a mais ordinária, e uma quantidade tal de alecrim que o tornava incomestível. Ao pedido de um pouco de pimenta do reino para tentar mascarar o sabor do nada, o garçon negou-se e deixou claro que se quiséssemos a pimenta deveríamos ir buscá-la na mesa de grelhados. Meu "cordeiro tandoori" era mais nervos do que carne, coberto com um molho tão salgado que mal deixava espaço para o sabor do curry. Não tive ânimo de provar um outro filé não-sei-das-quantas, que pelo menos foi ingerido sem reclamações.

Ah, sim: por todo o lugar havia cartazes anunciando shiatsu, produtos com a grife Tantra e, melhor ainda, a possibilidade de você se tornar um franqueado do restaurante.

Tempo de espera: uns 45 minutos, embora o restaurante estivesse vazio até então. Bom para os donos da casa, que serviram umas fatias de pão com três molhos sensaborosos, a mais de 8 reais por cabeça, a título de entrada. Aproveitando o mote do erotismo, podiam batizar aquilo lá de "Só a cabecinha", ou algo assim. Resultado: uma conta de mais de 200 reais, sem bebidas alcoólicas, sobremesa ou café, e aquela sensação: se foi bom para alguém não foi para mim.

Nota: zero miojo. Fique em casa e prepare um: vai ficar melhor, vai pesar menos no bolso e você não haverá se sentir vítima de sexo não consentido.
17:49:37 - Pinto -

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