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Filmes esquisitos

Nós gostamos mesmo é do escurinho.


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25 Março

Sei lá, mil coisas




23:59:35 - Sorel - 2 comentários

22 Março

A Troca (The Changeling, 2008)

Aproveitando o gancho do outro filme do Clint, resenhado abaixo, e já que a gente usou o recurso algumas outras vezes, vamos lá:

O bra pri ma.

Não é à toa que ele, Mestre Clint, tem sido o melhor diretor americano em atividade já faz uns bons trinta anos. Algumas notas soltas:

O filme tem duas horas e passa, mas não se vê gordura alguma, antes o contrário: há cenas em que você pensa "Não, saia daí, o filme vai se arrastar se for por esse caminho!", e aí bum, o troço mostra outra faceta e você sorri "Burro fui eu, de achar que ele cairia na armadilha", o que lembra aquela observação do Adorno sobre Proust, cuja suprema qualidade seria poupar os leitores de se sentirem mais inteligentes que o autor. Como em toda grande obra, as armadilhas são sempre auto-impostas, e cabe a nós julgar se o filme se saiu bem delas, o que é quase um truísmo no caso do Clint.

Não sei se já fizeram a relação (o filme está em cartaz há um tempão), mas outra lembrança que passou foi o parentesco do filme com a tradição do Hammett e do Chandler, ainda que por vias oblíquas. Lá pelas tantas, quando cai a ficha de que um dos assuntos do filme, mesmo que não o principal, é o comentário sobre a estrutura de poder da polícia de Los Angeles, é possível resgatar da lembrança o "Chave de Vidro", do Hammett, em que a descoberta do crime era tão importante quanto a descrição do funcionamento corrupto da Promotoria e de outras instâncias de poder jurídico-policialescas. Aliás, no mesmo assunto, vale um curso inteiro de cinema a comparação entre a cena em San Quentin e o final do filme pilantrão do idem Lars Von Trier naquele filme com a Björk.

Há um comentário en passant de um dos personagens que diz que as pessoas gostam de happy endings. Como é baseado numa história real, é evidente que a armadilha (mais uma) do "Como acabou?" está lá, à espreita. Não é dos menores méritos do filme a maneira com que se safa de mais essa.

Pra arrematar as notas soltas, não sei de diretor contemporâneo que consiga enquadrar as cenas como Mestre Clint. Pra que não o acusem de formalista, segue a outra constatação: não sei de diretor contemporâneo que tenha feito com que eu realmente sofresse com a história e torcesse os dedos nas antecipações das catástrofes, o que talvez seja um mérito compartilhado com o roteirista. Forma e conteúdo reunidas de modo imanente, é o que aprendemos nos manuais.
21:45:22 - Zeno - 45 comentários

21 Março

Resenha de quatro palavras

Gran Torino

back to the future
20:13:00 - Sorel - 1 comentário

12 Março

planta brota em pedra

contra bão é a favor de outra

fazendo quasemudo
talvez munde

questão de tempo
ou rede
ou gesta

01 Março

Cine Torrent News Update

Estou com o cabôco Rubens Ewald manifestado aqui (antes ele que o exu do Zé Wilker) e tenho a declarar o seguinte, zinfios:

1. O que achei de Slumdog Millionaire, e não consegui expressar direito, a sempre acima de média Ana Paula Sousa, da CartaCapital, escreveu esta semana: tem graça na primeira metade e depois vira refém da própria fórmula. Um aceno política e economicamente correto para a Índia, com direito a média com a muçulmanidade. Sempre me lembro de Bhopal nessas ocasiões. No entanto, a trilha sonora não sai da minha eletrola. Alá é grande e A. R. Rahman vai para o trono.

2. Kate Winslet, abençoados sejam seus seios naturais, já disse a Oprah, mas atriz mesmo é Meryl Streep, em Dúvida e sem dúvida. A eterna mocinha do Titanic levou porque O Leitor, filme por filme, é superior ao primeiro, um enredo chochinho que funciona como pretexto de boa direção, fotografia e caracterização de época, e terreiro para dois cavalos-de-santo: a dita Streep e Philip Seymour Hoffman. Kate, vista a roupa, meu bem.

3. Valquíria tem um mérito. Não deixar mais dúvida sobre a canastrice cientológica e antológica de Tom Cruise, só não superada pelo rapaz que faz o Hitler e, como o próprio, deve ser condenado ao desprezo perpétuo. Como filme até que empolga, mesmo sabendo-se de antemão que é o mocinho, e não o bandido, quem morre no fim.

4. Milk, não. Sean Penn. Per brindare a un encontro... Cavalo-de-santa, no caso. Ou de Sant. Gus Van Sant. Belo filme. Mas Frank Langella em Frost/Nixon, outro obliterante caso de entidade mediúnica, também vale a vista e os confetes. Pode não ter todo o glitter lácteo, mas ainda conta com o ar da graça de Rebecca Hall, ladies and gentlemen.

5. A propósito, O casamento de Raquel é Johnathan Demme tentando ser Bergman. Prefira sempre o original sueco, mas eis aí um belo roteiro e uma direção exímia. Somos discípulos de Anne Hathaway como fomos de Debra Winger, de quem a idade não cobrou tanto pedágio quanto as rodovias paulistas cobram de mim. Rosemarie DeWitt, a personagem do tíulo, tem uma semelhança tão grande com a Debra Winger dos áureos tempos que seria o caso de um Oscar para a categoria casting. Fica a sugestão para a Academia.

6. Wall-E. Aquilo mesmo foi feito pela Disney? Preciso rever meus conceitos. Uma semana nos parques da Flórida não me faria mal.

7. O ninho vazio, do nosso nunca, jamais devidamente festejado Daniel Burman,que não larga mão do seu xará Daniel Hendler, agora como co-roteirista. O casal não foi convidado para a festa do Oscar sabe-se lá por quê, mas o filme é tão bom que, a alturas tantas, quando vai ficando ruim, volta num átimo a ser muito bom. Cecilia Roth é minha pastora, nada me faltará.

8. Forrest Benjamin Button. Tenho preguiça até de escrever o título inteiro, que dirá de ver a película.

9. Instado por um amêgo meu, vocês não conhecem, não —e falando em sueco—, vi Let The Right One In e em verdade vos digo: apesar do final um tanto démi-bouche (com os caninos de fora), não tem Crepúsculo que o ofusque. Vampiro sangue bom é ali. Kåre Hedebrant é a mais bela face masculina do cinema escandinavo desde Björn Andrésen e seu Tadzio de Morte em Veneza, de 1971 —e veja lá que a concorrência não tem sido mole. E essa menina Lina Leandersson é o que antigamente se chamava de monstro das artes cênicas, com duplo sentido.

E agora, se me dão licença, vou ali cantar pra subir.
00:46:35 - Pinto - 6 comentários

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