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...ou então miojo

Nossas impressões sobre as cozinhas do mundo - a contrapartida sólida da Busca do Graal.


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25 Agosto

Bueno

Achei meio caro o de R$ 26, 00

Pela primeira vez um restaurante é resenhado três vezes aqui no blog (o recorde anterior era do Chi Fu, duas vezes, o que demonstra o pendor oriental da casa). Para isso, foram necessários 3/5 da redação presentes à mesa. Sucintamente, pois:

-- a comida: como no finado A1 (nunca devidamente resenhado aqui, o melhor restaurante que freqüentei nos últimos anos), há aquelas porções variadas no balcão, esquema vapt vupt, que fazem a delícia dos mais afoitos. Beringela, carne de porco, kimchi (acelga apimentada), macarrão apimentado: muuuuito bons. O restante é só OK, incluindo a língua feita na hora que perde de dez, de cem, de mil, daquela preparada delicadamente pelo A1 (aliás, "delicadeza" é substantivo raro por aqui, influência quiçá do dono, ex-lutador de sumô). O mais criativo e inesperado é uma "caldeirada", três opções, com tempero impecável e que permite aos convivas, depois de terem degustado os ingredientes, enviar o troço de volta para a cozinha, pra mó de eles cozinharem um udon no caldo que sobrou.

-- a bebida: shochu. E basta. É o paraíso, mesmo que a 25 GL (não descobri se eles têm os de 40, realmente profissionais). Pra não falar do slogan da primeira garrafa bebida, shochu de centeio, que proclamava com orgulho: "It's better than delicious".

-- a fauna: como não gostar de um restaurante que oferece, na mesa ao lado da sua, 15 japonesas legítimas (não falavam uma palavra em português), embebidas em caipirinha, de microfone na mão, cantando os sucessos do Hit Parade de Tokio na semana passada? Como disse um conviva mais animado, em outra mesa ao lado da nossa, "é tudo pra casar - se elas já não fossem casadas".

Nota: 8 miojos, mas com o microfone na mão (ops) eu subo pra 9.

(Ah, sim, a foto acima, com as desculpas pela resolução, é do cardápio do restaurante. Boa sorte.)
21:15:12 - Zeno -

Eu gosto mesmo é do "etc."

faltou apenas a picanha

E o que dizer do misterioso "camarão" oculto?
19:54:41 - Zeno -

16 Agosto

Dalva e Dito

No desfecho do seu "Um banquete de palavras" (infelizmente esgotado aqui há alguns anos), Jean-François Revel elabora um enunciado que cito de memória: a busca pelos sabores mais simples os tornará cada vez mais sofisticados, inacessíveis e caros.

Dalva e Dito, o novo restaurante de Alex Atala, persegue à risca esse enunciado, sobretudo a última parte dele. Atala, seguramente o chef brasileiro de maior sucesso internacional, não precisa mais provar nada a ninguém. Seu D.O.M. frequenta por anos consecutivos listas dos melhores restaurantes mundiais ("É o pior dos melhores", diria um abusado amigo meu, vocês não conhecem, não). Logo, não se compreende por que a ênfase na (falsa) modéstia ao conceituar sua nova casa, dedicada ao "sabor genuinamente brasileiro": "recuperar tradições familiares", "despretensioso", "comfort food", "sem pagar tanto" e outras baboseiras. Expressões tão vazias (ou tão "autênticas", nesta acepção) quanto o pseudodespojamento do lugar.

O ambiente, assinado por outro festejado craque, Marcelo Rosenbaum, tem todo o mérito: é belíssimo e deixa os convivas à vontade sem requerer para um manual de instruções para tanto (o site profissa, aliás —repare no painel à Athos Bulcão que pontifica no local—, transpõe muito bem o restaurante para o mundo virtual). O projeto é, esse sim, algo tão bacana que quase trai sua proposta, senão porque é justamente a arquitetura o que permanece na memória depois da refeição. Um frango na brasa apenas bom, um filé correto, um leitão acima da média, mas "tudo trivial demais", como resumiu minha comensal, não sem acrescentar que a conta —cem reais per capita, sem as bebidas— passa longe da trivialidade. Isso tudo arrematado por um serviço atencioso, ainda que atrapalhado, e muito lento.

Pois é nesse entorno, em busca dessa simplicidade há muito perdida (ou jamais possuída, melhor dizendo), que acorrem personalidades mais ou menos conhecidas, parecendo egressas da mesma matriz fabril, com aquela expressão blasé de enfaro que deveria em tudo destoar da decantada proposta do Dalva e Dito, e no entanto não destoa: complementa-a e parece, paradoxalmente, o mais autêntico de tudo ali. À saída, uma fila de três veículos no (perdão, leitoes!) valet —uma BMW, um Porsche Cayenne e uma Ferrari— me trouxe de volta ao mundo real repondo nos seus devidos lugares, pelo menos na minha mente, o significado de palavras como "simplicidade", "pretensão" e "despojamento".

Nota: 6,0 miojos, pretendendo ser 10.
20:20:36 - Pinto -

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