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Zenices

Pensamentos de Zeno acrescidos de pérolas de igual verve vindas de procedência vária.


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17 Dezembro

Sedução, colorido, brinquedo de papel machê

Uma breve discussão com amigos publicitários por conta disso aqui me motivou a escrever as linhas abaixo.

Um dos argumentos centrais dos empresários da publicidade em defesa da sua atividade é o de que ela "informa". É o mesmo repetido por profissionais ou deslumbrados ou adestrados demais para exercer qualquer juízo crítico sobre como ganham a vida (Podem ganhá-la assim, é como eu mesmo ganho a minha, mas não me venham com esse papo de aranha). Seria por conta dos anúncios que nós, meros consumidores —alguém jamais ouviu num tal debate a palavra "cidadão", o conceito parece ser desconhecido da categoria—, estaríamos bem informados para tomar as decisões certas e finalmente executar o ato mais importante das nossas vidas: comprar (ou apertar o "Sim" na urna, caso tratemos aqui de propaganda eleitoral, mas abordemos este particular noutra ocasião).

E aí nada de controle social, limite ético ou qualquer outro tipo de "censura" à livre criação de profissionais que de mais a mais se equiparam a artistas. Já foram até socialmente tidos mais em conta há alguns anos, mas ainda assim. E eis que surgem baboseiras como o "autorregulamentatório" Conar e são produzidos anúncios perfeitos para a realidade brasileira: de carros que voam baixo a bebidas para serem consumidas "com moderação", passando por cigarros que, até pouco tempo atrás, eram raro prazer.

Muito bem.

Pois sé é para informar, o que fazem os publicitários abraçando essa tese tendo como alvo crianças que ainda não chegaram à idade da razão? Informando (veja bem, e não é sequer educando, uma vez que esse conceito também é alheio à atividade publicitária) bebês de fraldas? E olhe que não trago ao debate questões acessórias, mas não menos importantes, que levam à feitura de atentados como esse, iluminando a vida de pequenos cidadãos educados por babás televisivas.

Mas eis que o discurso repentinamente muda. Como num passe de mágica, quem antes apelava à razão informativa, quando confrontado com essa realidade, traz seus argumentos ao nível do sistema límbico e apela então à sedução, ao discurso amoroso, às ações "por impulso" para justificar qualquer uso, ou abuso, do metiê publicitário.

De novo: sedução, impulso, discurso amoroso —para crianças de menos de 12, 13 anos?

Na vida sem glamour do mundo aqui fora esse papo daria cadeia, sem direito à fiança.
14:48:13 - Pinto -

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