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A hora do DJ Mandacaru

Velharias musicais sempre fresquinhas.


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15 Dezembro

Que C'est Triste Porto Alegre



A memória pode ter sido cutucada pelo post do Gil, mas o fato é que em julho de 1972 um bando de estudantes tentava remontar a UNE. Como cobertura, usávamos um encontro de centros acadêmicos de engenharia que estava acontecendo em Porto Alegre. A situação toda era muito tensa. Além dos riscos normais, a organização, para demonstrar as boas intenções dos estudantes, pedira ajuda ao Exército na parte de alojamentos. E os caras deram! Resultado: passávamos o dia brincando de revolucionários e à noite nos recolhíamos ao quartel.
Entre os participantes, um amigo de adolescência que até hoje é um dos seis que o filho único aqui elegeu para irmão. Numa tarde gelada, entre duas reuniões, os dois cearenses passeávamos pelo calçadão do centro e resolvemos entrar num cinema, para passar o tempo. "Anônimo Veneziano", filme com a Florinda Bulcão, a conterrânea mais internacional, caindo de charme, por quem todos nós ardíamos de tesão apesar de sua ambiguidade sexual, ou talvez por isso mesmo, vai saber. A música, lindíssima, tocada pelo ex-marido oboísta (Tony Musante) que estava morrendo de câncer, a despedida, tudo muito triste e bonito.
Saímos do cinema abaixo de cu de cobra e durante anos cacei a trilha sonora, sem sucesso. Uns dois atrás, achei o CD numa lojinha de shopping, por módicos R$ 115. Guardei para mim as minhas dúvidas sobre a legitimidade do dono da bodega e fiz o que muita gente está fazendo: consegui o bolachão no sebo de um amigo (R$ 3), sabão e água (custo irrisório), digitalizei e limpei a chiadeira no computador (gastei só o meu tempo), redução da capa e contra-capa na gráfica (R$ 2), CD virgem mais capinha de plástico (R$ 1,06). Custo total do disco: R$ 6,06.

Longa vida à indústria fonográfica.
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Domingo que vem casa uma afilhada minha. Me pediu uma música para acompanhar um texto que vai ser lido pela minha comadre sua mãe, e pela avó, a mama adotiva deste órfão em Sampa. A música que escolhemos foi o Adágio do Albinoni (que nem é dele, outro dia eu conto a história). De modos que se no domingo vocês virem um DJ de olhos vermelhos e ranho escorrendo pelo nariz, nem cheguem perto.
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11 Dezembro

O momento brasileiro do Billy

Billy ao lado de um fã

Da grande linhagem de barítonos americanos negros, Billy Eckstine está na primeira fileira. Mas antes de virar cantor, o cidadão se defendia bem como trumpetista. Estreou em rede nacional na orquestra do Earl Hines, em 1939, e quatro anos depois resolveu montar sua própria banda. Alguns dos empregados: Dizzy Gillespie, Charlie Parker, Sarah Vaughan, Dexter Gordon, Miles Davis, Kenny Dorham, Fats Navarro, Wardell Gray e Art Blakey, naquela que foi considerada a primeira big band do bop.

Gostava tanto de música brasileira que, em 1979, gravou um disco quase só com cosas nuestras. Mesmo em faixas como Where or When (Rodgers & Hart), a cozinha - comandada pelo Don Grusin no piano, pelo Claudio Slon na bateria, e pelo Abe Laboriel no baixo - providencia aquilo que se convencionou chamar de molho brasileiro. [Leia mais!]
14:26:23 - DJ Mandacaru - Comentar

10 Dezembro

O homem de um disco só



Eu tenho pelo menos uns três amigos que vão querer partir pra porrada comigo, mas o fato é que o Johnny Pace é o cantor que o Chet Baker gostaria de ter sido.

O cabra gravou um único disco em toda sua vida, apadrinhado justamente pelo Chet, que emprestou seu quinteto pra bolacha. Lançado em 1958, fez relativo sucesso entre a moçada que curtia cool jazz. Não se sabe por que, mas o Pace nunca mais gravou outro disco, até morrer, em 1979, com cinquenta anos. Vejam se ele não merecia.

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14:05:57 - DJ Mandacaru - Comentar

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