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Zenices

Pensamentos de Zeno acrescidos de pérolas de igual verve vindas de procedência vária.


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19 Janeiro

Piada de humoristinha

— Aquele fóssil vivo da TV brasileira ainda vai morrer careca.

— Quem, a Hebe?

— Não, o Marcelo Tas! Turum-tum-tssssss!

(este post vai para dorival caymmi, joão gilberto e cam seslaf, a favorita da redação)
11:58:37 - Pinto -

17 Janeiro

Quatro rodas, patas idem

Uma revelação para algumas constatações. Há quatro anos sou síndico do meu prédio, e nesse período testemunhei todo tipo de miséria humana inerente a um condomínio de classe média paulistano. Nenhuma dessas misérias, contudo, se compara ao que percebi da relação entre as pessoas e seu meio de locomoção.

Sim, é diferente das demais cidades nas quais vivi.

Sim, aqui as pessoas parecem se importar mais com seus carros do que com o lugar onde vivem (certamente porque passam a maior parte da vida sobre quatro rodas, mas ainda assim).

Sim, os interessados em locar e comprar apartamentos antes querem saber quantas vagas há, para só depois inquirir sobre coisas menos importantes, como preço, metragem e condições gerais dos imóveis.

E, sim, uso em geral transporte coletivo e só conduzo nos fins-de-semana.

Em meio às vicissitudes de um condomínio antigo, com 50 famílias, que passou por muitas mudanças nesse período, me chamou a atenção o fato de que o quórum máximo numa reunião somente foi atingido quando o tema foi "garagem". E embora tenhamos feito reformas estruturais importantes, adquirido equipamentos e proposto melhorias, as reações (positivas e negativas) só se deram quando houve intervenção nos locais onde os condôminos estacionam seus carros.

Para mim isso explica São Paulo como poucas lições.

Eis que outro dia fui ao novo Shopping Pátio Paulista, remodelado para parecer menos proletário, e me dei conta: boa parte do já caríssimo e confuso estacionamento foi remodelado para dar lugar a uma certa "Área Vip". Como resultado da redução de vagas, engarrafamentos monstruosos, estresse, aborrecimentos crescentes.

Vale recordar que os shoppings conseguiram há pouco tempo derrubar uma lei que os obrigava a isentar a cobrança de clientes mediante uma quota mínima de compras. Ignorando o impacto que causam no entorno e a demanda que geram dos órgãos públicos, municipais e estaduais.

O administrador do estacionamento respondeu assim à minha queixa: "Não se trata de eliminar vagas, mas de destinar algumas para os clientes que estavam querendo a área vip".

Verdadeiro ou falso como possa soar, isso também explica São Paulo como poucas lições.
22:44:07 - Pinto -

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