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Tectum Intuentes

Ociosidade produtiva - textos reflexivos, anotações íntimas, sacanagens e demais ressentimentos.


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29 Março

Glub, glub



Programinha de domingo: conhecer o Aquário de São Paulo com as crianças. Fiquei positivamente surpreso com o lugar. É pobrinho, sim, mas com muita dignidade. Pobrinho quando se pretende um minimuseu de história natural, ainda que o efeito dos bonecos toscos na criançada divirta e assuste. No mais das vezes assusta. Mas como aquário mesmo é um programão, ainda que tímido em relação a equipamentos semelhantes fora daqui. O projeto arquitetônico bem bolado deixa o visitante cara a cara com os animais, sejam tubarões, cobras, jacarés ou os simpáticos ratões-do-banhado (num tom bem mais branco que os da foto).

Destaque ainda para o submarino, que parece ser montado com pedaços verdadeiros de uma antiga embarcação, com arraias e tubarões nadando no teto, e para o imenso tanque amazônico com um peixe-boi, pacus e pirarucus, todos enormes. Estranho ver bichos como morcegos-gigantes, tucanos (embora imagine as razões) e outros que sabidamente não nadam —tucanos boiam—, mas tudo é festa. Todas as vitrines têm mensagens educativas e a trilha sonora ambiente convida à observação, meso porque não estava nada lotado neste domingo.

Uma coisa só não entendi: por que bem na saída, onde há um café, o visitante é saudado por uma música horrenda a todo volume, que contrasta com a filosofia e com as mensagens ecológicas do equipamento. Poluição também é sonora. Depois de mergulhar por alguns bons instantes naquele universo, ser surpreendido por Lady Gaga a toda altura me deu ganas de pedir de volta os 30 reais do ingresso, plenamente justificáveis até então.
09:25:19 - Pinto - 2 comentários

28 Março

Um espectro ronda a política de São Paulo

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21:05:41 - Pinto - 3 comentários

26 Março

E a puxação de saco não termina

Cartola é o cara

Numa semana que deve ter batido o recorde de homenagens e jabás aqui no botequim, demonstrando por a + b que o importante nessa vida é ter amigos qualificados e fazedores, segue mais um, ou melhor, O MELHOR JABÁ desta semana: tudo que você queria saber sobre Cartola mas não tinha amigo qualificado pra perguntar, por módicas 14 pratas na banca de jornal mais próxima. Negocião, se é que eu já vi um antes. A lamentar, apenas, a exclusão, na lista de músicas, de "Preciso me encontrar", assassinada pela chata da Marisa Montes e por isso mesmo digna de resgate na voz do Mestre.

(crdt da foto: mario luiz thompson)
19:19:48 - Zeno - 1 comentário

25 Março

Por uma vida mais controlada


Zeno GmbH apresenta seu lançamento mundial.
12:20:36 - Pinto - 12 comentários

Jabá Modernista

Ingresso grátis para quem acertar a grafia

(crdt mwh)
11:17:53 - Zeno - Comentar

23 Março

Agora eu entendi

"Não há idéia mais tola do que acreditar na conquista de uma mulher oferecendo-lhe o espetáculo da própria inteligência. (...) Quando muito, é possível conquistá-la do seguinte modo: quando a inteligência parece ser um instrumento para obter poder, riqueza, consideração - valores que a mulher que se deixa conquistar gozaria em conjunto. Mas a inteligência, como fantástica máquina movendo-se desinteressadamente, não faz sair da indiferença qualquer mulher que seja."

Do ex-blogueiro, atual twitteiro Cesare Pavese (num post de 31 de agosto de 1940, em seu blog Il Mestiere di Vivere), desanimando as esperanças de metade da redação. A outra metade, despreocupada, segue desfilando seus rostinhos bonitos.
08:53:01 - Zeno - 5 comentários

22 Março

Calipígias

07:17:24 - Pinto - 4 comentários

21 Março

Retrato em Branco e Preto



Boa notícia para terminar uma semana e começar a outra: Chico Albuquerque em versão revista e ampliada.
21:24:13 - Pinto - Comentar

14 Março

A Bahia é um estado de espírito rebolation

"Tem-se a certeza de que o cidadão está ruim da cabeça ou doente do pé quando, logo na esquina entre a segunda e a terceira linha, ele cita e (pior) concede razão à Vedete de Santo Amaro. Mas, realmente, não há como contestar Caetano: 'aqui tudo parece que ainda é construção e já é ruína', especialmente em se tratando do ludopédio.

Puta que pariu Dona Canô!

Pois muito bem. É provável que a referida matriarca, que já caduca há séculos, nem se lembre, mas vocês, estudiosos do pebolismo, sabem que em janeiro do ano passado foi (re) inaugurado com pompas e circunstâncias o Estádio Roberto Santos, conhecido na roda do crime como Pituacivisky, para não dar rima. Pois bem. O referido campo, senhoras e senhores, é o único na capital a sediar os jogos do Baianão/2010, já que a Fonte Nova não se livra da tragédia e o Barradão está passando por reformas.

Aí, vocês perguntam: e o que é que a ex-mulher de Paula Lavigne tem a ver com isso?
"

Quando eu crescer, quero escrever que nem esse sujeito.
11:15:23 - Zeno - 2 comentários

Jabá (literalmente)

Batendo na porta

Contracapa da Revista Aldeota #4. Gostaria de escrever nela.
10:00:00 - Pinto - 3 comentários

10 Março

Nada como um Dior atrás do outro



Poisé. Outro dia eu comentava com uma amêga minha, vocês não conhecem, não, que achava que esses meninos do Franz Ferdinand não me queriam como fã, porque conseguiam ser mais chatos que eu de TPM. Eis que hoje não apenas me agarrei com essa musiquinha, que por acaso é também um quase jinge para a Dior. Tá boua?

Sangue de Marion Cotillard tem é poder.
22:19:28 - Pinto - 6 comentários

09 Março

Os intelectuais e a escravidão da mídia

É salutar, a nosso juízo, a aproximação da mídia aos ditos intelectuais, orgânicos ou inorgânicos, desse Brasilzão sem porteira. Eles cumprem a função de dar densidade analítica aos órgãos que os acolhem, coisa que os jornalistas abrigados nos mesmos órgãos em geral não logram fazer; quando logram, o patrão não lhes permite publicar, mas divago. Nesse processo acabam projetando a imagem da academia a que pertencem, numa simbiose que em tese interessaria ao País.

O problema disso tudo, a nosso juízo, é a restrita seleção de pensadores escalada para o papel de referendar uma ou outra, digo melhor, somente uma particular cosmovisão ao leitorado. São sempre os mesmos nomes, meia dúzia deles, e a julgar pelo expediente que têm dado nas redações (e pela resultante de seus pensamentos, por conseguinte) uma das hipóteses vem ocorrendo, ou todas: 1) demitiram-se da sua condição de "intelectuais", pela falta de tempo ou por incompatível com a experiência midiática; 2) diluem seu raciocínio de forma a compatibilizá-lo com, por exemplo, o dos jornalistas da página 2 da Folha (Eliane Cantanhêde, Clovis Rossi, Josias de Souza, Fernando Rodrigues etc.), e assim perdem a completa inteligibilidade; 3) avatares lhes tomaram o assento, porque quem raciocina mesmo não conceberia escrever aquilo lá.

Numa extensão natural desse fenômeno, quanto menos os nomes selecionados, mais eles aparecem elucubrando sobre uma miríade cada vez maior de assuntos, e assim a lusitana roda. São temas que vão do alfinete ao foguete, mas têm em comum o fato de irem ao encontro da linha editorial dos tais veículos. Exceção feita ao professor Francisco Oliveira, fundador do PT e hoje intrigado com o partido, porque nesse caso convém.

Tome-se como exemplo o geógrafo Demétrio Magnoli, que usou a referida Folha, hoje, para criticar seus jornalistas —"criminosos"— o samba do crioulo doido que o senador Demóstenes Torres compôs sobre o tráfico negreiro (note que Demétrio e Demóstenes começam com DEM, e isso há de querer dizer alguma coisa, mas novamente divago). Não apenas o juízo do intelectual parece obnubilado (pelos plantões que dá na Folha, no Estadão e nos veículos globais, isso para não citar o Instituto Millenium, que é a somatória desses veículos?), mas o tom escolhido é de quem acabou de retornar de uma temporada no pelourinho com o couro ainda morno das chicotadas. Uma raiva incontida que brota do texto e não se coaduna com o papel de intelectual, ou quando muito de escravo forro, o que parece ser o caso. Decerto está trabalhando demais, ou não lhe pagam o que vale: a hipótese de trabalho escravo deve ser considerada, ainda que hiperrealista.

Outro é o historiador Marco Antônio Villa, já referido aqui. Quem não associar o nome à pessoa que ligue na GloboNews. Mais lhano que Magnoli, Villa será um sujeito franzino na ponta da bancada, com um blazer alguns números maior, tecendo alguma, qualquer uma, consideração contrária ao governo federal. É ele. A seu lado poderemos encontrar Miriam Leitão ou Monica Waldvogel, facilmente identificáveis pelos seus penteados e por fazer as mesmas intervenções, mas com entonação de pergunta; estas porém são funcionárias da casa e, de resto, não são intelectuais e não têm a obrigação de estar ali necessariamente para produzir alguma reflexão, mas novamente divago.

Um terceiro exemplo seria o cineasta Arnaldo Jabor, que foi revelado pela Folha como intelectual-cronista. Versatilíssimo, é capaz de discorrer sobre qualquer assunto com desenvoltura ímpar e aquela fanfarronice apocalíptica no semblante, sempre invocando Nelson Rorigues, com quem costuma dialogar em sessões espíritas, no que periga ser mais um modismo da categoria.

(Um quarto exemplo seria o filósofo Paulo de São Paulo, mas este por alguma razão anda meio sumido e fica de fora deste arrazoado.)

Magnoli, Villa e Jabor são o tipo dos intelectuais que eu levaria para uma ilha deserta. E os deixaria lá.

Restam as saudades imorredouras das intervenções dos professores de porte de J.A. Giannotti, Antonio Candido, Marilena Chauí (sim, ela mesmo) e outros menos votados. Estes se dão o respeito. E talvez por isso andem aparecendo tão pouco.
22:29:31 - Pinto - 8 comentários

08 Março

Conexão Catolé do Rocha-Novosibirsk

Nesse aspecto, a literatura do Brasil [local, regional e patriótica, escrita por brasileiros autoconscientes dedicados a criar, ou a contestar, uma certa imagem do País] se assemelha à da Rússia. Ambos os colossais países fazem parte do mundo ocidental e ao mesmo tempo, de um modo importante, estão fora dele. Sempre usaram a literatura para cobrir as brechas aparentemente instransponíveis impostas por sua história e sua geografia. As regiões de ambos se espalham por enormes extensões; a vida de suas cidades modernas é frequentemente inimaginável em suas áreas rurais; suas classes sociais superiores não podem sequer imaginar, a não ser por meio da literatura, a vida das imensas classes destituídas. E suas elites, a despeito da preocupação com a "autenticidade" nacional, ficaram durante muito tempo sob a influência da França, o que deu a muito da sua literatura, mesmo à mais nacionalista, um sabor colonial, de segunda mão.

A nano gosta de Clarice? Precisa urgentemente ler Clarice, (lê-se "Clarice vírgula"), soberba biografia escrita por esse rapaz Benjamin Moser, um gringo com mais conhecimento de Brasil (e de literatura, frise-se) que muito Marco Antônio Villa e outros "intelectuais" desses que batem ponto na GloboNews. Livro tão delicioso como os que escreveu a personagem de cuja vida dá conta.
13:09:04 - Pinto - 1 comentário

05 Março

Poesia feito imagem



Detenha-se 15 minutos e assista acima a "Câmara Viajante" (2007), um quase-documentário premiado de Joe Pimentel sobre os retratistas que perpetuam a imagem dos romeiros no Sertão do Ceará. Uma categoria de profissionais a caminho da extinção, cujo trabalho contrasta com a banalização das imagens dos dias de hoje e convida a uma série de reflexões. Não bastasse a beleza intrínseca do tema, o registro é lirismo em estado mais puro, com fotografia do grande Tiago Santana e pesquisa histórica de Valéria Laena.
09:34:02 - Pinto - Comentar

04 Março

gafanhoto

Achei estranho o convite de última hora pra jantar na casa do Zeno. Entendi depois quando ele mandou um torpedo pedindo uma garrafa de uísque para completar a amostra para uma desgustacao as cegas. Era um desafio. Zeno, esse menino que criei com tanto carinho, queria suplantar seu mestre. levei um swing. quatro copos, quatro uisques diferentes: red, gold, chivas e o meu swing. copos cheiose embaralhados. placar preparado na lousa que decora a cozinha. sou o primeiro. não gasto mais do que 4 min para decifrar a sequencia. acerto todos. É a vez do Zeno. Ele treme, afinal sua melhor marca seria o empate. Demora. toma agua. prova de novo. mais agua. outra prova. depois de longos 15 min declara a sequencia. acerta apenas um. fico triste. nao deu nem pra saida. o discipulo ainda não está preparado. ainda nao sabe caminhar no fino papel de arroz sem rasgá-lo. sua decepcao é visivel. arruma desculpas, prova de novo, inventa razoes. coitadinho.

PS1: comemos uma polenta com cogumelos e ragu que estavam de morrer.
PS2: na verdade o jantar era pra comemorar a entrega do mestrado da cozinheira. parabens duplos, né?
PS3: uma das moças presentes, que só de brincadeira, tentou fazer a degustacao as cegas. acertou 2, o dobro do zeno.
11:39:15 - Lama - 9 comentários

03 Março

Café Photo



Não é por causa da amizade de 35 anos. Também não pesa o cheque de seis dígitos (em pesos bolivianos, já depositados na conta CC5 da ilha de Marajó, depois mando o comprovante, viu, chefe?). Mas eu posso garantir a vocês que abre hoje - e vai até 2 de maio - uma das melhores exposições de 2010: João Luiz Musa - Fotografias. Se você já conhece o nome, não preciso explicar muita coisa. Se não, aproveite para ser apresentado a um dos maiores fotógrafos brasileiros. De quebra, serão lançados livros com as fotos da exposição.
Tá no Instituto Tomie Othake (no subsolo daquele prédio que parece um pacote de biscoito maizena enrolado com fitas de papel laminado), na Faria Lima, de quina com a FNAC de Pinheiros. Garanto que ninguém vai perder viagem.

02 Março

Só burro não toma Castaniodo

20:17:44 - Pinto - 1 comentário

Veja sempre o lado bom da vida

Sempre achei que o John Cleese ou o Michael Palin deveriam ser primeiros-ministros da Inglaterra. Não sei se nosso problema são duas doses a menos ou a inequívoca tendência à bipolaridade patológica permanente, mas a chatice impera, foi a marca de época do século XX e o XXI tá indo pelo mesmo caminho. Com raras exceções.

02:29:34 - Lama - 4 comentários

01 Março

Mindlin

Apenas para não passar em branco, cito de memória a menção a José Mindlin no documentário "Cidadão Boilesen" (aliás, bom filme): como se não bastasse a atuação em prol da cultura, foi um dos poucos empresários brasileiros a não compactuar com o regime militar, seja na forma de apoio tácito, explícito nem muito menos financeiro.

O outro grande empresário mencionado no documentário como exceção à regra é Antônio Ermírio de Moraes. E só.
17:32:41 - Pinto - 2 comentários

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