:: home :: posts passados :: etilíricas :: je me souviens :: microcontos ::


A hora do DJ Mandacaru

Velharias musicais sempre fresquinhas.


.:: mês anterior :: :: :: :: April 2010 :: :: :: :: próximo mês ::.

30 Abril

Chico Buarque no jazz


Quem me chamou a atenção foi o meu amigo Flavim: o pianista que está tocando com a Lea e o Gil naquele vídeo é o Edsel Gómez, portoriquenho que morou anos aqui em Sampa e que promovia jams memoráveis no seu apartamento de Higienópolis.
O Edsel é um espanto. Começou aos cinco anos, imitando os estudos de piano clássico da irmã. Aos 18, estava na Berklee, de onde saiu quatro anos depois para o circuito jazzístico de primeira linha.
Em 1987, atraído pela música e pelo charme, veneno e beleza de uma mulher brasileira, mudou-se para o Brasil, onde viveu pelos dez anos seguintes.
O disco que vocês podem baixar do armazém é o seu primeiro: Edsel Gómez - Celebrating Chico Buarque de Hollanda, uma mirada jazzística na obra de um cara, que olhando assim de primeira tem pouco a ver com jazz.
Como dizem os bookmakers da Globo: confiram no próximo bloco. [Leia mais!]
04:44:32 - DJ Mandacaru - Comentar

19 Abril

Eyjafjallajøkull

Depois de passar um almoço inteiro ouvindo o Pinto pronunciar corretamente (e sem a ajuda do staff da Glorinha Beutenmüller) o nome do vulcão que negroempesteou a Europa nos últimos dias, pensei cá com meus invejosos botões: “Isso não é mérito nenhum. Quero ver cantar bossa nova em finlandês”*. Bueno, é com mais inveja ainda que apresento Laura Anniki Kinnunen, que debulha “Desafinado” com um monte de consoantes, aqui.

*Caso algum incauto objete: “Mas a Finlândia não é a Islândia!”, favor consultar nosso bordão predileto: “É tudo a mesma merda!”.

(crdt: o bacanudo site francês bossanovabrasil, que nos linkou a propósito do porco pizza)

20:28:02 - Zeno - 2 comentários

10 Abril

All About Estate

A polêmica fratricida, vocês sabem como começou: na revista Aldeota, meu amigo Augusto Cesar declinou paixão avassaladora pela interpretação da Carme Canela de Estate, a canção italiana de Bruno Martino que virou um hit mundial graças aos bons serviços do João Gilberto. No intuito de melhor servir para servir sempre -- o lema deste botequim -- fui incumbido de fornecer à nano material para escrutínio próprio. Aos prolegômenos, pois.

Estate foi composta em 1960, uma das centenas de cançonetas italianas que eram tocadas em todo o mundo por aquela época. O autor Bruno Martino era músico precoce: em 1944, com 19 anos, assumiu o piano da orquestra sinfônica da RAI. A letra fala de um amor finado no verão e da espera ansiosa pelo inverno, que cobrirá de neve aquele fogo e trará um pouco de paz. A letra original e sua tradução estão num site descoberto pela bella ragazza que me ensinou, trinta e cinco anos atrás, que música italiana não era só Rita Pavone. Aliás, se alguém aí se arrisca num violão, aqui tem a harmonia e tablatura.

A música ficou na vala comum até ser gravada por João Gilberto no LP Amoroso, de 1977, com arranjos do Claus Ogerman (guardem isso aí que lá adiante eu explico). João voltaria à canção mais cinco vezes, placar só comparável a algumas músicas do Tom. Além da primeira, escolhi mais três, dos discos João Gilberto Prado Pereira de Oliveira (1980), Live at 19th Montreaux Jazz Festival (1985) e Live at Umbria Jazz (2002). De quebra, uma gravação, errrrr, caseira, digamos assim, de um show feito em Tóquio. Pra moçada que só acredita vendo, tem um vídeo no YouTube com o João cantando em Roma, em 1983).

Qualquer uma delas era a minha predileta até o dia em que ouvi, pela internet (novidade na época, cês acreditam?), uma voz feminina cantando na WWOZ, de New Orleans: Shirley Horn, que ganhou lugar permanente no meu private caritó de cantoras. Num andamento que era a metade da versão do João, uma orquestração, do Johnny Mandel, que deixava a do Ogerman olhando assim meio de banda, enfim, a predileta passou imediatamente a amargar um remoto segundo lugar. É bem verdade, como diz Dom Augusto, que a letra em inglês é mais fraquinha. Eu não me importo.

Aí apareceu a Carme Canela, arrebatando oiças e músculo cardíaco do meu amigo. A boa notícia é que vocês não precisam ficar prisioneiros das idiossincrasias desses dois macróbios. Preparei uma seleção de algumas interpretações da música pra vocês tirarem suas próprias conclusões, princípio democrático que rege o HZ, exceto quando se trata do desempenho de governantes, filmes da moda e iluminuras em geral.

Prá começar, a do dono da música, Bruno Martino, na gravação inaugural, só pra vocês verem como era o clima musical da época. Continuando na língua, uma mais recente, de 2006, com o Aldo Romano numa levada bolero-jazz, e cantada naquele modelo sussurrante de quem quase já está comendo as ouvintes. Tem seus méritos. Uma outra com a cantante brasiliana Ana Caram, no seu disco Hollywood Rio, que começa cantando em italiano e acaba fazendo umas graças em português. Aí vem a da Eliane Elias, piano, voz e grande orquestra, seguida da Regina Machado, cantora e professora de canto (da Monica Salmaso, por exemplo, e isso é bom ou ruim?). Uma quase operística com a Jackie Ryan, do seu disco This Heart of Mine. A da Giusy Ferreri, com a voz meio enrouquecida, começa naquele estilo morgasound, que vocês chamam de lounge, e acaba caindo no modelo canção tradicional mesmo. Tem uma especial para o Pinto, com a Lovisa Lindkvist, que só ele deve conhecer, por motivos que não vem ao caso. Com a Sabina Sciubba, que fazia (faz?) parte do grupo Brazilian Girls, formado pro três machos e uma italiana, uma versão meio jazzística. Mais uma, com a holandesa Saskia De Bruin, que canta, toca piano e sax. Pra fechar, aquela a que Dom Augusto se refere com a pioneira, da Helen Merril, de um disco esgotado. Confere, Dom Augusto, mas para nossa sorte a faixa está na caixa de dez CDs Ennio Morricone Chronicles: o cabra fez o arranjo e uma alma caridosa providenciou a inclusão no tijolão.

Bom, mas esse negócio de ficar caçando a música aqui nos discos, acabou me convencendo que também seria bacana fazer um chiqueirinho com as versões instrumentais. A primeirona é com a Amina Figarova, uma das mais bacanas pianistas da nova geração (nova pra mim, combinado?). Mais de dezessete minutos de pura beleza. Aí, já que o negócio é estourar o saco da nano, três versões com o Chet Baker: At Capolinea, Live from the moonlight e uma com o Phillipe Catherine, quase quarenta minutos de música, que o Chet não tinha pressa. Com o jovem saxofonista prodígio Francesco Cafiso mais 12 minutos. Com o Francis Coletta, com violão solo mais aquela munganga do George Benson de solfejar as notas que está tocando. Mas o cabra toca, vão por mim. Pra finalizar, uma com o Birelli Lagrene, também no violão.

E vou parar por aqui que os arquivos já estão pesando mais de tonelada. Pra simplificar, fiz uma trouxinha com as cantadas (181MB), outra com as tocadas (127MB). Só no RapidShare, que o MediaFire não gosta quando eu exagero.
=====================================
Alertados pelo homem dos 300, botamos aqui o que estava faltando.

.:: mês anterior :: :: :: :: April 2010 :: :: :: :: próximo mês ::.