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A hora do DJ Mandacaru

Velharias musicais sempre fresquinhas.


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25 Agosto

Uma coisa



Se um dia, um deus muito cruel (perdoem o pleonasmo) me obrigasse a escolher um único disco, dessa ruma que tem aqui ao meu lado, para levar à inevitável visita a Hades, eu não levaria mais que alguns segundos para chegar às estantes de música brasileira onde estão arranchados os artistas que começam com "m" e pinçar o Coisas, de Moacir Santos.
O disco, de 1965, é daquelas obras de arte que melhoram à medida que você envelhece. Foi lançado no Brasil pela Forma (a gravadora do Roberto Quartin, que nunca lançou disco ruim) e permaneceu inédito em formato digital até que a pertinácia de Mario Adnet e Zé Nogueira, mais a grana da Petrobras, permitiram aos brasileiros conhecer a obra de Moacir Santos, primeiro no CD duplo Ouro Negro e depois em um DVD com a apresentação ao vivo da orquestra que gravou o disco, em um show no SESC Pinheiros, em 2001. O trabalho de resgate (juro que vocês nunca mais ouvirão da minha pena essa palavra, a não ser acompanhada de BOPE, GOE e outras repartições semelhantes) ampliou-se com o relançamento do Coisas e das partituras do maestro.
Não que isso impedisse que os adoradores de Moacir nos virássemos para ter acesso aos outros quatro discos que ele lançou nos Estados Unidos, nenhum deles merecedor de vida digital, pelas luzes das gravadoras que lançaram os LPs. Aqui no Zeno mesmo, vocês acham (ou achavam, arquivos na rede fenecem com muita facilidade) umas provinhas desses de que estou falando.

Bom, esse post tem razão de ser. Hoje cedo liguei pra melhor loja de discos de São Paulo e perguntei do CD Coisas. Resposta: está esgotado e fora de catálogo. Então, enquanto os homens lá não se decidem, vão ouvindo aí o disco. Do DVD, ainda tem. Se eu fosse vocês, cancelava aquele almoço e ia .

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23 Agosto

O Bola da vez




Se você não é, como o Pinto, um admirador incondicional do venerando Estado de São Paulo (jornal ou membro da federação), tem que ler pelo menos uma edição. Melhor dizendo, um caderno da edição de sábado, o C2+Música. Aparentemente, os editores resolveram correr o risco de escrever para um público alfabetizado e que não teme o risco de sofrer um AVC por ler textos com mais de 4 laudas (8.400 toques, incluindo os espaços em branco) para você que cresceu com o Word).

Sábado passado, eu estava na praia lendo o supra (nessas ocasiões, a parte intelectualizada do HZ vai de Chandler, fazer o quê?) quando tive a agradável surpresa de ver a foto do meu velho conhecido Félix Contreras, a quem descobri, ainda nos tempos de IRC, em busca de informações sobre seu amigo Benny Moré. Na época, trocamos discos, livros e revistas de música cubana. Félix veio ao Brasil uns dois anos depois para lançar exatamente uma biografia del bárbaro del ritmo, outro dia boto umas coisas dele por aqui. O livro foi lançado pela Hedra e ainda é achável pelaí.

Mas a notícia quente é que a Cosac&Naiyf vai lançar, parece que no comecinho do ano que vem, uma biografia do Bola de Nieve -- e aqui a grande vantagem -- escrita por quem conhece o assunto, o Felix mesmo, que foi amigo do crioulo e conhece histórias do balacobaco (o termo é demodèe, seu editor? Pode trocar).
Se vocês não conhecem o Bola, meus filhos, vão ficar agrde$$idos (depois passo o número da minha conta bancária): dos cinco maiores artistas cubanos, ele ocupa um lugar privilegiado no meu personal panteão, variando entre o primeiro e o quinto dependendo do meu mood. Durante anos aporrinhei amigos que viajavam ao (ahhhammm) exterior, para me trazer discos do cabra, de maneiras que juntei uma coleçãozinha bacana. Tem um jornalista nipo-barretense (barreteiro, barretiano?) que diz gostar do Japão só porque é o país que mais tem discos do Bola.

Enfim, como sempre vocês vão achar que estou exagerando. Vejam aí uma provinha precária nos tubos e coisa mais séria no...

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20 Agosto

Só deu pra uma




A Honi Gordon é mais um daqueles casos: puta talento, grava um disco maravilhoso e...some. Assim, sem mais.
Ouçam aí o "Honi Gordon Sings", de 1962, e me digam se a moça não mereceria ter continuado a carreira.


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17 Agosto

Ouching

Foi a reunião mais difícil de todas que participei aqui no HZ. A proposta foi do Pinto: acuado pela pressão dos leitores, o cabra afrouxou e propôs que toda a redação saísse do armário e declinássemos nossa verdadeiras identidades. Até quando mantive consciência, vi tapão na orelha, pé na boca, chave de braço e puxão de cabelo. Só fui acordado para redigir o auto de fé, que ficou assim:



Zeno
Foi quando tomou contato com o existencialismo alemão que o nosso editor-em-chefe viu sua vida virar de cabeça para baixo. Até então um promissor center-half do juvenil do Palmeiras, o nosso Zeno definiu sua missão na Terra: trazer para o metal hardcore tedesco um pouco de doçura e conteúdo. Após um doutorado em air guitar na Universidade Católica de Eichstätt-Ingolstadt (onde adquiriu o estranho hábito de encher bola de padre), Zeno tentou o show business nos EUA, no começo como valete do Sondheim. Aposentado por acidente de trabalho, tenta manter uma disciplina teutônica na redação. Em vão.



Lama
Há um coração dilacerado de amor por trás daquele ceticismo abissal. Foi um desgosto amoroso que catapultou o jovem nerd da Vila Mariana aos cumes do Himalaia, onde dedica sua vida a pastorar cabritinhas e ouvir Noriel Vilela, sua grande paixão musical, que nunca lhe decepcionou. De lá, só sai para o Brasil a cada quatro anos para tentar, debalde (tomem etc...), uma vereança em Marília e assar um porco para os amigos.



Pinto
Esse foi apenas mais um nordestino que se deixou seduzir pelo canto da sereia da migração. Bem empregado -- o homem era içador de jumento em Jeriquaquara --, ganhando como um paxá, o Pinto atracou em Sampa achando que permaneceria no ramo -- içador de ego do Justus. Demitido por excesso de oferta de mão de obra, Pinto ganha a vida animando forrós no Largo da Batata. O HZ é seu robe (de chambre, que ele nunca perdeu a finesse adquirida ainda nos seus tempos de Porangabuçu).



George Smiley
A história mais tocante daqui da redação. Algumas décadas atrás, George se chamava Jacqueline du Pré, mandava bem no cello e era a queridinha do mundo da música clássica. Apelidada de Smiley (ver foto), Jac levava uma animadíssima vida sexual, quando assim do nada, achou que estava tudo errado. Após uma bem sucedida operação de troca de sexo, Jac virou George, recolheu-se a um canavial paulista, mas manteve o apelido de Smiley. Da música, restou apenas o feio hábito de frequentar aos sábados o karaokê local.
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11 Agosto

Enquanto corria a barca




Devido ao acúmulo de selviço, o editor-chefe comandou: "Juntem as pautas aí pra mó de caber nas páginas do blog".

E é por isso que estão aqui, no mesmo post, o passamento do Jack Parnell (editoria de Obituários) com trilhas de cinema (editoria de Assuntos Espinhudos). O Jack escafedeu-se no mesmo dia do Cantoral. Era baterista, arranjador, dono de orquestra e diretor musical (do Muppet Show, por exemplo). O disco que subi, publicado em 1974, é um ajuntadinho de canções de filmes famosos na época. [Leia mais!]

10 Agosto

La barca de Caronte


Pois é, finou-se anteontem o Roberto Cantoral. O cabra tem em seu currículo pelo menos uma dúzia de clássicos do bolero. Mesmo que você não saiba quem é, sua mãe e seu pai já dançaram de rosto coladinho uma música dele. E não necessariamente um com o outro.
Separei quatro pra vocês avaliarem, todas com o Lucho Gatica, uma das preferências aqui da casa.

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08 Agosto

Dia dos Pais, versão Bond, James Bond

Dia desses, tentava eu explicar pro meu filho a capacidade de uma música gerar no ouvinte as mais diferentes sensações, e o maledetto exemplo que me veio à cabeça era um trecho de uma trilha sonora do Bond, um compasso 8/5 cheio de promessas de suspense que eu conseguia cantarolar mas de jeito nenhum lembrar de que filme (ou de que LP/CD) fazia parte, pra mó de mostrar pra ele a gravação original. Típica incompetência paterna, a ilustrar o dia de hoje. Umas semanas se passam, nosso expert DJ Mandaca me manda, a troco de nada, um link de uns sujeitos batutas que digitalizaram um montón de trilhas de filmes, incluindo, craro, as do Bond. Baixei algumas que ainda não tinha em versão “física”, depois percebo que todas elas pertenciam a uma nova edição das trilhas do Bond, incluindo faixas novas, músicas em versão extended e outras mumunhas.

[Não sei se é o caso agora, mas vamulá: não só acho John Barry, o autor de boa parte das trilhas do Bond, o melhor compositor de música de cinema de todos os tempos, deixando meu querido Bernard Herrmann em segundo, como também acho que o querido do nosso DJ Mandaca, o Ennio Morricone, merece apenas um digníssimo terceiro lugar (Henry Mancini corre por fora, polemizando com o fotochart). Pronto, tá feito o barraco aqui no blog.]

Voltando. Depois de baixar as trilhas, e já que o negócio era de grátis, mesmo, resolvi pegar também as que eu já tinha em outros formatos. Foi uma delícia ouvir “Into Miami”, da trilha do Goldinger, de novo, e o biscoito maior da sorte era a nova versão, com extras, da trilha de A Serviço de Sua Majestade, a melhor dentre as melhores, a obra-prima 007 do John Barry (e a pororoca do Amaral Neto – google nele, gerações mais novas – há de concordar), que eu já tinha em bolacha e em CD. Uma faixa nova aqui, uma versão estendida acolá, de repente começa a tal faixa que eu tinha cantarolado para o meu filho e que não estava na versão original do LP. Corri pro notebook, olhei para a legenda do VLC Player, o título da faixa era “Gumbold’s Safe” (“O cofre de Gumbold”). “Burro!”, pensei, “É a cena em que ele está roubando os documentos do escritório do tal advogado suíço! Como é que os caras nunca incluíram esse trecho nas edições anteriores da trilha?!?”. Bueno, na verdade não pensei nada disso, porque acabei de ouvir a faixa, mas fiquei tãããão contente pela descoberta, por ser capaz, agora, de mostrar pro meu filho a tal passagem, que eu acho que esse Dia dos Pais se revelou bem batuta.

P.S.: Este post é dedicado a ele, que algum dia, espero, irá ler isto, e que me presenteou hoje com um legítimo canivete suíço. Mais bondiano, impossível.

P.P.S.: Sobre o “Into Miami”, do Goldfinger, e sobre o mérito “fílmico” (perdão) e abstrato (perdão II) da seqüência do arrombamento do cofre no A Serviço de Sua Majestade, fica a promessa de um post futuro.
21:54:22 - Zeno - 7 comentários

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