:: home :: posts passados :: etilíricas :: je me souviens :: microcontos ::


Filmes esquisitos

Nós gostamos mesmo é do escurinho.


.:: mês anterior :: :: :: :: March 2011 :: :: :: :: próximo mês ::.

23 Março

Dois filmes pelo preço de um

Cerco dos Mortos (Rammbock/Siege of the Dead, 2010)
Numa mão, um filme ambientado em Berlim. Na outra, um filme de zumbi. Qual escolher? “Put your hands together, my friend”. Zumbis em Berlim, ao que parece pela primeira vez em celulóide. Mas vamos ter de esperar novas tentativas, porque o filme é só bacaninha. Feito sem grana, com pouco mais de uma hora de duração, ele respeita algumas boas convenções do gênero, como o fato de os humanos, sob pressão, serem mais nocivos do que os zumbis, ou as cenas tradicionais em que a mídia e o governo exibem com desenvoltura suas incompetências. Os zumbis são naquele estilão que as últimas produções do gênero têm consagrado: em vez dos cadáveres gentis e ordeiros dos filmes do Romero, temos uma rapaziada mais rápida que o Flash dos gibis. Deve ser resultado da aceleração do mercado financeiro mundial, cheio de swaps reversos, como ponderou nosso George Smiley dia desses. Mas a melhor piada veio de uma resenha na Spiegel: como o filme foi co-produzido pelo canal de TV alemão ZDF, conhecido pela idade avançada de seus telespectadores, o resenhista comenta que será propícia a estréia do filme em TV aberta, já que os mortos-vivos serão exibidos para um público quase-lá.

A Casa (La Casa Muda, 2010)
Outra esquisitice: filme de terror (mas não zumbi) uruguaio, com estréia prometida aqui no Brasil para outubro deste ano. Pelo que li nas resenhas interneteiras, o filme, exibido em Cannes no ano passado, tomou pedradas internacionais de várias fontes (uma delas chamou o filme de La Casa de Mierda, procês terem uma idéia). Como discordar é praxe aqui na redação, vamos logo dizendo: o filme é bem bacaninha. Mais barato que o zumbi alemão (reza a lenda I que foi feito com 6 mil dólares em 4 dias de filmagem), com clima sufocante (reza a lenda II que foi feito em take único, sem corte, com uma câmera digital pior que a do nosso redator Pinto), assusta pra valer e tem um twist no terço final que me pareceu absolutamente inesperado – e olha que sou puta véia no quesito. O plot, mais requentado que um mate uruguaio, é aquele da “mocinha-que-fica-presa-em-casa-mal-assombrada-com-um-psicopata-dentro”. Das discussões lidas sobre o filme, os dois assuntos mais freqüentes são absolutamente irrelevantes: se o filme foi, mesmo, feito em um take único (a chatice de se elevar ou não uma questão técnica para o patamar do virtuosismo) e a falta de nexo do roteiro, que teria “vários furos” (a chatice da verossimilhança). Mais interessante seria discutir as oscilações entre primeira e terceira pessoa que a câmera às vezes faz de modo pouco rigoroso, mas aí a gente já entra na filigrana. Tem refilmagem americana a caminho, entonces #ficaadica para que se veja logo o filme em algum Cine Torrent perto de sua casa. Isso sem falar no inusitado da sua próxima mesa de bar: “Rapá, vi outro dia um filme de terror uruguaio, é mole?”
16:55:16 - Zeno - 1 comentário

15 Março

A Noite dos Mortos-Vivos (Night Of The Living Dead, 1990)

Curto: a refilmagem do clássico de Romero é pior que o original. Grosso: é pior em dois sentidos, um mau e um bom. Mau porque tem menos sutileza que o filme de 1968, tem menos conexões com a época em que foi feita (o original era pródigo nelas), tem produção daquele Menahem Golan, o mesmo dos filmes do Chuck Valha-Me Norris e dos primeiros do Governador Schwarzenegger. O pior no bom sentido vem também daí: o que era, digamos, sugerido no original, agora vira manga-de-camisa-arregaçada, incluindo o destino dos personagens principais e a avacalhação do poder público: no fim do filme, a milícia jeca e jagunceira oficialmente encarregada de liquidar os zumbis chega a fazer rodeio (!) com eles, e como se essa idéia já não fosse suficientemente inusitada, temos em seguida um plano de arrepiar, zumbis pendurados e enforcados em árvores, “vivos” ainda (porque, diferentemente de Jesus, não se mata zumbi por enforcamento), servindo de tiro ao alvo para diversão da rapaziada. Depois disso, deixar de recomendar o filme, quem há de?

(e uma obs marginal: deveria ser obrigatória por legislação federal a apreciação de obras por comparação: temos uma espécie de micro-aprendizado a cada vez que um mesmo texto teatral é montado em mais de uma versão, simultaneamente, em uma cidade, a cada vez que podemos ver um filme original e, em seguida, sua refilmagem, a cada vez que temos, diante dos olhos, diferentes pintores se ocupando de um mesmo assunto – i.é., diferentes “comos” lidando com o mesmo “que”. Numa variante mais marginal ainda, é o que as pessoas que convivem comigo sofrem com as experiências gastronômicas a que as submeto, sob a rubrica genérica de “Fantasia”: “Fantasia de presuntos”, qualquer prato que contenha pelo menos dois tipos de presunto, cru, cozido, San Danielle, etc.; “Fantasia de cogumelos”, idem; e mesmo o fato de se beber duas garrafas diferentes de um mesmo Cabernet ou Merlot, por exemplo. Como é o que a Dilma ainda não bancou essa idéia permanece um mistério para mim.)
21:59:59 - Zeno - 5 comentários

14 Março

A Noite dos Mortos-Vivos (Night Of The Living Dead, 1968)

Retomando o assunto dos zumbis que passou por aqui dia desses: fazia muito tempo que não revia o classicão do George Romero, o filme-pobrinho-e-semi-amador que resgatou os zumbis da draga vudu em que estavam mergulhados desde os anos 40 e que ao mesmo tempo estabeleceu todos os critérios (e os milhões de plágios e homenagens) para a descendência nas décadas seguintes. E o filme continua muuuito bom. Tem de tudo, pra todos os gostos, incluindo o do nosso George Smiley, aqui do blog, ferrenho inimigo do gênero:
[Leia mais!]
20:56:14 - Zeno - 1 comentário

Seu passado e meu futuro nos condenam

Agora que nossa viagem a Hokkaido foi adiada por motivo nuclear maior, e depois que até a Shakira deu as caras aqui no boteco, o melhor mesmo é ficar em casa, ligar a TV e sintonizar as obsessões de sempre. Slogan de um documentário de 2009, The Rules of Film Noir, que descobri graças a uma amiga ainda mais cine-fanática que eu:

"Choose a dame with no past and a hero with no future".

(crdt: solerte sil)
10:00:05 - Zeno - Comentar

.:: mês anterior :: :: :: :: March 2011 :: :: :: :: próximo mês ::.