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Zenices

Pensamentos de Zeno acrescidos de pérolas de igual verve vindas de procedência vária.


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21 Julho

Madame Surtaud

Deu na Folha de hoje, mais um capítulo da sanha das sinhás contra as cunhãs:

NINA HORTA

Empregadas, mais um capítulo

Leitores, por favor, ajudem a responder: Por que se foram as boas empregadas dos bons patrões?


Como todos se lembram da fase em que existiam empregadas! Acordei leitores de todas as idades e lugares. Claro que estou me lembrando só das doçuras de um tempo em que éramos empregados, mas também tínhamos empregadas, o que possibilitava coisas na vida que não seriam possíveis nos dias de hoje.
Dona Marta, por exemplo. A passadeira ficou conosco uns 30 anos. Na menopausa virou cleptomaníaca. Com o dinheiro que roubava, comprava coisas para meus próprios filhos que ficavam furibundos, pois a mesada deles ia toda embora em pijaminhas de calça curta.
Tinha um ciúme do emprego que não dava para acreditar. Uma vez teve que ser mandada embora. Uma americana veio morar um ano conosco. Ela se recusou a lavar a roupa dela. Não lavo e não lavo. Foi um constrangimento, teve que sair. Dona Marta iria nos fazer falta. Afinal, lavava e passava com perfeição, e era uma inglesa, só conversava sobre tempo e flores. Pois, foi embora.
Quando eu chegava, sentia certo ambiente diferente, uma risadinha aqui e outra ali, mas não descobria a causa. A arrumadeira nunca se queixou do trabalho extra e era quem tinha mais sorrisos amarrados na boca. Adivinharam. Dona Marta nunca foi embora. Chegava depois de mim e saía antes, não recebia salário. Fingiu que nada havia acontecido e continuou tudo como dantes no quartel de Abrantes.
Daí chegou a época em que só se arranjava as piores empregadas. Ninguém mais sabia cozinhar, ler, escrever, atender telefone, espanar.
A última, vinda do sertão, custei a perceber, falava outra língua. Substantivos que eu usava ela não sabia o que queriam dizer. E vice-versa. Então, calava. As palavras mais básicas, como pires, manteigueira, lichia (ah, aquela jaquinha?), água com gás, maionese, páprica, purê, ela armazenava para o esclarecimento final, no dia em que eu juntasse o objeto à palavra. Não nego que era inteligentíssima, vá você trabalhar na casa de um japonês que não fala português.
Aumentaram-se os ordenados. E vieram aquelas com as quais eu menos conseguia conviver. As novas ricas, que tomavam emprestado o status das patroas. Sabiam nomes de políticos, celebridades, peruas. Todas as receitas delas levavam leite condensado e nozes.
Ficavam arrepiadas ao ter de passar uma camisola de cambraia velha, tão fresquinha, já puída, um pijama de flanela xadrez de estimação da patroa nova. Faltavam-lhes referências para qualificar pessoas e por pouca informação classificavam as visitas pelos carros.
As esnobes sem causa. Falta falar na empregada perfeita, melhor que você em tudo, a tenho-saudade-da-Bahia, a estudante-de-direito, e outras. É de chorar.
Aprendemos inclusive a mudar o jeito de comer. Picadinho passou a ser pitéu de festa de casamento. Quem chega do trabalho e faz arroz, feijão, carne, farofa, banana frita, verdura e salada? Da próxima vez, com ajuda dos leitores, descobriremos o que aconteceu com aquelas moças tão prendadas. Por que se foram? Não vale falar da patroa ruim e da empregada ruim também. Por que se foram as boas empregadas dos bons patrões, é a pergunta.
11:33:32 - Pinto -

09 Julho

Pesquisa



Coincidência ou alguém mais arruma assim na cueca?
14:19:15 - Pinto -

04 Julho

Vá estudar, minha filha!

Acabei de escutar a locutora da Rádio Eldorado entrevistando um professor de Relações Internacionais da USP sobre a doença do Chavez e o futuro da Venezuela:

– Mas, professor, e o que a oposição pode fazer para que a Venezuela não seja mais uma ditadura? Ela tem o apoio político, econômico e sobretudo dos militares para tirar o Chavez do poder?

Loco, né?
14:37:57 - Pinto -

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