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Jornal Velho

Recortes e papéis de ontem, de duas décadas, do mês passado, de hoje - o pesadelo do pessoal de limpeza.


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28 Julho

E agora um assunto mais leve

Tenho lido sobre os eventos em Oslo direto da fonte, que eu falo aquele javanês deles. E topei com essa pequena pérola no site da NRK, TV pública da Noruega, que tem controle social e todas essas firulas que apavoram a grande, isenta equilibrada e não menos combativa míjia brasileira. A tradução é minha mesmo, o original se encontra neste endereço e há muito mais coisa bacana ali. Pena que nem o eco seja visto por estas plagas. Dê uma lidinha e, se possível, envie cópia para Ovário de Cavalo®, Renaldo Azeveja e outros menos votados. Não esqueça de lavar bem mãos e teclado depois disso.

Rosendal
Mais de 200 mil pessoas manifestam-se contra a violência em Oslo, há três dias. A Polícia orientou moradores a ficar em casa, pois não havia mais espaço nas ruas. Numa capital com menos de 1 milhão de habitantes, não é uma marchinha de gente diferenciada, não (NdoT).

Blogues de direita fazem autocrítica após os atentados

Temendo inspirar potenciais terroristas extremistas, o moderador Ole Jørgen Anfindsen promete atenuar críticas mais duras a uma Noruega multicultural.

– Depõe contra todo o "movimento" o fato de um louco como Anders Behring Breivik ter feito o que fez, diz o responsável pelo site honestthinking.no.

"Todos" condenam as ações de Breivik. Mas o assassino compartilha com eles muitas opiniões no que tange o Islã e a imigração.

– Para justificar sua terrível conduta ele usou um argumento que contém alguns dos elementos que eu e muitos usamos, diz Anfindsen a NRK.no.

No livro "Paradigma do suicídio" Anfindsen escreve que a imigração e a miscigenação irão destruir a civilização ocidental. Numa carta, ano passado, ao jornal Vårt Land (Nossa Terra) ele afirma:

Há razões para esperar que a contínua imigração em massa de pessoas oriundas de países muçulmanos faça com que a Europa cada vez mais se alinhe às regiões do norte da África e ao Oriente Médio, o que é uma ameaça à cultura da Noruega e de outros países europeus.

De agora em diante, Anfindsen promete atenuar a retórica. Diz que irá revisar tudo o que escreveu para garantir que nada seja usado para incitar a violência.

Não irá, contudo, se afastar de "Fjordman" (Homem do Fiorde), o blogueiro anônimo citado constantemente nos escritos de Breivik.

– Seria covardia da minha parte.

Fjordman escreveu um apêndice intitulado "Traição" no livro de Anfindsen, no qual reitera que a elite ocidental tolera a imigração em massa para dar forma a uma nova ordem mundial.

– Eu acho que Fjordman é um comentarista extremamente ilustrado e um observador lúcido, afirma Anfindsen a NRK.no.

Porém, segundo o jornalista Øyvind Strømmen, autor do livro "Eurofacismo", Anfindsen professa uma ideologia mortal, segundo a qual os muçulmanos irão tomar de assalto a Europa. E a elite que permite que isso ocorra é portanto culpada pela descaracterização da nação.

– Há pessoas que volta e meia creem nisso, e não é surpresa que redunde em mais violência, afirma Strømmen.

A retórica volta-se contra si mesma. Blogueiros islamófobos na Noruega e no resto do mundo viram-se sob grande pressão da mídia depois que Breivik citou vários deles no seu manifesto.

Muitos temem ser associados ao assassino em massa.

– Eles sustentam que o Islã como religião conduz à violência e, portanto, os jihadistas levam isso a cabo literalmente. Agora esse tipo de retórica volta-se contra eles mesmos, diz a pesquisadora Randi Gressgård, da Universidade de Bergen.

Um deles é o norte-americano Robert Spencer.

O homem por trás do site Jihad Watch não mostra nenhum arrependimento, no entanto. No seu site ele parte para o ataque contra os críticos.

– Estou chocado e com raiva por conta dessa tragédia, um assassinato em massa de jovens, ter sido usado para tentar moderar críticas contra uma ideologia radical e opressiva, disse ele numa entrevista à BBC.

Spencer, como muitos islamófobos de destaque, sustenta que o Islã é uma ideologia totalitária –não uma religião. E culpa inteiramente o Islã quando indivíduos ou grupos levam a cabo ações terroristas.

Mas agora a situação se inverteu, e Spencer e seus correligionários experimentam o outro lado: estão sendo corresponsabilizados por um atentado terrorista do qual não participaram.

Øyvind Strømmen diz que é razoável que os ditos contrajihadistas agora se justifiquem.

– Eles responsabilizaram coletivamente os muçulmanos pelas ações de alguns grupos. Agora recebem as mesmas críticas pelo mesmo fenômeno, e de repente descobrem que o terror é apenas algo que ocorre independentemente da sua vontade.

Ole Jørgen Anfindsen diz que compreende as críticas que recebeu.

– É necessário que todos reflitam sobre seus motivos e atitudes e prestem muita atenção como irão se comportar no futuro, diz.
11:03:46 - Pinto -

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