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A hora do DJ Mandacaru

Velharias musicais sempre fresquinhas.


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18 Maio

A sonora vingança da Orkestra Rumpilezz

Franciel Cruz

Nem a lua, nem o conhaque. O que realmente me deixou comovido como o diabo foi saber que chegou ao fim um constrangedor, indecente e inexplicável silêncio. Felizmente, os bons instrumentistas da Bahia resolveram dialogar com os tambores da religiosidade de matriz africana.

É vero que esta revolução na música baiana já acontece desde março de 2006, porém, não fiz fé. Pensei se tratar apenas de mais uma tentativa da interminável série de macumbas pra turista ou, na melhor das hipóteses, de mais uma sessão de lombra music tamborístico-jazzistica.

Ledo e ivo engano.

Na noite deste domingo, na Concha Acústica, finalmente me rendi à Orkestra Rumpilezz, este é o nome do milagre, que une o vigor percussivo dos batuques dos terreiros com um naipe de sopros da mais alta qualidade.

Creiam, hereges, eles fazem um trabalho que livra a Bahia do vexame a que fomos submetidos desde que nossas mais caras heranças musicais foram seqüestradas por um bando de seres rebolantemente macabros. E provam ainda que música ruim não é nossa sina, ao contrário do que já estávamos nos acostumando.

E temos a certeza de algo diferente logo no início da apresentação. O show começa na espinha mole, com os percussionistas dando o tom. Aliás, além da deferência de serem os primeiros a ocupar o palco, o respeito à força dos atabaques, timbaus, surdos e pandeiros se dá também no campo simbólico da indumentária. Os cinco rapazes, mais alinhados do que meio-fio, tocam de smoking branco. (Talvez os mais afoitos digam que isto é besteira. Não acho. Entendo que é uma forma de elevar a percussão, que sempre foi tratada com desleixo). Porém, o couro come mesmo quando os 15 músicos de sopro se juntam aos percussionistas. Acontece, então, uma explosão sonora que nos deixa felizes e orgulhosos. E, depois de tantas vergonhas, nada melhor do que bons motivos para nos orgulharmos e ficarmos contentes com as coisas desta besta e ainda bela província.

Mas, não prosseguirei com esta prosa ruim de pseudo-crítico musical ufanista. Não tenho esta vocação. Faço apenas este último parágrafo para registrar um episódio ocorrido em dezembro de 2003. Na ocasião, assisti pela primeira vez a uma exibição da Spok Frevo Orquestra de Recife, que dialogava com o frevo com respeito, mas sem aquele ranço saudosista. Foi uma experiência de lavar e enxaguar a alma. Ao término, porém, senti apenas vergonha. Vergonha de ser baiano e não termos a capacidade de unir tradição e modernidade de forma sensível e original.

Porém, com a Rumpilezz acabou a inveja. Estou vingado dos pernambucanos.

Agora, chega de lero e som na caixa, maestro.
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Postado num terreiro de Santo Amaro da Purificação e recuperado no éter pelo radialista baiano Guglielmo Marconi. [Leia mais!]

17 Maio

Out of the Cool and Into the Hot

Pelo jeito, tá na boca do povo: mais e mais pessoas andam descobrindo que, ao chegar ao Paraíso, a música que os receberá vem de uma grande orquestra, tocando o tempo todo in tutti, sem solistas chatos, só com aqueles ataques alternados de cada seção de metais e algumas madeiras. Agora é a vez do NY Times de hoje e da ilha de Manhattan se renderem à constatação, numa homenagem a Gil Evans. Cliquem, senhores, para um gostinho de Éden.

(crdt dj mandaca)
09:52:58 - Zeno - 2 comentários

16 Maio

Ah, as delícias da aposentadoria...


"E esse café, Nico, ainda vai demorar?"

Isso aqui a gente não pode especificar muito, não.
Vocês são leitores aplicados, leem regularmente o noticiário internacional, enfim, sabem do que estamos falando.

A moça em tela resolveu pedir ajuda a uns poetas relativamente bem sucedidos (William Butler Yeats, Emily Dickinson, W. H. Auden, Dorothy Parker, Walter de la Mare e Christina Rossetti, só gente mais ou menos) e lascou a bolacha abaixo.
Ao menos por solidariedade, vocês deveriam ouvir.

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14 Maio

As Invasões Bárbaras


Franciel Cruz

No início dos anos 70, alguns bárbaros nordestinos invadiram a nem tão civilizada música brasileira. No matulão, os paus-de-araras traziam xote, maracatu, toada, baião, forró, embolada, entre outros ritmos sacolejantes. Porém, às violas dos repentistas, às safonas, zabumbas e triângulos, que os encantaram na infância, estes herdeiros de Gonzagão, Jackson do Pandeiro e João do Vale incorporaram as guitarras elétricas, que os inebriaram na adolescência. E deixaram, com variações na tinta, boa impressão digital no cancioneiro popular de Pindorama.

O marco desta ascenção sertânica, para mim, é ano de 1973, quando Ednardo, Rodger Rogério e Téti (que na época assinava Tetty) lançaram o LP Meu Corpo, Minha Embalagem, Todo Gasto na Viagem – Pessoal do Ceará. [Leia mais!]
12:50:44 - DJ Mandacaru - Comentar

10 Maio

Web Casa dos Espíritos

"Depois da ingestão de 78,43% de uma garrafa de Red (cortesia de Zeno), DJ Mandaca, como sói, passou a lecionar sobre a história da música nos 18 continentes e numa banda da Bahia.
No meio da aula, sorrateiramente, ao estilo de seu conterrâneo Miguel Arraes, velha raposa cearense, fez a seguinte e indecente proposta. “França, tu escolhe os discos, eu carrego na internet e a moçada se lambuza. Vamos numas?”.
Ao perceber que este empolgado e embriagado locutor aquiescia, o desinfeliz partiu para o golpe baixo. “Ah, ia esquecendo de dizer: tu escreve o texto, claro!”

PUTAQUEPARIU O CONSTRANGIMENTO!!!

E, como transito no terreno musical com a mesma intimidade que Cascão no pólo aquático, fui obrigado a sacar do coldre meu diploma de jornalista. Afinal, só assim poderia fazer algo muito próprio destes profissionais do ramo da comunicação: dissertar, com uns tragos de pedantismo, sobre o desconhecido.
Então, deixemos de prolegômenos e vamos falar de jangada, que é pau que bóia (deixa o acento, revisor sacana).

Seguinte é este.
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06 Maio

ah, é?

intão quisifodadeveiz



e que semelem
todas as cuecas
eternamente

05 Maio

O vôzinho do reggae


Se você é da turma que venera o Hailê Selassiê e o rastafarianismo, e fuma aqueles cigarros que não recolhem IPI nem ICMS como se estivesse indo pra missa, pule pro próximo post.
O negócio aqui é o mento, um ritmo jamaicano que surgiu na década de 50 e que se dedicava a exaltar o contubérnio carnal, a birita, a diversão. Os Jolly Boys estão na ativa desde essa época.
Dois anos atrás, gravaram um disco de covers do Iggy Pop, Lou Reed, Steely Dan, The Doors, Rolling Stone e Amy Winehouse, que vocês podem ver nos tubos.



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