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Filmes esquisitos

Nós gostamos mesmo é do escurinho.


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30 Junho

Guerra Mundial Z (World War Z, 2013)

Quem lê o blog há algum tempo sabe da nossa predileção pelo proletariado mundial das últimas cinco décadas, os zumbis. Não, infelizmente Guerra Mundial Z não vai entrar pra galeria das obras-primas do gênero, o que é uma pena, porque este é o primeiro filme de zumbi da história feito com grana a valer, e essa dinheirama toda aparece inteira na tela, com as seqüências lotadas de efeitos especiais de cair o queixo. Muita gente já escreveu sobre os problemas de produção (jogaram fora os 40 minutos finais e refizeram o fim do filme; trocaram de roteirista 4 vezes; o orçamento parrudo de 150 milhões de dólares estourou pra mais de 200), e é razoável supor que não veremos outro filme big budget com nossos simpáticos zumbis por um bom tempo.

Tá mais pra filme de tensão do que pra grand guignol - nem sangue tem, pra não comprometer a classificação da censura nos EUA, 13 anos, o tal Parental Guidance 13; a faixa seguinte já é a R, Restricted, que excluiria o público adolescente das salas e afundaria a bilheteria da bagaça. Filme de zumbi sem morto-vivo mastigando pedaços saborosos de seres humanos parece um desperdício, mas duas contribuições/novidades do filme em relação ao gênero nos parecem indiscutíveis: a velocidade alucinante dos infectados, esquema The Flash, ajudados pela montagem "headshot-vale-bônus", e a massa informe de zumbis se deslocando em obediência à mecânica dos fluidos, verdadeiros tsunamis de mortos-vivos inundando as ruas das grandes cidades como se fossem rios de insatisfação popular.

Pontos altos: as cenas iniciais em Filadélfia e a seqüência em Jerusalém. Ponto baixo: o tal final novo inventado de afogadilho, 20 ou 30 minutos completamente deslocados do restante do filme.

Conclusão mezzo distraída: é melhor que os governos mundo afora comecem realmente a enfrentar o problema da desigualdade de renda o quanto antes. Porque, camarada, quando as massas se enfurecerem pra valer, zumbi style, não vai sobrar nem "bosta pra fazer a autópsia", como dizia um amigo das antigas, de alma mais poética. Ou seja: los indignados chegaram. E eles têm fome.
12:04:48 - Zeno -

25 Junho

Richard Matheson (1926-2013)

Putz, e morreu o Richard Matheson. Quem? Seus ingratos, cliquem na Wikipedia em inglês ou na versão pobinha em português, ou mesmo na lista do IMDB. No registro depoimento boboca, posso dizer que ele foi o cara que, ao lado do Harlan Ellison , moldou a maneira pela qual comecei a entender e gostar desse negócio esquisito chamado ficção científica, normalmente um gênero que sofre com a ruindade reinante de modo até mais acentuado do que outras searas da cultura pop, mas isso é assunto pra outra hora. O que dizer de um cara que esteve envolvido numa lista de filmes e seriados de TV que vai de "Incrível Homem que Encolheu" ou de "Mortos Que Matam"(que depois virou "A Última Esperança da Terra" e desembocou no "Eu Sou a Lenda"), passa por episódios do "Além da Imaginação/Twilight Zone" e do "Star Trek", e chega até o "Encurralado" do Spielberg?

Matheson era o cara. E a melhor homenagem é ir atrás dos filmes e das séries feitas a partir das suas histórias. O Sindicato Informal de Roteiristas Injustiçados pelo Sistema (SIRIS) agradece.
20:19:41 - Zeno -

16 Junho

Jornada nas Estrelas - Além da Escuridão (2013)

Podemos inventar nova categoria de apreciação estética das artes cinematográficas? Sim? Então vamulá: Star Trek - Into Darkness é o filme que mais me fez suar no cinema, em cinco décadas de peregrinação cinéfila. Literalmente saí da sala com a camisa empapada, com ar condicionado funcionando e tudo o mais. Cada uma das seqüências de ação, e são muitas, quase todas boas, muito boas ou simplesmente sensacionais, parece ter sido decupada e montada pra provocar o máximo de tensão, o máximo de desespero, o máximo de ficar na ponta da poltrona. Não me lembro de outra máquina de diversão tão azeitada assim, e esse é exatamente o ponto: é difícil julgar o troço, visto num IMAX 3D com som perfeito, com categorias estéticas tradicionais, um pouco a mesma sensação quando se falou do Avatar aqui no blog. Trocando em miúdos, a sinestesia pura está aquém das categorizações fornecidas pelos conceitos. Daria até pra fazer um reparo ou outro quanto à linguagem, excesso de close-ups, por exemplo, vício da origem televisiva do diretor e que já tinha transformado o Missão Impossível 3 num telefilme pesadão. Ou a droga do foco que oscila mais que direção de passeata em SP, mas talvez a culpa seja da câmera trambolho do Imax, porque o mesmo defeito dava pra ser visto no horroroso Batman 3 do Christopher Nolan.

Mas a sinestesia é só metade da história. A outra metade é o prazer de ver o filme na estréia, junto do público nerd, geek, trekker, o escambau, de todas as idades, incluindo umas quinze, vinte cabeças branquinhas, branquinhas, o que suscitou a seguinte pergunta de minha esposa Íris: "Quinem show do Black Sabbath?". Exatamente quinem. Durante as cenas, hum, emotivas, e de novo há várias, deitando e rolando na mitologia da série, dava pra ouvir em alto e líquido som o soluçar da platéia, incluindo este que vos fala, obrigando um monte de marmanjo, véio e novo, a enxugar os bacanudos óculos 3D do Imax. Ou outra diversão, que foi ouvir o cinema inteiro, em uníssono sussurrado, declamando as palavras imorredouras, míticas, "Space: the final frontier. These are the voyages of the starship Enterprise. Its five-year mission: to explore strange new worlds, to seek out new life and new civilizations, to boldly go where no man has gone before.", com a ligeira modificação, em tempos de correção política, para "where no one has gone before".

Enfim, e pra resumir: foi o máximo. Tem gente falando mal, tem gente com argumento boboca, tem gente falando bem. Mas vá, veja, de preferência no Imax, e dê seu palpite. E uma última provocacão: chupa, Star Wars!
19:57:05 - Zeno -

02 Junho

"Stand Up Guys"

e fodase os críptico.
e amigo é pressas coisa.
e until o the end.
e viva o alan arkin.
02:29:48 - George Smiley -

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