Folhinha da Seicho-No-Ie: em sampa agora, uísque, só purinho...



...ou então miojo

[Nossas impressões sobre as cozinhas do mundo - a contrapartida sólida da Busca do Graal.]


Dez anos de Hipopótamo Zeno

Outra seção antiga da casa, a de resenhas de restaurantes, vulgo "... ou então miojo", andava carente de atualização. Inaugurado uns meses atrás, o tal Brera merece uns pitacos favoráveis. É uma casa de panini, ou seja, só serve sanduíche. Tem cerveja italiana, a tal Moretti, também conhecida como "na Itália tem muita porcaria também". Os preços são camaradas, dez pratas o panino pequeno, 20 o panino parrudo acompanhado de salada. Mas qual o motivo da recomendação hipopotâmica? Os frios, meu camarada, os frios, são todos importados. Malandro, se tu acha que aquela gororoba do Mercado Municipal merece algum elogio, cê não sabe o que é morder um sanduíche de mortadela italiana e sair correndo pro abraço com o mestre salumeiro responsável pela iguaria. Se a mortadela é de chorar, outras lágrimas têm de ir para a bresaola, para o prosciutto crudo e cotto, para o salame, etc etc. Fui até apresentado a um tal fiocco di prosciutto, curado a partir da parte mais magra do presunto, que é tão sutil que precisei de três sanduíches para uma correta avaliação. Três, aliás, ou quatro, ou mesmo cinco, é a dica pra apreciar o lugar: peça os panini no tamanho pequeno, pra mó de variar sabores e combinações rumo ao nirvana.

Brera, me informa a Wikipedia, é um bairro de Milano, aparentemente chic e descolado. A julgar pelos donos do lugar aqui em SP, todos veramente italianos e que ficam zanzando pelas mesas com ar chic e descolado, camisa (pra dentro da calça) com dois ou três botões abertos a mais do que recomenda a ABNT, eu diria para as moçoilas tomarem cuidado com as investidas. Mas pode ser impressão de primeira visita. Ou não.

Aqui, algumas resenhas divertidas do Trip Advisor, com os italianos de passagem por São Paulo pulando de alegria com a novidade.


Chez MIS

Volto a este augusto espaço para relatar nossa visita ao restaurante do MIS, aberto não há muito tempo, uma franquia do Lorena 1989. Foi assim:

Chegamos mais cedo para aproveitar o museu com as crianças. Era meio-dia, o restaurante acabara de abrir estava vazio, mas quisemos garantir nosso lugar. Tentamos reservar uma mesa para seis pessoas, três delas crianças. Fomos recebidos por um host com cara e modos de SP Fashion Week:

— Nós não reservamos mesas.

Explicamos que aguardávamos alguém, ficaríamos lá fora por quinze minutos, meia hora, apenas. Mas não. Poderíamos deixar a mochila com as mudas das crianças?

— Nós não temos como guardar a mochila.

Tudo bem. Saímos. Voltamos. A mesa estava reservada. Fomos recepcionados por outro host com cara e modos de SP Fashion Week — eles são legiões. Apontamos para a mesa reservada. Ele disse que não era nossa.

— Esta mesa está em nome de Sabrina.

Não éramos nós. Expliquei que tínhamos acabado de sair dali expressamente avisados de que a casa não reservava mesas.

— Só em casos muito excepcionais reservamos. É uma mesa para uma família com duas crianças.

Nós estávamos em três crianças, mas o outro host com cara e modos de SP Fashion Week fez um muxoxo e limitou-se a informar que havia outras mesas disponíveis. Sentamo-nos. Atendeu-nos um garçom com cara e modos adivinha de quê? Fizemos os pedidos, chegaram, exceto o meu, claro, que veio atrasado, provavelmente esquecido, mas veio. Estava tudo muito bom. Um peixe grelhado, uma milanesa, um nhoque. Bebidas corretas, mojitos, bloody mary.

Sobremesas. Havia sorvete de creme. E havia milk shake de chocolate. Minha amiga perguntou ao solícito garçom se seria possível sua filha pedir sorvete de chocolate em vez de creme.

— Não —, ele limitou-se a dizer, encarando as crianças com um certo ar de nojo.

Cafés. Bons, vieram antes das sobremesas demoradas, mas também boas. Preços tão pomposos como o atendimento.

Resumindo, você já entendeu. Uma pena que um espaço tão bacana para um domingão em São Paulo, especialmente para famílias com crianças, tenha a boa cozinha eclipsada por um serviço afetado, mais cheio de regras que um colégio de freiras, o que aquela gente é de fato. Mesmo sem os dez por cento do serviço, que nos recusamos a pagar, a conta ficou alta para o desaforo. E em vez da estadia agradável e da refeição correta levaremos na memória a aula de catecismo das freirinhas menstruadas.

Nota: duas ave-marias e três pais-nossos ajoelhados no Herchcovitch.


Hooter's

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E foi reinaugurada, em SP, uma filial da Hooter’s, a rede americana de petiscos e laticínios. Nosso repórter Lama foi conferir. Segue diálogo testemunhado por fonte fidedigna:

[Lama] – Oi, hãã... (olhando para o crachá da garçonete).... Ana, tudo bem?
[Garçonete Peituda] – Tudo.
[Lama] – É você que vai atender minha mesa?
[Garçonete Peituda] – É.
[Lama] – Então o prazer vai ser todo meu...
[Garçonete Peituda] – (pronuncia som abafado)
[Lama] – A-N-A, legal, né? Dá pra ler de frente pra trás e de trás pra frente. O nome disso é palíndromo, sabia?
[Garçonete Peituda] – Sabia. E o nome disso é cardápio. Vai pedir alguma coisa?


CT Boucherie

E por falar em carne, #ficaadica: o novo restaurante do meu, do seu, do nosso sempre sympa Claude Troigros, inaugurado há pouco na Dias Ferreira, Leblon, ainda mantendo o título criado aqui na casa de Melhor Cidade do Interior Que Eu Conheço (o bairro, não o Claude). O ovo de colombo do Claude, não do bairro, é fazer um restaurante para carnívoros convictos em que a peça de carne é fixa (isto é, você decide o que vai comer num menu enxuto de cortes) e o que fica em rodízio são os acompanhamentos, naquele patamar Claude: garçons passam a toda hora oferecendo suflê de chuchu, arroz com amêndoas, vagem-manteiga no alho, risoto de quinoa, purê de mandioquinha, etceterá. Sobre as carnes, o bife de chorizo estava excepcional e o restante levou um 8 com louvor. Sobre a ambiance, tinha fila, tinha celebridade, tinha confusão, tinha muvuca, o que quer dizer que enquanto não baixar a poeira é melhor chegar bem cedo ou bem tarde.

Clicando aqui, um video curioso do Claude explicando o "conceito" do restaurante.

(crdt video: p. aral)


Bottagallo

Abriu há três meses, e está sempre cheio. Fica no Itaim, o que de uns bons anos pra cá significa “lugar em que sua presença melhorará muito o ambiente”. É da mesma rapaziada que montou Pirajá, Astor, Pizza Bráz, etc., o que é garantia de combinações societárias curiosas, comida correta, às vezes mais que isso, e serviço profissa, que se estende do sujeito que segura a onda na entrada, mesmo com uma espera imensa (anotem aí, Coelho é o nome do garçom traquejado que dribla a impaciência lá fora), passando por um barman que sabe das coisas (um Negroni e um Vodka Martini não me deixam mentir, embora tenham feito outros estragos) e chegando no pessoal das mesas, solícitos a cada impaciência do freguês. A leitura do cardápio, extenso demais, nos promete um mundo sensacional de petiscos de extração italiana. Minha consorte, que entende tudo de cardápio e de sensacional, diz que falta muita coisa, além de ter ficado puta pelo fato de os caras terem trazido finalmente ao Brasil o tal gnocco fritto, sua ingênua esperança de ficar rica um dia com a idéia (já que namora um blogueiro). E a comida? Bem, nada do que foi provado era inesquecível. Um ovo cozido e empanado diferentão, umas costelinhas de porco OK, um “envelope” de mortadela com taleggio dentro, enjoativo, e um agnolotti recheado de carnes diversas que foi a decepção do almoço. Tem vinho da casa, trazido por eles mesmos da Itália, um rosso de montelpuciano que não fala mal de ninguém e tem preço camarada.

Enfim, leva uns 7 miojos, mais pela organização e pela ousadia de apresentar um cardápio inesperado que pela refeição.

(Depois que nosso Redator Chefe Pinto foi cooptado pela grande imprensa e passou a escrever resenhas gastronômicas mediante pagamento, nossa seção “... ou então miojo” estava às moscas. Continua sem o brilho do Mestre, como se vê acima. Esta é uma reclamação pública. Ouviu?)

(Em tempo: para uma resenha mais ponderada e informativa sobre o lugar, temos sempre a opção do inexcedível Luiz Américo, aqui)


Modernidades

O tão decantado Chi Fu ganhou sede nova, quase junto à antiga na Praça Carlos Gomes, pomposa como convém ao delirante crescimento chinês. Ficamos devendo as fotos, mas é impossível não ver o palacete kitsch, vis-à-vis a estação Liberdade do Metropolitano. Mudança sim, mas respeitando as tradições pelas quais tanto amamos o restaurante:

- O serviço continua confuso grosseiro e monolíngue. Ainda não conseguimos descobrir, contudo, se mandarim ou cantonês.

- Atentos à preocupação ocidental com eliminar gordura às refeições, os donos mantêm no banheiro um dispenser (perdão!) com detergente em vez de sabonete. Verde. Pelo aroma, Limpol ou Ypê. Sem glicerina, claro.

- As mesas de oito, dez comensais continuam abrigando oito, dez comensais... desconhecidos, que são dispostos ao sabor do (mau) humor das atendentes. Sua aventura por lá pode sair mais multicultural do que o imaginado inicialmente.

- Existe agora um um mezanino, fechado quando fui, mas não sei se permanece o porão onde habitariam os supostos comedores de Whiskas.

- A fauna viva em aquários e sabe lá mais onde não são mais "abertos ao público", por assim dizer.

- A cozinha continua uma das mais deliciosas de São Paulo, provando-se que não é necessário deixar uma fração polpuda de um salário mínimo para ter acesso a um repasto decente, isto é, se o cidadão não for afeito a um nível considerável das frescuras que acometem sete entre dez ditos gastrônomos por aqui.

- A inefável melancia espetada com palitos de sobremesa cai muito bem no bucho depois de tanta comilança.

- Depois de tudo o cidadão ainda tem a Liberdade inteira ao seu dispor para um passeio de compras/meditação como poucos na cidade.


Bueno

Achei meio caro o de R$ 26, 00

Pela primeira vez um restaurante é resenhado três vezes aqui no blog (o recorde anterior era do Chi Fu, duas vezes, o que demonstra o pendor oriental da casa). Para isso, foram necessários 3/5 da redação presentes à mesa. Sucintamente, pois:

-- a comida: como no finado A1 (nunca devidamente resenhado aqui, o melhor restaurante que freqüentei nos últimos anos), há aquelas porções variadas no balcão, esquema vapt vupt, que fazem a delícia dos mais afoitos. Beringela, carne de porco, kimchi (acelga apimentada), macarrão apimentado: muuuuito bons. O restante é só OK, incluindo a língua feita na hora que perde de dez, de cem, de mil, daquela preparada delicadamente pelo A1 (aliás, "delicadeza" é substantivo raro por aqui, influência quiçá do dono, ex-lutador de sumô). O mais criativo e inesperado é uma "caldeirada", três opções, com tempero impecável e que permite aos convivas, depois de terem degustado os ingredientes, enviar o troço de volta para a cozinha, pra mó de eles cozinharem um udon no caldo que sobrou.

-- a bebida: shochu. E basta. É o paraíso, mesmo que a 25 GL (não descobri se eles têm os de 40, realmente profissionais). Pra não falar do slogan da primeira garrafa bebida, shochu de centeio, que proclamava com orgulho: "It's better than delicious".

-- a fauna: como não gostar de um restaurante que oferece, na mesa ao lado da sua, 15 japonesas legítimas (não falavam uma palavra em português), embebidas em caipirinha, de microfone na mão, cantando os sucessos do Hit Parade de Tokio na semana passada? Como disse um conviva mais animado, em outra mesa ao lado da nossa, "é tudo pra casar - se elas já não fossem casadas".

Nota: 8 miojos, mas com o microfone na mão (ops) eu subo pra 9.

(Ah, sim, a foto acima, com as desculpas pela resolução, é do cardápio do restaurante. Boa sorte.)


Eu gosto mesmo é do "etc."

faltou apenas a picanha

E o que dizer do misterioso "camarão" oculto?


Dalva e Dito

No desfecho do seu "Um banquete de palavras" (infelizmente esgotado aqui há alguns anos), Jean-François Revel elabora um enunciado que cito de memória: a busca pelos sabores mais simples os tornará cada vez mais sofisticados, inacessíveis e caros.

Dalva e Dito, o novo restaurante de Alex Atala, persegue à risca esse enunciado, sobretudo a última parte dele. Atala, seguramente o chef brasileiro de maior sucesso internacional, não precisa mais provar nada a ninguém. Seu D.O.M. frequenta por anos consecutivos listas dos melhores restaurantes mundiais ("É o pior dos melhores", diria um abusado amigo meu, vocês não conhecem, não). Logo, não se compreende por que a ênfase na (falsa) modéstia ao conceituar sua nova casa, dedicada ao "sabor genuinamente brasileiro": "recuperar tradições familiares", "despretensioso", "comfort food", "sem pagar tanto" e outras baboseiras. Expressões tão vazias (ou tão "autênticas", nesta acepção) quanto o pseudodespojamento do lugar.

O ambiente, assinado por outro festejado craque, Marcelo Rosenbaum, tem todo o mérito: é belíssimo e deixa os convivas à vontade sem requerer para um manual de instruções para tanto (o site profissa, aliás —repare no painel à Athos Bulcão que pontifica no local—, transpõe muito bem o restaurante para o mundo virtual). O projeto é, esse sim, algo tão bacana que quase trai sua proposta, senão porque é justamente a arquitetura o que permanece na memória depois da refeição. Um frango na brasa apenas bom, um filé correto, um leitão acima da média, mas "tudo trivial demais", como resumiu minha comensal, não sem acrescentar que a conta —cem reais per capita, sem as bebidas— passa longe da trivialidade. Isso tudo arrematado por um serviço atencioso, ainda que atrapalhado, e muito lento.

Pois é nesse entorno, em busca dessa simplicidade há muito perdida (ou jamais possuída, melhor dizendo), que acorrem personalidades mais ou menos conhecidas, parecendo egressas da mesma matriz fabril, com aquela expressão blasé de enfaro que deveria em tudo destoar da decantada proposta do Dalva e Dito, e no entanto não destoa: complementa-a e parece, paradoxalmente, o mais autêntico de tudo ali. À saída, uma fila de três veículos no (perdão, leitoes!) valet —uma BMW, um Porsche Cayenne e uma Ferrari— me trouxe de volta ao mundo real repondo nos seus devidos lugares, pelo menos na minha mente, o significado de palavras como "simplicidade", "pretensão" e "despojamento".

Nota: 6,0 miojos, pretendendo ser 10.


Arquitetura da Proteína e do Carboidrato

Vou confessar desde já: eu nunca tinha visto nada parecido. Aliás, pra quem carrega anos de comida trash nas costas e em outras partes do corpo menos publicáveis (que não me chamem de mentiroso, dois exemplos aqui e aqui), confesso II que a inveja do "como é que eu não pensei nisso?" só não me corroeu porque o nome do prato poderia ser aperfeiçoado ("pastapazza", por exemplo) e o quitute em questão será meu jantar de hoje à noite. Às panelas, senhores!!


àíó, didjei

ambiente que se preza...

ueba!

só inteiro: [Leia mais!]


Zena

Não, não se trata da minha irmã, que aliás cozinha, lava e passa muito bem, e sim do novo restaurante/"snack bar" recém-inaugurado pelo mesmo do dono do Piselli, tal de Juscelino, que deveria fazer um curso rápido de italiano para descobrir que escolheu um sinônimo de caralho como nome do estabelecimento. Quanto ao Zena, que resolvemos conferir graças a um post do finado blog do Mino Carta, diz muito do lugar que a melhor coisa da refeição tenha sido o vinho, um Verduzzo bacana, 2007, a preço camarada. A afamada focaccia genovesa desanima-se antes de chegar à mesa, e uma outra entrada curiosa, uma mouse de bacalhau, não tem lá muito gosto (também conhecido, em restaurantes mais caros que o Zena, como "sabor delicado"). Mas um dos pratos principais do cardápio, terrine de frutos do mar com pesto por cima e salada, desceu bem à beça e vai deixar saudades. A freguesia é aquela de quinta dos Jardins, com muita loira de cabelo lambido, salto alto e jeans mais caro que o salário do Pinto, mas a varanda grandona ajuda bastante no clima.

Cotação: 6,5 miojos com pesto.

P.S.: Pra quem quiser, o texto do Mino se encontra no Leia Mais. [Leia mais!]


Anita

À falta do que mais fazer e de qualquer referência própria (de estilo, gastronomia, arquitetura ou apenas de decência), a míjia paulistana agora resolveu batizar aquele miolo de Xixienópolis, entre o cemitério da Consolação e a Angélica, de "Consoleta", aludindo à Recoleta portenha. Depois acham ruim serem chamados de macaquitos... À parte o deslumbramento —que não tem (?) a ver com aquela freguesia— e o atrativo para os leitores da Invejinha, há ali uma profusão de restaurantes bons e outros nem tanto. O recém-inaugurado Anita figura entre os primeiros.

Fica na Mato Grosso e é facilmente identificável por um toldo e uma televisão-de-cachorro na porta. De lá sai um perfume de galeto que toma conta do salão decorado com uma elegância que evidencia uma certa contenção de despesas. Os três sócios da casa, soube, são egressos do D.O.M., mas felizmente abdicaram de praticar experiências moleculares empertigadas e em vez disso estão servido refeição simples e decente mesmo, e a preço justo.

O tal galeto não me decepcionou, mas o aroma superou o sabor, um fenômeno comum também aos perus e pernis desta época do ano. Já a batatinha que fica sob os espetos aparando os pingos de gordura... Comi um prosaico filé com mostarda, este sim, que estava proverbial, além de um risoto (de lingüiça) acima da média. O filé à parmegiana não estava mal, embora sobrasse gordura no molho, e teria servido bem um Obelix da vida. O serviço ainda é confuso, mas solícito. O almoço de sexta é animadíssimo porque é dia de feira livre na rua, então que ninguém espere um ambiente exatamente contemplativo na hora de comer. Não abrem às segundas e nem aos sábados para almoço, mas desconfio que vão ter que rever isso logo.

Nota: 8,5 miojos.


Restaurante Tantra

Não se trata extatamente de uma resenha, mas antes de um disclaimer: nunca antes na história deste país havia comido tão mal, num lugar tão postiço, com um serviço tão ruim, por um preço tão alto. O recinto, que se intitula um "Mongolian Grill", fica na Vila Olímpia (onde mais?), ganha bom espaço nas revistas que celebram "estilo de vida" (onde mais?) e se apresenta como restaurante temático com pretensões erótico-new-ageanas (onde mais?). Tudo contra esse tipo de local, tudo contra o preço exorbitante, mas pelo menos que houvesse alguma fruição. Só caí na arapuca por injunções familiares que não valiam o preço de uma rebelião, mas agora tenho certeza do contrário. Como não desejo o mal a (quase) ninguém que visita este blogue, relato o que vivi. Quem sabe outras almas sejam poupadas do infortúnio.

Passava de meio-dia e dos 35 graus e os únicos comensais eram garçons almoçando numa animada mesa no centro do salão, prontamente desfeita na nossa chegada. O calor mongol não inspirou ninguém da casa a subir os toldos —suponho que na Mongólia não haja ar-condicionado—, de modo que o ambiente era o de uma estufa. Casa típica é isso aí. Fazendo as vezes de grill, suponho, uma grande chapa de aço, como nas melhores lanchonetes de rua. Achamos, pois, descabido o valor de R$ 56 para degustar "grelhados" absolutamente banais, numa péssima apresentação, e decidimos arriscar em outras opções. O prato "vegetariano", "uma mistura de cogumelos selvagens", era na verdade um miojo misturado a uns míseros shimeji da variedade branca, a mais ordinária, e uma quantidade tal de alecrim que o tornava incomestível. Ao pedido de um pouco de pimenta do reino para tentar mascarar o sabor do nada, o garçon negou-se e deixou claro que se quiséssemos a pimenta deveríamos ir buscá-la na mesa de grelhados. Meu "cordeiro tandoori" era mais nervos do que carne, coberto com um molho tão salgado que mal deixava espaço para o sabor do curry. Não tive ânimo de provar um outro filé não-sei-das-quantas, que pelo menos foi ingerido sem reclamações.

Ah, sim: por todo o lugar havia cartazes anunciando shiatsu, produtos com a grife Tantra e, melhor ainda, a possibilidade de você se tornar um franqueado do restaurante.

Tempo de espera: uns 45 minutos, embora o restaurante estivesse vazio até então. Bom para os donos da casa, que serviram umas fatias de pão com três molhos sensaborosos, a mais de 8 reais por cabeça, a título de entrada. Aproveitando o mote do erotismo, podiam batizar aquilo lá de "Só a cabecinha", ou algo assim. Resultado: uma conta de mais de 200 reais, sem bebidas alcoólicas, sobremesa ou café, e aquela sensação: se foi bom para alguém não foi para mim.

Nota: zero miojo. Fique em casa e prepare um: vai ficar melhor, vai pesar menos no bolso e você não haverá se sentir vítima de sexo não consentido.


Ton Hoi

Seriíssimo candidato a grande decepção do ano a quase seis meses do 31 de dezembro. Inspirados pelo clima olímpico e pelo delicioso programa da Kylie Kwong no GNT, fomos lá conferir o que seria o grande restaurante chinês de São Paulo, uma espécie de Chi Fu com atendimento digno. Pois nem bem o atendimento é lá essas coisas nem a cozinha justifica a fama ou muito menos o deslocamento até os confins da Francisco Morato. Até aí, queda. O coice foi que a conta saiu por pelo menos o triplo do preço do que estávamos acostumados a pagar.

Várias teorias me apresentaram, mas nenhuma fecha a equação na minha cabeça. A localização parece ser a mais provável: atende aos morumbinos que não querem se deslocar até a cidade e se contentam com uma refeição fora de casa num padrão um pouco melhor que um desses China In Box da vida. Meu pato frito estava esturricado e só não digo sensaboroso porque nada com aquela quantidade de gengibre e alho pode ficar sem gosto. A carne com shimeji e brócolis da minha partner, essa sim (a carne, não a partner) parecia egressa de uma caixinha.

Gostaria de lhe dar uma segunda chance, mas pelo que me disse a própria atendente, e é verdade, o restaurante está sempre cheio, não aceita reservas e é um sucesso de crítica e público em São Paulo. Bem feito.

Nota: 3 miojos.


Robin des Bois

Bistrozim demi simpático, demi sem personalidade inaugurado há seis meses, na rua Capote Valente, em Pinheiros. Não deu pra avaliar a cozinha, porque nossa equipe só encheu a cara de vinho (várias garrafas de um bordeauxzim honesto a 60 pratas) e de acepipes. Uma vista pelo cardápio apontou combinações inusitadas, mas não no bom sentido da palavra, e fica a promessa de novas incursões para que a injustiça seja desfeita. Na verdade, interessa menos resenhar o restaurante do que lembrar, graças ao endereço, que ali por perto ficava o Bomboa, tradicional casa de espetáculos paulistana ("Mas que espetáculo aquela morena, hein?") cujas atividades foram triste e recentemente encerradas por conta da Lei Zero de Consumo Alcoólico e Carnal, vulgo O Que Normalmente Acontece Lá Em Casa de Segunda a Sexta.

Nota: 7 Graals (os Miojos ficam pra próxima).

(Ah, sim, faltou mencionar o diálogo que antecedeu a ida ao lugar:
- Vamos àquele bistrozinho que abriu em Pinheiros?
- Bistrozinho? Qual?
- Hã, num lembro, Três Mosqueteiros, acho.
- Cê quer dizer o Robin de Bois?
- Robin Hood, Mosqueteiros, é tudo a mesma merda.)


Tappo Trattoria

Eis aí um lugar em que as virtudes tornam-se vício. O que era para ser uma aconchegante casa estilo "vagão", no miolo nobre da Consolação, resulta incômoda pela inobservância de regras básicas que estão na página dois de qualquer bom manual de arquitetura. Uma delas diz respeito à relação de altura assento X mesa. A menos que o cidadão meça mais de 2m de altura será desconfortável comer lá. Outra diz respeito ao isolamento térmico: em SP às vezes (cada vez menos) faz frio, e uma porta que dá para a calçada num lugar de 20 e tantos metros quadrados resfria o ambiente a cada abertura —para não mencionar o odor dos charuteiros que vão fumar lá fora e deixam o lugar parecido com uma câmara de gás. Paradoxalmente, a acústica é ótima, a trilha sonora é adequada... mas afinal não se trata de uma casa de shows, e sim de pasto.

À comida que de fato interessa, então: entre regular e boa, mas impressionante como não anima. Em vez da personalidade de um restaurante pequeno, estilo bistrô, um local que não se fixa à memória gustativa de ninguém. Nenhum dos comensais importou-se nem de elogiar nem de maldizer os pratos. (Uma amêga minha —vocês não conhecem, não— queixa-se de não sentir emoção também no Ici Bistrô, a outra casa do mesmo proprietário. Eu preciso ler mais a respeito, mas o local bem que podia mudar o pré-histórico menu do almoço, mas digressiono). Serviço moroso, o que para um local de pouco mais de dez mesas configura-se: 1) um problema administrativo para o dono, pelo giro baixo; 2) uma demora incompreensível, quase irritante, para a clientela. E olhe lá que a relação custo X benefício do menu pende mais para o lado do custo. O exército de motoboys do lado de fora deixa em quem entra a desconfortável sensação, não sei se verdadeira, de um esquema de entrega em domicílio. Notável mesmo era o café Nespresso, incomum em restaurantes, mas desse é possível também ter em casa sem sequer recorrer ao delivery.

Nota: 6,5 miojos.


Carlota

O que dizer de um dos mais badalados restaurantes de São Paulo, quando a ele se vai para um almoço injusto e decepcionante? Mencionar as coisas boas? O Carlota continua um local agradabilíssimo, perfeito para comemorar o aniversário do/a cônjuge, que ainda guarda na memória a deliciosa panelinha de cogumelos que um dia provou na filial carioca. O suflê de goiabada com calda de queijo figura entre os grandes feitos da culinária brasileira de todos os tempos. E pena que foi só.

Omitir as coisas ruins? O serviço não é o forte, o que já denotava uma certa ausência da chefe, certamente ocupada mais em administrar a merecida fama que o próprio restaurante. Mas é necessário alguém para cuidar da lojinha. O rolinho de pato, oleoso e absolutamente sem personalidade, reforçou essa suspeita. O mignon de cordeiro com risoto não estava ruim, embora houvesse manteiga em excesso. Mas a tal cataplana de frutos do mar foi um dos pratos mais sensaborosos e caros que eu jamais provei. Cozimento no ponto, porém quase incomí­vel de tanto sal. Aliás, salgado também era o preço. Três shiitakes, dois aspargos finos, três camarões médios, uma perna de polvo, uma mini-lula e algumas batatinhas numa pequena panela de cobre por 67 reais é coisa que depõe contra toda a cadeia econômica envolvida: quem produz, quem faz e, sobretudo, quem freqüenta. Nossa arriscada mania de variar fez com que chegasse à mesa uma torta de maçã que deixou saudades... da similar servida no Ráscal, por exemplo.

No final, uma conta de mais de 200 reais (sem vinho!) para duas pessoas, sendo 18 reais de um couvert composto por pães e alguns mililitros de um bom queijo derretido enseja uma experiência sublime. A nós mais nos pareceu logro mesmo.

Na mesa ao lado, um casal falando inglês especulava sobre a natureza do restaurante: "Is it French?". "Contemporary". Bidu. Muita fama e pouco proveito, muito franchising e muito valor agregado, os males da contemporaneidade são.

Nota: 6,5 miojos.


Frontera

Alguém que consiga deixar um prosaico frango grelhado com purê de milho daquele jeito mereceria um prêmio, mas há tantos méritos no fantástico restaurante que não caberiam aqui. Fica na José Eusébio rente ao muro do cemitério da Consolação –cujos inquilinos, pelo visto, se estivessem vivos de fome não morreriam. A poucos metros dali está o AK, igualmente bom, mas de relação custo benefício menos vantajosa.

Simplesmente nenhum dos pratos era menos que fabuloso. Da massa às carnes, passando pelas sobremesas memoráveis, tudo sabendo a alguém com um talento excepcional por trás do fogão. Prove o tal do talharim com um certo molho cuja descrição me foge da memória, mas o sabor, não. Ou a garoupa. Ou a polenta com mascarpone e shimeji acompanhando um ojo de bife.

Talvez tenha a ver com a distinção da proprietária, a argentina Ana, cuja presença correta na administração não a deixa com aquela falsa pose de aeromoça, tão comum entre pessoas que se pretendem simpáticas neste ramo. Ou seriam simplesmente os eflúvios portenhos: simples, chique, competente e bem cuidado. Pena que a fronteira mesmo esteja tão distante. Há mais na Argentina que deveríamos importar, mas infelizmente continuamos preferindo Miami.

Nota: 10 miojos.


"Oooh, that looks nice"

Há mais de ano nós e o Estadão alertávamos, para espanto e indignação de nossa audiência, que o aspargo tinha "cheiro de sexo" e a atemóia, gosto. Qual não foi nossa surpresa ao receber confirmação de nossas suposições erotifrutigranjeiras de fonte insuspeita e ilibada, o trepidante Jamie Oliver em seu site de receitas rapidinhas, de pé, sobre o balcão da cozinha: apostamos que você irá olhar para figos de outra maneira, a partir de hoje.

(crdt: feirante assanhada do sacolão aqui perto de casa)


AK Delicatessen

Eu fui e você provavelmente não conseguirá: Andrea Kaufmann, que já tinha sido capa do Paladar do Estadão, acaba de ser eleita "Chef Revelação" com largo destaque pelo Guia da Vejinha, e os 30 lugares do pequeno espaço da Rua Mato Grosso (onde funcionava o Ici, me dizem) já não vão comportar tamanho sucesso. Não que a talentosa e simpaticíssima Andrea não mereça, ao contrário. Mas é que depois da Vejinha as coisas acabam ficando chaaatas...

O AK tem um patamar de preços além do aceitável para um restaurante de cozinha judaica, me garantem amigos da colônia, que tripudiam do fato de comerem de graça os mesmos pratos, preparados pelas avós. "Azar de gói, mas quase os mesmos", pondero, e já explico por quê. Um dia depois da minha visita, justo no Rosh Hashaná e antes da Vejinha entrar na história, a chef avisou que iria aumentar os preços. Parece que o dólar despencando a 1,80 tem um efeito rebote nos restaurantes, só pode, mas digressiono. Com a verba de crítico de gastronomia aqui do blogue minguando a cada dia, acho que não voltaria lá tão cedo mesmo.

Ao que interessa então: o bistrô é fenomenal, mais ainda se considerados os menos de seis meses de funcionamento. O pastrami feito em casa é inconteste o melhor de São Paulo. Os varenikes de rabada com agrião estavam divinos e o pato com repolho adocicado e risoto de parmesão com pistache, para mim, foi a melhor refeição em alguns anos. Isso porque não tinha ainda provado um biscoito de chocolate meio-amargo com purê de damasco. Quem é órfão da dona Cecília, como eu, haverá de se sentir quase confortado.

Nota: 10 miojos, apesar da Vejinha.


bar abierto, plaza serrano ou cortázar, palermo, jul/2007

com uma varanda abrigada p/ 'fumadores' (simplíssimo e esperto plástico grosso montado em perfis de ferro), aquecida e junto a rua, de cara p/ o delicioso movimento da praça, frequencia madura ou ao ponto.

doses que beiram o desonesto (p/ el dueño) do nobre líquido escocês, e uma 'bruschetta de champignons en pan de campo' de correr até o apito final.
acepta-se tarjetas (crédito), salvadoras de la patria pois que c/ dosis do red a 10 pesos (hasta las 20hs, $12 después), madrecita mia.... [Leia mais!]


Couve-Flor (RJ)

Agora que o nosso resenhador oficial de restaurantes está ocupado com líquidos e substâncias pastosas impróprias ao consumo humano, resolvi assumir a cadeira, a faca e o garfo e continuar nossa combalida seção gastronômica – já que a de bares, a Busca do Graal, anda mais fantasmagórica que fantasmagoria escocesa em peça shakespeariana. O Couve-Flor é um restaurante a quilo bacana, no Horto, manjado e conhecido por qualquer carioca que tenha mais de vinte pratas no bolso e não tenha preconceito contra réchauds e balanças. Alguns pratos surpreendem (chuchu batidinho, refogado com camarão e coentro, sensacional), nos fins de semana a oferta é mais inusual ainda, frutos de mar e que tais, há uma miríade de sobremesas deliciosamente esquisitas e, além disso, o entorno do restaurante já vale a esticada, cheio de casas e ruas agradabilíssimas a convidar para um passeio digestivo. O que talvez nem todo mundo saiba é que o restaurante tem uma filial que fica dentro da PUC, na Gávea, igualmente recomendada. Peço desculpas ao público leitor feminino para me dirigir exclusivamente à metade mais burra da audiência: o Couve-Flor da PUC deve ser o restaurante com a maior quantidade de peito bonito que já pude testemunhar nestes anos de divagação gastronômico-gustativo-sensorial. Não quero que me tomem por algum pervertido ou obcecado pela específica área anatômica, longe disso e de qualquer discriminação de outras áreas (as ancas, ah, as ancas – mas divago). É que bastaram algumas idas ao restaurante para que o princípio indutivo da constatação ("Nossa, que peito bonito!", "Olha, mais um ali", etc) se transformasse em evidência fenomenológica irretorquível ("Caralho, estão em todos os lugares!"). Claro que nossas leitoras poderiam protestar: "Mas isto lá é uma razão para se recomendar o restaurante?". Evidentemente que não, cara amiga, e é por isso que eles vêm sempre em pares, sempre dois bons motivos para entreter o olhar enquanto o garfo se ocupa de outras coisas. Os preços são um ou dois tostões acima da média dos quilos vagabundos, as filas nos horários de pico (sem trocadilho) podem atrapalhar, mas a paisagem em dobro compensa.

Cotação: 8 miojos


Modéstia, thy name is Dick

Jornalismo não é profissão, é destino. Não é porque o rapaz é prata da casa, não, mas é preciso espírito cívico, pendor exploratório e estômago de jegue para percorrer a mesma quilometragem gastronômica que nosso Redator Pinto faz a cada semana com um pé nas costas, uma mão no click wheel do Ipod e a cabeça nas nuvens habitadas pela MFK Fisher.

Como nem tudo na vida são quitutes e acepipes, há também os mariscos arenosos e as pastas grano molle: "Benhê, o Pinto ligou e quer levar a gente naquele restaurante de lutador de sumô", "Ah não, é a terceira vez só este mês!", "Cê acredita que o Pinto marcou jantar lá naquele chinês que tem saco de comida de cachorro no banheiro?", "De novo? Ele é sócio daquela imundície?", "Não, não e não, Pasquale não!! E não também para aquela mãe judia que te adotou!!", são alguns dos diálogos ingratos e síncronos que testemunhamos nos últimos anos, a descrever menos a generosidade de nosso Redator e mais a mesquinhez de espírito dos que têm identificador de chamadas.

Impávido, ele vê sua conta corrente minguar, sua Metade Outra embirrar e sua agenda telefônica diminuir, mas não desiste. Um dia a Glória virá. Se não ela, pode ser um tal Marcelo Katsuki, mesmo, que assinou um texto recente na Folha de S. Paulo corroborando tintim por tintim (não, não é especialidade de um Cantão chinês) os pitacos do nosso Redator, que agora deixará de pregar no deserto para ouvidos moucos e bocas grosseironas e passará a dividir uma coluna mensal com Dona Palmirinha no Diário Popular. Aqui, aqui, aqui e aqui, algumas resenhas do Pinto. No Leia Mais, o texto da Folha. [Leia mais!]


Capim Santo

Diz-se que o Capim Santo é um típico reduto gastronômico tucano em São Paulo. Concordo, mas não pelos motivos óbvios. Não pelo preço do bufê ser 45 reais, o mesmo número do partido. Não pelo fato de o governador José Cérbero, com a sua Família Adams a tiracolo, ter almoçado lá neste domingo. Não pela freqüência patriçosa, quase bonita, quase elegante, quase-quase. Não por aquela decoração fundindo Bali e Bahia, nem pelas jaboticabas que, como tucanos (os políticos, não os pássaros), insistem em dar fora de época.

É tucano, sim, mas pelos efeitos da comida. É saborosa. Convida ao apetite. Tem estilo. Mas engana. Tucana. O marreco com molho de pitanga estava bom. O cuscuz estava melhor ainda. As ostras gratinadas, uma delícia. Tudo à vontade. Passei as saladas, inclusive. Só que... os efeitos posteriores foram comparáveis ao trabalho do pessoal do consórcio na linha 4 do Metrô. Na minha casa, por exemplo, foi uma noite de amor aos peidaços que nem vos conto. Santo nada, Capim Sonso, isso sim.

Nota: tucanamente não dou.


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