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...ou então miojo

Nossas impressões sobre as cozinhas do mundo - a contrapartida sólida da Busca do Graal.


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19 Junho

Kinoshita

Olha, resumindo é o seguinte: é seriíssimo candidato a um dos melhores japas de São Paulo, o que não é pouco mérito. Porque, encravado na Liberdade, é sofisticado e se mantém fiel às origens, não se mudou para o Itaim. Porque a ambientação é sóbria sem ser severa. Porque o sunomono (aquela banal conservinha da entrada) logo anuncia a que se vem. Porque o mais simples sashimi tem um sabor de outro mundo. E porque a picanha marmorizada (à guisa de um wagyu) marinada no missô, selada e servida com shimeji (se não souber o que é não merece ir a um bom japonês), coberta com uma cebolinha (couve?) congelada-e-frita e um molho à base de mel com pimenta foi a delícia culinária do ano, pelo menos até agora.

Mas o bom mesmo é o chef do lugar. Nascido no Japão e criado em Engenho de Dentro, Rio de Janeiro, Murakami-san já viajou boa parte do mundo e não perdeu nem a ginga nem os esses chiados, adquirindo um talento cênico suficiente para envolver a clientela sem jamais ser chato. É uma atração à parte sua passagens pelas mesas para conferir a quantas anda a refeição, dar um ou outro palpite e, sobretudo, bater papo, discorrendo sobre a arte de fazer um bom dashi, sobre aquele filme do Kobayashi (atenção, Zeno!) ou só jogando conversa fora mesmo, entremeando as frases com um "Yééééish!" aqui, um "Show!" e um "Do caralho!" acolá. Isso por si é uma atração à parte, mas se a sua mesa tiver sido ornada com um formoso arranjo da rarísisma Flor Carmesim do Cerrado, então, a noite terá sido perfeita.

Nota: olha só, déish miojosh, malandro!

Serviço: Fica na Rua da Glória, 168, e os fones são 3105-4903 e 3241-3586. Fecha às 22h e não abre aos domingos. A dica é ligar um dia antes e pedir para o homem fazer o menu degustação, com o que tiver de melhor no dia. Ah, sim: prepare o bolso, que japonês barato não existe, e japonês acima da média tem preços idem.
09:00:00 - Pinto -

06 Junho

Halim

Já vou avisando: foi o Pinto que me levou lá. É verdade que eu já conhecia, já tinha provado isso e aquilo, me lembrava vagamente de um pão sírio honestíssmo, mas sacumé: árabe é tudo igual, com as exceções do Arábia, do Miski, do Jaber + Catedral e daquele em Santana que ninguém vai porque é longe pra caralho (idem aquele atrás da 25 de Março). As esfihas do Halim são bem boas, i.e., acima da média, os doces são muuuito acima da média, e tem um negócio por lá que nunca tinha visto antes, tal de Uzzi, uma bolota de massa recheada com arroz e cubos de cordeiro que custa 5 pratas e vale uma refeição. A dona do lugar, senhora vetusta e nos trinques, é atração à parte, com a somatória esperadíssima de anéis, brincos e colares de ouro, maquiagem 720 gramas acima do recomendado e um cabelo enigmático que trazia de volta, num gesto de ousadia retrô, o laquê para perucas.

Nota: 7 Miojos. Serviço: fica na Rafael de Barros, próximo da Paulista. Em frente fica outro árabe, com um pão sírio muito bom, pra levar pra casa. Dica ecumênica é conferir alguma programação cultural do Consulado japonês, que fica ali perto (entrada pela Paulista; a videoteca deles, aberta ao público, é inacreditável), e depois traçar as esfihas e os kibes ao lado, algo assim como "Quando o Oriente Médio se encontra com o Oriente Distantíssimo".
07:52:00 - Zeno -

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