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Jornal Velho

Recortes e papéis de ontem, de duas décadas, do mês passado, de hoje - o pesadelo do pessoal de limpeza.


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28 Março

Tempo e placar

Suderj informa:

Sai: "Eu sei que jamais estarei em uma posição digna de suborno".

Entra: "Saibam que em nenhum momento perdi a esperança e deixei de acreditar na Justiça brasileira".

PS nada a ver com o assunto: Missiê Franciel se supera a cada post, o que não é pouco.
17:52:30 - Pinto -

27 Março

A não-notícia do dia

Dona da Daspu não é presa.
13:46:00 - Pinto -

24 Março

Liberaram as Atas do Conselho de Segurança Nacional

Deu no O Globo:

Apesar de pertencer à linha-dura, Costa e Silva foi cauteloso. Num discurso emocionado, ele tentou convencer os colegas a não radicalizarem. "A ditadura jamais será uma solução para o Brasil", disse o marechal, que assumiu o cargo sem um só voto. "Entendo, como revolucionário, que qualquer ato fora da Constituição no momento será uma precipitação. Será, como se diz, um avanço no escuro sem necessidade. Mais uma vez serei acusado de imobilismo, mas a situação continuará como está", desabafou.

(a gente até começa a gostar do bichinho, né? mas aí vem a pérola)

Antes de anunciar o veredicto, Costa e Silva surpreendeu os ministros ao relatar um encontro com candidatas a miss: "Eu sou homem habituado em toda a minha vida a tomar decisões. Ainda outro dia, eu disse às misses que não desejaria estar naquele júri porque seria uma decisão difícil".

Ainda vamos acordar um dia e descobrir que a tal Dita não era dura nem branda, mas uma mulata que pegou 2o lugar no concurso de porta-bandeira da Mangueira.
09:21:40 - Sorel -

20 Março

Agora vai!

A carne é fraca mas Heráclito é Fortes

José Ribamar é bom mas não é dois. Com a ajuda inestimável de Heráclito Dantas Fortes, o Senado brasileiro finalmente haverá de ser moralizado. Nossos encômios a ambos estes formidáveis homens públicos.
16:06:02 - Pinto -

19 Março

"Isso nunca aconteceu comigo antes"

Deu no UOL: "Estresse pela crise pode interferir na vida sexual, diz Jairo Bouer".

(da seção Desculpas Prontas a R$1,99! Não Perca!)
10:35:06 - Zeno -

16 Março

O ataque das mijonas

"A absorção de substâncias químicas poluentes por animais vertebrados - inclusive o homem - está causando uma progressiva feminização dos machos dessas espécies e põe em risco sua sobrevivência futura. A principal causa do fenômeno parecem (sic) ser as enormes quantidades de hormônios lançadas no meio ambiente pela urina das mulheres que usam anticoncepcionais orais."

Fonte: Revista Planeta, nosso vade-retro, digo, vade-mécum.

(crdt, inclusive título : apolombra)
17:48:19 - Pinto -

09 Março

Abertura frontal ou superior?

Máquina de lavar fez mais por mulher que a pílula, diz Vaticano.

Ensaboem, mulatas!
22:13:47 - Pinto -

08 Março

Nomes aos bois

Colaborando com a ação revisionista da Folha, o Jornal da Ditabranda, e com o apoio intelectual do midiático professor M. A. Villla, o Villão (que dá mais expediente nas páginas dos jornais e na tela da GloboNews que na sua cátedra na universidade), este blogue soma-se ao esforço orwellico de rebatizar as coisas e relaciona a seguinte parada de sucessos:

Ditaberra (1º de abril de 1964) — O grito inicial, o golpe início da Revolução em si, comandado pelo general Olímpio Mourão Filho, auto-intitulado Vaca Fardada. Não há registros históricos sobre como se chamava em trajes civis, nem se retirava os chifres nessas ocasiões.

Ditaplana (1964-67) — Período áureo de liberdades e estímulo à criatividade comandado por Humberto de Alencar Castello Branco. Assim chamado em alusão à cabecinha-chata do marechal.

Ditabunda (1967-69) — Dito não em homenagem às feições do marechal Arthur da Costa e Silva, que era a cara da própria (com óculos escuros), mas porque, passada a cabecinha de Castello, botaram na nossa. Tempos de Oban, CCC e AI-5, paroxismos de brandura.

Ditaboba (1969-70) — Curto interregno dos Três Patetas depois que o Senhor chamou Costa e Silva para uma partida de carteado no Céu. Consta que o marechal trapaceou e foi passar uma temporada no inferno. Bem-ambientado, nunca retornou. Aurélio de Lira Tavares, o Adelita, Augusto Rademaker e Márcio de Sousa e Melo juntar-se-iam à mesa depois.

Ditabola ou Ditabólica (1970-74) — Os Anos de Chumbo, assim denominados em função do bolão que o selecionado pátrio bateu em Guadalajara. Foi chumbo grosso em cima de quem viesse enfrentar o escrete canarinho. O general de plantão? Tinha um sobrenome esquisito que terminava por Médici. Mas que importância isso tem diante das diabruras de Tostão, Pelé, Rivelino e da Lei de Gérson, certo?

Ditabênção (1974-77) — Época do Milagre Brasileiro comandado pelo primeiro santo 100% genuinamente nacional, Herr General Ernst Geisel. Sieg Heil, e reze três ave-marias ajoelhado no milho.

Ditadrófoba (1978) — Malsucedida tentativa do general Sylvio Frota de acabar com a brandura do regime, face ao crescente declínio de suicídios nas celas dos DOIs Brasil afora. Foi contido em camisa-de-força e tratado à base de medicamento antirrábico.

Ditaburra (1979-1985)
— A notória predileção do general João Baptista de Oliveira Figueiredo pelos equinos e, mutatis mutandis, por Alexandre Garcia como porta-voz não poderia ter outro nome. Mesmo porque Figueiredo entregaria a rapadura de volta aos civis e muita gente na caserna, e fora dela, até hoje não vê inteligência nisso.

Coda:

Ditabreve (1985) — Ia ser o período de retomada democrática liderado por Tancredo Neves, mas falhou no lançamento.

Ditabumba (1985-1989) — Encerrando o ciclo autoritário com as folclóricas tradições de José de Ribamar e os tambores de Codó, que tanto trabalharam pelo fim do sofrimento de Tancredo e pelo desenvolvimento deste imenso Maranhão que se chama Brasil.

(este post vai para joão gilberto, dorival caymmi, caetano veloso, milton ribeiro e idelber avelar. aquele abraço!)
15:23:08 - Pinto -

04 Março

De caboca@sontag.org para gaspari@fsp.ditabranda.br

Estimado jornalista,

Permita-me apresentar-me: sou uma entidade que vez em quando baixa aqui neste terreiro para tecer comentários ("Dar pitacos sobrenaturais", segundo meus colegas), a maioria deles relacionados a imagens, uma de minhas paixões. Manifesto-me desta vez sobre esta em particular. Não vou aludir ao abaixo-assinado nem à chacrinha que farão realizar sábado defronte ao prédio da Barão de Limeira, ambos já de domínio público, pois não sou afeita a mundanidades.

Fixo-me na imagem. Um jornal dos que o subvencionam e já se disse "o das Diretas" logrou este impensável: subverteu um ícone dos Anos de Chumbo e o tornou objeto de escracho não contra quem o produziu, mas contra quem deveria combatê-lo antes de qualquer coisa. Compreenda-me bem. Não me incomoda o escracho em si. À memória do Vlado dano pior fizeram os milicos. Tento aceitar, embora seja difícil, que justo um jornal tenha sido a força-motriz dessa guinada semântica. Sei do constrangimento que isso causou intramuros. Imagine então o constrangimento aqui fora, diante da pena de Eliane Cantanhêde, Josias de Sousa e outros luminares de igual quilate. Onde haverão de buscar indignação contra a vocação ditatorial do companheiro Lula depois dessa? Já ganhei uns caraminguás cometendo textos para a grande imprensa e creia-me: não há sensação pior para um jornalista que se ver diminuído à escala com a qual adoramos medir os donos do poder. Este episódio nos deixou menor que eles, de um tamanho tão minúsculo que certamente escapará até da miopia seletiva do ombudsman Lins da Silva. Seu antecessor, Mário Magalhães, não deixaria por menos, mas ele sintomaticamente pediu o boné.

E isso tudo, ironia das ironias, a pretexto (não haverá outro até 2010) de fortalecer a candidatura de uma notória vítima da tal ditabranda. Diga-se o que se disser de José Serra, mas enquanto editorialista da Folha ele jamais sonharia rascunhar absurdo parecido.

Deve ser duro para você, um dos poucos sujeitos desse metiê com quem arriscaria debater alguma coisa em pé de igualdade, submeter-se a tal desmoralização por quem lhe dá guarida às idéias. E agora, como fica? Ensinar que isso é coisa para admiradores da doutrina Pinochet, correndo o risco de ser demitido como um foca que escrevesse Golbery com i? Ou botar a viola no saco e fazer como quis a Redentora com o Vlado, suicidando a notícia? Assim como não há ditaduras brandas, não existem mais jornais como os conhecíamos. Falta alguém dar a boa-nova às redações, e quem sabe você possa fazê-lo.

Decisão difícil. Lembra do Claudio? Em pé naquele aquariozinho dizendo a quem quisesse ouvir: "Nós aqui emprestando dignidade a esses sujeitos, que se não fosse por nós não envergariam nem paletó". Abramo era, sobretudo, elegante. Aqueles tempos também eram.

Mas eram, de fato, outros tempos. Na faculdade a gente aprendia que não existe jornalista sem jornal. Continua verdade em parte. Tome aquela colunista econômica que virou social (ou seria o contrário?). Substitua-a por uma chimpanzé que saiba catar milho e os leitores não haverão de perceber a diferença, exceto talvez pela foto do cabeçalho. Por isso é que hoje é coisa rara encontrar jornalista mesmo nos jornalões e nas revistinhas, cada vez mais parecidas com o armazém de secos e molhados da máxima abrâmica. Recordo-me agora de você e do Jânio e, sem forçar a memória, de ninguém mais. Por essas e por outras vão defender seus trocados longe desse vexame.

Talvez seja a sua hora. A realidade há 10, 15 anos, sem esse terror das ditabrandas que é a internet, era bem outra, e arreganhos como o da Folha teriam caído no vazio. Hoje não mais, e sujam a barra de gente briosa como você. Lembro-me agora de um site com sua assinatura antes de existir o que conhecemos como blogosfera, e pessoalmente lamentei muito a sua morte prematura. Cogite retomá-lo pelo bem de nós leitores pensantes, embora respeite suas razões caso contrário. Só não vá fazer como seu colega Clóvis Rossi, essa sempre tonitruante voz em defesa da democracia, de quem nesse episódio não se escutou um cacarejo. Hoje ele concluiu: "Política brasileira está sem pé nem cabeça". Eu acrescento: à imprensa, faz algum tempo, só restou o pé.

Despeço-me, e assim viveremos agora.

Susan.

PS 1 — Relutei enviar-lhe esta missiva porque, depois da letra ferina da professora —"Ninguém lê editoriais, mas as pessoas lêem cartas à redação"—, achei que seria chover no molhado. Mas o fiz em consideração, por pura afinidade intelectual.

PS 2 — Sem precisar puxar muito pela memória recordei-me da Dorrit, sua doçura e seu caráter, e a cito para não cometer uma injustiça íntima. Eis aí não apenas um texto brilhante como cada vez mais raro. Recomende-me a ela muito efusivamente.
23:31:15 - Pinto -

Alô, alô, seu Jackson

Adesg informa: compra de votos e abuso de poder no Maranhão não são pra qualquer um.
07:23:51 - Pinto -

01 Março

De donde vienen las ditablandas



E a Folha, hein? De "O Jornal das Diretas" para "O Jornal da Ditabranda" em coisa de duas décadas. Agora se me dão licença vou ali fazer um voo da morte com uns jornalistas amigos meus.
00:00:46 - Pinto -

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