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Modéstia, thy name is Dick

Jornalismo não é profissão, é destino. Não é porque o rapaz é prata da casa, não, mas é preciso espírito cívico, pendor exploratório e estômago de jegue para percorrer a mesma quilometragem gastronômica que nosso Redator Pinto faz a cada semana com um pé nas costas, uma mão no click wheel do Ipod e a cabeça nas nuvens habitadas pela MFK Fisher.

Como nem tudo na vida são quitutes e acepipes, há também os mariscos arenosos e as pastas grano molle: "Benhê, o Pinto ligou e quer levar a gente naquele restaurante de lutador de sumô", "Ah não, é a terceira vez só este mês!", "Cê acredita que o Pinto marcou jantar lá naquele chinês que tem saco de comida de cachorro no banheiro?", "De novo? Ele é sócio daquela imundície?", "Não, não e não, Pasquale não!! E não também para aquela mãe judia que te adotou!!", são alguns dos diálogos ingratos e síncronos que testemunhamos nos últimos anos, a descrever menos a generosidade de nosso Redator e mais a mesquinhez de espírito dos que têm identificador de chamadas.

Impávido, ele vê sua conta corrente minguar, sua Metade Outra embirrar e sua agenda telefônica diminuir, mas não desiste. Um dia a Glória virá. Se não ela, pode ser um tal Marcelo Katsuki, mesmo, que assinou um texto recente na Folha de S. Paulo corroborando tintim por tintim (não, não é especialidade de um Cantão chinês) os pitacos do nosso Redator, que agora deixará de pregar no deserto para ouvidos moucos e bocas grosseironas e passará a dividir uma coluna mensal com Dona Palmirinha no Diário Popular. Aqui, aqui, aqui e aqui, algumas resenhas do Pinto. No Leia Mais, o texto da Folha.

LADO B DA LIBERDADE
Com chef malabarista e milanesa à moda japonesa, restaurantes compõem o circuito alternativo do bairro paulistano

MARCELO KATSUKI

É só falar no bairro da Liberdade para vir à mente o restaurante que tem o seu yakisoba favorito ou o sushiman famoso que prepara seus temakis como ninguém. Por que não quebrar essa rotina do trivial "sushi-yakisoba" das casas famosas e visitar restaurantes que compõem o roteiro alternativo do bairro paulistano?

Uma fachada escura e um preço atraente podem afugentar os clientes, desconfiados da oferta generosa. Esse é o caso do restaurante Galvão Bueno, um "3 em 1" da gastronomia oriental. Lá, as cozinhas chinesa, japonesa e coreana dividem espaço no mesmo bufê. Carnes cruas convivem com sushis e ostras num salão repleto de churrasqueiras nas mesas. No meio daquele fumacê todo, descobre-se que o bul go gui (o churrasco coreano) tem uma boa seleção de carnes e um tempero gostoso. Os sushis são saborosos; e as ostras, fresquíssimas. Caso não saiba preparar o churrasco, chame o Ivo Lima. Os atendentes estão sempre dispostos a explicar o preparo, simples, na verdade. Talvez saia um pouco defumado, mas a visita valhe a pena.

Já os fãs do macarrão chinês devem conhecer o Rong He. A discreta casa passa desapercebida até para quem transita à pé. O mesmo não se pode dizer de seus pratos, chamativos e muito picantes, típicos da cozinha do norte da China. E que tal assistir ao chef esticando sua massa com as mãos antes de levá-la ao caldeirão, sem utilizar cilindro nem faca para cortar os fios? Um show de malabarismo: a massa estica, gira, torce, divide-se. Além do chaomamian (macarrão picante com frutos do mar), não saia de lá sem provar o giucaihezi, um pastel recheado de macarrão harussame, camarão e nirá, a perfumada cebolinha silvestre. De sobremesa, o doushasujiao é a pedida certa: um pastelzinho recheado de pasta de feijão, cozido no vapor e depois frito, bem delicado -um bom contraponto para uma refeição de sabores tão fortes.

Meio escondido e com a porta sempre fechada, quem se aventuraria a adentrar o salão do Bueno? O proprietário Fernando Kuroda já foi "sumotori" (lutador de sumô) profissional e, além de sua brigada de lutadores, ostenta um cardápio em japonês, o que pode intimidar -mas uma versão em português já está saindo do forno. Clássico da casa, o chanko nabe é uma refeição "de peso" que garante aos lutadores de sumô sua forma ideal. O Bueno reproduz o modelo de "isakaya", os tradicionais bares de petiscos do Japão, com um balcão repleto de tira-gostos de sabor autêntico. Para o outono, há duas novidades: o ishiyaki bi bim pa (um prato coreano com legumes e pasta de soja picante sob arroz e ovo cru, que devem ser misturados, sendo cozidos pelo calor da travessa de pedra na qual é servido) e o okonomiyaki, a "pizza japonesa", mas aqui feita com abóbora.

Bocados chineses
Com uma fachada modesta e fora do circuitão dos restaurantes, fica difícil descobrir o Jambo, lugar especializado em dim sum, os tradicionais bocados chineses apreciados mundo afora, mas pouco conhecidos aqui. Restaurante da simpática Suzana Chou, o Jambo possui ainda um farto bufê para o preparo do shabu-shabu chinês, um tipo de "fondue" de carnes, frutos do mar, legumes e verduras cozidos em um fumegante caldo e degustados com um molho que confere um sabor acre, adocicado e picante. Aproveite a visita para tomar uma dose de Peikan, a cachaça chinesa com 50º de teor alcoólico e um sutil aroma de jaca.

Mais bem localizado e menos exótico, o Katsuzen ostenta na fachada o nome em ideogramas japoneses, o que dificulta sua identificação. Não para os japoneses, que adoram a especialidade da casa: milanesa. O próprio nome do restaurante significa "milanesa na bandeja". Para fazer jus ao título, capricha nos lombos empanados, preservando a capinha de gordura da carne, detalhe apreciado. O grande sucesso é o tonkatsu: fatias de lombo de porco à milanesa. Sirva-se à vontade de tarê, o espesso molho inglês que vai bem com a fritura.

Já o Okuyama é especializado em "fast food" japonês e em alguns pratos de Okinawa (província do Japão), como o okinawa soba, um macarrão com saborosas e indiscretas costelinhas de porco e conserva de gengibre, e o achi ti biti, generosa porção de joelho de porco lentamente cozida num molho espesso com cogumelos e gengibre. Assim como os irmãos Milton e Francisco Okuyama, que se alternam no salão, a cozinha também é comandada por dois irmãos: o Zé e o Josias Rego, que garantem o tempero apurado. O mais curioso é que eles são... mineiros. Mas quem disse que cozinha japonesa era terreno só de cearense, uai?

MARCELO KATSUKI é editor de arte e foto da Folha Online e autor do blog "Comes e Bebes"

Colaborou AURÉLIO HISSAO HASHIMOTO
posted at 22:02:43 on 11-05-2007 by Zeno - Category: ...ou então miojo


Comentários

Pinto wrote:

Com os miojos que me atiram construirei um ... um... o que diabos a gente constrói com aquilo?

Em tempo: pronto. Acabou-se o que era doce. É sair nesses guias que ensinam paulistanos a se divertir e aquilo que já é lotado fica inadministrável.

Próxima parada: pés-sujos da Vila Carrão. Quero ver a Folha e a Vejinha irem lá.
14-05-2007 11:16:58

captcha wrote:

não se mete na vila carrão que o pedaço é meu!!!!
14-05-2007 13:37:19


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