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Habemus roteirom?

Eis que ontem fomos assistir à película Tropa de Elite 2 e ficamos impressionados. Com a estrutura narrativa, com a edição pouco dada a arroubos moderninhos, com o monstro que é o Wagner Moura (uma espécie de Selton Melo que não interpreta apenas Seltons Melos), com o product placement que não força a barra, enfim, com tudo. Achávamos que estávamos quase diante de um filme argentino... quando bateu aquela dúvida: é pra gostar ou não é pra gostar?

A quem recorrer se não a Madame Satan numa hora dessas?

posted at 12:20:22 on 16-10-2010 by Pinto - Category: Pergunte a Mme. Satan


Comentários

Zeno wrote:

Rapá, não sei o que andam falando do filme, porque todo mundo só bate na tecla da bilheteria, mas vamulá:

--acho que até por conta das confusões que rondaram o primeiro (a história de o filme ter seu foco mudado na montagem, já que a primeira versão trazia o tal Aspirante André como condutor da narrativa; depois do filme pronto, ao verem a interpretação do Moura e a importância do personagem do Capitão, refizeram tudo na sala de edição, chamaram o Moura pra fazer o off e tentar dar um jeito de tudo aquilo voltar a ficar coerente), pois bem, voltando, essas idas e vindas deixaram o primeiro filme muito mais interessante que este segundo.

--às comparações, pois: no primeiro, gastou-se muita saliva, inclusive da parte do Padilha, em tentar livrar o filme da pecha da identificação com o Nascimento. A gente saía do cinema sem ssaber ao certo se o filme endossava ou não as atitudes dele, o que, à época, me pareceu salutar, porque contraditório (nascido, inclusive, da indecisão de foco mencionada acima). Ora, se o Scorsese mostra o Joe Pesci furando um sujeito com uma caneta, por que o Padilha não poderia mostrar o Nascimento usando seu famoso saco plástico, mesmo que este seja representante da força do Estado e aquele um mafioso de Long Island? Dessa indecisão do filme nascia boa discussão, como se viu nos bares à época.

Pois bem, agora nesse segundo não há nada disso, nós somos encaminhados, sem nenhuma sutileza, à identificação com o Nascimento e ao endosso que o filme dá a ele, e aí a porca começa a torcer o rabo. Porque não é possível se identificar com um personagem que se mostra tão boboca quanto o Nascimento no que diz respeito à, hum, compreensão de mundo por ele exposta. A partir da terceira ou quarta menção feita pelo off do Nascimento ao "Sistema", comecei a desenvolver uma urticária que só parou quando já estava a uma boa centena de metros do cinema. Caras como o Padilha, o Mantovani e o Resende (o montador) não podem se expor ao ridículo desse jeito. Todas as cenas feitas para "expor" o funcionamento do "Sistema", as da Assembléia Legislativa do Rio, a da festa no morro com a presença do governador, a da CPI em Brasília, culminando com o plano mais débil mental do cinema brasileiro dos últimos tempos (aquela tomada aérea sobre o Plano Piloto), essas cenas só são dignas de novela ruim das oito, não de gente qualificada como são os acima mencionados.

--outra qualidade do primeiro era a quantidade absurda de, por falta de melhor expressão, cenas críveis, cenas que traziam pequenos momentos de verdade, em que pessoas (e não atores) fazem coisas corriqueiras. O exemplo disso que sempre me vem à cabeça é a ceninha no filme do Truffaut (o Beijos Roubados) em que a personagem feminina ensina ao Doinel como se passa manteiga na torrada sem quebrar. Isso faz uma falta danada ao cinema brasileiro dos últimos tempos, e o Tropa 1 era recheado deles (um exemplo: o diálogo sobre o motor de Belina dentro do capô do Santana). No Tropa 2, tem também um bocadim disso, mas em quantidades bem menos generosas; no restante, predomina a sensação de tudo mais ensaiado, menos verossímil, mais "estudado" a fim de comprovar a tal "visão de mundo" mencionada.

E depois eu continuo porque vou almoçar. Pede pra sair, Zeno 02.
16-10-2010 13:06:27

burrinha wrote:

resumindo.... eh bom ou nao ? Nao entendi
16-10-2010 16:10:35

Pinto wrote:

E o pior não é isso. Pior é que Mme. Satan tinha dito que Tropa 1 não era bom. Agora é que tô cafuzo mesmo.
16-10-2010 19:15:00

lamatradutor wrote:

Eu traduzo pra vcs: é bom, mas tem esses porens aí. É quase uma pena ele não ter acertado nessas coisas, pois aí seria ótimo. Mas isso nunca vou confessar.

NT: Um filme só não conserta 30 anos de problemas do cinema nacional
16-10-2010 19:29:19

Zeno wrote:

Continuando, entonces:

--no primeiro, a impressãozona geral era de um catadão de erros e acertos, com várias coisas acontecendo, subtramas aqui e acolá se juntando na trama geral, meio fake e a posteriori, que era a tal "preciso encontrar um sucessor", nitidamente inventada pra costurar os elementos. No Tropa 2, a impressãozona é a de um elefantão, pesadão, com um assunto só, monocórdio, sempre na mesma tecla, "o sistema", "o sistema", e o que o Nascimento fará para combater o "sistema". Nem sei qual a minutagem do filme, mas lá pelas tantas eu virava na cadeira e pensava, "Putz, a gente já deve tá com umas duas horas e meia, não dá pra acabar, não?"

--um último reparo, que é a história da câmera na mão. Isso já tinha dado merda no primeiro, com o uso indiscriminado em cenas estapafúrdias, como o debate dos alunos na sala de aula na PUC. No segundo, alguém precisaria dar um toque pro Padilha que não dá pra filmar tiroteiro enquadrando a cena a partir do ombro/das costas de quem tá atirando, sob pena de a gente se sentir num videogame com classificação etária "Mature/+17". A sensação de banalização da sanguinolência pela via do videogame remete a outro problema, que é o evidente prazer que o diretor tem em mostrar violência. Há dúzias de cenas que exemplificam, mas fiquemos com uma que permitiria à direção uma saída mais elegante: quando o Nascimento parte pra cima do secretário de segurança, socando-o e chutando-o, custava muito mostrar o início da pancadaria e depois subir uns centímetros a câmera, pra mostrar apenas o personagem do Moura batendo no cara, sem que a gente assistisse aos efeitos da pancadaria? A platéia, no cinema em que eu estava, urrava de prazer a cada porrada, mas duvido que essa fosse a intenção, digamos, brechtiana do Padilha. O recado da cena já estava dado, a contundência não seria menor se a opção por um tostãozinho de decoro fosse feita.

--mas queria saber o que o restante da nano está achando, porque ouvi hoje do nosso Lama que todo mundo que viu saiu do cinema elogiando.
16-10-2010 20:49:18

Pinto wrote:

Porque o Lama é um cara açodado. Eu só elogio depois que ouço o vaticínio de Mme. Satan, conforme, claro, ela fale mal do filme.
16-10-2010 21:15:15

g.s,n-s. wrote:

traduzo2 (ao quadrado):
toda obra de arte tem defeito.
os defeito faiz p.arte, nessas hora o que importa é o todo.
os detaille são tudo passista, o que vale é o conjunto, a bateria, as tanga etc..
por isso que acho a giselle b. um T., aquele nariz couréges até o picasso.
17-10-2010 02:45:07

burrinha wrote:

ok,ok... e depois a mulher que é complicada...só era pra dizer <bom> OU <ruim>... vou la ver e ja respondo
17-10-2010 03:30:52

Zeno wrote:

Pra corroborar o dito do Barão de Itararé, "De onde menos se espera é que não vem nada, mesmo", o nosso Piza, em sua coluna de hoje, faz uns reparos ao filme mas elogia justamente a cena esculhambada acima, do sobrevôo sobre Brasília.

Mas tem uma no cravo: no mesmo jornal, em artigo longo, o Zanin critica o simplismo da "visão de mundo", também mencionada acima, expressa pelo Nascimento, pelo Padilha e pelo filme.

E assim vamos, na base do c.q.d..
17-10-2010 10:35:18

sil wrote:

Eu devia ter lido madame satan (adorei essa) antes de comprar o ingresso! Agora ferrou-se tudo. Já disse prum tantão de gente que gostei do filme.
17-10-2010 23:26:11


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