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Se soubesses...

Aloysio, Silvinha e Tom.jpg

O leitorado ativo e participante do HZ não faz idéia do grau de alienação deste nosocômio. Só para vocês avaliarem, a última instrução que recebi do editor-em-chefe foi para avaliar as gravações disponíveis de Dindi, o clássico de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira, e definir o cânone. Isso na semana em que estavam votando PEC, presidente do Senado trocando sopapos com juizecos, Paulo Preto deixando roxo o alto comando do PSDB, o Italiano consolando o Coisa Ruim nos corredores dos presídios de Curitiba.

Mas manda quem pode, obedece quem tem juízo. Dei uma geral rápida nos escaninhos do Drobo e separei algumas coisinhas. Os arquivos estão separados em três blocos para facilitar o tráfego da muamba - Cantores brasileiros, Cantores de fora, Instrumentais.

Para começar, a preferida do chefe - Sylvinha Telles, a primeira a gravar a música em 1959. Sylvinha voltaria à canção mais duas vezes, antes de se estabacar na estrada para Maricá, em 1966. De gravações contemporâneas, temos as de Maysa, Agostinho dos Santos, Alaíde Costa, Lúcio Alves e Elza Soares. Tem outras mais recentes, com Rosa Passos (minha preferida em qualquer lista de qualquer tipo de música), Leila Pinheiro e Zizi Possi. Pra satisfazer a porção nordestina da redação, tem até uma com o Fagner, mas não recomendo para quem nasceu da Bahia pra baixo.

Dos canários de fora, o escrete é imbatível. Devo prevenir que deixei de fora gringas cantando em português. Invariavelmente, a coisa começa assim: "Cêu, tão grande é o cêu", o que se presta a comentários os mais sórdidos. Vão vendo aí: Billy Eckstine, Blossom Dearie, Carmen McRae, Sarah Vaughn, Frank Sinatra, Shirley Horn (em duas versões diferentes, se ela tivesse gravado três vezes, a terceira também estaria aqui) e mais uma porção de gente mais ou menos desconhecida.

E pra finalizar, as versões instrumentais. Tem desde Joe Pass com Chet Baker (mas pode chamar de Ray Conniff Bonsai), Wayne Shorter, que começa com o Airto Moreira tocando berimbau, enquanto o festejado saxofonista leva quatro minutos emulando um jumento sexualmente excitado, até uma versão matadora do Harry Allen, filho espiritual de Ben Webster, um sax quente e relaxado, daquelas que você ouve e começa a pensar besteira. Para alargar os horizontes espirituais dos leitores, botei duas versões marciais: uma com a Banda de Fuzileiros Navais, outra com The Falconaires, a banda da USAF, a força aérea norte-americana. Só para vocês entenderem por que eu rezo todo dia pro Brasil não declarar guerra aos EUA.

Muito bem, diria o leitor mais atento, e qual é a melhor?

Sei lá. Ouçam aí e digam.


CANTORES BRASILEIROS (121MB)
20161029-cantores_brasileiros.jpg

CANTORES DE FORA (238MB)
20161029-cantores_de_fora.jpg

INSTRUMENTAIS (109MB)
20161029-instrumentais.jpg
posted at 17:53:21 on 29-10-2016 by DJ Mandacaru - Category: A hora do DJ Mandacaru


Comentários

Zeno Agradecido wrote:

Ainda não deu pra ouvir tudo, mas, por enquanto, fácil:

..Sylvinha Telles, só com violão, nas brazucas.
..Sinatra e Tom, claro, mas a Carme McRae merece menção.
..QUEM É ESSE HARRY ALLEN, pelamor? Sensacional. No final, ele sopra a bagaça do sax num estertor, é uma humilhação.
30-10-2016 19:22:38

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